ROMANCE ‘CONTAR TUDO’, DO PERUANO JEREMÍAS GAMBOA CHEGA AO BRASIL

Com referências à música e intrigantes cenas de sexo, obra conta a história de um jornalista que decide largar tudo e viver de literatura

RIO — O romance tem mais de 500 páginas e um título auspicioso: “Contar tudo”. Elogiado pelo Nobel Mario Vargas Llosa e recebido por críticos literários latino-americanos como uma revelación, é o primeiro livro publicado no Brasil do jornalista e escritor peruano Jeremías Gamboa, de 40 anos. E o que um autor praticamente estreante tem tanto a contar? A própria vida, mas aqui confundida com a história de Gabriel Lisboa: um jovem estudante de Jornalismo da periferia de Lima que conta moedas para pagar a passagem, ouve Lou Reed e Caetano Veloso e lê livros o dia todo, tem certa dificuldade com os amores, mora de favor na casa de um tio e faz estágio em uma revista política semanal. E que um dia, tornado jornalista experiente, decide largar tudo e viver de literatura — tal qual Gamboa, que abandonou as redações (hoje colabora semanalmente com uma coluna de literatura para o “El Comercio”) para escrever o livro e dar oficinas de escrita no Peru. Ao tentar responder a si mesmo como faria isso — viver de literatura nos dias de hoje — o autor encontrou o título e o cerne do romance, uma bravata existencial em direção às palavras.

 

Muitos primeiros romances falam sobre a própria vida do escritor. É mais fácil escrever sobre o que se conhece?

 

É mais fácil, sim, mas a parte inventada aparece imediatamente. Desde o primeiro parágrafo, que escrevi saindo de um banho nos Estados Unidos, comecei a mentir, porque o meu protagonista faz o mesmo mas em um quarto em Santa Anita, na periferia de Lima. Escrever ficção é viver pelos pés de alguém. Gabriel Lisboa não sou eu, mas é um garoto feito de mim: dos meus medos, meus assuntos, meus desejos, meus sonhos.

 

É um romance caudaloso. Isso foi um problema durante a escrita?

 

É um problema editorial, pelo qual eu temia. Não queria que a extensão complicasse sua publicação e depois sua tradução: as cerca de 200 mil palavras encareceriam o custo de edição, a quantidade de papel, o custo das traduções. Neste sentido foi um problema. Mas no sentido literário, não. Gosto muito das novelas longas, e é de se agradecer que um escritor tenha uma história extensa e o tom preciso para narrá-la: é como sustentar uma relação amorosa duradoura e plena de bem-estar. Eu comecei a “contar tudo” pela metade, a partir do momento da renúncia, mas constantemente fazia flashbacks para contar o início da vida do personagem como jornalista. Então descobri que era uma novela de iniciação, que devia ser mais linear. Às vezes, quando escrevia, eu tinha receios pelo tamanho da história porque não há como se ter muito controle sobre a totalidade. E porque quando uma cena não saía sentia que todo o livro estava em risco. É como navegar um transatlântico.

 

Por que o livro se tornou um best-seller no Peru?

 

Foi impressionante. Hoje acho que foi uma empatia muito grande dos leitores com o protagonista: um garoto que representa uma maneira de ser de muitos peruanos, um adolescente mestiço e sem oportunidades que se lança a um lugar no mundo da mesma forma que muitos filhos de migrantes peruanos em Lima, transformando-se, e à cidade, definitivamente.

 

Em que momento de “Contar tudo” você notou que tinha uma linguagem própria?

 

Desde o início eu intuí. Sem essa certeza seria difícil abandonar o que estava fazendo para escrevê-lo. Custou muito encontrar uma voz própria, sobretudo pelo tratamento que daria à pobreza, que é uma característica dos meus personagens. Quando encontrei uma maneira digna de representá-los, achei algo parecido com a minha voz nos contos do livro “Punto de fuga” (primeiro livro de Gamboa, a coletânea de contos “Pontos de fuga”, em tradução livre, deve ser publicada ainda este ano pela Alfaguara). Foi precisamente este processo lento e doloroso do encontro de uma voz própria que quis representar no romance.

 

Há muita música no romance. Lou Reed é quase um personagem.

 

Escrevo com música. Deve ser por isso. Jamais soube escrever em silêncio. No momento de escrever este livro ouvi muita música, e fui incorporando as canções e discos desde o primeiro parágrafo. De fato a música é um gatilho da escrita. Gosto muito das ficções de Hanif Kureishi, Nick Hornby, e do chileno Alberto Fuguet, que incorporam muita música pop à trama. Eu me formei com música e por isso Gabriel também. Algumas das melhores lições que recebi sobre criação vêm da música, por isso homenageei Lou Reed, que me ensinou um sentido de escritura e liberdade, e Caetano Veloso, que foi meu grande guru na maneira de encarar meu ser mestiço.

 

É um romance sobre a escrita. As cenas de sexo do tímido Gabriel foram as mais difíceis, como costumam afirmar muitos escritores?

 

São difíceis como qualquer outra. Quando me aproximava delas, e sabia que entraria nelas, temia não conseguir escrevê-las e recorrer às elipses. Ao final acredito que tenham dado certo, graças à poesia de Jorge Eduardo Eielson, por exemplo, que li bastante durante a escrita. Quando li elogios a essas cenas de cama me senti seguro, empoderado como escritor. O sexo é um momento esplêndido para conhecer as pessoas e também para apresentar a essência dos personagens.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Literatura e Filmes
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EXPOSIÇÃO “AS MENINAS DO QUARTO 28″

Mostra apresenta desenhos de crianças judias que viveram em Theresienstadt durante a Segunda Guerra

Depois de passar por São Paulo (MuBE), diversos países da Europa e Israel, chega a Brasília a exposição “As meninas do Quarto 28”, adaptada do livro homônimo escrito pela jornalista alemã Hannelore Brenner, lançado no Brasil pela editora LeYa.

 

 

A exposição, com comitê curatorial composto por Dodi Chansky, Karen Zolko e Roberta Sundfeld e chancelada pela ONU, retrata – por meio de desenhos feitos por meninas judias que passaram pelo Quarto 28 – o dia a dia de cerca de 50 crianças que viveram no campo de concentração de Theresinstadt, próximo à cidade de Praga, durante a Segunda Guerra Mundial.

 

Com mais de 35 desenhos e uma réplica de 18m² do quarto em que elas ficavam aprisionadas, além de painéis com detalhes históricos, a exposição foi escolhida pela União Europeia, em 2013, para a tradicional homenagem realizada anualmente no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Em 2014, a Organização das Nações Unidas (ONU) também selecionou a exposição para lembrar as vítimas do genocídio cometido pelos nazistas.

 

“O quarto em escala real, mobiliado inclusive com beliches similares aos que elas dormiam, oferece aos visitantes a experiência de como foi a vida daquelas meninas. É emocionante ver desenhos tão coloridos e alegres dessas crianças, que viveram uma realidade tão difícil. A arte, realmente, tem um poder transformador”, afirma Karen Zolko, familiar de uma das meninas que habitou o Quarto 28 e representante da exposição no Brasil, junto com a amiga e sócia, Dodi Chansky.

 

Durante o período da mostra, o Programa Educativo receberá grupos que para visitas mediadas e atividades lúdicas relacionadas ao tema e à vivência da exposição. Informações e agendamentos -  9816-6070 / 3536-5806 ou agendamento@artqeduca.com.br.

 

A história

 

Há mais de meio século, entre os anos de 1942 e 1944, crianças de 12 a 14 anos moravam juntas no Quarto 28, em Theresienstadt, durante a ocupação da Checoslováquia pelos nazistas. Das 15 mil crianças do campo de concentração, apenas 93 sobreviveram. Entre estas, 15 são sobreviventes do Quarto 28.

 

Apesar da situação miserável, do racionamento de comida e do onipresente medo de ir para o “Leste” (Auschwitz-Birkenau), essas meninas puderam ter contato com professores, compositores e artistas – todos também prisioneiros do campo e judeus – que tentavam minimizar o sofrimento com atividades que as ajudariam a acreditar que aquela difícil situação seria transitória.

 

Nesse grupo de adultos determinado a proteger as crianças estava a artista plástica Friedl Dicker Brandeis que, deportada para Theresienstadt em 1942, levou poucos pertences pessoais e muitos materiais artísticos nas suas duas malas.

 

Friedl percebeu que a arte poderia ser uma importante ferramenta terapêutica para ajudar as crianças a superar as adversidades e a lidarem com os terríveis sentimentos de perda, medo e incerteza. Começou, então, a dar aulas técnicas de desenho e pintura para a ala infantil do campo de concentração. Ela contava histórias e pedia para que as crianças fizessem ilustrações. Como o objetivo era estimular a esperança naquele lugar, as narrativas eram sobre assuntos diversos e serviam como distração para tirá-las um pouco daquela triste realidade, tanto que as imagens não remetem em nada ao terror que elas vivenciavam.

 

Considerada hoje uma das precursoras da arteterapia, Friedl ficou por quase dois anos em Theresienstadt e conseguiu esconder os quase cinco mil desenhos de seus alunos em suas malas antes de ser levada para Auschwitz, em 1944. Esses desenhos foram achados 10 anos depois da guerra e levados para um museu em Praga, na República Tcheca. Das meninas que passaram pelo Quarto 28, foram encontrados cerca de 500 desenhos e 40 foram selecionados para fazer parte da mostra que viaja o mundo.

 

A história por trás da História – A relação do Brasil com As meninas do Quarto 28

 

Não foi à toa que Hannelore Brenner, a idealizadora e detentora dos direitos da exposição e autora do livro “As meninas do Quarto 28”, lançamento da Editora LeYa, incluiu o capítulo Ecos tardios do Brasil em sua obra. A relação entre o país e essa história de amizade e amor à arte está intimamente ligada por conta de Erika Stránská, filha do primeiro casamento do judeu George Stransky.

 

Em 1938, a mãe deixou Erika aos cuidados do pai para sair em busca de melhores condições de vida na Inglaterra. George acabou se apaixonando por Valeria, então primeira bailarina do Teatro de Viena, com quem se casou e teve Monika, sete anos mais jovem que a meia-irmã. As duas costumavam brincar juntas até que Erika e seu pai foram levados para campos de concentração mantidos pelo regime nazista. Ele foi para um campo de trabalho forçado e Erika foi encaminhada para Theresienstadt, mais precisamente para o Quarto 28.

 

Enquanto a mãe e a filha mais nova se refugiaram na pequena Boskov, George conseguiu escapar do campo de trabalho e ir ao encontro delas. Após o final da guerra, ele começou a procurar Erika, chegando, inclusive, a ir até a Suíça atrás de uma pista de seu paradeiro. Mas, acabou descobrindo que sua filha mais velha tinha sido deportada para Auschwitz, onde foi morta numa câmara de gás.

 

Após a tragédia, a família tentou retomar a vida da maneira que podia e, em 1946, se mudou para São Paulo. Alguns anos depois, a caçula se casa com GregorioZolko e criaseu próprio clã: as filhas Sandra e Karen Zolko e os netos André, Adriana e Lara.

 

Em 1974, a família viaja para a Checoslováquia e, durante um passeio pelo Museu Judaico de Praga, visita uma exposição de desenhos de crianças feitos durante a Segunda Guerra no campo de concentração de Theresienstadt.

 

A enorme surpresa se deu quando Monika reconheceu a assinatura da sua irmã, Erika Stránská, em um deles. Começou, então, a busca por detalhes de como teria sido a sua vida. Mas, quase nada foi descoberto naquela época devido ao regime comunista que vigorava.

 

Em 2012, incentivada por um amigo, Karen Zolko resolve mais uma vez procurar informações sobre o paradeiro da meia-irmã de sua mãe.Com a dissolução da Checoslováquia e as facilidades da internet, a brasileira consegue entrar em contato com o diretor do museu e descobre que lá não estava apenas um desenho de Érika, mas sim 30 deles.

 

“Montar esse quebra-cabeça era um presente que eu queria dar para a minha mãe. Consegui 70 anos depois, com a ajuda fundamental de amigos e familiares”, conta Karen Zolko que, junto com Dodi Chansky, representa o projeto da exposiçãono Brasil.

 

Além de um link para acessar as imagens, o diretor do museu mandou uma lista de contatos de pessoas que poderiam ajudar com mais informações sobre a história. Uma delas era a jornalista Hannelore Brenner, que começa a trocar dados e documentos com a brasileira e mostra para a família que Erika era uma das meninas que morou no Quarto 28.

 

Dessa ligação surge uma amizade e a ideia de trazer a exposição para o Brasil. “Nosso objetivo agora é levá-la para mais capitais do país e, quem sabe, ajudar outras famílias a conhecer e finalizar suas histórias pessoais, como aconteceu com a minha”, revela Karen.

 

“Usando essa emocionante história como inspiração, queremos ajudar a difundir o poder da arte e da educação como ferramentas fundamentais para enfrentar as mais difíceis situações da vida. Para isso, incluímos na programação oficial um bate-papo com representantes de quatro instituições brasileiras que usam a arteterapia para auxiliar crianças que estão passando por momentos adversos”, explica Dodi, parceira no projeto da exposição e amiga da família há anos.

 

Serviço


Abertura: 19/03 , às 19h

Visitação: De 20/03 a 26/04 (terça a domingo)

Horário: 9h às 18h30

Local: Museu Nacional

Endereço: Setor Cultural Sul, lote 2 – Zona 0 – Anexo

Entrada: Gratuita

Classificação: Livre

 

Fonte: Jornal de Brasília

Categoria: Cult
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BRASIL LIDERA O RANKING DE CONSUMO DE AGROTÓXICOS

Dados são de relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Inca, que alerta para as consequências à saúde, como o câncer

RIO – Landa Rodrigues, de 40 anos, trabalha na lavoura em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, desde criança. Antes ou depois da escola, costumava ajudar a família na produção de verduras. Cresceu plantando mudas, pulverizando agrotóxicos e colhendo o resultado do trabalho esforçado. Aos 20 anos, logo depois de usar um pesticida, seus olhos começaram a arder e inchar. Landa esperou o incômodo passar, mas ele não passou. Hoje, enxerga pouco e sempre soube que a culpa era do veneno, mesmo antes de as substâncias ganharem destaque pelos males à saúde que causam. Enjoos, dores de cabeça, feridas e coceiras na pele são outras lembranças ruins que ela guarda de quando as usava em sua produção, já que há três anos trabalha apenas com orgânicos. Além disso, vítimas de câncer são frequentes na região.

 

— Câncer aqui é igual a epidemia de dengue no Rio. Não falta caso para contar — diz Landa, lembrando que pai, tio e avô morreram de câncer, o que também ocorreu com alguns vizinhos.

 

Para cobrar uma redução do uso de agrotóxicos no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou ontem — Dia Mundial da Saúde, que teve como foco a alimentação segura — um documento no qual compila dados contundentes sobre os riscos dessas substâncias para a saúde, tanto para o agricultor, que está em contato direto com o produto, mas para qualquer consumidor. O instituto quer, com isso, pressionar governos e entidades a aumentar a regulação e o controle, além de incentivar alternativas mais sustentáveis.

 

Segundo o documento, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões em 2001 para mais de US$ 8,5 bilhões em 2011 no Brasil. Desde 2009, o país é o maior consumidor mundial dessas substâncias, com uma média de um milhão de toneladas por ano, o equivalente a 5,2 kg de veneno por habitante. Para se ter ideia, a média dos EUA em 2012 era de 1,8 kg por habitante. Na última década, o mercado de agrotóxicos do país cresceu 190%, ritmo mais acentuado do que o do mercado mundial no mesmo período (93%).

 

Nos anos 80, o brasileiro era exposto a menos de 1 kg de agrotóxico por habitante. Os principais responsáveis por este aumento são os transgênicos, que requerem grandes quantidades de pesticidas. Por isso, são as lavouras de soja, cana-de-açúcar e outras commodities que lideram o ranking de uso de agrotóxicos. Na agricultura familiar, tomate, pimentão e jiló estão entre os campeões.

 

O Ministério da Agricultura diz que os agrotóxicos são considerados “extremamente relevantes no modelo de desenvolvimento da agricultura no país” e que “a legislação para o setor agrícola é a mais rigorosa do mundo e adota padrões reconhecidos pela comunidade científica internacional”, inclusive para os transgênicos. Mas o argumento não convence o pesquisador do Inca Luiz Felipe Ribeiro Pinto, que representou o presidente do órgão no lançamento ontem.

 

— A evolução tecnológica e produtiva não pode ser ad infinitum uma desculpa para o uso de agrotóxico, às custas da saúde da população — criticou Ribeiro Pinto, afirmando que, em média, 280 estudos são publicados em revistas científicas internacionais anualmente estabelecendo a relação entre câncer e pesticida, número quatro vezes superior ao de duas décadas atrás.

 

Mês passado, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) publicou relatório no qual classificou cinco agrotóxicos como “provavelmente” ou “possivelmente” cancerígenos, dos quais três são permitidos no Brasil pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diante da publicação, o órgão afirmou que reavaliará a segurança dos produtos. No Brasil, além disso, pelo menos outras dez substâncias usadas na lavoura estão proibidas em países como Estados Unidos e os da União Europeia. E mesmo proibidos ou não, as evidências científicas não garantem a segurança dos agrotóxicos, critica o Inca.

 

Há dois tipos de intoxicação comprovadas que são causadas por eles. As agudas são decorrentes do contato direto com o produto, prejudicando principalmente o agricultor com irritação de pele e olhos, coceira, vômito, diarreia, espasmos, convulsões e até a morte. Já as crônicas ocorrem pela contaminação prolongada e podem afetar qualquer pessoa: infertilidade, impotência, aborto, malformações, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e nervoso central, além do câncer.

 

Essas informações começaram a chegar aos poucos à zona rural. O agricultor Édio Ferreira, de 48 anos, de Teresópolis, diz que começou a conhecer pela imprensa, há poucos anos, os riscos de câncer associados ao agrotóxico.

 

— As notícias me assustaram — afirma Ferreira, que decidiu começar a produzir apenas orgânicos. — É mais trabalhoso, tem que ter mais paciência para deixar a planta surgir, o mato cresce mais rápido, mas pelo menos é mais seguro.

 

Fabiano Silva, de 37 anos, também produtor de orgânicos, conta que, apesar do receio inicial, acabou sendo atraído pela oportunidade de uma renda maior. Na cultura orgânica, além do banimento dos agrotóxicos, a produção preza pela sustentabilidade, o que inclui regras trabalhistas mais definidas. Ele hoje ganha um salário, tem carteira assinada e divide a produção com o dono do terreno.

 

— Na agricultura, quando um produto está em alta, todo mundo planta a mesma coisa. Aí o preço despenca. Isso é frequente — conta.

 

Proprietário da Lagoa Orgânicos, Alcimar Espírito Santo diz que burocracia e poucos incentivos dificultam a prosperidade do negócio. O preço mais alto que o convencional é um dos principais empecilhos, o que ele vem contornando ao eliminar os atravessadores e se aproximando dos agricultores, que hoje já começam a não enxergar o agrotóxico como solução:

 

— A gente deve buscar libertar o agricultor, aprisionado ao modelo de produção tradicional. Já vem crescendo o número de agricultores se convertendo aos orgânicos. Quem começa não volta.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
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MERCADO REDUZ PARA 8,13% PROJEÇÃO DE INFLAÇÃO PARA 2015

Depois de 14 semanas em elevação, o mercado financeiro reduziu a expectativa em relação à inflação: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), estimado para 2015, caiu de 8,20% para 8,13%. O índice esperado, porém, está acima do teto superior da meta, que é 6,5%.

 

Apesar da previsão de queda da inflação, o pessimismo persiste em relação à perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de bens e serviços produzidos no país. Na avaliação dos investidores e analistas do mercado, a contração da economia será equivalente a 1,01%. Os números estão no relatório Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central.

 

Não houve alteração no câmbio: a estimativa é R$ 3,25 para cada dólar no final deste ano. A estimativa de juros básicos da economia (Selic), de acordo com a projeção do mercado financeiro, é 13,25% (ao ano) no final de 2015. Os preços administrados pelo governo, como luz e gasolina, deverão ter um reajuste de 13%, na expectativa do mercado. A dívida líquida do setor público em proporção do PIB é estimada em 38%.

 

Nas contas externas, a projeção do mercado é que o saldo das compras e vendas de mercadorias e serviços do Brasil com o resto do mundo tenha um déficit (em conta corrente) de US$ 77 bilhões. O saldo (positivo) da balança comercial alcançará, no final de ano, US$ 4,3 bilhões. Os investimentos estrangeiros diretos estimados para o mesmo período alcançarão US$ 56 bilhões, em 2015, de acordo com a expectativa do mercado.

 

Fonte: Agência Brasil

Categoria: Em pauta
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FILIPE CATTO INTERPRETA CANÇÕES DE SUCESSOS DE CÁSSIA ELLER EM NOVO SHOW

O músico se apresenta nesta sexta, sábado e domingo, no Teatro da Caixa

Filipe Catto era pré-adolescente quando assistiu, em Porto Alegre, ao show de Cássia Eller com o repertório do DVD Acústico MTV. Impactado, passou a ter certeza a partir daquele momento que queria ser cantor. “Foi a coisa mais linda a que havia assistido até então. Aquela voz tão grande, aquela presença cênica, diferentes de tudo que já vira e ouvira, mexeram muito comigo”, lembra.

 

O artista de 27 anos, nascido em Lajeado, no interior do Rio Grande do Sul, radicado há 6 anos em São Paulo, tido como uma das boas revelações da moderna MPB, “descobriu” Cássia, ainda criança. Na época, Por enquanto, canção de Renato Russo gravada por ela no CD de estreia, tocava no rádio sem parar. “A partir dali passei a segui-la e tudo culminou ao vê-la em cena pela primeira vez. Foi então que, como diz a letra da música de Péricles Cavalcanti, eu também queria ser Cássia Eller”.

 

Cantor, compositor, violonista e pianista, Catto já é bem conhecido do brasiliense. Em 2012, ele fez uma série de apresentações na cidade e uma delas, na Sala Cássia Eller, do complexo Cultural da Funarte, em projeto que homenageava a cantora. No ano passado fez um concorridíssimo pocket show no espaço cultural da Fnac, no ParkShopping.

 

Cantor, compositor, violonista e pianista, Catto já é bem conhecido do brasiliense. Em 2012, ele fez uma série de apresentações na cidade e uma delas, na Sala Cássia Eller, do complexo Cultural da Funarte, em projeto que homenageava a cantora. No ano passado fez um concorridíssimo pocket show no espaço cultural da Fnac, no ParkShopping.

 

Fonte: Correio Braziliense

Categoria: Fique de Olho
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INADIMPLÊNCIA DO CONSUMIDOR CRESCEU 3,76% EM MARÇO DE 2015

A quantidade de consumidores com contas a pagar no mês de março de 2015 aumentou 3,76%, na comparação com março de 2014. Hoje, 37,5% da população brasileira entre 18 e 95 anos estão negativados em bancos ou outros serviços que implicam pagamento de boletos, como água, luz e telecomunicações.

 

São 54,7 milhões de brasileiros endividados. Também houve crescimento em relação ao número de dívidas não pagas, com variação de 3,46% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados hoje (13) pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Logistas (Cndl).

 

Segundo o presidente da Cndl, Honório Pinheiro, embora o setor de varejo trabalhe de forma anticíclica, as variáveis macroeconômicas influenciam o consumo da população. “A economia está parada e a política que a influencia diretamente vive momentos difíceis no Brasil”, acrescentou.

 

Economista chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti explicou que dois fatores atuam de forma contrária no consumo, o que acaba equilibrando os números da inadimplência. “Primeiro, desde 2013, há uma queda na oferta de crédito pelos bancos e também um recuo na demanda. Isso faz com que hajam menos contas a pagar e a inadimplência acaba desacelerando”, esclareceu.

 

“Por outro lado, temos o fraco crescimento da economia, inflação e juros em alta. Isso piora a geração de empregos e a confiança dos consumidores. O momento econômico dificulta o pagamento das dívidas”, salientou Marcela.

 

Segundo ela, embora a variação tenha sido positiva em março de 2015, “mantém-se a tendência de desaceleração em relação ao pico de agosto do ano passado, quando tivemos aumento de 5,09% na quantidade de devedores.”

 

Em relação à participação dos setores, os maiores crescimentos foram em água, luz, telecomunicações e bancos. Marcela disse que os bancos são os principais financiadores da economia, o que aumenta a inadimplência no setor. De acordo com os dados, 47,71% das contas a pagar são decorrentes do aumento de 2,15% em relação a março de 2014.

 

Água, luz e telecomunicações representam 7,03% (aumento de 0,59% na variação anual) e 15,3% das dívidas, respectivamente. No caso das telecomunicações, com variação positiva de 1,46% nas dívidas, Marcela informou que cada vez mais as pessoas dão importância à comunicação instantânea e acabam contratando pacotes de dados e celulares que não cabem no orçamento.

 

Na comparação com o número de pendências por tempo de atraso, as faixas que registraram maior variação foram as de dívidas com 91 a 180 dias de atraso (3,96% de aumento) e 181 a 360 dias (6,03% de aumento).

 

Segundo a economista, isso é reflexo das compras de Natal, do pagamento de impostos e da compra de material escolar no início do ano. “Ano passado, fizemos uma pesquisa em que as pessoas diziam que parcelariam as compra de Natal em até cinco vezes. Então, acabamos vendo a alta da inadimplência entre março abril”.

 

Para a Cndl/ SPC Brasil, o número de inadimplentes é maior na faixa de dívidas com 3 a 5 anos de atraso (11,1%). “Elas acabam ficando pra trás, porque as pessoas acham que são impagáveis, mas dá pra negociar. O endividado tem de ser criativo para apertar o orçamento, mas sempre dá pra negociar”, concluiu Marcela Kawauti.

 

Fonte: Agência Brasil

Categoria: Em pauta
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VELOZES & FURIOSOS 7

Após os acontecimentos em Londres, Dom (Vin Diesel), Brian (Paul Walker), Letty (Michelle Rodriguez) e o resto da equipe tiveram a chance de voltar para os Estados Unidos e recomeçarem suas vidas. Mas a tranquilidade do grupo é destruída quando Ian Shaw (Jason Statham), um assassino profissional, quer vingança pela morte de seu irmão. Agora, a equipe tem que se reunir para impedir este novo vilão. Mas dessa vez, não é só sobre ser veloz. A luta é pela sobrevivência.

 

Lançamento: 2 de abril de 2015 (2h17min)

Direção: James Wan

Elenco: Vin Diesel, Paul Walker, Jason Statham mais

Gênero: Ação

Nacionalidade: EUA

Não recomendado para menores de 14 anos

 

Trailer:

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Fonte: AdoroCinema

Categoria: Literatura e Filmes
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MÁSCARAS AFRICANAS PELO OLHAR DE KRISTOF DEGRAUWE

A Aliança Francesa de Brasília recebe, de 17 de março a 30 de abril, como parte da 18ª Semana da Francofonia, a exposição do fotógrafo belga Kristof Degrauwe.  A mostra “A Máscara Oculta” (The Hidden Mask)  foi criada em Lubumbashi (República Democrática do Congo), entre 1999 e 2000, com base na vasta coleção de máscaras “escondidas” nas lojas do museu etnográfico de lá. São 30 fotos (40 x 50 cm) interpretadas pelo olhar do fotógrafo e de uma forma muito intuitiva, a partir da própria máscara, ignorando o seu significado exato.

 

 

Exposição de fotos

 

Título:  A Máscara Oculta (The Hidden Mask)

 

Abertura: 17 março, às 20h

 

Visitação: 17 de março a 30 de abril, das 10h às 19h

 

Local: Espaço Cultural Ernesto Silva – Aliança Francesa | SEPS 708/907 lote A

 

Classificação indicativa: livre

 

Entrada franca

 

Fonte: Jornal de Brasília

Categoria: Cult
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