MICROBIOTA: UMA PERSPECTIVA DA IMUNOLOGIA DO EXERCÍCIO

O coordenador do curso de Educação Física do UDF, prof. Bernardo Petriz, em parceria com professores de outras instituições nacionais e internacionais, teve um artigo publicado na conceituada revista de Medicina Esportiva Exercise Immunology Review.

 

 

A microbiota intestinal consiste de um conjunto de microrganismos que produzem uma variedade de moléculas sinalizadoras de natureza hormonal, ou seja, que são liberadas na corrente sanguínea e atuam em sítios distantes (receptores). A microbiota pode ser modulada por diversas condições ambientais, tais como o exercício e algumas patologias.

 

Interessantemente, o enriquecimento da diversidade bacteriana tem sido associado com uma melhora no estado de saúde geral e alterações no sistema imune, que constituem múltiplas conexões entre o hospedeiro a microbiota.

 

Por outro lado, a redução na quantidade e diversidade bacteriana da microbiota está associada com pioras na saúde, enquanto que o aumento da diversidade pode melhorar o perfil metabólico e as respostas imunes. Sendo assim, a ideia é que uma microbiota mais saudável auxilia no funcionamento geral do organismo e previne uma série de complicações metabólicas. Até o momento, poucos estudos controlados investigaram as interações entre o exercício agudo e crônico, e a microbiota intestinal.

 

No entanto, dados preliminares obtidos de estudos com animais ou probióticos mostram resultados interessantes a nível imunológico, indicando que a microbiota também atua como um órgão endócrino, sendo sensível as mudanças homeostáticas e fisiológicas decorrentes do exercício.

 

 

Indivíduos com diabetes e/ou obesidade apresentam uma redução na diversidade bacteriana da microbiota e este processo altera negativamente o sistema imune, de modo que, substâncias sinalizadoras liberadas por células imunes pioram estas patologias. Já o exercício parece restaurar parcialmente a microbiota, aumentando a sua diversidade, o que poderia melhorar os quadros adversos presentes em algumas doenças.

 

Apesar de tentador, ainda é muito cedo para estabelecer o exercício como uma ferramenta não farmacológica no tratamento de doenças associadas a distúrbios na microbiota. No entanto, definitivamente esta é uma área de grande interesse para futuros estudos na área de saúde, exercício e sistema imune.

 

Autores:

 

1- Stephane Bermon (Universidade de Nice Sophia Antipolis, Franca / Instituto de Medicina Esportiva e Cirurgia de Mônaco );

2- Bernardo Petriz (UDF – Centro Universitário, Brasília, Brasil / Centro de Análises Proteômicas e Bioquímicas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia, Universidade Católica de Brasília);

3- Alma Kajeniene (Instituto de Esportes da Universidade de Ciências da Saúde, Lituânia);

4- Jonato Prestes (Programa de Pós-Graduação em Educação Física , Universidade Católica de Brasília);

5- Lindy Castell (Green Templenton College, Universidade de Oxford, Reino Unido);

6 – Octávio L. Franco (Centro de Análises Proteômicas e Bioquímicas, Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia, Universidade Católica de Brasília / Pós-Graduação em Biotecnologia, Universidade Dom Bosco, Campo Grande, MS).

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NOVA PROTEÍNA MOSTRA HABILIDADE PARA BLOQUEAR O VÍRUS HIV

Abordagem ainda será testada em humanos, mas pode levar a novos tratamentos e vacinas contra a Aids

RIO — Cientistas do Instituto de Pesquisa Scripps, e outras instituições, criaram uma nova molécula que poderia bloquear infecções com o vírus HIV, causador da Aids. A descoberta, publicada nesta quarta-feira no site do periódico “Nature”, pode levar a novos tratamentos para pacientes da doença, assim como a uma vacina alternativa para a Aids.

 

Pesquisadores têm tentado desenvolver uma vaciona efetiva contra o vírus da imunodeficiência há três décadas, assim como uma forma de expelir o HIV do corpo dos infectados, para curá-los. No entanto, o vírus, que evolui sem parar, tem dificultado a tarefa.
A nova abordagem desenvolvida utiliza uma abordagem semelhante a terapia e transferência genética.

 

Normalmente, o vírus HIV invade o corpo por meio de dois receptores celulares. A nova proteína criada pelos cientistas bloquearia o local onde o vírus se acopla aos receptores, impedindo-o de adentrar a célula.

 

Devido ao fato de se acoplar a dois receptores, ao invés de apenas um, a proteína, chamada de eCD4-IG, bloqueia mais cepas do HIV que qualquer um dos vários anticorpos poderosos capazes de desativar o vírus, de acordo com os pesquisadores.

 

— É absolutamente 100% eficaz — afirmou Michael Farzan, professor de doenças infecciosas no Instituto de Pesquisa Scripps, em Jupiter, na Flórida, e principal autor do estudo. — Não há dúvida de que é, de longe, o inibidor mais amplo já criado.

 

Por enquanto, a abordagem com a nova proteína foi testada em quatro macacos rhesus, e ainda tem que ser testada em humanos. Mas os pesquisadores e outros cientistas envolvidos no trabalho afirmam que o novo método é promissor, e deve ser experimentado em pessoas em pouco tempo.

 

Estima-se que 35 milhões de pessoas sejam infectadas com HIV em todo mundo, mas somente 13,6 milhões recebem tratamento de drogas para evitar que o vírus se espalhe.

 

— É muito inteligente e poderoso — afirma Nancy Haigwood, uma pesquisadora especializada em HIV na Universidade de Ciência e Saúde de Oregon, que não esteve envolvido no novo estudo. — Isso será muito melhor que qualquer vacina que tenhamos no horizonte.
Os cientistas criaram a nova proteína ao fundir elementos de ambos os receptores celulares aos quais o HIV se liga. Eles então injetaram material genético da proteína no músculos de macacos rhesus, estimulando a produção de novas moléculas.

 

Os macacos foram infectados com múltiplas versões híbridas do HIV, administrando até quatro vezes a quantidade de vírus que levou para infectar um grupo de controle. A proteína então protegeu os macacos por 40 semanas.

 

De acordo com Farzan, os macacos não foram infectados nem mesmo quando receberam 16 vezes a quantidade de vírus utilizada para infectar o grupo de controle em experimentos realizados após o estudo ser completado.

 

Ele espera que os testes com humanos comecem dentro de um ano, depois de mais testes com animais sejam realizados, muito em breve. O primeiro passo, ele explica, seria avaliar a capacidade da molécula para manter os níveis do vírus em pessoas HIV-positivas em ordem.

 

— Acreditamos que nosso objetivo agora é mostrar que a proteína pode ser trabalhada de forma terapêutica — disse o pesquisador, afirmando que o próximo passo seria testar a sua eficiência como vacina em pessoas que não têm o vírus, mas têm alto risco de infecção.

 

As pesquisas que deram origem a esta nova proteína começaram em 2009, em um estudo que propunha a utilização de transferência de genes como uma alternativa para uma vacina tradicionai do HIV.

 

Philip Johnson, um professor da Universidade da Pensilvânia, que liderou o esse trabalho mais antigo, disse que a nova pesquisa é promissora neste conceito.

 

— Parece ser uma molécula extraordinariamente potente — disse ele. —É mais uma validação da ideia de que deveríamos pensar em termos alternativos sobre como atacar vacinas contra o HIV.

 

Para ele, a nova proteína deve ser testada em humanos imediatamente.

 

— Para mim, os dados de primatas não humanos são impressionantes.

 

Fonte: O Globo

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FALSIFICAÇÃO ATINGE 30% DAS PRÓTESES DENTÁRIAS NO BRASIL

Componente pirateado é barato, mas é menos seguro e exige manutenção frequente, segundo Abimo

BRASÍLIA – A colocação de dentes artificiais no Brasil pode esconder potenciais riscos à saúde e também prejuízos ao bolso. Estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo) apontam que 30% de um dos componentes usados em dentes artificiais no Brasil sejam falsificados. O produto pirata é mais barato, mas também é menos seguro e leva à necessidade de manutenção mais frequente, ao risco maior de inflamação e até mesmo à possibilidade de perda do implante.

 

A peça falsificada é o componente protético, que fica escondido dentro do dente artificial, fazendo com que o paciente dificilmente perceba algum problema de imediato. De acordo com a Abimo, os componentes piratas são feitos com dimensões de encaixe mais folgadas e se adaptam a vários tipos de implante, que é a parte que fica em contato com o osso e costuma ser feito de titânio ou liga de titânio. Isso faz com que acabem se afrouxando com mais facilidade e, no espaço gerado pelo afrouxamento, há risco de proliferação de bactérias e perda do implante.

 

Quem enfrentou de problema foi o agrimensor aposentado Américo Campaneri Filho, de 72 anos. Morador de São Carlos, interior de São Paulo, ele perdeu os dentes inferiores e resolveu fazer um implante. O primeiro procedimento, feito há três anos, não foi bem-sucedido. Depois de um ano de sofrimento e gastos de R$ 7 mil, ele foi orientado por um parente a buscar um novo tratamento, com um dentista de Araraquara, a 40 km de São Carlos.

 

— No primeiro procedimento eu tive bastante inflamação. Doía, eu tomava comprimido uma vez por semana, para aliviar. E a prótese não encaixava, ficava dançando na boca, e machucando a gengiva — contou o aposentado.

 

FRAUDE É MISTÉRIO ATÉ PARA DENTISTAS

 

Mesmo entre os dentistas é difícil saber se o problema na prótese de um paciente é provocado por componente pirata. A dentista Raquel Saraiva diz que o uso de componentes falsificados é comum, mas outros motivos também levam a complicações na prótese.

 

— A gente não consegue perceber a falsificação. O componente de empresas idôneas vêm dentro de caixinhas seladas. Mas tirando da caixinha, a princípio não dá para saber (se é falsificado ou não) — afirma Raquel.

 

Uma das pacientes que a dentista já atendeu após ter problemas na prótese foi sua funcionária, a babá Edilma Pereira, de 39 anos. Edilma gastou entre R$ 4 mil e R$ 5 mil para colocar três próteses, mas uma não deu certo e ela acabou fazendo novo tratamento, dessa vez com a patroa, em Brasília.

 

— Tive incômodo, e como a comida fica acumulada por baixo da prótese, mau cheiro — relatou Edilma.

 

Segundo Fábio Embacher, coordenador do subgrupo de implantes da Abimo, a estimativa de 30% de produtos falsos foi calculada a partir das vendas de implantes e componentes. Segundo ele, para cada implante deve haver um componente. Mas, atualmente, de cada dez implantes vendidos, apenas sete componentes são comercializados.

 

O implante é o tratamento que mais gera ações no Conselho Federal de Odontologia (CFO), segundo ele, mas a entidade informou nunca ter recebido denúncia em relação ao uso de componentes piratas. Entre as recomendações ao consumidor está a de solicitar que o dentista coloque na nota fiscal dados como o fornecedor do produto, o número de registro na Anvisa e o nome do laboratório responsável. E aconselha a sempre confirmar a veracidade dessas informações no site da Anvisa.

 

— Hoje é muito comum o paciente perder o contato com o dentista e não saber que implante tem na boca, e nem todos os modelos são compatíveis entre si — explica. — A rastreabilidade, além de garantir a idoneidade do produto, vai dar informação do que ele tem na boca, como acontece com os portadores de marca-passo — exemplifica.

 

Entre os fabricantes do setor, o pedido é para que que haja uma reclassificação dos componentes dentários da parte da Anvisa. Essa reivindicação foi apresentada no último dia 25 de janeiro, durante evento sobre pirataria na odontologia realizado em São Paulo, do qual participou inclusive um técnico da Anvisa. Mas a agência não deu uma resposta às demandas do setor, alegando que a é preciso fazer uma profunda avaliação dos impactos regulatórios. Na parte repressiva, a ação da Anvisa tem tido eficácia limitada. A agência localizou apenas um caso de produto odontológico falsificado: uma pasta para cimentação de próteses odontológicas.

 

Atualmente, uma estratégia adotada pelas empresas para evitar a pirataria é dar garantia vitalícia ao dentes artificiais implantados, desde que os componentes protéticos usados sejam produzidos por elas mesmas.

 

— Acho que isso vai fazer o dentista se preocupar um pouco mais para não perder a garantia do produto — afirmou Geninho Thomé, dono da Neodent, maior empresa do setor.

 

O Código Penal estabelece reclusão de 10 a 15 anos, além de multa, para o crime de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais.

Fonte: O Globo

 

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OBESIDADE INFANTIL PODE SER PREVENIDA AINDA DURANTE A GRAVIDEZ, DIZ ESTUDO

Dados de 991 crianças foram analisados pela pesquisa

RIO — Um estudo da Universidade de Southampton reforça as evidências de que a obesidade infantil pode ser prevenida antes e durante a gravidez e também nos primeiros anos de vida da criança.

 

 

Os cientistas da universidade britânica afirmam que quatro fatores de risco maternos (obesidade, ganho de peso em excesso na gravidez, tabagismo e baixo nível de vitamina D) associados a um curto período de amamentação (menos de um mês) podem levar ao sobrepeso ou à obesidade infantil. Estudos anteriores já tinham avaliado esses fatores de risco individualmente, mas raras vezes os efeitos de uma combinação deles foram analisados, como agora.

 

— Os primeiros anos de vida são um período crítico. É a fase em que o apetite e a regulação do equilíbrio de energia são programados, o que tem consequências no excesso de peso — afirma o professor Sian Robinson, que comandou o estudo. — Mesmo que a importância da prevenção nos primeiros anos de vida seja reconhecida, o foco está na idade escolar. Nossa pesquisa sugere que as intervenções para prevenir a obesidade precisam começar antes mesmo da gravidez. Ter um corpo saudável e não fumar são itens-chave — explica Robinson.

 

Os dados de 991 crianças foram analisados pela pesquisa. Segundo os cientistas, uma criança de 4 anos que foi exposta a quatro ou cinco dos fatores de risco tem sua chance de desenvolver obesidade aumentada em 3,99 vezes quando comparada a outra que não passou pela mesma situação. O estudo foi publicado pelo “The American Journal of Clinical Nutrition”.

 

Fonte: O Globo

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PROTEÍNA DE CAFÉ TEM EFEITO SIMILAR AO DA MORFINA, IDENTIFICAM PESQUISADORES

Embrapa e Universidade de Brasília apontaram peptídeos com atividade analgésica e ansiolítica

RIO – Pesquisadores da Embrapa e da Universidade de Brasília (UnB) descobriram fragmentos de proteína no café com efeito similar ao da morfina, apresentando qualidades analgésica e ansiolítica. Em seguida, os cientistas verificaram que os peptídeos encontrados demonstraram ter mais tempo de duração desses efeitos em experimentos com camundongos. O pedido de patente de sete peptídeos identificados no estudo foi encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) no final de agosto do ano passado.

 

 

Sob a coordenação do pesquisador Carlos Bloch Júnior, o estudante Felipe Vinecky caracterizou essas moléculas como parte da sua tese de doutorado desenvolvida no Departamento de Biologia Molecular da UnB e na Embrapa. Ele identificou os peptídeos quando estava em busca de genes de café associados à melhoria da qualidade do produto em um projeto desenvolvido em parceria entre a Embrapa e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad, na sigla em francês).

 

Vinecky e Bloch observaram que algumas sequências gênicas continham fragmentos internos (encriptados) com estruturas semelhantes a de alguns opióides endógenos de humanos, como a encefalina. Assim, decidiram sintetizar análogos estruturais para avaliar experimentalmente suas funções biológicas e efeitos fisiolóficos em mamíferos.

 

Na maior parte da semente do café, no endosperma, um concentrado proteico foi submetido à digestão enzimática in vitro para simular o processo digestivo em humanos e, assim, deduzir como poderia ser o processo real de biodisponibilização e atividade final dessas moléculas dentro do organismo.

 

Em seguida, foram realizados testes com camundongos na Universidade de Brasília que comprovaram o efeito similar ao da morfina. No entanto, foi demonstrado que o tempo de duração do efeito analgésico é significativamente superior, cerca de quatro horas. Não foram registrados efeitos colaterais pelas condições experimentais avaliadas.

 

O estudo de proteínas nas quais são identificados fragmentos internos funcionais (peptídeos encriptados) é parte de um novo conceito em desenvolvimento na área de biomoléculas que foi iniciado há mais de uma década pela equipe do Laboratório de Espectrometria de Massa da Unidade (LEM), patenteado em 2006 e publicado em 2012.

 

“Mal comparando, seria como uma Matrioshka (boneca russa) molecular. Dentro da molécula maior existem outras menores, porém com formas e atividades diferentes da maior de todas ou da maior imediatamente anterior”, explicou Carlos Bloch.

 

Fonte: O Globo

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ANVISA DECIDE RETIRAR O CANABIDIOL DA LISTA DE SUBSTÂNCIAS DE USO PROIBIDO

Obtenção de medicamentos com a substância será facilitada no país. Substância química é encontrada na maconha e tem utilidade terapêutica.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu nesta quarta-feira (14) retirar o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito.

 

 

A medida foi aprovada pela Diretoria Colegiada da agência durante reunião em Brasília. Com ela, abre-se o caminho para que a comercialização de medicamentos com a substância seja facilitada no país. Antes, a venda do produto com a substância classificada como proibida era vetada.

 

Agora, as empresas interessadas poderão produzir e vender derivados de canabidiol após a obtenção de um registro da Anvisa. Há menos de um mês, uma empresa europeia entrou com um pedido para vender medicamentos com a substância, mas ele ainda está em análise e não há prazo para ser concluído. A aquisição do produto deverá ocorer de forma controlada, com a exigência de receita médica de duas vias.

 

A agência também vai criar uma ordem de serviço em regime especial para regulamentar a importação dos remédios com a substância, que continuará pecisando de autorização para ser feita. A resolução ainda não está pronta. Com ela, deve haver uma flexibilização da importação. Segundo Jaime Oliveira, medicamentos já conhecidos pela Anvisa que contêm a substância serão autorizados mais rapidamente do que medicamentos desconhecidos, que precisarão de uma maior análise.

 

O canabidiol é uma substância química encontrada na maconha e que, segundo estudos científicos, tem utilidade médica para tratar diversas doenças, entre elas, neurológicas.

 

O diretor-presidente da Anvisa, Jaime Oliveira, votou pela liberação do uso do canabidiol, mas com controle e com a permanência da necessidade de autorização de importação pela Anvisa. “A reclassificação, por si só, em nada altera o quadro de necessidade excepcional de autorização da Anvisa. Os produtos importados não são só compostos de canabidiol”, disse.

 

De acordo com o diretor-presidente, estudos científicos mostraram que o canabidiol não traz dependência. “Portanto não há razões para que ela [a substância] permaneça proibida. Apesar dos relatos bibliográficos, a avaliação nao teve objetivo de comprovar a eficácia do canabidiol e sim o risco de desvios e seu potencial para causar dependência.”

 

Ivo Bucaresky, membro da diretoria colegiada, disse que, em curto prazo, pode parecer que a decisão não mudará muita coisa, mas há um efeito simbólico e prático. “Além de mostrar que não é algo ilegal que está sendo feito, que o médico não está impedido de prescrever, vai permitir que saia essa tarja de ilegalidade, que está sendo feito algo proibido”, afirmou.

 

Segundo Bucaresky, a decisão também será importante para as pesquisas científicas no Brasil. “O efeito prático primeiro é na academia. Vai facilitar as pesquisas e os debates na academia. Outro ponto que vi muito é o acesso. Hoje consegue trazer [o remédio] quem tem estrutura econômica e muitas famílias têm dificuldades de ter acesso.”

 

De acordo com a Anvisa, o órgão recebeu até esta terça-feira 374 pedidos de importação da substância para uso pessoal, por meio do pedido excepcional de importação de medicamentos de controle especial e sem registro no Brasil. Desse total, 336 foram autorizados, 20 aguardam o cumprimento de exigência pelos interessados e 11 estão em análise pela área técnica.

 

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) divulgou uma nota na qual elogiou a decisão da Anvisa, considerando-a como um “reconhecimento ao pedido de inúmeras famílias que buscaram na Justiça o direito ao tratamento”.

 

Apelo de pais

Durante a reunião, Katiele Fischer e Norberto Fischer, pais de Anny, de 6 anos, portadora da rara síndrome CDKL5, fizeram um apelo aos membros da diretoria colegiada. Anny tem uma doença genética que provoca deficiência neurológica grave e grande quantidade de convulsões. Em 3 de abril do ano passado, o casal obteve, na Justiça, autorização para importar o canabidiol.

 

“A reclassificação é fruto de um apelo social. Não é uma decisão política. Isso é uma decisão técnica da equipe da Anvisa com esse apoio popular”, afirmou Norberto Fischer. “Com a reclassificação o aspecto sociológico da sociedade vai mudar. A sociedade começa a acreditar que essa substância não é algo ruim.”

 

Conselho Federal de Medicina

Em dezembro do ano passado, o Conselho Federal de Medicina autorizou o uso do canabidiol no tratamento de crianças e adolescentes que sejam resistentes aos tratamentos convencionais. A prescrição é restrita a neurologistas, neurocirurgiões e psiquiatras.

 

Segundo a entidade, os médicos autorizados a prescrever a substância deverão ser previamente cadastrados em uma plataforma online. Já os pacientes serão acompanhados por meio de relatórios frequentes feitos pelos profissionais.

 

Pela norma, pacientes ou os responsáveis legais deverão ser informados sobre os riscos e benefícios do uso do canabidiol e, então, assinar o termo de consentimento. Além disso, a decisão do conselho deverá ser revista no prazo de dois anos.

 

O canabidiol deve ser prescrito a pacientes de epilepsia ou que sofram de convulsões que não tiveram melhoras no quadro clínico após passar por tratamentos convencionais.

 

De acordo com o conselho, o uso da substância deve ser restrito a crianças e adolescentes menores de 18 anos – mas quem eventualmente use o medicamento antes dessa idade pode continuar o tratamento mesmo após ficar maior de idade.

 

As doses variam de 2,5 miligramas diários por quilo de peso do paciente a até 25 miligramas, dependendo do caso. A estimativa do conselho é que o limite diário total fique entre 200 miligramas e 300 miligramas por paciente.

 

Fonte: G1

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COMETA RECÉM-DESCOBERTO, LOVEJOY ESTÁ VISÍVEL NO CÉU DO BRASIL ATÉ O FIM DO MÊS

Com um tênue brilho azul-esverdeado, ele pode ser visto facilmente com binóculos ou pequenos telescópios

RIO – Descoberto pelo astrônomo amador e caçador de cometas australiano Terry Lovejoy em 17 de agosto do ano passado, o cometa C/2014 Q2 Lovejoy acaba de atingir seu ponto de maior aproximação da Terra e ficará visível no céu do Brasil ao longo das próximas semanas. Com uma magnitude aparente por volta de 5 atualmente, ele poderá ser visto com facilidade com a ajuda de binóculos ou pequenos telescópios enquanto atravessa parte das constelações de Touro, Áries e do Triângulo, afastando-se à esquerda de Órion (cujo cinturão são as facilmente reconhecíveis “Três Marias”) entre as noites de hoje e do próximo dia 31.

 

 

Com um tênue brilho azul-esverdeado, o cometa está perto do limite da capacidade de observação a olho nu na escala usada pelos astrônomos, por volta da magnitude 6. Nesta escala, quanto maior o número, menor o brilho do objeto celeste. A Lua cheia, por exemplo, tem magnitude aparente de quase -13, enquanto a estrela mais brilhante do céu noturno, Sírius, tem magnitude aparente de -1,47. Assim, como no caso das chuvas de meteoros, as condições ideais para ver o Lovejoy incluem procurar um local com céu sem limpo e escuro, o mais afastado possível da poluição luminosa das grandes cidades.

 

Assim como outros cometas, o Lovejoy é um aglomerado de gelo, poeira e rochas que orbita o Sol. Classificado como de “longo período”, a última vez que ele esteve na nossa vizinhança no Sistema Solar foi há cerca de 11,5 mil anos e, após esta passagem, só deve retornar daqui a 8 mil anos. Seu núcleo foi estimado como tendo entre três e cinco quilômetros de diâmetro, mas sua cabeça visível, ou coma, formada pelos gases, vapor e poeira expelidos a medida em que se aproxima do Sol, atinge cerca de 600 mil quilômetros de largura. Já a característica cauda dos cometas formada pelos mesmos materiais, porém, é extremamente tênue e praticamente invisível no caso do Lovejoy.

 

Fonte: O Globo

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INPE: 1.672 PESSOAS MORRERAM NO PAÍS ATINGIDAS POR RAIOS ENTRE 2000 E 2013

A cada 50 mortes por raios no mundo, uma acontece no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o Inpe, cerca de 50 milhões de raios caem a cada ano em todo o país, sendo 20 mil apenas na cidade de São Paulo. Entre os anos 2000 e 2013, informou o Inpe, 1.672 pessoas morreram no país por causa de raios. Nesse período, o estado campeão em número de mortes foi São Paulo, com 269 casos, seguido por Minas Gerais, com 130 casos. A cidade com maior número de mortos foi Manaus, com 20 casos.

 

 

Brasil é campeão mundial em incidência de raios. Saiba como se proteger

 

A maior parte das mortes ocorreram, segundo o instituto, em atividades rurais (24% do total), seguido por ocorrências dentro de casa (16%), próximo a um veículo (12%), embaixo de uma árvore ou jogando futebol (9%), sob coberturas como toldos ou deques (6%) e na praia (5%).

 

Na tarde do último dia (29), oito banhistas foram atingidos por um raio na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo e quatro deles morreram. Os demais ficaram feridos. Eles estavam na praia quando o temporal teve início e a maior parte tentou se abrigar embaixo de um guarda-sol, que atraiu o raio e provocou as mortes.

 

Em entrevista à Agência Brasil, o capitão Marcos Palumbo, do Corpo de Bombeiros de São Paulo, disse que na Operação Verão, que teve início em dezembro do ano passado e terminou em março deste ano, 18 pessoas morreram por causa de raios somente no litoral de São Paulo, número que ele considerou alto.

 

Relâmpagos, na definição utilizada pelo Inpe, são correntes elétricas muito intensas que ocorrem na atmosfera, consequência do rápido movimento de elétrons de um lugar para o outro. Os elétrons movem-se tão rápido que fazem o ar ao seu redor iluminar-se, resultando em um clarão, e aquecer-se, resultando em um som, que é chamado de trovão. Quando o relâmpago se conecta ao solo é chamado de raio. Segundo o governo paulista, a descarga elétrica de um raio corresponde a cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico.

 

Segundo o capitão Palumbo, para se proteger de raios, as pessoas devem saber inicialmente que uma tempestade de raios pode acontecer, inclusive, sem chuva. “Não há uma regra para isso. A regra que o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil de São Paulo estabelecem é que quando se vê que fechou o tempo e o céu ficou escuro, com aquelas nuvens negras, a tempestade já está formada. E se você estiver em praia, campo de futebol, estacionamento de shopping ou lugares abertos, o risco de você poder ser atingido por raio aumenta”, disse.

 

Nestes casos, ressaltou o capitão, é preciso evitar estar em lugares abertos. “Aconteceu a formação dessas nuvens e fechou o tempo, saia da praia, saia da água, saia da piscina. Você precisa se proteger dentro de uma casa, de uma edificação, de um prédio ou de um carro”, disse.

 

No entanto, ressaltou o capitão, as pessoas não devem se abrigar embaixo de árvores ou de guarda-sóis, por exemplo. “Evitem se abrigar em locais em que você acha que tem proteção, mas não tem. Se a tempestade de raios está próxima a você, você não deve se proteger embaixo de pontos de ônibus, árvores e postes. Um raio vai buscar sempre, da nuvem para o solo, os pontos mais altos, onde há a menor distância entre a nuvem e o solo, que podem ser um prédio, uma árvore, um poste ou uma casa ou, em um lugar descampado, a própria pessoa. Então, não se pode nunca estar em um local onde você vai ser o ponto mais alto”, destacou Palumbo.

 

Em caso de tentar se abrigar dentro de um carro, ressaltou ele, é preciso fechar os vidros e evitar contato com a parte metálica. Já dentro de casa é importante não atender telefones com fio, desligar os aparelhos eletrônicos e ficar longe de canos de água. “Houve um caso, na Avenida Paulista, onde um prédio foi atingido e a descarga veio pela linha de telefone, provocando a morte de uma pessoa que estava ao telefone”, disse.

 

Se for impossível buscar abrigo, o ideal é que a pessoa se agache com os pés juntos, curvado para frente, colocando as mãos nos joelhos e a cabeça entre eles até a tempestade passar. “Você não pode ser o ponto mais alto naquele local onde o raio está caindo”, ressaltou o capitão do Corpo de Bombeiros.

 

De acordo com Palumbo, as praias do litoral paulista tem atualmente 1,2 mil guarda-vidas com treinamento para situações que envolvam raios. “Se o bombeiro apitar ou pedir para que saiam da praia, [é preciso] que as pessoas acreditem nisso. Se tiver orientação para que você se abrigue, saia da praia”.

 

Editor Fábio Massalli

 

Fonte: Agência Brasil

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