OBESAS E DIABÉTICAS TÊM DOBRO DE RISCO DE TER FILHO AUTISTA, DIZ ESTUDO

Separadamente, as condições também aumentam a probabilidade da síndrome

RIO — Um estudo publicado na revista científica “Pediatrics” mostra que mulheres que sofrem de obesidade e diabetes durante a gestação têm quase o dobro de chances de ter um filho com autismo ou alguma outra desordem relacionada ao desenvolvimento.

A pesquisa foi baseada nos registros de 2.734 crianças que tiveram seu pós-natal feito no Centro Médico de Boston, nos EUA, entre 1998 e 2014. Os bebês foram dividos em seis grupos, de acordo com o peso da mãe e o nível de diabetes dela, e os pesquisadores concluíram que tanto a obesidade quanto o diabetes — de todos os tipos, inclusive o diabetes gestacional — estavam associados com um risco aumentado de autismo e síndromes semelhantes. Mas, quando combinadas, as duas condições aumentavam ainda mais o risco de o bebê vir a sofrer de alguma síndrome de desenvolvimento. Nesses casos, o risco chegava a quase dobrar, em comparação com mães que não tinham problemas com peso ou diabetes.

 

Dados oficiais mostram que, pelo menos nos Estados Unidos, uma em cada 68 crianças tem autismo. A informação é do Centro para Controle e Prevenção de doenças (CDC, na sigla em inglês).

 

— Nossa pesquisa mostra que o risco de autismo começa no útero — disse a co-autora Daniele Fallin, chefe do Departamento de Saúde Mental da Escola Bloomberg e diretora do Centro Wendy Klag para Autismo e Deficiências de Desenvolvimento. — É importante para nós agora tentar entender o que há na combinação de diabetes e obesidade que está potencialmente contribuindo para uma saúde fetal aquém do ideal.

 

Fonte: O Globo

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BRASIL ESTÁ ENTRE OS QUATRO MAIORES EMISSORES DE NITROGÊNIO

Emissões são impulsionadas pela produção de ‘commodities’

RIO — Quando se pensa em efeito estufa, o grande vilão é quase sempre o carbono. Por trás dele, porém, há uma amplo leque de elementos químicos altamente danosos à atmosfera. Um dos principais é o nitrogênio reativo, cuja liberação na atmosfera foi dissecada pela primeira vez em um estudo capitaneado por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, com dados de 188 países. O mapa dessa pegada de nitrogênio traz uma disparidade marcante entre nações. Quatro países — EUA, China, Índia e Brasil — são responsáveis por 46% das emissões desse gás no mundo.

 

O nitrogênio simples (N2) compõe 78% do ar na atmosfera e é extremamente estável, sendo absorvido apenas pelas plantas por meio de bactérias. A quantidade não aproveitada pelo ecossistema volta, em um ciclo natural, para a atmosfera. No entanto, desde a Revolução Industrial, o homem vem liberando nitrogênio reativo a partir da queima de combustíveis fósseis. Nos últimos 150 anos, para desenvolver a agricultura, o elemento tem sido usado na forma de fertilizantes. Grandes quantidades deixam o campo e vão para o ar, onde o gás reage com vapor d’água e dá origem a chuva ácida ou ao óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa 300 vezes mais poluente do que o próprio carbono e que contribui, por exemplo, para a acidificação do solo.

De acordo com os autores do levantamento, a poluição do nitrogênio a partir da atividade humana cresceu em seis vezes desde a década de 1930 — e em dez vezes nos últimos 150 anos. Hoje, o consumo de commodities da agricultura é o grande responsável pelo aumento das emissões desse gás.

 

POLUIÇÃO FORA DAS FRONTEIRAS

 

Os países desenvolvidos geralmente importam muitos produtos que levam à emissão de nitrogênio em nações mais apoiadas no setor agrário, diz a pesquisa. Assim, economias como Japão, Alemanha, Reino Unido e os EUA têm emissões per capita do gás duas vezes maiores do que a quantidade produzida localmente. Em média, por exemplo, cada pessoa na Libéria seria responsável por menos de sete quilos da liberação de nitrogênio reativo por ano. No mesmo período, um habitante de Hong Kong responderia por mais de 100 quilos de poluição, já que a região é grande importadora de produtos agrícolas.

 

— Queríamos saber quem estava fabricando os produtos que são postos nas prateleiras de outros países, e quem é afetado durante este processo — explica Arunima Malik, autor chefe do estudo, publicado na revista “Nature Geoscience”, que afirmou que os problemas ambientais causados pelo excesso de nitrogênio ainda vão custar muito caro.

 

Principalmente devido à importação de produtos agrícolas, as nações de alta renda são responsáveis por emissões de nitrogênio dez vezes maiores que a observada em países em desenvolvimento. Esta diferença refletiria, também, o aumento do consumo de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, entre outros itens que demandam uso intensivo de energia.

 

— As emissões estão fortemente relacionadas ao consumo e à produção — acrescenta Andrea Santos, gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. — O Japão e demais nações desenvolvidas importam roupas e outros produtos cuja fabricação levou a emissões de nitrogênio. Hong Kong não tem terra para culturas agrícolas. Então, precisa comprar suprimentos de diferentes países. O cultivo desses itens levou à liberação de nitrogênio.

 

De acordo com Andrea, a avaliação da emissão de nitrogênio exemplifica um impasse das negociações climáticas:

 

— Os países desenvolvidos são historicamente os maiores poluidores da atmosfera, já que financiam o cultivo agrícola e importam commodities de outros locais. No entanto, as nações pobres às vezes são consideradas “corresponsáveis” pela poluição, já que conduzem em seus territórios as atividades econômicas que vão liberar nitrogênio.

 

A pesquisadora do Fundo Verde avalia que o Brasil, durante seu desenvolvimento econômico, não investiu em sustentabilidade. Por isso, acredita que “não é surpresa” ver o país entre os principais produtores de nitrogênio.

 

— Precisamos adotar no campo práticas como o manejo do solo e a mudança de cultivos agrícolas — destaca ela, antes de acrescentar: — Não cuidamos dos problemas no campo, tampouco investimos apropriadamente em fontes de energia renováveis nas cidades. O setor energético e o de transporte estão entre os mais poluentes de nossa economia, e isso ocorre porque ainda abusamos dos combustíveis fósseis.

 

A equipe de Malik alerta que, com a expansão da população mundial, a emissão de nitrogênio aumentará significativamente. Por isto, é necessário fazer projeções sobre como aumentarão e serão distribuídos a riqueza e o consumo nas próximas décadas, assim como indicar os setores nos quais o combate à contaminação da atmosfera por gases-estufa devem ser prioritários.

 

O cientista que liderou a elaboração do mapa das emissões de nitrogênio propõe a criação de uma legislação internacional para o controle da liberação desse gás. Para o pesquisador, esta medida inibiria as emissões. Outra proposta é a impressão, nos rótulos dos produtos, da quantidade de nitrogênio necessária para a sua fabricação, o que contribuiria para a conscientização dos consumidores. Ele também sugere a taxação dos itens mais poluentes e de fácil acesso no mercado, como os fertilizantes nitrogenados.

 

As recomendações são incentivadas por André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil:

 

— A demanda por nitrogênio pode ser reduzida se tomarmos decisões mais conscientes dos produtos associados com a liberação do gás em diversos setores, como alimentação, transporte e indústria têxtil — ressalta. — É importante que cada país considere alternativas para reduzir o uso deste elemento químico. (Colaborou Clarissa Pains)

 

Fonte: O Globo

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CONSUMO DE BATATA ANTES DA GRAVIDEZ PODE ELEVAR RISCO DE DIABETES

Pesquisadores americanos sugerem substituir tubérculo por grãos integrais e legumes

RIO – Mulheres que comem mais batatas antes da gravidez podem ter taxas mais altas de diabetes gestacional — a forma que ocorre durante a gravidez — em comparação a mulheres que consomem menos batatas no mesmo período, diz estudo realizado pelo National Institutes of Health (NIH). Os pesquisadores propõem que substituir batatas por outros vegetais, legumes ou cereais integrais pode ajudar a reduzir o risco de diabetes gestacional. Os resultados aparecem no “The BMJ” (anteriormente conhecido como “British Medical Journal”).

 

O diabetes gestacional é uma complicação comum da gravidez que provoca níveis altos de açúcar no sangue da mãe. O distúrbio pode levar a futuros problemas de saúde para mãe e filho. Estudos anteriores ligaram alimentos com alto índice glicêmico, uma medida da capacidade de elevar os níveis de açúcar no sangue, a um maior risco de diabetes gestacional ou tipo 2. No entanto, até ao presente estudo, o efeito da batata, alimento rico em glicêmico comum, sobre o desenvolvimento de diabetes gestacional era desconhecido.

 

Pesquisadores do NICHD (National Institute of Child Health and Human Development) e da Universidade de Harvard avaliaram mais de 15.000 mulheres no programa “Nurses’ Health Study II”. Eles analisaram registros de 1991 a 2001 de mulheres que não tinham histórico de doença antes da gravidez e que não tinham apresentado quadro de diabetes gestacional antes. A cada quatro anos, as mulheres preencheram um questionário sobre os tipos de alimentos que haviam comido durante o ano anterior. No quesito as batatas, as mulheres foram perguntados sobre se tinham consumido batatas cozidas, em purê, fritas ou chips, com possíveis respostas variando de “nunca” a “seis ou mais vezes por dia”.

 

Os pesquisadores descobriram que as mulheres que comeram mais batatas tiveram um maior risco de diabetes gestacional. Eles estimaram reduções no risco de diabetes gestacional, substituindo os seguintes alimentos por duas porções de batatas por semana: 9% para outros vegetais, 10% para as leguminosas, e 12% para alimentos integrais.

 

Os autores alertaram, no entanto, que, pelo fato de o estudo não ter sido projetado para provar causalidade, seus resultados não provam conclusivamente que o consumo de batata leva diretamente ao diabetes gestacional. Eles acrescentaram que seus resultados devem ser confirmados por outros estudos.

 

Fonte: O Globo

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ESTUDO REVELA PROTEÍNA QUE PODE INIBIR SÍNDROME QUE AFETA 25% DAS UTIS

Cientistas da USP provam que a molécula IcaA impede inflamações severas como a sepse

RIO — O combate à sepse, síndrome da resposta inflamatória considerada uma das grandes vilãs do sistema de saúde, ganhou munição. Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma proteína capaz de impedir o início do processo inflamatório, “enganando” o organismo ao “desligar a chave” que ativa o sistema imunológico quando é detectada a presença de bactérias nocivas.

 

A inflamação é um mecanismo importante para nos livrar de certos inimigos. Em geral, ocorre no tecido afetado por uma lesão ou infecção. Mas, quando se espalha por diversos órgãos ao mesmo tempo, pode levar o paciente à morte. Esta resposta descontrolada do sistema imunológico acontece devido à sepse, antigamente conhecida como infecção generalizada. Estima-se que cerca de 25% dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil sejam ocupados por pacientes com esse quadro, e mais da metade dessas pessoas (56%) morrem, segundo o Instituto Latino-americano de Sepse.

 

Liderada pelo professor Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, a pesquisa se debruçou sobre a bactéria Coxiella burnetii. Os cientistas identificaram nesse micro-organismo um gene que foi denominado icaA, que, por sua vez, expressa a proteína IcaA (do inglês inhibition of caspase activation, ou “inibição da ativação da caspase”, numa tradução livre ). Esta molécula, conforme revelou o estudo, é capaz de impedir a ativação da caspase-11, enzima que permite o início do processo inflamatório. Segundo Zamboni, a pesquisa, detalhada na publicação científica “Nature Communications”, abre a perspectiva de tratar doenças como a sepse usando drogas que contenham o princípio da IcaA. Ele acha também que, possivelmente, proteínas “irmãs” desta tenham a mesma capacidade.

 

— Nosso estudo vai continuar, e espero que, nos próximos dois anos, identifiquemos outras proteínas como a IcaA. A Coxiella burnetii secreta mais de 80 proteínas, a grande maioria desconhecida. Então, acredito que muitas delas tenham as mesmas características e também inibam inflamações — comenta Zamboni, que é professor do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos.

 

EXPECTATIVA DE NOVOS REMÉDIOS

 

O caminho até a produção de um medicamento que tire proveito da IcaA e chegue aos hospitais e ao mercado, no entanto, ainda vai ser longo.

 

— O processo é demorado porque é preciso cumprir muitas fases de testes, ter aprovação da vigilância sanitária, conseguir investimento de alguma empresa — diz Zamboni.

 

A C. burnetii é conhecida de longa data da comunidade científica. Ela, porém, só começou a ser estudada a fundo na última década, após a decodificação de seu genoma, em 2003. A partir daí, ficou mais fácil manipulá-la e cultivá-la em laboratório para testes. A bactéria é encontrada em secreções de animais de criação, como porcos e vacas. O ser humano que tem contato com urina, leite ou fezes desses bichos pode se infectar por via inalatória, já que a Coxiella burnetii se espalha no ar.

 

— Ela é conhecida por ser muito virulenta. Estima-se que menos de quatro bactérias dessa espécie são suficientes para deixar uma pessoa doente, ao contrário da maioria das outras infecções, que só se formam a partir de uma grande quantidade de bactérias — esclarece o pesquisador, referindo-se à febre Q, causada pela C. burnetii e considerada uma das doença mais infecciosas do mundo.

 

Para Zamboni, o estudo ajuda a entender por que a C. burnetii é tão patogênica.

 

— Essa bactéria deve usar várias proteínas para enganar o sistema de defesa do corpo, e agora mostramos que a IcaA é uma delas — explica o pesquisador. — O ideal seria conseguir usar essa característica a favor de quem sofre de doenças infecciosas graves, como a sepse, que não mata apenas durante sua fase aguda, mas até mesmo anos depois, quando a pessoa pode vir a ter uma imunossupressão severa.

 

CRIANÇAS E IDOSOS TÊM MAIS RISCO

 

Atualmente, o único modo de se tratar a sepse é com antibióticos, que precisam ser administrados o mais cedo possível. Por isso, é importante que o diagnóstico seja feito rapidamente.

 

— Se demorar algumas horas para o paciente começar a receber antibióticos, pode ser tarde demais — ressalta Zamboni.

 

A sepse é popularmente conhecida como infecção generalizada, mas o vice-presidente do Instituto Latino-americano de Sepse, Luciano Azevedo, explica que isto é um equívoco. A síndrome é uma resposta inadequada do organismo a uma infecção grave. Pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa tem uma pneumonia. Na sepse, ao combater a infecção, o organismo gera uma série de inflamações nos órgãos do paciente.

 

— É importante salientar que qualquer pessoa pode ter sepse, que pode ocorrer por causa de infecções adquiridas no dia a dia ou durante internações, as chamadas infecções hospitalares. Mas, em geral, crianças e idosos têm maior risco, assim como pacientes com doenças crônicas que afetam a imunidade, como diabetes, câncer, Aids, insuficiência renal crônica etc — destaca ele.

 

CERCA DE 650 MIL CASOS AO ANO

 

Azevedo afirma, ainda, que é difícil ter estatísticas precisas sobre essa doença. Mesmo países desenvolvidos, conta ele, não têm números de casos ou de mortalidade completamente confiáveis.

 

— Com base em dados mundiais extrapolados para o Brasil, acreditamos que, em nosso país, temos por volta de 650 mil casos de sepse ao ano, sendo que esses números estão provavelmente subestimados — avalia.

 

De acordo com Azevedo, a dificuldade de se reverter um quadro de sepse se deve à falta de entendimento sobre os mecanismos da doença, o que pode ser mudado com a ajuda de pesquisas como a desenvolvida pela USP.

 

— Não sabemos ainda por que a presença de uma bactéria causa a resposta inadequada do organismo e por que essa resposta pode levar à morte, independentemente de a bactéria ter sido controlada ou não. Assim, estudos como este são importantes para encontrarmos alvos de tratamento — destaca o especialista, que também é diretor científico da Sociedade Paulista de Terapia Intensiva.

 

Fonte: O Globo

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GENETICISTA DEFENDE USO DA ENGENHARIA GENÉTICA EM ORGÂNICOS

‘É apenas mais uma ferramenta’, diz Pamela Ronald

RIO – A geneticista Pamela Ronald é professora da Universidade da Califórnia, Davis e um dos principais nomes na defesa dos organismos geneticamente modificados. Entre seus estudos, destaca-se a descoberta de um gene do arroz que torna a planta capaz de se desenvolver em campos inundados. Agora, ela defende a liberação do uso da engenharia genética entre os agricultores orgânicos.

 

Como a senhora avalia o debate em torno dos organismos geneticamente modificados (GMO, na sigla em inglês)?

É bom ter em mente que tudo que comemos é melhorado geneticamente de alguma forma. Existem métodos diferentes de melhoramento genético. E a engenharia genética, que é a técnica de transferir genes entre duas espécies, vem sendo utilizada ao menos nos últimos 40 anos, sobretudo na medicina. Como cientista, eu venho acompanhando essa técnica pelos últimos 30 anos. Todas as grandes organizações científicas do mundo concluíram que os produtos da engenharia genética atualmente no mercado são seguros para alimentação. Todas as espécies devem ser analisadas caso a caso, mas o consenso é que o processo de engenharia genética é seguro.

 

Na sua opinião os GMOs são seguros para o consumo humano?

Minha opinião não importa. O que eu realmente espero é que as pessoas analisem o consenso. São as organizações científicas que dizem, as mesmas que concluíram que o clima está aquecendo por causa da atividade humana. Então, é bom colocar em perspectiva não a opinião pessoal, mas o consenso científico. É importante que a gente não trate fatos científicos como opinião.

 

Quais as vantagens dos GMOs?

A engenharia genética é apenas uma ferramenta. Cada espécie é diferente e não é possível generalizar sob o selo de GMOs — precisamos ser muito específicos. Um exemplo da importância da engenharia genética é o mamão papaia havaiano. Nos anos 1950, uma doença muito grave devastou as plantações de papaia no Havaí, e não havia como controlar a praga. Então, os produtores tinham que abandonar a produção em uma ilha e ir para outra. Infelizmente, a infestação se alastrou por todas as ilhas. Um pesquisador local usou a engenharia genética para criar uma planta resistente à doença. Hoje, 80% dos mamões papaia são geneticamente modificados. Foi um projeto criado em domínio público e, até hoje, não existe outra forma de controlar a doença.

 

E o seu projeto de engenharia genética do arroz, pode falar sobre ele?

Eu sou pesquisadora, não desenvolvo arroz geneticamente modificado, mas estive envolvida em um importante projeto. Minha colaboração foi isolar o gene que permitia à planta do arroz resistir a inundações. O projeto foi muito importante porque, mesmo que os pés de arroz cresçam bem em ambientes alagados, morrem se estiverem completamente submersos. Nós conseguimos identificar o gene que tornava uma variedade específica de arroz capaz de sobreviver nesses ambientes. Um time de pesquisadores internacionais introduziu esse gene em espécies de arroz que são plantadas na Índia. E os resultados foram muito bons. Este não é um exemplo de engenharia genética, mas mostra o poder da genética das plantas. Por isso eu tento evitar o uso do termo GMO, porque ele não fornece qualquer informação, apenas confunde. Nesse exemplo, certamente envolveu técnicas genéticas, mas usou genes de arroz em plantas de arroz, o que é diferente do mamão papaia, que usou genes de um vírus.

 

O termo GMO deveria ser abandonado então?

Eu acredito que haja muita confusão porque o termo é muito ruim. Às vezes, as pessoas não entendem que tudo que está vivo tem genes, e todas as plantações têm genes resistentes. O termo GMO não é específico e não ajuda à discussão, porque as plantas devem ser tratadas caso a caso. Podemos falar sobre o papaia, que recebeu genes de vírus; podemos falar sobre o milho, que foi melhorado para resistir a pragas; sobre o arroz, que tem maior poder nutritivo. Mas tudo é colocado sob o mesmo selo de GMO.

 

A senhora defende o uso da engenharia genética nos cultivos orgânicos, certo?

Meu marido é produtor orgânico. Ele segue todas as práticas ecológicas para manter a plantação saudável, como misturar diferentes plantas para reduzir as infestações, e também usa espécies geneticamente melhoradas, como todo produtor orgânico. Mas existe uma técnica que ele não pode usar, que é a engenharia genética. Então, eu e meu marido pensamos que o foco não deve ser na técnica usada na planta, mas no objetivo da agricultura sustentável. Nós temos o mesmo objetivo. Nós queremos que os produtores sejam capazes de produzir para uma população crescente sem destruir o ambiente. Isso significa reduzir a aplicação de compostos químicos. Temos que garantir que os produtores possam subsistir e obter algum lucro, com o uso eficiente da terra e da água. Esses são os reais objetivos da agricultura sustentável.

 

No Brasil, existe a discussão sobre o selo de alimentos transgênicos. O que a senhora pensa disso?

Eu gosto dos selos, mas com todas as informações da produção, não apenas para destacar que se trata de alimentos GMO. O papaia, por exemplo: o mamão geneticamente modificado tem apenas um traço da proteína viral, mas o mamão que não é geneticamente modificado, que tem a doença, carrega dez vezes mais a mesma proteína. Então, isso é muito confuso para os consumidores, porque quando eles veem o selo GMO, eles não sabem exatamente do que se trata. Eu acho que todos nós, como consumidores, queremos saber é se o fazendeiro produziu os alimentos de maneira sustentável, dentro do possível, claro, porque toda agricultura é destrutiva. Todas as vezes que se planta qualquer coisa, o ecossistema nativo é alterado. Nós, consumidores, queremos saber se o produtor fez esforço para reduzir a destruição do ambiente.

 

E os GMOs podem contribuir para uma agricultura mais sustentável?

O que está acontecendo é que os consumidores estão pedindo por produtos não GMO. Os produtores dizem, tudo bem, mas vou cobrar 15% a mais. E por que eles estão cobrando a mais? É porque a produção requer mais pesticidas. E isso não é sustentável, nós temos que reduzir os compostos tóxicos. Então, no selo, também deveria vir informado quais compostos tóxicos foram usados na produção. Eu acredito que os selos devem existir, mas com total transparência. O que exatamente foi usado na produção daquele alimento.

 

Um dos pontos envolvidos nesse debate é o de grandes corporações, que dominam o mercado de sementes e insumos. O que a senhora pensa sobre isso?

Certamente existem algumas grandes companhias que dominam o mercado global de sementes. Mas essas empresas usam diferentes técnicas e vendem sementes para todos os tipos de produtores, inclusive os orgânicos. Então, eu acho que é importante não confundir o uso dessa técnica com preocupações sobre corporações. Este certamente, é um ponto importante de discussão, mas não podemos esquecer que existem muitas organizações fazendo uso da engenharia genética. Aqui no Brasil, uma variedade de feijão foi desenvolvida por uma agência do governo (Embrapa). A academia também presta papel importante. Então, nós temos que separar as duas discussões.

 

Mas essa dependência em relação às corporações não é prejudicial para o agricultor?

É verdade que, nos EUA, muito do milho que plantamos foi desenvolvido por grandes corporações, e os fazendeiros estão comprando essas sementes dessas companhias. O que nós precisamos fazer é conversar com esses fazendeiros para entender por que eles compram essas sementes. Eu sei que, em um caso, os fazendeiros reduziram a aplicação de inseticidas em dez vezes. Isso é um grande benefício ambiental. Então, eu acho que devemos nos concentrar nos aspectos ambientais da agricultura. Existem diferentes métodos, e diferentes ferramentas, e a engenharia genética é apenas mais uma delas, mas uma ferramenta importante. Os fazendeiros devem ser livres para escolher a melhor ferramenta para eles.

 

Fonte: O Globo

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ESPECIALISTAS TRAÇAM RADIOGRAFIA DA CIRCULAÇÃO DO ‘AEDES’ PELO MUNDO

Mosquito teria começado a se espalhar durante a Segunda Guerra

RIO — Infecção que teve seu primeiro caso confirmado no Brasil apenas em maio deste ano, a zika ocupou o centro das atenções na mais recente edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, quarta-feira passada, sobre surtos virais e vacinas. E não à toa: a doença preocupa muitas gestantes por ser considerada responsável pela epidemia de microcefalia que assola especialmente o Nordeste do país, mas também vem sendo ligada a problemas neurológicos graves, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode atingir qualquer pessoa.

 

Quem participou do encontro pôde tirar dúvidas com o vice-diretor de Serviços Clínicos do INI/Fiocruz, José Cerbino, e com o infectologista Celso Ramos Filho, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Especialistas no assunto, eles traçaram uma radiografia da presença do mosquito Aedes pelo mundo e de como esse vilão de menos de um centímetro de comprimento vem causando surtos virais de grande impacto.

 

Com mediação do jornalista William Helal Filho e coordenação do doutor em cardiologia Cláudio Domênico, o evento teve a presença de pais preocupados e de médicos de várias especialidades na plateia.

 

Conforme explicou Ramos Filho, a Segunda Guerra Mundial trouxe muita movimentação de tropas pelo mundo. Ao final do conflito, várias nações se encontravam em áreas hiperendêmicas para dengue. Nos anos 1940, quase toda a América Latina tinha circulação do Aedes aegypti. A partir daí, muitos programas de eliminação do mosquito foram realizados e, três décadas depois, o vetor chegou a ser considerado erradicado na maior parte do continente. O Aedes era encontrado apenas em parte da região caribenha. O cenário positivo, entretanto, não durou muito: logo na década de 1990, o mosquito voltou a se espalhar, e, segundo dados de 2011, ele passou a tomar conta de um território maior que o registrado na primeira metade do século passado.

 

Nos últimos anos, vimos, ainda, surgirem os vírus chicungunha e zika, transmitidos pelo mesmo mosquito. Enquanto o Brasil se preparava para ser atingido com força pelo primeiro, foi surpreendido com os graves efeitos do zika, agora tema de preocupação nacional. Segundo os especialistas, ainda serão necessários cinco, dez ou mais anos para a produção de uma vacina contra essa doença.

 

Fonte: O Globo

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CASOS SUSPEITOS DE MICROCEFALIA CHEGAM A 1.761 NO BRASIL

Até o último sábado (5), 1.761 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em 422 municípios brasileiros. Os números foram divulgados nesta terça (8) pelo Ministério da Saúde. Até o momento, de acordo com o novo balanço, 14 unidades federativas registram casos suspeitos da malformação.

 

Pernambuco permanece como o estado com o maior número de casos (804). Em seguida, estão Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal (um).

 

Foram notificados ainda 19 mortes de bebês com microcefalia e suspeita de infecção pelo vírus Zika, sendo sete no Rio Grande do Norte, quatro em Sergipe, dois no Rio de Janeiro, um no Maranhão, dois na Bahia, um no Ceará, um na Paraíba e um no Piauí. O ministério informou que os casos estão sendo investigados para confirmar a causa da morte.

 

O que é microcefalia?

 

É uma condição neurológica em que a cabeça do recém-nascido é menor quando comparada ao padrão considerado adequado. Neste caso, os bebês com essa malformação congênita nascem com um perímetro cefálico menor do que o normal. Em geral, a malformação congênita está associada a uma série de fatores de diferentes origens. Pode ser o uso de substâncias químicas durante a gravidez, como drogas, contaminação por radiação e infeccção por agentes biológicos, como bactérias, vírus e radiação.

 

No dia 28 de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que existe relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia na Região Nordeste do país. Segundo nota divulgada pela pasta, exames feitos em um bebê nascido no Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas revelaram a presença do vírus em amostras de sangue e tecidos.

 

Fonte: Agência Brasil (com adaptações).

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TRANSMISSÃO DO HIV DE MÃE PARA FILHO FOI ELIMINADA EM 17 PAÍSES, DIZ OMS

Apesar de progresso, Brasil ainda não erradicou transmissão de mãe para filho

BOGOTÁ — Dados de 17 países e territórios nas Américas, incluindo os Estados Unidos, Canadá e Chile, mostram que essas nações podem ter eliminado a transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Esses países foram capazes de cortar a transmissão de mãe para filho do HIV ao melhorar o acesso das mulheres grávidas ao pré-natal, testes de HIV e tratamento antirretroviral, segundo a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da agência da ONU nas Américas.

 

O Brasil não faz parte dos países com dados que indicam a erradicação da transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, segundo as organizações de saúde. O país aparece nos grupos de nações que fizeram progresso e estão próximas de eliminar, mas ainda não eliminaram a transmissão.

 

Os 17 países e territórios que possivelmente atingiram a eliminação, incluindo várias ilhas do Caribe, informaram “dados consistentes com a dupla eliminação” de HIV e sífilis. De acordo com os dados da Opas e da OMS, os nascimentos nesses países representam cerca de um terço de todos os nascimentos na região.

 

“Os países das Américas têm feito enormes esforços para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, o que reduziu o número de novas infecções pela metade desde 2010”, disse Carissa Etienne, chefe da Opas/OMS, em um comunicado.

 

As organizações de saúde consideram que um país eliminou a transmissão das duas doenças de mãe para filho após um processo de validação que verifica se essas metas foram efetivamente alcançadas. Em junho, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS de eliminação da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho.

 

Ainda nas Américas, 2.500 crianças nasceram no ano passado com o HIV, o vírus que causa a Aids, de acordo com a Opas/OMS. Garantir que as mulheres grávidas obtenham testes de HIV e tratamento antirretroviral, caso sejam soropositivas, é fundamental para prevenir a transmissão de mãe para filho. Se não forem tratadas, as mulheres HIV positivas têm um risco de 15% a 45% de transmitir o vírus para seus bebês durante a gravidez, parto ou amamentação, observam as entidades.

 

Estima-se que 2 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe estejam vivendo com o HIV, e que houve cerca de 100 mil novas infecções por HIV na região no ano passado. Segundo a Opas/OMS, a maioria dessas infecções se deu em adultos, principalmente homens homossexuais, homens transgêneros e prostitutas e seus clientes. Cerca de 30% das pessoas que vivem com HIV na América Latina e no Caribe não sabem que são HIV positivas.

 

“Se queremos acabar com o HIV em 2030, precisamos acelerar as ações de prevenção e acesso ao tratamento, com foco em populações-chave, e aumentar o investimento e recursos”, disse Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças transmissíveis da Opas/OMS.

 

Fonte: O Globo

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