ESTUDO APONTA IMPACTO DO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO NAS IMUNODEFICIÊNCIAS

Transplantes de células-tronco hematopoiéticas têm sido decisivos no tratamento de imunodeficiências congênitas no Brasil. É o que comprovou um estudo do Grupo de Trabalho de Transplante Pediátrico, da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), apresentado no início do mês, em San Diego, nos Estados Unidos, durante encontro internacional.

 

O estudo avaliou 166 pacientes com imunodeficiência primária, submetidos ao transplante entre 1992 e abril de 2014, em dez diferentes centros transplantadores do país, entre instituições públicas e privadas. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com menos de 3 anos de idade, visto que a doença se manifesta quase sempre de maneira precoce e apresenta alto índice de mortalidade, se não diagnosticadas na fase inicial.

 

De acordo com a coordenadora do levantamento na Universidade Federal do Paraná, Carmem Bonfim, o transplante de células-tronco hematopoiéticas é curativo na maioria dos casos de imunodeficiências primárias. “Esses resultados nos possibilitam obter referenciais de condutas terapêuticas e, com isso, aperfeiçoar e ampliar a capacidade de realização desses procedimentos em países como o Brasil”, ressaltou.

 

No caso da imunodeficiência combinada grave e da síndrome de Wiskott-Aldrich, a sobrevivência global em três anos chegou a 60% e 79%, respectivamente. “Sem o transplante, a grande maioria dos bebês com imunodeficiência combinada grave morre antes de completar 1 ano de vida”, esclareceu Carmem.

 

Ela lamentou que no Brasil o maior problema ainda seja o diagnóstico precoce para o tratamento adequado, a tempo, dessas crianças. “Faltam leitos e estrutura adequados para o transplante, mas estima-se que dezenas de crianças morram anualmente por não terem sido diagnosticadas a tempo de começarem o tratamento, ou mesmo o transplante.”

 

As imunodeficiências primárias somam ao todo mais de 200 tipos de doenças hereditárias e são quase todas raras. Elas alteram os mecanismos normais de defesa do organismo e aumentam as chances de infecções e outras doenças.

 

Apenas alguns centros são capacitados a realizar o procedimento no país. O primeiro transplante desse tipo, no Brasil, foi feito em 1992, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

 

Fonte: Agência Brasil

Categoria: Acontece
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PESQUISA DA CNI INDICA QUE 74% DOS BRASILEIROS NUNCA COMPRARAM PELA INTERNET

As compras pela internet estão cada vez mais populares no Brasil. Entretanto, a grande maioria das pessoas ainda prefere comprar bens e serviços pelas vias tradicionais. Um levantamento do Ibope, encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revelou que 74% dos brasileiros nunca compraram pela rede mundial de computadores. A pesquisa mostra, ainda, que idade, renda e escolaridade influenciam no perfil do consumidor que utiliza esta opção de compra.

 

Mesmo entre os jovens, normalmente mais familiarizados com a tecnologia, ou brasileiros com renda e escolaridade mais altas, consequentemente com melhores condições de acesso à rede, a quantidade de pessoas que nunca usaram a internet para fazer compras também é alta.

 

O estudo mostra, por exemplo, que o percentual de consumidores que jamais fizeram compras pela internet atinge 65% entre jovens de 16 a 24 anos. Na faixa etária de 25 a 34 anos, a porcentagem chega a 67%.

 

São proporções elevadas, mas elas ficam ainda maiores entre os mais velhos. Entre 35 e 44 anos, a parcela dos que nunca compraram pela internet alcança 74%. Para pessoas de 45 a 54 anos, o percentual é 79%. Para consumidores com 55 anos ou mais, o percentual sobe para 87%.

 

Quando o critério é renda familiar, há um cenário análogo. Entre as pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos, quase metade, 49%, nunca comprou pela internet. Nas pessoas com renda de dois a cinco salários, a proporção é 70%. Para os que ganham de um a dois salários, chega a 85%. Os consumidores que ganham até um salário, registram percentual de 91%.

 

Considerando o grau de instrução, o percentual que nunca usou a internet para compras alcança 43% entre consumidores com ensino superior e 68% com ensino médio. Para os brasileiros que cursaram até a 8ª série do ensino fundamental, chega a 86% e a 92% entre os com formação até a 4ª série. O dado relativo à localização teve como resultados que 69% dos que não usaram a internet como meio de compra vivem em capitais, 74% em periferias e 76% no interior.

 

Gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, o economista Renato da Fonseca avaliou que renda e escolaridade são os principais fatores de influência sobre o consumidor que opera com a internet.

 

“Se minha renda é muito baixa, não compro na internet nem em shopping. Outra possibilidade é fazer a compra e não ter internet em casa. Ou tenho, mas não com boa velocidade. A questão é que, quanto maior o grau de instrução, maiores a renda e o acesso”, acrescentou Fonseca.

 

O economista ressaltou que os consumidores ouvidos para o levantamento foram estimulados a apontar os lados negativo e positivo na compra de bens e serviços pela rede.

 

Questionados sobre as desvantagens, 15% das pessoas apontaram a falta de contato com o produto, que é escolhido a distância. Conforme os dados, 11% acreditam que é difícil trocá-lo ou devolvê-lo. Outros 11% dos consumidores alegaram que o problema é a demora na entrega.

 

Com relação às vantagens, 21% acham que a principal é o menor preço do produto, enquanto 19% avaliam a compra pela internet como mais prática e cômoda e 5% que a opção permite comparar preços. Também 5% acham que o método torna mais fácil encontrar o produto desejado.

 

Mesmo com algumas desvantagens, as compras pela internet registraram alto grau de satisfação. De acordo com a pesquisa da CNI, 72% das pessoas estão satisfeitas e 20% muito satisfeito. Apenas 6% responderam que estão muito insatisfeitos.

 

Os produtos mais comprados são eletrônicos, como aparelhos de TV, DVD e celular. Eles foram citados por 51% dos consumidores. Em seguida, os eletrodomésticos, apontados por 27%. Os calçados, bolsas e acessórios foram lembrados por 17%. Na sequência, os itens de vestuário (16%), livros (13%), CDs e DVDs (12%) e perfumes e cosméticos (11%).

 

Além do uso da internet para compras, a pesquisa incluiu outros aspectos do comportamento do consumidor e ouviu 15.414 pessoas em 727 municípios brasileiros.

 

Fonte: Agência Brasil

Categoria: Em pauta
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KISS EM BRASILIA

Um dos maiores espetáculos pela primeira vez em Brasilia, KISS, show em comemoração aos 40 anos da banda. Dia 24 de abril, no Estádio Mané Garrrincha. Não perca!

Data: 24 de Abril, Sexta

Hora: 18h30

Local: Estádio Nacional – Mané Garrincha

 

Atrações

KISS

Steel Panther – Antes da grande atração da noite, sobe ao palco a banda convidada Steel Panther.

Raimundos (abertura)

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Sobre a Banda Kiss em Brasília

A banda Kiss veio ao Brasil quatro vezes, a última foi em 2012, mas nenhuma das visitas aconteceu na capital do País. Pela primeira vez, o grupo de hard rock mais famoso do mundo vai realizar uma apresentação histórica em Brasília. A banda recebeu 28 discos de ouro e vendeu mais de 100 milhões de álbuns em todo o mundo. Realizou 30 turnês internacionais e desde a formação lançou 20 álbuns de estúdio, sete discos ao vivo, três de turnê, 11 coletâneas e 14 vídeos e DVDs. O disco Monster é o mais recente do grupo e foi lançado em 2012. Devem fazer parte do repertório da apresentação da banda em Brasília hits que a consagraram mundialmente, como os grandes hinos Rock And Roll All Nite, Do You Love Me e Detroit Rock City.

 

Sobre o Show

 

A apresentação faz parte da turnê comemorativa das quatro décadas de existência da banda Kiss, a 40th Anniversary World Tour. O grupo formado em Nova Iorque em 1973 tem como integrantes originais Paul Stanley e Gene Simmons, posteriormente se juntaram a banda Eric Singer e Tommy Thaye. Desde a consagração do grupo na década de 1970, Kiss surpreendeu o mundo com uma nova experiência em palco, misturando rock com pirotecnia, iluminação e ambientação cênica, tudo com a maquiagem e figurinos característicos que se tornaram a marca da Kiss.

 

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Ingressos

Pista

 

R$160,00 (meia – 1º lote)

Pista Premium

 

R$260,00 (meia- 1º lote)

Camarote

 

R$350,00(meia- 1º lote)

*área exclusiva com acesso a pista premium, bar exclusivo, banheiros exclusivos, decoração personalizada e total segurança. Festa com DJ na abertura e pós-show

 

*Valores dos ingressos sujeitos à alterações sem aviso prévio.

 

Promoção de 50% sobre o valor da inteira:

Clientes NET: necessário apresentar última fatura paga do mês vigente ou anterior;

Clientes Claro: necessário apresentar última fatura paga do mês vigente ou anterior ou cartão Claro Clube;

Alunos Bodytech: necessário apresentar última fatura paga do mês vigente ou anterior;

Profissionais da área de saúde: necessário apresentar carteira profissional.

Promoção de 60% sobre o valor da inteira:

 

Assinante do Clube do Assinante do Correio Braziliense: necessário apresentar o cartão impresso do clube que poderá ser retirado no site do Correio. Limitada aos 300 primeiros compradores, exclusivamente na Central de Ingressos do Brasília Shopping.

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Pontos de Venda

Central de Ingressos do Brasília Shopping (Piso G2)

diversaobrasil.com.br/kiss/ (sujeito a taxa de conveniência)

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Mais Informações

Telefone: (61) 3703-4584

Classificação: 16 anos

 

Fonte: DeBoa Brasília

Categoria: Fique de Olho
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WORKSHOP COM AMIT GOSWAMI

Acontecerá no dia 21 de março, das 8h às 17h, no auditório do UDF, edifício Reitor Rezende Ribeiro de Rezende (4R), o workshop com o físico Amit Goswami que desenvolveu o conceito de ativismo quântico: uma forma diferente de ativismo, que busca desenvolver nos indivíduos e na sociedade uma nova visão de mundo baseada nos princípios da física quântica.

 

No evento ele aprofundará o conceito e falará também sobre o uso desse novo paradigma na saúde e na criatividade.

 

Os alunos e professores do UDF terão 10% de desconto.

 

Workshop com Amit Goswami

 

(Vagas limitadas!) 21/03, das 8h às 17h.

 

Local: UDF Centro Universitário  – Auditório do Edifício II (SGAS 903, Bl. D, Lt. 79)

*com intervalo para almoço e 2 coffees-breaks.

Ambos com tradução consecutiva.

 

Quem é Amit Goswami:

 

Referência mundial em estudos que buscam conciliar ciência e consciência, Amit Goswami é Ph.D em física quântica pela Universidade de Calcutá, Índia, e professor emérito do departamento de Física da Universidade de Oregon, EUA.

 

Investimento:

 

- Workshop: R$500,00 (à vista) ou R$530,00 (em 2x – depósito programado)

 

+ 1 exemplar do livro “O Ativista Quântico” (opcional): R$35,00

 

Inscrições no site: clique aqui

Categoria: UDF pra você
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MERCADO VÊ MAIOR CONTRAÇÃO DO PIB EM 25 ANOS E IPCA DE 7,47% EM 2015

Previsão do mercado é de retração de 0,58% no PIB, a maior desde 1990. Analistas dos bancos também preveem nova alta de juros nesta semana

O mercado financeiro estima um encolhimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,58% neste ano, segundo o relatório de mercado do Banco Central, fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras. Se confirmada, será a maior contração anual da economia brasileira desde 1990 – quando se retraiu 4,35%.

 

Os números do levantamento foram coletados na semana passada e divulgados nesta segunda-feira (3) pela autoridade monetária. Na semana anterior, os economistas dos bancos previam uma contração de 0,50% para a economia brasileira em 2015. A piora na projeção do mercado, na última semana, foi a nona seguida.

 

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Para 2014, o mercado continuou estimando, na semana passada, um crescimento zero e, para 2016, o mercado manteve a expectativa de uma alta de 1,5%.

 

Recessão

 

As previsões do mercado financeiro mostram que um cenário de recessão no fim de 2014 e início de 2015 não pode ser descartado. A recessão técnica se caracteriza por dois trimestres consecutivos de contração do PIB.

 

A prévia do PIB divulgada recentemente pelo Banco Central indicou uma retração de 0,15% no PIB em 2014. Nos três últimos meses do ano passado, contra o trimestre anterior, o PIB teria registrado uma contração também de 0,15%, segundo a prévia divulgada pelo BC.

 

Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o PIB do quarto tirmestre do ano passado, e também de todo ano de 2014, serão divulgados somente em 27 de março. No fim de outubro, o IBGE informou que a economia brasileira saiu por pouco da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014 – quando o PIB cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior.

 

Medidas econômicas

 

Questionado, na semana passada, se as medidas de aumentos de tributos e cortes de gastos, entre eles a limitação de benefícios sociais e investimentos, não poderia contribuir para jogar a economia brasileira em uma recessão, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que a economia não vinha “desempenhando bem” com as medidas anteriores – de estímulo.

 

“Boa parte do que está sendo feito é voltar à uma normalidade. Voltar aos gastos de 2013, diminuir as desonerações que foram crescendo, crescendo não se sabe muito bem porque. Estmos voltando à condições normais para retomar o crescimento em bases sustentáveis”, disse ele na ocasião.

 

Inflação

 

A expectativa dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que estava em 7,33% na semana retrasada, subiu para 7,47% na última semana. Foi a nova alta seguida na estimativa para a inflação de 2015. Se confirmada, a taxa de 7,33% será a maior desde 2004, quando ficou em 7,6% – ou seja, em 11 anos. Para 2016, a previsão do mercado recuou de 5,6% para 5,5%.

 

Com isso, a estimativa do mercado para o IPCA de 2015 segue acima do teto do sistema de metas do governo. A meta central de inflação para este ano e para 2016 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos. O teto do sistema de metas, portanto, é de 6,5%. Em 2014, a inflação ficou em 6,41%, o maior valor desde 2011.

 

No começo deste mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, ficou em 1,24% em janeiro, depois de avançar 0,78% em dezembro do ano passado. Essa foi a taxa mensal mais alta desde fevereiro de 2003, quando ficou em 1,57%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 7,14% – a maior desde setembro de 2011, quando o índice atingiu 7,31%.

 

Segundo analistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressionam os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

 

Nova alta de juros nesta semana

 

A expectativa do mercado financeiro também é de uma nova alta de juros nesta semana. A previsão dos economistas dos bancos é de que a taxa básica da economia, fixada pelo Banco Central, avance de 12,25% ao ano para 12,75% ao ano – um novo aumento de 0,5 ponto percentual.

 

Para o fim deste ano, a estimativa dos economistas subiu de 12,75% para 13% ao ano. A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Em 2015 e 2016, a meta central é de 4,5% e o teto é de 6,5%.

 

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros

 

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 subiu de R$ 2,90 para R$ 2,91 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio ficou esável em R$ 3 por dólar.

 

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 avançou de US$ 4,4 bilhões para US$ 5 bilhões. Para 2016, a previsão de superávit comercial subiu de US$ 11 bilhões para US$ 11,24 bilhões.

 

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil ficou estável em US$ 60 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte recuou de US$ 60 bilhões para US$ 58,5 bilhões.

 

Fonte: G1

Categoria: Em pauta
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NOS 70 ANOS DE SUA MORTE, MÁRIO DE ANDRADE GANHA PRIMEIRA BIOGRAFIA

Livro de Eduardo Jardim enfatiza a derrota do projeto cultural do escritor

RIO – Você já ouviu falar muito dele. Mário de Andrade (1893-1945), afinal, foi por décadas uma figura central da cultura brasileira – e seu nome ecoa até hoje. Teses foram escritas sobre ele. Suas cartas são publicadas há 20 anos. Seus textos são estudados nas escolas. O papa do modernismo, cuja morte completa 70 anos na próxima quarta-feira – fazendo com que sua obra entre em domínio público em 1º de janeiro de 2016 -, será homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty deste ano, que acontece em julho, e em uma série de lançamentos. Assim, parece o criador de um projeto de arte e de um Brasil vitoriosos – mas não é bem assim.

 

Pelo menos não é essa avaliação de “Eu sou trezentos – Mário de Andrade: vida e obra” (Edições de Janeiro/Biblioteca Nacional), de Eduardo Jardim, primeira biografia de um homem visto por muito tempo como “imbiografável” (por medo de que a abordagem sobre a sexualidade do pensador pudesse gerar processos judiciais). O livro carrega uma visão mais pessimista que o usual. O Mário de Andrade retratado por Eduardo Jardim não é um vencedor, mas um homem que dedicou sua existência a um projeto artístico e de nação – para vê-lo derrotado no fim da vida.

 

Não à toa, ele vai ficando mais amargurado. O Mário morreu com 51 anos. Você pega as fotos dele e vê uma pessoa arrasada, um homem velho – afirma Jardim, professor aposentado do Departamento de Letras da PUC-Rio. – Os admiradores de Mário o apresentaram como um escritor consagrado, mas ele foi sacrificado pelo ponto de vista autoritário.

 

Os últimos anos do modernista, sobre os quais Jardim já havia se debruçado em “Mário de Andrade – A morte do poeta” (Civilização Brasileira, 2005), têm importância crucial nessa tese. Depois de ser demitido do Departamento de Cultura de São Paulo, em 1938, com o Estado Novo, Mário entra em um período de depressão. Enquanto esteve à frente do órgão, viu-se perto de concretizar seu credo modernista de uma arte social que servisse a interesses coletivos do país. A reforma proposta por ele visava criar canais entre cultura erudita e popular, nacional e estrangeira, fundar uma arte para estabelecer vínculos comunitários.

 

Com a demissão – acompanhada de acusações de corrupção -, Mário muda-se para o Rio, onde entrega-se à bebida e fica afastado de amigos queridos que moravam na cidade, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Nomeado por Gustavo Capanema, passa a ocupar cargos menores no Ministério da Educação e Cultura – incompatíveis com quem já tivera uma centralidade na vida cultural do país. Mesmo assim, ele ajudou a fundar as bases do que hoje é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E sua visão de conservação do patrimônio cultural é usada até hoje.

 

- O Capanema quebra o Mário de Andrade. Bota ele no Rio como um zé ninguém, um funcionário que tinha que bater ponto. Você imagina um intelectual da estatura dele batendo ponto? No meio do Estado Novo, ele tinha um projeto antiautoritário, de inclusão – afirma Jardim.

 

Um dos momentos simbólicos de seu sentimento de derrota é uma conferência em 1942, na qual Mário se mostra melancólico. Aproximando-se de Murilo Miranda, Lúcio Rangel e Carlos Lacerda – à época comunistas -, ele adere à ideia de uma arte de combate. E começa a cobrar de amigos um posicionamento na luta política. Chega a defender que é preciso abdicar da arte para combater o fascismo. Mas Eduardo Jardim não é pessimista.

 

- O modernismo é o movimento intelectual mais importante do Brasil. Chamar a atenção para seu projeto frustrado convida a avaliar sua importância. Sim, nosso horizonte histórico é muito diferente. A distância possibilita a compreensão – afirma o autor.

 

Suporta homossexualidade intimidava candidatos a biógrafo

 

A suposta homossexualidade de Mário de Andrade sempre intimidou candidatos a biógrafo. Os amigos do escritor jogaram um véu sobre o tema – e, mesmo quando Manuel Bandeira publicou sua correspondência com o amigo, muita coisa foi rasurada. Moacir Werneck de Castro foi o primeiro a falar do assunto, em 1989, no livro “Mário de Andrade – Exílio no Rio”, não sem causar polêmica.

 

Eduardo Jardim não se esquivou da questão, mas não cita casos amorosos do modernista. E mostra que definir o autor de “Macunaíma” (1928) como gay não serve para rotulá-lo. A vivência do erotismo marca vários de seus contos e poemas, afinal.

 

- A obra dele é marcada pela sexualidade num sentido mais amplo que isso, com uma dimensão instintiva e sensual. Ele dizia que ficava movido sensualmente por uma árvore, uma coisa de grande sensibilidade. E isso surgia acompanhado de uma censura muito forte. Mário vivia sua sexualidade de uma forma muito tensa. No conto “Frederico Paciência” isso aparece de forma muito clara – diz Jardim, que mostrou o livro antes de ser publicado a Carlos Augusto de Andrade Camargo, herdeiro do modernista, e afirma que não recebeu nenhuma sugestão de mudança.

 

Até hoje, a Fundação Casa de Rui Barbosa guarda uma carta de Mário para Bandeira, que foi lacrada quando o acervo do amigo do modernista foi doado à instituição. Especula-se que ela conteria alguma informação sobre a sexualidade de Mário. O segredo é tanto que há mesmo quem negue a existência da carta – mas ela existe.

 

Os conflitos de sua vida sexual são só uma parte das tensões que marcam a obra do modernista – e a tornam interessante, diz o biógrafo. Seu pensamento estético funda-se numa oposição entre o lirismo e a inteligência; entre o elemento nacionalista e o universal; a cultura letrada e a popular; o instinto e a razão; e, no fim da vida, entre o artista e seu compromisso político.

 

- Quando essa tensão se quebra, é o momento de crise na vida dele – afirma Jardim.

 

O pesquisador, que fez entrevistas e voltou à ampla correspondência de Mário, garimpou duas frases que mostram uma veia antissemita. Em uma delas, comentando os retratos que Portinari e Lasar Segall haviam pintado dele, o autor diz: “Como bom russo complexo e bom judeu místico ele (Segall) pegou o que havia de perverso em mim. (…) A parte do Diabo. Ao passo que Portinari só conheceu a parte do Anjo”.

 

Embora tenha morrido frustrado, Mário de Andrade foi o intelectual brasileiro mais importante do século XX, na visão de Jardim. Ele defende, porém, que ainda não foi feita uma avaliação crítica do modernismo.

 

- Acho que toda tentativa de fazer “reviver” o modernismo é bastante equivocada. Temos que medir a distância que nos separa. Ele continua sendo a mais importante referência na nossa história intelectual, mas devemos avaliá-lo criticamente – conclui Jardim.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Literatura e Filmes
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ARTES VISUAIS YAYOI KUSAMA – OBSESSÃO INFINITA

Em seu último mês em Brasília, a mostra que já atraiu mais de 60 mil pessoas traça a trajetória de Yayoi Kusama do privado ao público.

 

 

Obsessão Infinita é a primeira exposição apresentada no país que expressa uma pesquisa profunda sobre o trabalho de Kusama, uma das artistas mais originais e inventivas do Japão contemporâneo. Da pintura à performance, do ateliê às ruas, desde 1977 a artista vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica. O caráter psicológico singular e pronunciado de seu trabalho sempre foi combinado com uma generosa dose de reinvenção e inovação formal, produzindo peças que fizeram dela, com justiça, a artista viva mais celebrada do Japão.

 

HORÁRIO: de 9h às 21h
INGRESSO: Entrada franca

 

Fonte: CCBB DF

Categoria: Cult
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MICROBIOTA: UMA PERSPECTIVA DA IMUNOLOGIA DO EXERCÍCIO

O coordenador do curso de Educação Física do UDF, prof. Bernardo Petriz, em parceria com professores de outras instituições nacionais e internacionais, teve um artigo publicado na conceituada revista de Medicina Esportiva Exercise Immunology Review.

 

 

A microbiota intestinal consiste de um conjunto de microrganismos que produzem uma variedade de moléculas sinalizadoras de natureza hormonal, ou seja, que são liberadas na corrente sanguínea e atuam em sítios distantes (receptores). A microbiota pode ser modulada por diversas condições ambientais, tais como o exercício e algumas patologias.

 

Interessantemente, o enriquecimento da diversidade bacteriana tem sido associado com uma melhora no estado de saúde geral e alterações no sistema imune, que constituem múltiplas conexões entre o hospedeiro a microbiota.

 

Por outro lado, a redução na quantidade e diversidade bacteriana da microbiota está associada com pioras na saúde, enquanto que o aumento da diversidade pode melhorar o perfil metabólico e as respostas imunes. Sendo assim, a ideia é que uma microbiota mais saudável auxilia no funcionamento geral do organismo e previne uma série de complicações metabólicas. Até o momento, poucos estudos controlados investigaram as interações entre o exercício agudo e crônico, e a microbiota intestinal.

 

No entanto, dados preliminares obtidos de estudos com animais ou probióticos mostram resultados interessantes a nível imunológico, indicando que a microbiota também atua como um órgão endócrino, sendo sensível as mudanças homeostáticas e fisiológicas decorrentes do exercício.

 

 

Indivíduos com diabetes e/ou obesidade apresentam uma redução na diversidade bacteriana da microbiota e este processo altera negativamente o sistema imune, de modo que, substâncias sinalizadoras liberadas por células imunes pioram estas patologias. Já o exercício parece restaurar parcialmente a microbiota, aumentando a sua diversidade, o que poderia melhorar os quadros adversos presentes em algumas doenças.

 

Apesar de tentador, ainda é muito cedo para estabelecer o exercício como uma ferramenta não farmacológica no tratamento de doenças associadas a distúrbios na microbiota. No entanto, definitivamente esta é uma área de grande interesse para futuros estudos na área de saúde, exercício e sistema imune.

 

Autores:

 

1- Stephane Bermon (Universidade de Nice Sophia Antipolis, Franca / Instituto de Medicina Esportiva e Cirurgia de Mônaco );

2- Bernardo Petriz (UDF – Centro Universitário, Brasília, Brasil / Centro de Análises Proteômicas e Bioquímicas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia, Universidade Católica de Brasília);

3- Alma Kajeniene (Instituto de Esportes da Universidade de Ciências da Saúde, Lituânia);

4- Jonato Prestes (Programa de Pós-Graduação em Educação Física , Universidade Católica de Brasília);

5- Lindy Castell (Green Templenton College, Universidade de Oxford, Reino Unido);

6 – Octávio L. Franco (Centro de Análises Proteômicas e Bioquímicas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia, Universidade Católica de Brasília / Pós-Graduação em Biotecnologia, Universidade Dom Bosco, Campo Grande, MS).

Categoria: Acontece
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