ANVISA AUTORIZA PRESCRIÇÃO DE REMÉDIOS COM CANABIDIOL E THC NO PAÍS

Resolução que tira substâncias da lista de proibições foi publicada nesta segunda

RIO – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a prescrição e a importação de medicamentos e produtos com canabidiol e/ou tetrahidrocanabidiol (THC), substâncias encontrada na maconha e muito utilizadas em remédios que inibem convulsões. A autorização foi divulgada por meio da Resolução 66 da Anvisa, publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União.

 

Na prática, a partir de agora o THC também passa a ser regulamentado, antes o componente só era permitido de maneira secundária, ou seja, quando estava presente em algum medicamento com composição permitida.

 

- Agora se eu preciso de um medicamento no qual a base é o THC eu posso importá-lo, vai seguir o mesmo procedimento do CBD. Antes, o THC acabava indo a reboque, por exemplo, se eu tinha um medicamento com 50% CBD e 50% THC ele acabava sendo permitido. Com a resolução, se eu tiver um medicamento somente de THC posso importar- explica Noberto Fischer ativista e pai de Anny, que tem um tipo grave de epilepsia. – Isso é mais um passo em busca da regulamentação. O fato da regulamentação estar avançando significa que a sociedade está mudando o pensamento e reduzindo o preconceito sobre uso medicinal da maconha.

 

De acordo com o DOU, os medicamentos contendo as substâncias deverão ser importados em caráter de excepcionalidade por pessoa física, para uso próprio, para tratamento de saúde, mediante prescrição médica. A medida dá continuidade a todo um processo de flexibilidade com relação aos medicamentos derivados da canabis. Em janeiro de 2015, a Anvisa retirou o Canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas no Brasil. Com isso, o CBD passou a ser controlado e enquadrado na lista C1 da Portaria 344/98, que regula define os controles e proibições de substâncias no país.

 

Na verdade, a resoução tira o CBD e o THC da lista de substâncias que não podem ser prescritas ou manipuladas no país, mencionada na Portaria 344 do Ministério da Saúde.

 

Diz o texto da resolução

“Art. 1º O artigo 61 da Portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação:

‘Art. 61 (…)

§ 1º Excetuam-se do disposto no caput:

I – a prescrição de medicamentos registrados na Anvisa que contenham em sua composição a planta Cannabis sp., suas partes ou substâncias obtidas a partir dela, incluindo o tetrahidrocannabinol (THC).

II – a prescrição de produtos que possuam as substâncias canabidiol e/ou tetrahidrocannabinol (THC), a serem importados em caráter de excepcionalidade por pessoa física, para uso próprio, para tratamento de saúde, mediante prescrição médica.

 

§ 2º Para a importação prevista no inciso IIdo paragrafoo anterior se aplicam os mesmos requisitos estabelecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 17, de 6 de maio de 2015.” (NR)

 

De acordo com a Anvisa, a discussão sobre a reclassificação do Canabidiol teve início em 2014 a partir da identificação de pacientes com síndromes que levam a espasmos e epilepsia e que encontram no CBD a melhor resposta terapêutica para seus tratamentos. O Canabidiol é uma substância extraída a partir da planta Cannabis, cujo uso no Brasil é proibido.”

 

Fonte: O Globo

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PESQUISA COMPROVA EFICÁCIA DE ÓLEOS DE ORÉGANO E DE CRAVO NO COMBATE AO AEDES

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) atestou a eficiência do uso dos óleos de orégano e de cravo para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti. O próximo passo do estudo será desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.

 

Em contato com o criadouro, os óleos matam as larvas em até 24 horas. A pesquisadora Alzira Batista Cecílio espera que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria. “Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida, poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas”, afirma.

 

O estudo é um desdobramento de outra pesquisa mais ampla, que testa o uso de produtos naturais para combater diversos tipos de vírus. “Nesse cenário preocupante em relação ao vírus da dengue, nós decidimos começar a estudar também plantas que pudessem eliminar o vetor”, acrescenta Alzira. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus Zika e da febre chikungunya.

 

O orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo é extraído com o uso de equipamentos específicos. Por essa razão, não adianta por exemplo colocar folhas de orégano ou cravo nos vasos das plantas.

 

Neste momento, está sendo feito o estudo fitoquímico, para detalhar a composição química dos óleos. Futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases da vida do mosquito, o que pode levar ao desenvolvimento de um inseticida aerosol ou um repelente. A pesquisadora alerta, porém, que esses produtos são apenas ferramentas auxiliares para combater o Aedes. “Eliminar os criadouros continua sendo o ponto chave”, reitera.

 

Larvicida degradável

 

Segundo Alzira Cecílio, o objetivo é desenvolver um produto que não contamine o meio ambiente, já que a maioria dos criadouros de larvas está espalhada. Elas podem ter contato com animais e até água voltada para o consumo humano, como por exemplo nas caixas d’água. “Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo em que tenha boa eficácia. A maioria dos larvicidas usados hoje exige algum cuidado na aplicação e deixa a água com alguma toxicidade”, explica.

 

No mês passado, uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) gerou polêmica ao criticar os larvicidas usados atualmente. O governo do Rio Grande do Sul chegou a suspender o uso do Pyriproxifen, ao considerar que o produto poderia estar relacionado à ocorrência de microcefalia em bebês. A própria Abrasco negou que tenha colocado essa possibilidade em questão.

 

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo de saúde e ambiente da Abrasco, Marcelo Firpo, explicou que foi um mal-entendido, mas reafirmou que a entidade é contra o uso de agentes químicos na água potável e que danos à saúde decorrentes desses produtos não estão descartados. “Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável”, disse.

 

Fonte: Agência Brasil

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DIETA PIOR POR MUDANÇAS CLIMÁTICAS PODE MATAR MAIS DE 500 MIL EM 2050

Aquecimento global vai afetar disponibilidade de frutas e verduras que fazem bem à saúde

RIO – As mudanças climáticas vão frear os avanços previstos na segurança alimentar global, com impactos na produção agropecuária que levarão à morte mais de 500 mil pessoas em todo mundo em 2050 devido à piora nas suas dietas — especialmente com um menor consumo de frutas e vegetais e aumento na desnutrição. A projeção faz parte do primeiro e mais amplo estudo realizado até agora sobre a intrincada relação entre o clima e nossos hábitos alimentares, e como esses afetam nossa saúde, publicado na edição desta semana no prestigiado periódico médico científico “The Lancet”.

 

— Muitas pesquisas já foram feitas sobre a segurança alimentar (sob o impacto das mudanças climáticas), mas poucas se focaram nos efeitos mais amplos na saúde da produção agrícola — justifica Marco Springmann, cientista do Programa Sobre o Futuro dos Alimentos da Universidade de Oxford e líder do estudo. — Alterações na disponibilidade de comida e no consumo também afetarão fatores de risco relacionados à dieta e ao peso, como baixa ingestão de frutas e vegetais, alto consumo de carnes vermelhas e obesidade, todos causadores de um aumento na incidência de doenças não comunicáveis como problemas do coração, derrames e câncer, assim como nas mortes por essas doenças.

 

Segundo os pesquisadores, esses efeitos das mudanças climáticas na nossa dieta, e consequentemente na nossa saúde, serão mais fortes nos países pobres e em desenvolvimento e no Leste da Ásia e no Sudeste Asiático, com China e Índia respondendo sozinhas por mais de três quartos das mortes. Mesmo os países mais ricos vão sofrer, com destaque para Grécia e Itália, onde a conhecida dieta mediterrânea é apontada como responsável pela relativa longevidade de suas populações. Lá, os óbitos per capita em decorrência das alterações no consumo de alimentos pelas mudanças climáticas atingirão 123,66 e 89,17 pessoas por milhão de habitantes, respectivamente, entre os índices mais altos projetados no estudo. Já para o Brasil, a previsão é de um total de 4.490 mortes em 2050 (14ª posição global), com um impacto per capita de 24,25 pessoas por milhão de habitantes (70º lugar mundial).

 

Os números do estudo têm como base as perspectivas de melhorias na dieta da população do planeta pelos avanços na produção agrícola. Em um cenário sem mudanças climáticas e com um desenvolvimento socioeconômico mundial mediano, as projeções são de que estas melhorias evitariam quase 1,9 milhão de mortes em 2050, com altas no consumo diário de frutas e vegetais, de carnes vermelhas e de calorias totais.

 

Conta com cenário mais pessimista

 

Mas, levando em conta a pior previsão para as emissões de gases do efeito estufa, com um aumento da temperatura média global de 2 graus Celsius no período 2046-65 quando comparada à registrada entre 1986 e 2005, esta elevação no consumo diário seria 14,9 gramas diários por pessoa menor (-4%) no caso de frutas e vegetais; 0,5 grama inferior por dia (-0,7%) de carnes vermelhas; e 99 kcal diárias mais baixa (-3,2%) nas calorias relativa ao cenário inicial. Assim, a quantidade de mortes evitadas pelas melhorias na dieta e nos fatores de risco relacionados ao peso em 2050 cairia para quase 1,35 milhão, com a diferença, de exatas 529 mil, creditada então como mortes relacionadas às mudanças climáticas.

 

Ainda de acordo com os cálculos dos pesquisadores, o consumo menor de frutas e vegetais do que o esperado em 2050 responderá por 534 mil destas mortes ligadas às mudanças climáticas naquele ano, superando em muito os benefícios à saúde com a também redução no consumo de carnes vermelhas, que evitará 29 mil óbitos. Já nos indicadores relativos ao peso da população mundial, as mortes que serão evitadas pelas quedas nos índices de pessoas com sobrepeso ou obesas, 35 mil e 255 mil, respectivamente, serão contrabalançadas pelo aumento na desnutrição devido à menor disponibilidade calórica que a projetada se não houvesse as mudanças climáticas, que deverá matar 266 mil pessoas em meados deste século.

 

— Nossos resultados mostram que mesmo modestas reduções na disponibilidade de alimentos por pessoa podem provocar alterações no conteúdo energético e na composição das dietas, e essa mudanças terão graves consequências para a saúde — destaca Springmann.

 

Por outro lado, o estudo indica que medidas que levem ao corte das emissões e limitem o aquecimento global podem ajudar a reduzir significativamente estas mortes relacionadas às mudanças climáticas. Dependendo da força dessas intervenções, a queda varia de 29% a 71%. Em dois cenários medianos para as emissões, por exemplo, com o aumento da temperatura na superfície do planeta ficando entre 1,3°C e 1,4°C, seriam contabilizadas 368 mil e 381 mil mortes, respectivamente. Mas mesmo na perspectiva mais otimista, com um balanço de emissões negativas pelo uso de tecnologias de captura e armazenamento de carbono e ampliação na geração de energia a partir de fontes renováveis, restringindo a alta na temperatura a 1°C, próxima dos níveis atuais, ainda assim haveria vítimas: 154 mil no total.

 

— As mudanças climáticas provavelmente terão um impacto negativo substancial na mortalidade futura, mesmo sob os cenários mais otimistas — lembra Springmann. — Assim, os esforços de adaptação precisam crescer em escala rapidamente. Programas de saúde pública com o objetivo de prevenir e tratar fatores de risco relacionados à dieta e ao peso, como elevar a ingestão de frutas e vegetais, devem ser reforçados e vistos como prioridade para ajudar a mitigar os efeitos na saúde das mudanças climáticas.

 

Fonte: O Globo

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METADE DA POPULAÇÃO DO BRASIL E DO MUNDO SERÁ MÍOPE EM 2050

Estimativa é de associação americana, e oftalmologista diz que se trata de uma 'epidemia'

RIO — Em 2050, metade da população mundial terá miopia, problema que cria dificuldade de enxergar à distância. A estimativa é da Academia Americana de Oftalmologia (AAO), a partir de uma metanálise de 145 estudos cobrindo 2,1 milhões de participantes, divulgada por um grupo de pesquisadores da organização. O documento afirma, também, que 10% da população mundial deverá ter alta miopia, condição que abre porta para graves doenças oculares.

 

A metanálise estima que, em 2020, a prevalência de míopes no Brasil será de 27,7%, e nos EUA, de 42,1%. O problema deve se agravar até 2050, quando 50,7% dos brasileiros serão míopes, e 58,4% dos americanos, também, de acordo com a previsão da entidade. Isso significa que, nos próximos 34 anos, a incidência deve aumentar 83% no Brasil, e 20% nos EUA.

 

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, esse cenário indica um grave problema de saúde pública no país, que ele chega a chamar de “epidemia de miopia”. A preocupação deve-se ao fato de que, quando acima dos 6 graus, o risco de descolamento da retina, catarata, glaucoma e degeneração macular aumenta. Como a miopia é uma condição, e não uma doença, ela não tem cura. Mas precisa ser corrigida com óculos, lentes ou cirurgia, dependendo do caso.

 

EXCESSO DE TECNOLOGIA ‘ACOMODA’ A VISÃO

 

Segundo Queiroz Neto, a miopia poder ser causada pelo estilo de vida, além da herança genética.

 

— O uso intensivo do computador e outras tecnologias é um dos fatores relacionado ao aumento da miopia no mundo todo — destaca ele.

 

Um estudo realizado pelo oftalmologista com 360 crianças de 6 a 9 anos mostra que o uso intensivo do computador aumentou a dificuldade de enxergar à distância em 21%, contra a prevalência de 12% apontada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) para esta idade.

 

O especialista explica que se trata de uma miopia acomodativa. Está relacionada ao esforço para enxergar de perto e pode ser revertida com mudança de hábitos. Para que a visão não fique acomodada a enxergar só o que está próximo, destaca ele, a cada hora de uso do computador, videogame, smartphone ou outra tecnologia por crianças, é recomendado descansar de 20 a 30 minutos. A maior acomodação do olho na infância torna a visita anual ao oftalmologista obrigatória. Os pais também devem estimulá-las a praticar de atividades ao ar livre. Isso porque, até 8 anos de idade, a visão está em processo de desenvolvimento e precisa ser utilizada para todas as distâncias.

 

Queiroz Neto afirma, ainda, que a alimentação é outro fator que predispõe à miopia. O consumo exagerado de açúcar aumenta a produção de insulina e pode interferir no crescimento do eixo óptico onde as imagens são projetadas. A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é consumir seis colheres de chá de açúcar por dia.

 

Fonte: O Globo

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CONSUMO REGULAR DE CHOCOLATE MELHORA FUNÇÕES CEREBRAIS, DIZ ESTUDO

Flavonoide do cacau pode proteger contra declínio cognitivo associado com a idade

RIO — Os amantes do chocolate têm um novo motivo para não abandonarem a guloseima. De acordo com estudo publicado na revista acadêmica “Appetite”, o consumo regular do doce está associado com a melhora das funções cognitivas. A pesquisa corrobora achados anteriores sobre os benefícios de um dos nutrientes presentes no alimento: os flavonoides do cacau.

 

“Os presentes achados dão suporte a recentes testes clínicos que sugerem que o consumo regular de flavonoides do cacau podem ter efeito benéfico nas funções cognitivas e possível proteção contra o declínio cognitivo relacionado com a idade”, diz a pesquisa.

 

Os dados foram compilados do estudo longitudinal Maine-Syracuse, com a análise de 968 participantes, de 23 a 98 anos. Os pesquisadores encontraram evidências que o consumo regular de chocolate estava significativamente associado com as funções cognitivas, “independentemente de outros hábitos alimentares”.

 

O consumo mais frequente de chocolate estava associado com “melhor performance em testes cognitivos incluindo memória visuo-espacial e de organização, memória de trabalho, teste de rastreamento, abstração e raciocínio e o mini-exame do estado mental”.

 

Todas as outras variáveis foram excluídas, contudo, os pesquisadores consideram serem necessários novos estudos sobre o tema. Uma das limitações da análise é que no estudo longitudinal Maine-Syracuse o consumo de chocolate era reportado pelos participantes e, por isso, suscetível a erro. Outro problema é a não diferenciação entre os tipos de chocolate (ao leite, amargo ou branco).

 

Os níveis mais altos de flavonoides são encontrados no chocolate amargo, em relação ao branco e ao leite. O nutriente também é encontrado no chá, vinho tinto e algumas frutas, como uvas e maçãs.

 

Fonte: O Globo

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ESCASSEZ MUNDIAL DE ÁGUA É PIOR DO QUE SE PENSAVA

Pesquisadores usaram um modelo computacional e concluíram que dois terços do mundo enfrentam problemas

NOVA YORK – Cerca de quatro bilhões de pessoas, ou dois terços da população do mundo, enfrentam grave escassez de água durante pelo menos um mês a cada ano, muito mais do que se pensava anteriormente, de acordo com Arjen Y. Hoekstra, professor de gestão da água na Universidade de Twente, na Holanda.

Em um artigo publicado sexta-feira na revista “Science Advances”, o Dr. Hoekstra e seu colega Mesfin M. Mekonnen conceberam um modelo de computador para criar o que eles dizem ser uma imagem mais precisa da escassez de água em todo o mundo. Uma grave escassez de água pode levar à quebra de safras e baixa produtividade das culturas, o que poderia provocar aumentos de preços de alimentos, bem como fome generalizada.

 

Os pesquisadores criaram um modelo computacional para dividir o mundo em quadrículas medindo aproximadamente 3.108km. Eles então analisaram a demanda mensal de água e disponibilidade do precioso líquido em cada grade para determinar o nível de escassez.

 

Uma área experimenta escassez de água grave quando suas fazendas, indústrias e residências consomem o dobro da quantidade de água disponível nessa região.

 

“Isso significa que os níveis de água subterrânea estão caindo, lagos estão secando, menos água está fluindo em rios e fontes de água para a indústria e os agricultores estão ameaçados”, disse Hoekstra em um e-mail.

 

DESIGUALDADES

 

Mas nem todo mundo iria sofrer de forma igual. Nos países mais ricos, uma severa escassez de água poderia significar racionamento de água para rega e jardinagem, enquanto que em países muito pobres que poderia levar a escassez de água potável.

 

Metade dos quatro bilhões de pessoas que experimentam condições de escassez severa de água pelo menos um mês do ano vive na China ou Índia, disse o Dr. Hoeskstra. Dos restantes dois bilhões, a maioria vive principalmente em Bangladesh, Paquistão, Nigéria, México e as partes a oeste e ao sul dos Estados Unidos, como Califórnia, Texas e Flórida.

 

Estudos anteriores haviam estimado que entre 1,7 e 3,1 bilhões de pessoas eram afetadas pela extrema falta de água. Mas de acordo com o Dr. Hoekstra, ou esses estudos usaram medidas que eram demasiado gerais em tamanho, ou usaram médias anuais que não eram tão precisas como os dados mensais.

 

“Escassez de água doce é um grande risco para a economia mundial, afetando quatro bilhões de pessoas diretamente”, disse Hoekstra. “Mas uma vez que as pessoas restantes no mundo recebem parte de seus alimentos das áreas afetadas, o fenômeno nos envolve a todos”.

 

Fonte: O Globo

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OBESAS E DIABÉTICAS TÊM DOBRO DE RISCO DE TER FILHO AUTISTA, DIZ ESTUDO

Separadamente, as condições também aumentam a probabilidade da síndrome

RIO — Um estudo publicado na revista científica “Pediatrics” mostra que mulheres que sofrem de obesidade e diabetes durante a gestação têm quase o dobro de chances de ter um filho com autismo ou alguma outra desordem relacionada ao desenvolvimento.

A pesquisa foi baseada nos registros de 2.734 crianças que tiveram seu pós-natal feito no Centro Médico de Boston, nos EUA, entre 1998 e 2014. Os bebês foram dividos em seis grupos, de acordo com o peso da mãe e o nível de diabetes dela, e os pesquisadores concluíram que tanto a obesidade quanto o diabetes — de todos os tipos, inclusive o diabetes gestacional — estavam associados com um risco aumentado de autismo e síndromes semelhantes. Mas, quando combinadas, as duas condições aumentavam ainda mais o risco de o bebê vir a sofrer de alguma síndrome de desenvolvimento. Nesses casos, o risco chegava a quase dobrar, em comparação com mães que não tinham problemas com peso ou diabetes.

 

Dados oficiais mostram que, pelo menos nos Estados Unidos, uma em cada 68 crianças tem autismo. A informação é do Centro para Controle e Prevenção de doenças (CDC, na sigla em inglês).

 

— Nossa pesquisa mostra que o risco de autismo começa no útero — disse a co-autora Daniele Fallin, chefe do Departamento de Saúde Mental da Escola Bloomberg e diretora do Centro Wendy Klag para Autismo e Deficiências de Desenvolvimento. — É importante para nós agora tentar entender o que há na combinação de diabetes e obesidade que está potencialmente contribuindo para uma saúde fetal aquém do ideal.

 

Fonte: O Globo

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BRASIL ESTÁ ENTRE OS QUATRO MAIORES EMISSORES DE NITROGÊNIO

Emissões são impulsionadas pela produção de ‘commodities’

RIO — Quando se pensa em efeito estufa, o grande vilão é quase sempre o carbono. Por trás dele, porém, há uma amplo leque de elementos químicos altamente danosos à atmosfera. Um dos principais é o nitrogênio reativo, cuja liberação na atmosfera foi dissecada pela primeira vez em um estudo capitaneado por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, com dados de 188 países. O mapa dessa pegada de nitrogênio traz uma disparidade marcante entre nações. Quatro países — EUA, China, Índia e Brasil — são responsáveis por 46% das emissões desse gás no mundo.

 

O nitrogênio simples (N2) compõe 78% do ar na atmosfera e é extremamente estável, sendo absorvido apenas pelas plantas por meio de bactérias. A quantidade não aproveitada pelo ecossistema volta, em um ciclo natural, para a atmosfera. No entanto, desde a Revolução Industrial, o homem vem liberando nitrogênio reativo a partir da queima de combustíveis fósseis. Nos últimos 150 anos, para desenvolver a agricultura, o elemento tem sido usado na forma de fertilizantes. Grandes quantidades deixam o campo e vão para o ar, onde o gás reage com vapor d’água e dá origem a chuva ácida ou ao óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa 300 vezes mais poluente do que o próprio carbono e que contribui, por exemplo, para a acidificação do solo.

De acordo com os autores do levantamento, a poluição do nitrogênio a partir da atividade humana cresceu em seis vezes desde a década de 1930 — e em dez vezes nos últimos 150 anos. Hoje, o consumo de commodities da agricultura é o grande responsável pelo aumento das emissões desse gás.

 

POLUIÇÃO FORA DAS FRONTEIRAS

 

Os países desenvolvidos geralmente importam muitos produtos que levam à emissão de nitrogênio em nações mais apoiadas no setor agrário, diz a pesquisa. Assim, economias como Japão, Alemanha, Reino Unido e os EUA têm emissões per capita do gás duas vezes maiores do que a quantidade produzida localmente. Em média, por exemplo, cada pessoa na Libéria seria responsável por menos de sete quilos da liberação de nitrogênio reativo por ano. No mesmo período, um habitante de Hong Kong responderia por mais de 100 quilos de poluição, já que a região é grande importadora de produtos agrícolas.

 

— Queríamos saber quem estava fabricando os produtos que são postos nas prateleiras de outros países, e quem é afetado durante este processo — explica Arunima Malik, autor chefe do estudo, publicado na revista “Nature Geoscience”, que afirmou que os problemas ambientais causados pelo excesso de nitrogênio ainda vão custar muito caro.

 

Principalmente devido à importação de produtos agrícolas, as nações de alta renda são responsáveis por emissões de nitrogênio dez vezes maiores que a observada em países em desenvolvimento. Esta diferença refletiria, também, o aumento do consumo de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, entre outros itens que demandam uso intensivo de energia.

 

— As emissões estão fortemente relacionadas ao consumo e à produção — acrescenta Andrea Santos, gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. — O Japão e demais nações desenvolvidas importam roupas e outros produtos cuja fabricação levou a emissões de nitrogênio. Hong Kong não tem terra para culturas agrícolas. Então, precisa comprar suprimentos de diferentes países. O cultivo desses itens levou à liberação de nitrogênio.

 

De acordo com Andrea, a avaliação da emissão de nitrogênio exemplifica um impasse das negociações climáticas:

 

— Os países desenvolvidos são historicamente os maiores poluidores da atmosfera, já que financiam o cultivo agrícola e importam commodities de outros locais. No entanto, as nações pobres às vezes são consideradas “corresponsáveis” pela poluição, já que conduzem em seus territórios as atividades econômicas que vão liberar nitrogênio.

 

A pesquisadora do Fundo Verde avalia que o Brasil, durante seu desenvolvimento econômico, não investiu em sustentabilidade. Por isso, acredita que “não é surpresa” ver o país entre os principais produtores de nitrogênio.

 

— Precisamos adotar no campo práticas como o manejo do solo e a mudança de cultivos agrícolas — destaca ela, antes de acrescentar: — Não cuidamos dos problemas no campo, tampouco investimos apropriadamente em fontes de energia renováveis nas cidades. O setor energético e o de transporte estão entre os mais poluentes de nossa economia, e isso ocorre porque ainda abusamos dos combustíveis fósseis.

 

A equipe de Malik alerta que, com a expansão da população mundial, a emissão de nitrogênio aumentará significativamente. Por isto, é necessário fazer projeções sobre como aumentarão e serão distribuídos a riqueza e o consumo nas próximas décadas, assim como indicar os setores nos quais o combate à contaminação da atmosfera por gases-estufa devem ser prioritários.

 

O cientista que liderou a elaboração do mapa das emissões de nitrogênio propõe a criação de uma legislação internacional para o controle da liberação desse gás. Para o pesquisador, esta medida inibiria as emissões. Outra proposta é a impressão, nos rótulos dos produtos, da quantidade de nitrogênio necessária para a sua fabricação, o que contribuiria para a conscientização dos consumidores. Ele também sugere a taxação dos itens mais poluentes e de fácil acesso no mercado, como os fertilizantes nitrogenados.

 

As recomendações são incentivadas por André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil:

 

— A demanda por nitrogênio pode ser reduzida se tomarmos decisões mais conscientes dos produtos associados com a liberação do gás em diversos setores, como alimentação, transporte e indústria têxtil — ressalta. — É importante que cada país considere alternativas para reduzir o uso deste elemento químico. (Colaborou Clarissa Pains)

 

Fonte: O Globo

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