BRASILEIROS REVELAM COMO FUNCIONAM MÉTODOS PARA DESDOBRAR PROTEÍNAS

‘Origami da vida’ pode ajudar nas pesquisas para tratamentos de diversas doenças

RIO – Na tradicional arte japonesa do Origami, uma folha de papel é dobrada em locais e de maneiras específicas para criar formas variadas, como um tsuru (espécie de cegonha, o “pássaro da felicidade” no Japão). Com as proteínas, acontece algo similar. Compostas por dezenas a até milhares de átomos unidos em longas cadeias de aminoácidos, elas precisam se dobrar para assumir os formatos necessários a fim de cumprir suas diversas funções vitais em nossos organismos. E, também como no Origami, erros neste processo de dobradura prejudicam o trabalho e impedem que se chegue ao resultado final esperado. Mas, enquanto na arte japonesa basta jogar o papel no lixo e começar tudo de novo, em nossos corpos estas proteínas defeituosas podem se acumular, levando ao aparecimento de doenças como Alzheimer, Parkinson, Huntington e câncer.

 

 

E, como no papel do Origami, uma maneira de descobrir onde ocorreram essas falhas é desdobrar meticulosamente as proteínas. Atualmente, os cientistas usam dois métodos principais para isso, um físico e outro químico. No primeiro, as proteínas se abrem quando submetidas a altas pressões e/ou temperaturas, enquanto no segundo são desdobradas ao serem mergulhadas em ureia ou outros compostos. Não se sabia, porém, como exatamente estes métodos funcionam em nível molecular, nem os estágios intermediários de dobradura possíveis de alcançar com eles quando usados em separado e juntos. Mas, graças ao trabalho de dois pesquisadores brasileiros, este quadro agora está mais nítido.

 

Em artigo publicado na edição desta semana do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), Jerson Lima Silva e Guilherme Augusto de Oliveira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, mostram que o método físico de alta pressão “empurra” a água que envolve as proteínas para dentro da molécula, forçando-as a se abrir “de dentro para fora”, enquanto no químico a ureia substitui esta água e “puxa” as partes da proteína, também a abrindo, mas “de fora para dentro”. Além disso, eles demonstraram que, embora o resultado final de ambos os processos seja igual, com a proteína totalmente aberta, os estágios intermediários apresentados por cada um deles podem ser diferentes. Segundo Silva, as descobertas podem ajudar a melhorar os dois métodos quando usados isolados ou em conjunto, e assim revelar falhas em vários estágios intermediários de dobradura das proteínas que podem se tornar alvos mais fáceis para o tratamento e prevenção de pelo menos 50 doenças ligadas a problemas neste processo.

 

— Atacar a forma final de uma proteína já dobrada errado tem menos chances de dar certo, e nossas descobertas dão a oportunidade de descobrir estados intermediários que seriam alvos mais fáceis — diz Silva. — Nossas células, por exemplo, têm mecanismos naturais de controle de qualidade que podem ser cooptados para isso.

Fonte: O Globo

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BRASILEIROS PODERÃO IMPORTAR CANABIDIOL DIRETAMENTE APÓS FAZER CADASTRO NA ANVISA

Agência divulgou regras para compra de medicamentos com substância extraída da maconha

BRASÍLIA – Publicadas nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as novas regras para a importação de produtos à base de canabidiol, substância extraída da planta da maconha, prometem facilitar o acesso dos pacientes, mas sob critérios rígidos. Pelas normas que passarão a vigorar em 60 dias, interessados terão de se cadastrar na Anvisa para receber uma autorização de compra do canabidiol, com validade de um ano.

 

Para obter essa autorização, o interessado terá de fazer o cadastro, pela internet, preenchendo um formulário da Anvisa e apresentando laudo médico, prescrição e documentos pessoais. O canabidiol é indicado para casos de síndromes raras, que geralmente acometem crianças, causando crises intensas de convulsão. Há um ano, a Anvisa passou a conceder autorizações individuais de compra do produto. A ideia, agora, é padronizar as normas.

 

Com a autorização nas mãos, o interessado poderá fazer a compra do medicamento tanto a distância (pela internet ou telefone) ou trazer o produto de fora, na bagagem. De acordo com a Receita Federal, o canabidiol não pode ser entregue diretamente no domicílio dos importadores, devido às exigências previstas na legislação vigente, regra que conta com a anuência da Anvisa, segundo informou o órgão.

 

O medicamento tem de ser retirado do posto alfandegário pelo qual entrou no país. Esse procedimento, porém, está sujeito a sofrer modificações a partir das novas normas da agência, mas isso depende dos órgãos envolvidos na transação comercial, já que as novas regras da Anvisa entrarão em vigor em dois meses.

 

Uma novidade da resolução da Anvisa foi autorizar que, além de pessoas físicas, hospitais, unidades do governo da área da Saúde, planos de saúde e associações de pacientes possam fazer as importações, em nome de vários pacientes e seguindo as mesmas regras. A medida é apresentada pela agência como uma possibilidade para reduzir custos e facilitar os procedimentos. O preço varia conforme a necessidade. Algumas famílias que usam o medicamento relatam gasto médio de US$ 250 por mês.

 

Há cinco produtos com aprovação prévia da Anvisa – que correspondem a 95% das compras já autorizadas pela agência – por se enquadrarem nos requisitos previstos. Se o interessado quiser outro medicamento, terá de receber uma liberação específica da Anvisa, que vai analisar o nível de THC do produto e se ele tem registro no país de origem, entre outros critérios de segurança. Mesmo com as novas normas, o THC, princípio presente no canabidiol, continua a ser uma substância proibida no Brasil, pelos efeitos entorpecentes.

 

A resolução da Anvisa faz parte de iniciativas adotadas pelo governo depois de virem à tona histórias de mães de crianças com doenças graves que traziam ilegalmente o produto, devido à proibição no Brasil. Autorizações passaram a ser dadas, em caráter excepcional e de forma individual, há cerca de um ano. Até março de 2015, a Anvisa recebeu 574 pedidos para importar produtos à base de canabidiol, resultando em 499 autorizações.

 

NOVAS REGRAS

 

Cadastro

 

Há cerca de um ano, a Anvisa passou a dar autorizações individuais a pedidos feitos por pais de pacientes. Os documentos exigidos continuam os mesmos (formulário da própria agência, laudo médico e a prescrição). No entanto, essa autorização passará a valer por um ano. Antes, a cada nova prescrição, o paciente tinha de entrar com um pedido na Anvisa.

 

Fração

 

Os pacientes poderão comprar o produto à base de canabidiol fracionado. Poderá importar, por exemplo, metade da quantidade prescrita, até por uma questão de disponibilidade financeira, e depois a outra parte, por exemplo.

 

Compradores

 

Além de pessoas físicas, a compra do medicamento pode ser feita por hospitais, planos de saúde, associações de pacientes, secretarias de Saúde e outros órgãos governamentais ligados à area. A ideia é facilitar o processo em compras coletivas. Mas as pessoas físicas continuam podendo comprar.

 

Remédios

 

Há cinco produtos com aprovação prévia da Anvisa — correspondem a 95% das compras já autorizadas pela agência — por se enquadrarem nos requisitos exigidos. Se o interessado quiser outro medicamento, terá de receber uma liberação específica da Anvisa, que vai analisar o nível de THC do produto e se ele tem registro no país de origem, entre outros critérios de segurança.

 

Entrega

 

O canabidiol, segundo a Receita Federal, não pode ser entregue diretamente na residência do importador, tendo de ser retirado em depósitos oficiais do governo localizados em aeroportos, portos, entre outros. Mas esse procedimento poderá ser revisto pelos demais órgãos envolvidos na transação comercial a partir das regras da Anvisa, que entram em vigor em 60 dias.

 

Fonte: O Globo

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INFLAÇÃO PELO IPC-S GANHA FORÇA NA PRIMEIRA SEMANA DE MAIO

Maiores altas ocorreram em Salvador (1,03%) e Belo Horizonte (0,86%)

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) avançou 0,70% na primeira semana de maio, 0,09 ponto percentual acima da taxa divulgada no fim de abril, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

Cinco das sete capitais pesquisadas tiveram acréscimo de preços, com a maior alta registrada em Salvador (1,03%), seguida de Belo Horizonte (0,86%). Brasília foi a capital com a variação mais baixa, de 0,54%.

 

A maior contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação (0,14% para 0,61%). Nesta classe de despesa, o item salas de espetáculo passou de -0,75% para 2,83%.

 

Também registraram acréscimo em suas taxas de variação os grupos: Saúde e Cuidados Pessoais (1,37% para 1,50%), Vestuário (0,76% para 1,05%), Alimentação (0,86% para 0,93%), Transportes (0,05% para 0,08%), Comunicação (0,07% para 0,10%) e Habitação (0,57% para 0,58%).

 

Veja o comportamento dos itens nas seguintes classes de despesas:

 

Medicamentos em geral (3,49% para 3,74%)

Roupas (0,98% para 1,28%)

Hortaliças e legumes (2,68% para 5,72%)

Seguro facultativo para veículos (-0,56% para 0,09%)

Mensalidade para internet (0,05% para 0,32%)

Tarifa de eletricidade residencial (0,59% para 0,85%), respectivamente.

 

Entenda o índice

 

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) calcula a variação de preços de produtos e serviços em sete capitais do país, de maneira quadrissemanal, com fechamentos nos dias 7, 15, 22 e 30 de cada mês. Apesar de a coleta ser semanal, a apuração das taxas de variação leva em conta a média dos preços coletados nas quatro últimas semanas até a data de fechamento.

 

O indicador avalia o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 33 salários mínimos residentes em Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, nas seguintes classes de despesas:  Alimentação, Habitação, Vestuário, Saúde e Cuidados Pessoais, Educação, Leitura e Recreação, Transportes e Despesas Diversas.

 

Fonte: G1

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TERREMOTOS EM SÉRIE INTRIGAM PÚBLICO E CIENTISTAS

Sequência de grandes tremores desde 2004 levanta suspeitas de que eventos podem estar ligados

RIO – O forte terremoto que atingiu o Nepal no último fim de semana pode ser apenas o mais recente de uma série de grandes tremores que aflige o mundo desde dezembro de 2004 e intriga os cientistas e o público em geral. Naquele ano, um abalo de magnitude 9,1 na região das Ilhas Andaman, na costa Oeste de Sumatra, Indonésia, provocou um tsunami que deixou mais de 220 mil mortos em países em torno do Oceano Índico. Este sismo marcaria o início de uma sequência de eventos devastadores que sacudiram do Chile ao Japão, passando por China, Haiti e Itália, com um total de vítimas fatais que chegaria a mais de 600 mil, numa sucessão de tragédias que levanta suspeitas de que estes terremotos poderiam estar interligados.

 

Até 2004, o último terremoto com magnitude acima de 9 tinha sido registrado no Alasca cerca de 40 anos antes, ele mesmo parte de uma estranha sequência de tremores poderosos iniciada em 1950, quando um sismo de magnitude 8,6 sacudiu o Tibete. Como agora, esta série de fortes abalos no início da segunda metade do século XX pareceu estar concentrada em um período relativamente curto de tempo, de não mais de 15 anos. Segundo os cientistas, esta aparente aglomeração (clustering, no termo em inglês) de grandes terremotos globais pode não passar de uma simples coincidência — mas também pode ser indício da existência de mecanismos que fazem com que um deles precipite a ocorrência de outro mesmo a enormes distância. Mecanismos que desafiam os atuais conhecimentos sobre o funcionamento e o comportamento das placas tectônicas que formam a crosta terrestre.

 

— O histórico destes aparentes ciclos é suspeito, mas até agora não temos evidências de que tais mecanismos de fato existam além desta observação — diz Tom Larsen, líder de arquitetura de produtos de modelagem e previsão de catástrofes da CoreLogic EQECAT, empresa de análise de dados que presta consultoria a companhias seguradoras e de resseguros, entre outras. — Sabemos e entendemos muito bem como grandes terremotos podem ser precedidos por abalos menores e sucedidos por uma miríade de abalos secundários, os chamados aftershocks, em nível local e regional, mas em nível global ainda não temos conhecimento suficiente nem para provar nem para derrubar esta hipótese.

 

MOVIMENTO MACIÇO DA CROSTA

 

Segundo Larsen, a ideia geral desta hipótese é que, num tremor em grande escala, o movimento maciço da crosta terrestre pode transmitir energia a grandes distâncias, o suficiente para que uma falha em uma região afastada do planeta atinja seu limite e se rompa, deflagrando outro forte terremoto.

 

— O conceito básico por trás disso é que a liberação da energia em uma área aumenta a pressão em outra, mesmo que muito distante, mas isso teria que se dar de uma maneira que não sabemos ou vai de encontro ao que conhecemos sobre o comportamento da Terra — conta. — Assim, a observação destes aparentes ciclos de grandes terremotos não é ilógica ou irracional, mas o fato é que precisamos de mais informação e estudos para fazer qualquer ligação direta entre eles.

 

Já Robert Yeats, professor da Universidade do Estado de Oregon, nos EUA, e especialista em geologia de terremotos e placas tectônicas, é mais cético. Segundo ele, os atuais modelos sobre o comportamento da Terra e previsão da probabilidade da ocorrência de terremotos em nível regional não contemplam qualquer tipo de influência de grandes abalos a grandes distâncias.

 

— Temos evidências da ocorrência de aglomerações de terremotos em nível regional, mas nada global — afirma.

 

Ainda assim, Yeats reconhece que os atuais modelos para previsão de terremotos estão longe de serem precisos e admite a possibilidade, mesmo que remota, de grandes sismos deflagrarem outros em regiões distantes do planeta.

 

— Obviamente, ao olhar para trás e vermos que há 40 anos não tínhamos uma sucessão de terremotos fortes como essa, isso se destaca — considera o cientista. — A Terra é um sistema extremamente complexo e nosso conhecimento sobre o que acontece com ela é muito incompleto. Não sabemos se a sequência de grandes terremotos que estamos vendo é uma coincidência ou se há algum real mecanismo por trás disso. A verdade é que tudo é uma grande especulação e não podemos dizer ou prever, com base nisso, a possibilidade de termos outro grande terremoto num prazo relativamente curto, nem quando nem onde.

 

Apesar disso, Yeats conta que a mais recente série chamou a atenção das autoridades do Oregon, que o convocaram (e outros especialistas) para discutir a necessidade de medidas de prevenção de uma possível catástrofe provocada por eventual forte abalo na região tectonicamente ativa de Cascadia, no Noroeste dos EUA.

 

Fonte: O Globo

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USO DE ELETRÔNICOS ANTES DE DORMIR IMPEDE O SONO E PODE CAUSAR DOENÇAS, DIZEM MÉDICOS

Cansaço, problemas de memória e propensão a problemas cardíacos estão entre os possíveis transtornos

RIO — Durante a semana, o ritual da professora Julia Barros, de 36 anos, é sempre o mesmo antes de ir dormir. Por volta das 22h, ela beija o marido, lhe deseja boa noite, deita na cama e, ao invés de fechar os olhos para descansar, liga o smartphone. Ali, Julia se informa sobre o dia, conversa com amigas pelo WhatsApp, liga para a mãe por Skype, e verifica o Facebook até adormecer, por volta de 00h30m. Às 6h da manhã ela já está de pé, certa de que poderia ter tido uma noite melhor de sono não fosse a agitação causada pelo celular — o que não a impede de repetir o hábito.

 

CONFIRA DICAS PARA REPOUSAR BEM

 

O caso da professora é emblemático em mostrar como a crescente importância da tecnologia pessoal, com smartphones, tablets e computadores de telas luminosas e hiperconectadas, vem impactando o sono das pessoas. As consequências disso, afirmam especialistas, são claras: a curto prazo, menos horas e pior qualidade de sono, cansaço, problemas de memória; já a longo prazo, propensão a problemas cardíacos e diversas outras doenças.

 

— Passamos o dia todo trabalhando, envolvidos em mil coisas. Ao pararmos para descansar, normalmente na hora de dormir, é quando temos tempo para verificar o que está acontecendo no mundo — afirma Julia.

 

A professora conta que já se acostumou com as broncas do marido por causa do hábito — e ele mesmo desistiu de fazê-la mudar.

 

— Ele até passou a deixar a luz acesa por minha causa. Sei que isso me deixa agitada, o que faz com que eu demore a pegar no sono, mas estaria mentindo se dissesse que já tentei mudar. No máximo, tenho tentado diminuir o tempo que fico com o smartphone na cama.

 

PROBLEMA GLOBAL

 

Julia não está sozinha nessa tendência. Uma pesquisa realizada em 2013 pela Fundação Nacional do Sono dos EUA com 1.500 adultos selecionados no país, no Canadá, no México, no Reino Unido, na Alemanha e no Japão indica que mais da metade dos americanos, canadenses e ingleses, e pelo menos dois terços dos japoneses, usam algum tipo de dispositivo eletrônico ao menos uma hora antes de ir para a cama.

 

Não à toa, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) classifica a insuficiência de sono como uma epidemia de saúde pública desde 2011.

 

E o problema não é apenas comportamental. Conforme explica Rosa Hasan, neurologista da Associação Brasileira do Sono (ABS), smartphones, tablets e computadores têm um impacto fisiológico real em nosso organismo:

 

— Ao manterem esses dispositivos perto da cama, as pessoas simplesmente não conseguem relaxar, por causa das notificações. Mas há um fator fisiológico também: a luz desses aparelhos inibe a produção de melatonina pelo nosso corpo, um hormônio que nos ajuda a regular o sono.

 

Em paralelo a essa constatação, pesquisadores investigam há muito se a exposição prolongada à radiação emitida por celulares poderia aumentar as chances de câncer em usuários — algo que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda não foi cientificamente comprovado.

 

A designer Priscilla Moulin, de 23 anos, é outra que admite trocar diariamente horas de sono por visitas a sites e redes sociais, além de partidas em jogos eletrônicos. Como consequência, ela normalmente vai dormir 1h da manhã, tendo que estar de pé às 6h30m.

 

— Sou uma pessoa muito agitada, e não gosto de chegar tarde em casa do trabalho e já ter que terminar o meu dia. Então, fico com essa sensação de que preciso aproveitar o tempo que me resta ao máximo, fazendo outras coisas que não dormindo — afirma a designer, que diz já ter desistido de mudar o hábito. — Cheguei a procurar médicos, mas não adiantou.

 

CONSEQUÊNCIAS FUTURAS

 

Neurologista do Instituto do Sono, em São Paulo, Luciano Ribeiro reconhece a dificuldade de conscientizar as pessoas, principalmente os mais jovens, sobre os problemas de uma rotina de sono de menos de seis horas por noite, já que muitos não sentem os problemas a curto prazo desse hábito. No entanto, ele alerta que as pessoas devem ter em mente as possíveis consequências futuras desse hábito:

 

— Diversos estudos mostram que as pessoas que sofrem uma privação crônica de sono acabam sofrendo maior incidência de problemas cardiovasculares, envelhecimento precoce e doenças mentais. Em alguns casos, esses problemas começam a aparecer apenas dez anos depois do início dessa rotina de sono reduzido.

 

Por isso, Ribeiro recomenda autocontrole na hora de ir para cama: aparelhos eletrônicos devem ficar desligados ou longe do quarto para evitar interrupções, as pessoas devem ter hora para dormir, e a temperatura do ambiente deve ser confortável. Ele ainda alerta que que de nada adianta dormir pouco todos os dias e tentar tirar o atraso nos finais de semana.

 

— A cama deve ser um espaço de descanso, sem que as pessoas levem trabalho ou aparelhos para ele, pois, se o fizerem, estarão sinalizando para o corpo que, ao deitar, ele não deve relaxar — afirma o neurologista. — Além disso, é importante ter um horário regular para deitar e levantar, aliado à prática de exercícios. Dormir mais no final de semana para compensar o tempo perdido nos outros dias não é jeito de combater a privação crônica do sono.

 

APPS E PULSEIRAS: CETICISMO MÉDICO

 

Apesar do papel de vilão da tecnologia pessoal na manutenção de uma boa rotina de sono, o mercado de eletrônicos vem tentando mudar essa má fama nos últimos anos. Num fenômeno recente, diversos aplicativos e acessórios têm sido lançados com a promessa de permitir que seus usuários monitorem melhor os seus hábitos para que se sintam estimulados a levar um estilo de vida mais saudável.

 

O jornalista Rômulo Almeida, de 27 anos, é um dos adeptos da tendência. Há cerca de um ano ele adquiriu uma pulseira inteligente e, desde então, conta que vem percebendo uma melhora significativa na qualidade do seu descanso.

 

— Ela tem uma série de sensores que monitoram o meu sono e outras atividades físicas. Esses dados são mostrados por meio de um app, e, a partir dele, consigo saber o quanto tenho dormido, quanto tenho caminhado, e a que horas preciso ir para a cama para cumprir minha meta de descanso — explica ele. — Por isso, desde que comecei a usar a pulseira, tenho me sentido mais motivado a ter hábitos mais regrados.

 

No entanto, a neurologista da ABS Andrea Bacelar diz ver com ceticismo o surgimento desses apps e dispositivos.

 

— Esses aplicativos que prometem informar se você está tendo um sono profundo ou leve não são precisos. As pulseiras até podem ser melhores, mas ainda sou cética quanto aos seus resultados — afirma ela. — Essas tecnologias podem funcionar como um estímulo, mas as pessoas precisam querer melhorar para ter resultados efetivos. E, para isso, ainda vale consultar um médico.

 

Fonte: O Globo

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BRASIL LIDERA O RANKING DE CONSUMO DE AGROTÓXICOS

Dados são de relatório divulgado nesta quarta-feira pelo Inca, que alerta para as consequências à saúde, como o câncer

RIO – Landa Rodrigues, de 40 anos, trabalha na lavoura em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, desde criança. Antes ou depois da escola, costumava ajudar a família na produção de verduras. Cresceu plantando mudas, pulverizando agrotóxicos e colhendo o resultado do trabalho esforçado. Aos 20 anos, logo depois de usar um pesticida, seus olhos começaram a arder e inchar. Landa esperou o incômodo passar, mas ele não passou. Hoje, enxerga pouco e sempre soube que a culpa era do veneno, mesmo antes de as substâncias ganharem destaque pelos males à saúde que causam. Enjoos, dores de cabeça, feridas e coceiras na pele são outras lembranças ruins que ela guarda de quando as usava em sua produção, já que há três anos trabalha apenas com orgânicos. Além disso, vítimas de câncer são frequentes na região.

 

— Câncer aqui é igual a epidemia de dengue no Rio. Não falta caso para contar — diz Landa, lembrando que pai, tio e avô morreram de câncer, o que também ocorreu com alguns vizinhos.

 

Para cobrar uma redução do uso de agrotóxicos no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou ontem — Dia Mundial da Saúde, que teve como foco a alimentação segura — um documento no qual compila dados contundentes sobre os riscos dessas substâncias para a saúde, tanto para o agricultor, que está em contato direto com o produto, mas para qualquer consumidor. O instituto quer, com isso, pressionar governos e entidades a aumentar a regulação e o controle, além de incentivar alternativas mais sustentáveis.

 

Segundo o documento, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões em 2001 para mais de US$ 8,5 bilhões em 2011 no Brasil. Desde 2009, o país é o maior consumidor mundial dessas substâncias, com uma média de um milhão de toneladas por ano, o equivalente a 5,2 kg de veneno por habitante. Para se ter ideia, a média dos EUA em 2012 era de 1,8 kg por habitante. Na última década, o mercado de agrotóxicos do país cresceu 190%, ritmo mais acentuado do que o do mercado mundial no mesmo período (93%).

 

Nos anos 80, o brasileiro era exposto a menos de 1 kg de agrotóxico por habitante. Os principais responsáveis por este aumento são os transgênicos, que requerem grandes quantidades de pesticidas. Por isso, são as lavouras de soja, cana-de-açúcar e outras commodities que lideram o ranking de uso de agrotóxicos. Na agricultura familiar, tomate, pimentão e jiló estão entre os campeões.

 

O Ministério da Agricultura diz que os agrotóxicos são considerados “extremamente relevantes no modelo de desenvolvimento da agricultura no país” e que “a legislação para o setor agrícola é a mais rigorosa do mundo e adota padrões reconhecidos pela comunidade científica internacional”, inclusive para os transgênicos. Mas o argumento não convence o pesquisador do Inca Luiz Felipe Ribeiro Pinto, que representou o presidente do órgão no lançamento ontem.

 

— A evolução tecnológica e produtiva não pode ser ad infinitum uma desculpa para o uso de agrotóxico, às custas da saúde da população — criticou Ribeiro Pinto, afirmando que, em média, 280 estudos são publicados em revistas científicas internacionais anualmente estabelecendo a relação entre câncer e pesticida, número quatro vezes superior ao de duas décadas atrás.

 

Mês passado, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) publicou relatório no qual classificou cinco agrotóxicos como “provavelmente” ou “possivelmente” cancerígenos, dos quais três são permitidos no Brasil pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Diante da publicação, o órgão afirmou que reavaliará a segurança dos produtos. No Brasil, além disso, pelo menos outras dez substâncias usadas na lavoura estão proibidas em países como Estados Unidos e os da União Europeia. E mesmo proibidos ou não, as evidências científicas não garantem a segurança dos agrotóxicos, critica o Inca.

 

Há dois tipos de intoxicação comprovadas que são causadas por eles. As agudas são decorrentes do contato direto com o produto, prejudicando principalmente o agricultor com irritação de pele e olhos, coceira, vômito, diarreia, espasmos, convulsões e até a morte. Já as crônicas ocorrem pela contaminação prolongada e podem afetar qualquer pessoa: infertilidade, impotência, aborto, malformações, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e nervoso central, além do câncer.

 

Essas informações começaram a chegar aos poucos à zona rural. O agricultor Édio Ferreira, de 48 anos, de Teresópolis, diz que começou a conhecer pela imprensa, há poucos anos, os riscos de câncer associados ao agrotóxico.

 

— As notícias me assustaram — afirma Ferreira, que decidiu começar a produzir apenas orgânicos. — É mais trabalhoso, tem que ter mais paciência para deixar a planta surgir, o mato cresce mais rápido, mas pelo menos é mais seguro.

 

Fabiano Silva, de 37 anos, também produtor de orgânicos, conta que, apesar do receio inicial, acabou sendo atraído pela oportunidade de uma renda maior. Na cultura orgânica, além do banimento dos agrotóxicos, a produção preza pela sustentabilidade, o que inclui regras trabalhistas mais definidas. Ele hoje ganha um salário, tem carteira assinada e divide a produção com o dono do terreno.

 

— Na agricultura, quando um produto está em alta, todo mundo planta a mesma coisa. Aí o preço despenca. Isso é frequente — conta.

 

Proprietário da Lagoa Orgânicos, Alcimar Espírito Santo diz que burocracia e poucos incentivos dificultam a prosperidade do negócio. O preço mais alto que o convencional é um dos principais empecilhos, o que ele vem contornando ao eliminar os atravessadores e se aproximando dos agricultores, que hoje já começam a não enxergar o agrotóxico como solução:

 

— A gente deve buscar libertar o agricultor, aprisionado ao modelo de produção tradicional. Já vem crescendo o número de agricultores se convertendo aos orgânicos. Quem começa não volta.

 

Fonte: O Globo

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MAIORIA DA POPULAÇÃO NÃO CONSOME PORÇÃO DE FRUTAS E HORTALIÇAS SUGERIDA PELA OMS

Pesquisa mostra que 24,1% dos brasileiros ingerem a quantidade de frutas e hortaliças recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A quantidade recomendada é 400 gramas diários, em cinco ou mais dias da semana. Entre os homens, o percentual verificado pela pesquisa é ainda menor: apenas 19,3% atendem às recomendações. Entre as mulheres, o consumo atinge 28,3% do total.

 

Os dados, que fazem parte da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2014, foram divulgados hoje (7) pelo Ministério da Saúde.

 

O estudo mostra ainda que 29,4% da população ainda consomem carne com excesso de gordura. Os homens ingerem duas vezes mais: 38,4%. Entre as mulheres o índice é 21,7%. Os números indicam também que o brasileiro tem diminuído a ingestão de refrigerante – item que caiu 20% nos últimos seis anos. Entretanto, mais de 20% da população ainda tomam desse tipo bebida cinco vezes ou mais na semana.

 

Em relação aos alimentos mais consumidos pelos brasileiros, o Vigitel mostrou que o consumo regular do feijão em cinco ou mais dias da semana está presente em uma escala correspondente a 66% da população. O percentual foi maior entre os homens – 73% – ao passo que, entre as mulheres, o consumo de feijão equivale a 61%.

 

Fonte: Agência Brasil

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CRIANÇAS QUE DÃO GOLES NO ÁLCOOL DOS PAIS PODEM COMEÇAR A BEBER MAIS CEDO, DIZ ESTUDO

Pesquisa americana realizada com 561 jovens apontou que permissão dos responsáveis pode não ser inofensiva

RIO – Deixar que seu filho ou sua filha dê uma bicada no seu vinho quando eles ainda são crianças pode não ser tão inofensivo assim, como mostra uma recente pesquisa americana publicada no “Jornal de Estudos sobre Álcool e Drogas”. Segundo o estudo, jovens que provam, por exemplo, vinho de seus pais quando mais novos, podem ser mais propensos a começar a beber até o ensino médio.

 

 

Os pesquisadores descobriram que, de 561 alunos em um estudo de longo prazo, aqueles que deram um gole de álcool até o quinto ano eram cinco vezes mais propensos do que seus colegas a beberem um drink todo até chegarem ao ensino médio. Além disso, tinham quatro vezes mais probabilidade de já terem ficado bêbados. Os resultados não provam que os primeiros goles de álcool são necessariamente os culpados, disse a pesquisadora Kristina Jackson, do Centro de Estudos de Álcool e Dependência na Universidade Brown, em Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos.

 

“Nós não estamos tentando dizer se é OK ou não que os pais permitam isso”, afirmou Jackson.

 

Ainda assim, ela notou, alguns pais acreditam no “modelo europeu” – a ideia de que a introdução de crianças ao álcool já cedo, em casa, vai ensiná-las sobre o consumo responsável e, assim, diminuirá o apelo do álcool de ser um “tabu”.

 

“Nosso estudo fornece evidências do contrário”, disse Jackson.

 

Os resultados são baseados em alunos do ensino médio que foram examinados periodicamente ao longo de três anos. No início do sexto ano (quando tinham em torno de 11 anos), quase 30% dos alunos disseram que já tinham tomado um gole de álcool. Na maioria dos casos, os pais que tinham fornecido – muitas vezes em uma festa ou outra ocasião especial.

 

No nono ano, 26% daqueles que tinham bebido um gole quando mais novos disseram que já tinham bebido um drink todo, contra menos de 6% de seus colegas. Além do mais, 9% ou tinha chegado bêbado ou tinha bebido compulsivamente – em comparação com pouco menos de 2% daqueles que não tinham dado goles.

 

É claro que há muitos fatores que influenciam no ato de beber enquanto se é menor de idade, Jackson observou. Sua equipe tentou explicar o maior número de fatores possíveis – incluindo os hábitos de consumo e qualquer história de alcoolismo dos pais, bem como a disposição das crianças de impulsão e tomadas de risco em geral.

 

‘MENSAGEM MISTA’

De acordo com Jackson, é possível que esses pequenos gostos de álcool passem aos filhos jovens uma “mensagem mista”.

 

“Nessa idade, algumas crianças podem ter dificuldade em compreender a diferença entre um gole de vinho com uma cerveja cheia”, explicou ela.

 

Dito isso, ela ressaltou que os pais não devem se assustar se eles já deixaram seus pequenos dar um gole no vinho.

 

“Não estamos dizendo que o seu filho está condenado”, disse Jackson.

 

Por fim, ressaltou que as conclusões apontaram para a necessidade de dar às crianças “mensagens claras e consistentes” sobre beber, e ter certeza que eles não podem ter acesso a nenhuma bebida na casa.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
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