RECOMEÇO

Compreendo muito bem que esse texto pode despertar vários tipos de pensamentos e sentimentos. Se você sofre de depressão, isso não tem o objetivo de te forçar a ver a vida de uma forma linda, perfeita e sem falhas, o objetivo é clarificar que a vida é feita de várias escolhas, recomeçar faz parte de uma delas. Se você sofre de ansiedade, também não significa que você tem de tomar uma decisão logo de cara, ou que você tem de largar tudo, ou que você TEM de tomar uma decisão… Às vezes, precisamos desencanar um pouco de tantas escolhas que a vida nos dá e deixar que as coisas fluam, então tentem tirar o melhor do texto para vocês, é apenas uma das várias formas de se enxergar o mundo.
Quem nunca se pegou diante de uma situação onde se pensa em um recomeço? Diariamente nos vemos diante de escolhas a serem feitas, decisões a serem tomadas, o peso dessas situações nos coloca diante de extrema hesitação, e o mais frustrante é o quão recorrente é esse evento em nossas vidas, seja um relacionamento amoroso, seja um relacionamento familiar, seja em círculos sociais, no trabalho ou uma escolha na vida acadêmica.
O recomeço é algo que nos aflige. Às vezes, nos vemos tão envolvidos com projetos, planejamentos e/ou relações, porém em algum momento da nossa vida, é muito provável que passemos por uma situação, uma crise, onde ou se recomeça ou se mantém preso àquele acontecimento, naquele projeto, naquela relação. Nesse caso, nos encontramos diante de situações que simplesmente não avançam, seja um emprego em que não temos resultados, seja numa vida acadêmica em que não conseguimos contornar, seja em escolhas pós vida acadêmica, seja em um relacionamento que não acaba e também não vai pra frente.
Nessas horas é importante principalmente tomar consciência da nossa situação, claro que não vamos jogar tudo para o alto e agir como se nada importasse, mas em fato vamos nos colocar num momento reflexivo, analisar quais as possibilidades, analisar há quanto tempo estamos presos naquilo, refletir sobre os aspectos da nossa vida e por último, optar por um recomeço. Eu sei, eu sei que parece assustador e na verdade é mesmo, e sabe por quê? Porque estamos nos colocando numa quebra de paradigma, estamos forçando nossa saída da nossa zona de conforto. “Mas como assim zona de conforto, você tá maluco? Como que você pode chamar uma situação dessas de confortável?!”.
Quando digo zona de conforto, quero dizer que você está em uma situação que já está habituada(o), ou seja, às vezes, você já está acostumada(o) com aquela vivência e por já conhecer, já saber como isso ou aquilo funciona ou como aquela pessoa se comporta, você tem mais segurança em lidar com ela, e a parte amedrontadora em sair da zona de conforto é o medo do desconhecido. Nós, seres humanos, temos muito medo do desconhecido, ao mesmo tempo em que deslumbramos ele, nos vemos com um extremo receio, pois não sabemos como será o impacto que ele terá sobre nossas vidas, afinal, ele vai nos ajudar ou vai nos deixar em uma situação pior da que estamos?
Ir de fronte ao desconhecido é como uma aventura, a amamos e odiamos e o melhor de uma aventura sabe qual é? É o momento de contá-la, nos vemos sempre diante de situações desesperadoras, porém quando elas passam, amamos ficar contando nossos contos heróicos desbravadores, afinal, é uma prova da nossa coragem, uma marca de que somos humanos. Mas eu compreendo, sabe qual o momento mais difícil de uma aventura? O primeiro passo. Ele sim é algo que dá medo, é o momento em que tomamos nossa decisão, com ela podemos não alcançar nossas metas, mas também podemos algum dia alcançar. Mas o real problema é que nós nos vemos sempre diante do pensamento equivocado de que temos apenas uma oportunidade em toda a nossa vida, mas será que é isso mesmo? Eu acredito que não, eu acredito que a sociedade nos empurra para sempre tomarmos decisões rápidas e produtivas, em prol de uma “vida de sucesso”, mas o que é isso? O que é sucesso? Eu imagino que sucesso seja felicidade, só pode ser isso e felicidade só você pode determinar o que é para você.
A sociedade nos diz que temos um lance ao gol, uma flecha, e isso nos frustra, nos coloca diante de uma parede enorme… Ela nos faz pensar que temos de quebrá-la, mas o que a sociedade não te diz, é que na verdade, ela quer que você seja mais um tijolo naquela parede, fortalecendo-a, tornando-a maior, ela nos ensina a viver do jeito errado, porém o mundo que nos recebe quer que nós aprendamos a viver do jeito certo, do jeito que nos satisfaz, que nos torna feliz (ressalto que felicidade é subjetiva, então você determina o que isso significa para você), a vida é cheia de flechas, podemos sempre mirar de novo e lançar outra flecha, ou podemos escolher outro alvo, o que nos frustra de verdade não é errar o alvo, é não conseguir viver de acordo com as expectativas e realmente não dá, então nem tente. Não tenha medo de recomeçar, sejam relacionamentos ou projetos, não tenha medo de não ser ou ter o que planejou só porque você começou aquilo e tem medo de não ir até o final, as vezes temos que ir, as vezes não, você vai sentir no seu coração o que deseja fazer nessa situação e acho que para entender o que o seu coração está dizendo, é preciso ser honesto com ele, então, seja novo, seja velho, a vida existe para ser vivida, para ser experimentada, se permita viver, tome consciência de si mesmo, respeite seus sentimentos.

 

Lavoisier já disse: “Na Natureza nada se cria e nada se perde, tudo se transforma”. Mesmo que você ache que recomeçar é admitir que falhou, que perdeu algo, não é, tudo serve de experiência para você, recomeçar também é viver.

 

Angelita Aparecida F de Souza – 8° semestre

Jader Silva Tabosa – 7° semestre

Wellinton Luiz de Souza – 7° semestre

Orientadora: Roberta Ladislau Leonardo

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DUAS SENHORAS DE NEW JERSEY, O POLÍTICO DO AZERBAIJÃO E O ABRAÇO NO PREFEITO DE NOVA IORQUE

Por João Carlos Souto

 

Nova Iorque, 08 de novembro de 2016

 

Duas senhoras de New Jersey

 

No dia (07.11) anterior à eleição fui a 5ª avenida, na altura do número 721, endereço agora mundialmente conhecido, a “Trump Tower”, um prédio com 58 (ou 68, depende da abordagem) andares, parte residencial e parte escritório. Em qualquer outro lugar do mundo seria uma referência em arquitetura arrojada, seja pela altura, pelo vidro que lhe envolve, seja pelo mármore presente em cada centímetro do “atrium” (parte aberta ao público) onde fica o “Trump Bar”, entre outras lojas, como a da Nike. Aqui em Nova Iorque, a cidade que mais tem “arranha-céus” no mundo (a segunda é Chicago) a “Trump Tower” é somente mais uma “Tower”.

 

(Local de votação no Brooklyn, Nova Iorque. Foto: João Carlos Souto)

 

Havia um grupo de manifestantes na entrada principal que contava com forte aparato policial. A maioria pró-Trump, uns poucos a favor de Hillary. Entrei na parte do prédio aberta ao público e me dirigi a loja da Starbucks, que fica no primeiro andar, com ampla vista para o “atrium”. Pedi um “caramel brulee latte” e enquanto admirava o cenário, percebi duas senhoras agitadas, ostentando “buttons” do Trump e conversando sobre a corrida eleitoral. As abordei, me identifiquei como Professor de Direito Constitucional no Brasil e que como estudioso do Direito norte-americano há mais de vinte anos gostaria de entrevistá-las sobre a campanha atual, entre outros assuntos. Elas não hesitaram em falar comigo, foram extremamente gentis. Marsha e Kelly, ambas de New Jersey, ambas com aproximadamente 60 anos de idade, ambas apoiadoras de Trump “way back to the primaries”, como uma delas ressaltou.

 

A primeira pergunta foi dirigida a Marsha que respondeu, em síntese, que apoiava Trump em razão da certeza que ele iria investir nas Forças Armadas (não se esqueça leitor, embora seja uma Democracia consolidada elas têm enorme presença no dia a dia da sociedade norte-americana) “abandonada por Obama”, que retirou benefícios, etc. Ressaltou que apoiava as propostas de Trump relativas à imigração e que como homem de negócios ele seria bom para a economia, muito afetada pelo atual governo e pela enorme presença de imigrantes ilegais. Em seguida indaguei a Marsha se ela via algo positivo na administração Obama, ao que ela respondeu que não via nada positivo, até porque, ressaltou, “ele havia promovido uma divisão racial no país entre negros e brancos, algo que não se via em muito anos”. Perguntei ainda se ela enxergava Hillary como o terceiro mandato de Obama, ao que ela respondeu que ela seria a “continuidade ainda pior”.

 

 

Kelly foi logo registrando que Trump “tem dinheiro, tem poder, tem fama e não estava atrás de nada disso”. Que ele seria um grande presidente porque tinha construído grandes coisas. A entrevista durou quase seis minutos, contudo, 2,5 se perderam. Dessa entrevista há algo que gostaria de ressaltar. Ambas as “Trump supporters” ecoaram a retórica do candidato que a eleição seria viciada e que seria amplamente fraudada. Como tivesse oportunidade de registrar alhures, elas anteviam a derrota que as pesquisas previam. Aliás, importante ressaltar, Hillary Clinton venceu no voto popular, tão qual Al Gore quando disputou contra George Bush (filho) teve mais votos, entretanto, perdeu no “Colégio Eleitoral”. O resultado é uma surpresa amarga, mas tem que ser respeitado, nos termos da Constituição e da Democracia que prevalece neste país.

 

O político do Azerbaijão

 

No dia 08, terça-feira, acordei cedo, dei uma olhada nos jornais e tomei o rumo do metrô, se, como diz o ditado, todos os caminhos levam a Roma, em Nova Iorque todos os caminhos levam ao metrô. Antes, parei numa padaria, na 23, esquina com a 8ª avenida, lá conversei rapidamente com um marroquino com quem me encontrara dois dias antes. Ele me dissera que seguiria para upper town Manhattan, mais precisamente para o Central Park. Meu caminho era outro o “Brooklyn Heights”, mais precisamente o “Cadman Plaza”, prédio que sediava o quartel general da campanha de Hillary.

 

Cheguei lá por volta das 10:00 h e surpreso constatei que o “Quartel General” da campanha de Clinton embora sediado em um prédio vistoso, tinha uma estrutura pequena, pelo menos na parte aberta ao público. Conversei com algumas pessoas e fui apresentado a Bakhtiyar Hajiyev, “ativista, blogger e candidato a deputado à Assembleia Nacional do Azerbaijão”. O Azerbaijão é um país transcontinental e integrou a extinta União Soviética, obtendo sua “Independência” em 1991. Apesar de existir eleições, tanto parlamentares quanto para o Executivo, não parece ser uma democracia plena.

 

Tanto é verdade que Bakhtiyar cumpriu parte de uma pena de prisão, ao que tudo indica, por conta de seu ativismo político, embora a acusação formal tenha sido a de recusa de alistamento e serviço militar.

 

Pelo pouco tempo que conversamos percebi em Bakhtiyar um idealista em busca de ampliar os horizontes democráticos do Azerbaijão. Gravei com ele uma entrevista de aproximadamente 3 minutos sobre as eleições nos Estados Unidos. Ele salientou a importância de Hillary Clinton para sua liberdade no Azerbaijão e mais que isso a relevância da eleição dela para a Democracia no mundo.

 

Hillary visitou o Azerbaijão em junho de 2012, dias antes Bakhtiyar foi libertado da prisão por bom comportamento e em seguida recebido pela então Secretária de Estado. Evidente que sua liberdade precoce estava relacionada com a natureza de sua prisão, com a pressão internacional e com a agenda de Direitos Humanos da Administração do Presidente Barack Obama.

 

O abraço no Prefeito de Nova Iorque

 

Logo após entrevistar Bakhtiyar fui apresentado ao Prefeito Bill de Blasio e sua simpaticíssima senhora, Chirlane MacCray. Conversamos brevemente. Disse a ele o tradicional “come to Brasil, visit us” e falei um pouco sobre Brasília. Perguntei sobre a eleição e ele afirmou da “certeza” da vitória da Hillary e da importância de todos votarem. Disse a ele que no ano passado tive a oportunidade de ser apresentado a Rudolph Giuliani, ex-Prefeito de Nova Iorque no fim da década de 90 do século XX e início deste século. Ele riu, sem comentários, até porque são de partidos políticos opostos. Por fim, disse a ele que fui fotografado com dois grandes prefeitos, ao que ele, rindo, respondeu: “really?!!”

(Professor Souto, Prefeito de Nova Iorque Bill de Blasio e sua esposa Chirlane MacCray. Foto: João Carlos Souto)

 

Acesso aos vídeos:

 

As entrevistas mencionadas neste post podem ser acessadas no www.jsouto.com (blog) ou diretamente no youtube, digitando “Brazilian Legal System”.

 

 

João Carlos Souto, Professor de Direito Constitucional do Centro Universitário UDF, Mestre em Direito Público, Procurador da Fazenda Nacional, autor de “Suprema Corte dos Estados Unidos – Principais Decisões”, Atlas, 2ª ed., 2015, ex-Secretário de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (2015/2016), www.jsouto.com

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ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NOS ESTADOS UNIDOS, UM OLHAR BEM DE PERTO

Por João Carlos Souto

 

Nova Iorque, 03 de novembro de 2016

 

A eleição presidencial [1] do próximo dia 08 de novembro é muito mais que uma eleição doméstica; em verdade transcende o interesse dos 300 milhões que habitam o vasto território que se estende da extensa fronteira com o Canadá, ao norte, com a do México, ao Sul, pelas bordas do “Rio Grande”. A eleição para o novo titular da Casa Branca tem   -   desde o final da Segunda Guerra Mundial   -   repercussão na economia global, afetando, pouco mais, pouco menos, o vendedor de rua no Cairo, o rico mercado de flores da Holanda, a feira do “rolo” em muitas cidades brasileiras ou a produção do icônico “Bugatti”. É natural que os olhos do mundo todo estejam votados para esse tema.

 

 

Cheguei hoje a Nova Iorque, 03 de novembro, para participar desse momento histórico da eleição do 45º Presidente dos Estados Unidos da América, o único país do mundo a eleger ininterruptamente presidentes desde 1789, com George Washington, herói nacional e que dá nome a um Estado e à Capital, até o atual, Barack Obama, oriundo de uma minoria e com um sonoro nome muçulmano, o que só enriquece e demonstra a pujança dessa Democracia mais que centenária.

 

Antes de prosseguir, penso relevante informar ao leitor que ainda não me conhece a minha relação com os Estados Unidos da América. Estudei na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, ingressei em 1983 e conclui o curso em 1987. A essa época o curso de “Direito na UFBA” tinha como referência o Direito Civil, em razão presença do excepcional Professor Orlando Gomes. Que me lembre não havia nenhum expoente de “Direito Público” a rivalizar com o grande civilista. É bem verdade que Josaphat Marinho pertencia a faculdade, mas, não mais ministrava aulas. Ainda assim meu interesse residiu no Direito Público e por isso me tornei, nove anos depois de concluir o Curso de Direito e já Procurador da Fazenda Nacional, Professor de Direito Constitucional na Universidade de Uberaba, no Triangulo Mineiro.

 

Meu interesse pelo Direito Público me conduziu a uma aproximação natural com o Direito estadunidense, por uma razão simples, óbvia. O Sistema Legal norte-americano influenciou   -   e ainda continua a fazê-lo   -  ordenamentos jurídicos de diversos países. A Constituição dos Estados Unidos é o documento constitucional escrito mais antigo da História e o primeiro a acolher  -  normatizar  -  os valores do Iluminismo em seu texto. [2] Exerceu enorme influência na elaboração da primeira Constituição da República Federativa do Brasil, de 1891, a exemplo da estrutura dos “Poderes do Estado”, “Forma de Governo”, “Forma de Estado”, controle difuso de constitucionalidade que permanecem atuais e restaram incorporados às constituições brasileiras que se seguiram, inclusive ao Estatuto Fundamental de 1988.

 

Antes mesmo de me tornar Professor de Direito Constitucional o “American Legal System” já vinha sendo objeto das minhas reflexões. Em 1995 realizei aqui nos Estados Unidos a primeira de três incursões de estudos de Pós-graduação, lato sensu, sobre aspectos desse que é um dos sistemas jurídicos mais sólidos de todo o mundo. À rica experiência na University of Delaware, em 1995, seguiram-se duas outras: Harvard Law School (PIL- Program Intensive for Lawyers, 1998) e na Thomas Jefferson School of Law, San Diego, Califórnia, 2012.

(Bairro de Chelsea, em Nova Iorque – foto: João Souto)

 

Esse interesse pelo Direito norte-americano, manifestado, como visto, há mais de duas décadas, combinado com a docência da Disciplina Direito Constitucional -   igualmente há mais de vinte anos   -   resultaram na produção de alguns artigos [3] publicados em jornais de grande circulação e revistas especializadas [4] e, em 2008, na publicação do livro “Suprema Corte dos Estados Unidos  – Principais Decisões”, a única obra no mercado editorial brasileiro a tratar desse tema, atualmente em 2ª edição. [5]

 

Para além do interesse acadêmico e da produção literária, atuei, em Washington (DC), em 2004, como representante da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, perante o Inter-American Development Bank, na negociação do contrato de empréstimo ao município de Fortaleza (CE). E mais tarde, em 2011, como Presidente do Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal [6], organizei um evento, em Brasília, sobre a “Relação Diplomática Brasil-Estados Unidos”. Nessa oportunidade discursamos eu e o Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon. [7]

 

A escolha de Nova-Iorque para acompanhar a eleição se explica por algumas razões: a) é a Capital do mundo, sede da ONU, multicultural e multiétnica; b) os dois principais candidatos têm domicílio na cidade; c) vou participar de dois seminários na Columbia University e d) conheço a cidade razoavelmente bem, o que facilita a locomoção.

 

A primeira impressão sobre o “clima” eleitoral em Nova Iorque, hoje, 03 de novembro, é proporcional ao aspecto do tempo: frio (muito frio para o padrão do centro oeste brasileiro) e seco. Por onde andei (e andei muito para um dia na cidade) não presenciei nenhuma discussão, não vi nenhum cartaz, não escutei nenhuma conversa paralela. Apesar de ter chegado somente há algumas horas pude constatar uma certa indiferença, a conferir. Felizmente consegui realizar minha primeira entrevista “gravada”, com Alvin Carter, da Columbia University, que comentarei no próximo post.

 

João Carlos Souto, Professor de Direito Constitucional do Centro Universitário UDF, Mestre em Direito Público, Procurador da Fazenda Nacional, autor de “Suprema Corte dos Estados Unidos – Principais Decisões”, Atlas, 2ª ed., 2015, ex-Secretário de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (2015/2016), www.jsouto.com

 

 


[1]. Este é o primeiro de uma série de artigos para um projeto que elaborei e apresentei ao grupo “Cruzeiro do Sul Educacional” para acompanhar e comentar as eleições presidenciais dos EUA neste ano de 2016. Recebi apoio imediato o que demonstra a sensibilidade da “Cruzeiro do Sul” para a educação e pesquisa. Nesse sentido quero agradecer à “Cruzeiro do Sul”, especialmente ao Centro Universitário UDF, em Brasília, na pessoa da Reitora Beatriz Maria Eckert-Hoff, que tão logo soube do projeto envidou esforços para sua concretização.

 

[2]. Constituição escrita mais antiga em vigor. As Constituições de algumas das antigas 13 Colônias, embora anteriores à Constituição dos Estados Unidos, não eram nacionais, como a de 1787.

 

[3]. Alguns desses artigos versam sobre direito comparado, com ênfase para o norte-americano.

 

[4]. A lista completa de artigos de minha autoria encontra-se reproduzida em www.jsouto.com

 

[5]. 1ª edição, Editora Lumen Juris, 2008. 2ª edição, Editora Atlas, 2015.

 

[6]. O Fórum Nacional da Advocacia Pública Federal é uma entidade civil, sem fins lucrativos, que congrega as associações e sindicatos representativos das Carreiras da Advocacia-Geral da União. Presidi o “Fórum Nacional” de 2007 a 2011.

 

[7]. O tema da palestra do Embaixador Shannon foi “Repercussões da Visita do Presidente Obama ao Brasil – Desenvolvimento de novas parcerias entre os Estados Unidos da América e o Brasil para o século XXI”. A Palestra, realizada em 17 de junho de 2011, foi uma ação conjunta do Fórum Nacional com o Centro de Altos Estudos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (CEAE-PGFN).

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TUDO BEM EM PARAR UM POUCO

Hey, você! Isso mesmo, você: universitário. Você que começou o curso agora ou você que já está terminando, você já percebeu o quanto algumas vezes temos de ir num ritmo tão acelerado? Ultimamente tenho percebido o quanto nós somos pressionados no meio acadêmico e com as expectativas do mercado de trabalho…

Às vezes, passamos por um semestre, tendo que conciliar estudo, família, trabalho… Claro, são muitas matérias, avaliações, mas para além disso, nos vemos pressionados pela sociedade para apresentarmos sempre mais que o outro, salas abarrotadas de pessoas e cada um com sua própria realidade.

O universo acadêmico tem dessas, às vezes nos vemos diante de colegas que insistem em querer mostrar algum tipo de prova de que são “melhores”, às vezes nós nos pegamos sendo o colega que quer ser visto como “melhor”. Nos envolvemos nesse modelo produtivista, nos colocamos diante de situações desgastantes, tendo de ler sempre mais, tendo de escrever mais ou melhor, tendo de conquistar uma nota maior, ou mesmo conseguir sempre os elogios dos professores.

Uma frase que sempre levo comigo do Neil deGrasse Tyson, astrofísico e cientista brilhante é:

“O conhecimento nos dá poder para influenciar eventos.”

O que eu quero dizer com isso é que, a partir do momento em que você possui o conhecimento de como uma determinada realidade funciona, sabe o que está acontecendo, nos dá enormes possibilidades, dentre elas a de mudar e moldar essa realidade.

Então, pare, pense, analise, reflita: como você quer viver a sua vida universitária? Esse é um momento único, mesmo que faça outros cursos, cada vivência na sua vida é única, logo não faz sentido passar por esse momento sem se deliciar com ele. Esteja você começando agora ou mesmo que você esteja terminando o curso, aproveite ele, aproveite cada momento, seja mais humano e menos máquina. O conhecimento não é um produto a ser comercializado, algo a ser colocado em uma prateleira como um pote de milho qualquer, seu conhecimento é fruto do seu trabalho, tenha respeito por ele e tenha respeito por você.

O seu conhecimento faz parte de você, ele constitui um pedaço da sua identidade, do seu passado, do seu presente e do seu futuro, se você vai nutrir algo assim, o melhor adubo que recomendo é a paixão, paixão ao se descobrir os pequenos detalhes do seu curso aos poucos e com o tempo essa paixão acaba se concretizando e se transformando em um amor e não existe nada melhor do que amar aquilo que se estuda, aquilo que se conhece.

 

Angelita Aparecida F de Souza – 7° semestre
Jader Silva Tabosa – 7° semestre
Wellinton Luiz de Souza – 7° semestre
Orientadora: Roberta Ladislau Leonardo

 

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QUAIS OS PRINCIPAIS FATORES DE RISCO PARA O SUICÍDIO?

Angelita Aparecida F de Souza – 7° semestre
Jader Silva Tabosa – 7° semestre
Wellinton Luiz de Souza – 7° semestre
Orientadora: Roberta Ladislau Leonardo

 

É extremamente importante ressaltar que o objetivo aqui não é criar padrões, nem estereótipos. O intuito, ao se falar sobre suicídio, é tanto ressaltar os fatores de risco, os quais deixam as pessoas mais vulneráveis ao suicídio, quanto transmitir a ideia de que devemos ter cuidado com a forma como lidamos com as pessoas, como falamos com elas, como abordamos seus medos, angústias e preocupações e, principalmente, como escutamos tudo isso.

Dessa forma, elencamos alguns dos principais fatores de risco para o suicídio.

 

1- A Existência de Psicopatologia

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 90% dos casos de suicídio se relacionam com a existência de alguma psicopatologia, tais como transtornos do humor (transtorno bipolar, depressão, por exemplo), transtorno esquizofrênico, transtornos de personalidade ou ao consumo de drogas. Isso significa que as pessoas com essas psicopatologias tem mais chance de cometer suicídio do que as que não tem.

 

2- Ideação Suicida

A ideação suicida é o sentimento e o pensamento de não querer mais viver, de que a vida não vale mais à pena. Apesar do sofrimento ser intenso, é comum que as pessoas escondam seus sentimentos. É fundamental que a pessoa busque ajuda quando estiver nesse processo.

 

3- Histórico de Tentativa de Suicídio

Constatou-se que o risco de alguém que já possui uma história pregressa de tentativa de suicídio aumenta à medida que a tentativa anterior for recente. Os três primeiros meses após a tentativa são os mais difíceis e precisam de uma atenção especial e acolhedora.

 

4- Desesperança e Falta de Projetos de Vida

Muitas vezes, a falta de projetos e a desesperança com o futuro levam a pessoa a ter uma percepção distorcida da realidade. Ela se percebe como incapaz, como sem valor, como alguém que não vai conseguir realizar o que gostaria de realizar ou apenas se desfaz dos projetos pelo mesmo medo. Está, normalmente, associada a uma questão de autoestima ou a uma autocrítica excessiva, potencializando o sofrimento do indivíduo.

 

5- Quadros Ansiosos

Determinados níveis de ansiedade podem contribuir para um processo de suicídio. Medos, frustrações, preocupações intensas e ataques de pânicos podem atuar como gatilho do processo.

 

6- Acontecimentos de Vida Negativos

Algumas pesquisas mostraram que pessoas que vivenciaram acontecimentos negativos na sua formação, na sua infância, ou mesmo ao longo da vida, estão mais vulneráveis ao suicídio. Isso porque o sofrimento, se não for trabalhado, pode se estender por toda a vida do indivíduo. Esses acontecimentos podem impedir que os níveis de satisfação emocional do indivíduo sejam atendidos, colocando-os sob níveis de estresse altos.

 

Esses são apenas alguns dos fatores que podem aumentar as chances de uma pessoa cometer suicídio (abaixo encontram-se alguns links de artigos científicos com informações mais detalhadas). O processo é muito mais complexo. Por isso, é importante considerar que cada indivíduo e cada realidade são únicos. Sua subjetividade não pode ser comparada nem com a minha, nem com a sua ou de ninguém. Se o sofrimento existe, deve ser validado e compreendido.

Deve-se ter muito cuidado ao tratar sobre a vida de alguém. Se pudermos, simplesmente enxergar o outro, em sua essência, tudo ficará diferente. Como dizia Rogers: “Ao tocarmos uma alma humana devemos ser apenas outra alma humana”, sempre com uma aceitação incondicional, sempre com empatia.

 

 

COMPORTAMENTOS SUICIDÁRIOS EM ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR: FACTORES DE RISCO E DE PROTECÇÃO:

http://www.ipv.pt/millenium/Millenium40/11.pdf

 

O Suicídio – reavaliando um clássico da literatura sociológica do século XIX:

http://www.scielo.br/pdf/csp/v14n1/0199.pdf

 

O luto por suicídios: uma tarefa da posvenção:

http://revpsi.org/wp-content/uploads/2015/12/Fukumitsu-Kov%C3%A1cs-2015-O-luto-por-suic%C3%ADdios-uma-tarefa-da-posven%C3%A7%C3%A3o.pdf

 

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O SUICÍDIO COMO TABU

Angelita Aparecida F de Souza – 7° semestre
Jader Silva Tabosa – 7° semestre
Wellinton Luiz de Souza – 7° semestre
Orientadora: Roberta Ladislau Leonardo

 

O foco deste artigo é falar sobre o suicídio de uma maneira mais informal e para iniciar bem essa conversa, é necessário primeiramente quebrarmos tabus e o suicídio, para a sociedade, é um tabu. É um tabu para a mídia, é um tabu para as pessoas no geral, é um tabu em qualquer âmbito social, muitas vezes até mesmo dentro do campo da saúde ele é um tabu. Podemos discutir inúmeras horas sobre o que leva esse assunto a ser um tabu, inclusive não é tão difícil, é um assunto que tem uma carga emocional forte para todas as pessoas e causa desconforto ao se abordar ele.

 

Além das horas de estudo que tenho sobre o assunto, a convivência com as pessoas me faz entender porque alguém que sofre com depressão, ansiedade e passa por constantes momentos lutando contra a ideação suicida muitas vezes se esconde, esconde o sentimento, desvia o assunto, entre outras formas de lidar com a situação. O que leva a isso é o senso comum. O senso comum que as pessoas tem ao se tratar do assunto como: “Isso é frescura, é só você parar de pensar nisso que passa”, “Porque você tem de ser tão negativo? A vida é tão bonita”, “Isso aí só pode ser droga”, “Mas olha, eu acho que se você trabalhar, você vai melhorar, isso aí é cabeça vazia”, “Isso é falta de Deus”, “Vai pra igreja orar e pedir a Deus que você melhora”, ou pior, “Isso é coisa do satanás, você tá é possuído”. Acho que todo mundo já deve ter escutado ou lido em algum lugar sobre alguém que falou dessa forma sobre o assunto, não é tão difícil se deparar com isso, então, já é possível entender o começo do problema?

 

O problema em se transformar algo em tabu é justamente o quão pouco um assunto se torna explorado não só na comunidade acadêmica como na sociedade em geral e também no campo da saúde. Portanto, o senso comum aparece como uma ferramenta para que as pessoas compreendam o mundo, primeiro se analisando para depois se observar efetivamente, sendo uma forma de comportamento social. Busca-se preencher as lacunas de informações que cercam os indivíduos com aquilo que se vivencia ou percebe com base nas experiências pessoais e experiências alheias, gerando novos conceitos e pré-conceitos com base em vivências pessoais ou de gerações passadas que são transmitidas para as próximas, sempre comparando, classificando e organizando, muitas vezes gerando uma visão estereotipada do assunto e pior ainda, dos indivíduos que sofrem com o sentimento .

 

Para lidar melhor com essa questão e trazer esse assunto à tona, o suicídio deveria ser abordado de forma empática por toda a sociedade, começando por uma conversa franca entre as pessoas que estudam o assunto a fim de buscar melhorias para esse problema de saúde pública. Para elucidar um pouco mais a realidade, estão aqui alguns dados, de acordo com o relatório da OMS (Organização Mundial de Saúde) de 2014, o Brasil é o 8º país no mundo com o maior índice de suicídio, ainda de acordo com o G1 “em 2012 foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes)”. Então é importante não negligenciarmos essa realidade, O SUICÍDIO EXISTE. Pessoas que sofrem com esse sentimento existem aos montes, pessoas que tentaram o suicídio existem, bem como pessoas que ainda irão tentar pela primeira vez ou de novo…

 

Precisamos abrir os olhos do mundo, precisamos quebrar esse tabu, nós podemos sim conversar sobre isso, é uma questão de saúde pública, é uma questão de humanidade para com o próximo, precisamos escutar com mais atenção, prestar atenção nos sentimentos das pessoas, acolhê-las quando necessário, auxiliar, desenvolver nossa empatia e, principalmente, compreender que o suicídio precisa ser tratado. Não é frescura. Não é falta de Deus. É sofrimento. Procure um profissional da saúde mental sempre.

 

(Quem quiser olhar com mais calma, abaixo estarão alguns links com os dados das pesquisas completos, entre outras informações sobre o que foi abordado no texto.)

 

https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/

 

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/09/brasil-e-o-8-pais-com-mais-suicidios-no-mundo-aponta-relatorio-da-oms.html

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-82712002000200013

 

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SUPERAR OBSTÁCULOS É QUESTÃO DE OTIMISMO OU RESILIÊNCIA?

Levante a mão quem nunca teve que superar algum obstáculo na vida. Para algumas pessoas, passar por situações difíceis pode ser algo muito doloroso, quase paralisante. Para outras, essas situações as tornam mais fortes e resistentes.

 

Mas o que determina essa capacidade de superar as dificuldades?

 

Sendo otimista?

 

Algumas pessoas podem dizer que superar dificuldades é uma questão de otimismo. Ser otimista pode ser entendido como um estado de confiança em relação ao futuro geral ou a alguma questão específica pessoal. A pessoa otimista, crê que tudo vai dar certo, segue em frente com seu pensamento, olhando sempre por uma perspectiva positiva, por pior que esteja a situação. É aquela pessoa que nunca perde a esperança, acredita que no fim tudo vai dar certo, que não precisa se desesperar porque as coisas “só acabam quando terminam” e no fim tudo dá certo.

 

Sendo resiliente?

 

A origem da palavra no Brasil é um termo advindo da física, que significa a deformação do material e a recuperação do mesmo ao seu estado original. Imagine um elástico que ao ser puxado em suas extremidades com determinada força se expande, ao retirar a força ele retorna a sua forma inicial. Com as pessoas, algo similar acontece, elas enfrentam situações ruins e suportam altos níveis de estresse e conflitos, e ainda assim, conseguem dar a volta por cima tornando-se mais resistentes a novos obstáculos.

 

 

A resiliência para a Psicologia fala sobre o pensar, sentir e agir do indivíduo em situações difíceis que contribuem para a superação desses momentos. A capacidade da pessoa de superar adversidades, encontrar novos caminhos em um contexto de sofrimento e ao final do processo, sair mais forte e motivado, para lidar com possíveis realidades conflituosas.

 

Podemos exemplificar com o caso do Fernando Fernandes, modelo que participou do Big Brother 2, demonstrou ser uma pessoa muito resiliente. Após ficar paraplégico por um acidente de carro, passou por um programa de neuro reabilitação em lesão medular, sua superação foi tanta que se tornou atleta, alcançando o título de campeão mundial de canoagem na Polônia em 2010.

 

(Foto: Divulgação/ Tubbs e Costa)

 

Segundo Vera (2012), algumas características pessoais contribuem para a resiliência como: autoconfiança, conquistar e manter pessoas, autocontrole, sensibilidade ao contexto, senso de humor e empatia. Uma pessoa com essas características estará mais preparada para passar por momentos difíceis sem grandes traumas. Além disso, o apoio familiar e outras redes de apoio são condições ambientais importantes para desenvolver tais características.

 

Mas o que determina a superação de um obstáculo? Otimismo ou Resiliência?

 

Antes de qualquer coisa vamos esclarecer o que é um obstáculo. É tudo aquilo que dificulta ou atrapalha o percurso dos nossos planos. Pense em um pequeno obstáculo, como na situação conturbada que surge antes de fechar aquele negócio tão esperado. Para alcançar o resultado satisfatório você deverá identificar possíveis empecilhos e encontrar os melhores caminhos que contribuirão para o êxito do negócio. Através do otimismo, você terá a tranquilidade, o bom humor e a visão ampliada para resolver as possíveis questões e encontrar as soluções adequadas.

 

Agora, se estamos falando de um obstáculo que poderia causar grandes perdas emocionais que interrompem sua rotina e seus planos de vida. Apenas o otimismo pode não ser suficiente para superar esse obstáculo. Será preciso o otimismo e aquelas características que falamos antes, que entendemos como resiliência, como: autoconfiança, autocontrole, sensibilidade ao contexto etc. Por exemplo, o caso da empresária Marilis, que levou 35 anos para descobrir que tinha doença celíaca (intolerância ao glúten). Até descobrir o diagnóstico correto perdeu muitos quilos, não tinha convívio social, sem falar no sofrimento com hospitais e os sintomas da doença. Quando descobriu o diagnóstico, teve que fazer uma readaptação alimentar e passou a criar novas receitas sem glúten. O sucesso foi tão grande com essas receitas que atualmente ela tem uma empresa que produz alimentos para pessoas com restrições alimentares, como: lactose, açúcar, glúten. Ou seja, Marilis não só superou a doença, como também, em meio ao sofrimento encontrou a solução física e econômica em sua vida. A história de Marilis é um bom exemplo de resiliência, onde apenas com o otimismo não resolveria, pois ela lidou com as frustrações, superou os obstáculos e alcançou o sucesso.

 

Prof. Adriana Oliveira (UDF), Discentes: Fábio Canedo de Andrade Silva, Karine de Sousa Silva e Mayara Ferreira Costa (Alunos do 7º Semestre do Curso de Psicologia).

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A CRIANÇA É UM PROBLEMA NA ESCOLA, O QUE FAZER?

Profa. Adriana Oliveira (UDF), Discentes: Klícia de Lima Ramos e Ruth Braga de Assis dos Anjos

 

Você já recebeu um bilhetinho de reclamação da escola porque seu filho era um aluno “problema”? Ou, você é um professor que está se sentindo impotente em sala de aula? Saiba que “Alunos indisciplinados” é um tema que move pais, professores e técnicos de escolas públicas e privadas de diversos contextos no Brasil (REGO, 1996). E para vencer essa dificuldade, é necessária uma reflexão acerca do assunto e uma melhor compreensão sobre as características desses alunos, a importância das regras, as causas, as alternativas disponíveis e a importância dos pais, educadores e psicólogos no desenvolvimento da criança.

 

PERFIL DO ALUNO PROBLEMA

 

“Aluno problema” é o termo popular empregado aos alunos indisciplinados na escola (AQUINO, 1998). Eles não obedecem às regras, aos pedidos dos professores, se envolvem em brigas com os coleguinhas e até mesmo em “bate-bocas” com os professores. São estressados, muitas vezes apresentam baixo nível de aprendizagem e rendimento acadêmico, e podem acabar recebendo muita reclamação, advertência e até mesmo suspensão. Além disso, em casos mais extremos, tem sido muito comum as escolas, ao se informarem do comportamento do ingressante, rejeitarem a vaga a esses alunos para evitarem futuros problemas.

 

E ENTÃO, O QUE PODE SER FEITO?

 

1º – Compreender o que é disciplina e o comportamento indisciplinar.

 

Segundo Rego (1996), as regras e o seu cumprimento são importantes para estabelecer harmonia entre as relações, cooperação, possibilitar diálogo e preservar o direito do outro. Da mesma forma, faz-se necessária a aplicação das regras dentro do contexto escolar, pois a internalização e a obediência a elas, norteiam e delimitam as relações sociais e podem levar o indivíduo à autonomia e liberdade. Nesta ótica, a indisciplina passa a ser vista como falta de respeito, intolerância e intransigência a regras que regulam a conduta de um indivíduo ou grupo (REGO, 1996).

 

2º – Identificar as possíveis causas.

 

A responsabilidade do comportamento problema não deveria recair a apenas em uma das partes envolvidas, ou seja, só sob a família, a escola, a sociedade em geral, ou ainda, ao ambiente economicamente e culturalmente desfavorecidos (REGO, 1996). O indivíduo é um ser biopsicossocial e segundo Belloch e Olabarria (1993), isso significa que é um ser singular e integral que é afetado por fatores biológicos (vírus, bactérias, genética, defeitos na estrutura anatômica, etc.), psicológicos (forma como percebe, internaliza o mundo, sente e reage) e sociais (interação com seu núcleo familiar, amigos e sociedade em geral). Nesse ínterim, o aluno pode, por exemplo, apresentar entre tantas possibilidades algum distúrbio neurológico, de aprendizagem ou comportamental (AQUINO, 1998). E como o indivíduo é um ser único, o conjunto de fatores que determinam seu comportamento pode variar de pessoa para pessoa, recomenda-se procurar um profissional competente para fazer as devidas análises e encaminhamentos e/ou poder auxiliá-lo nesse processo de descoberta das causas e mudanças.

 

3º – Maior participação dos pais no desempenho escolar do seu filho junto à escola.

 

A escola e a família devem trabalhar em parceria para o bom desempenho do aluno. O papel de educar começa com a família e estende-se à escola. Os conceitos, virtudes e valores que durante a vida darão norte à criança devem ser transmitidos pelos pais, de forma que a escola venha apenas para complementar. Os pais devem estar presentes e ter uma participação ativa no desenvolvimento escolar da criança e do adolescente, devem apoiar e dar suporte nos conteúdos aprendidos em sala de aula e estarem atentos às suas dificuldades. É de suma importância também a comunicação e diálogos abertos entre a escola e família. A família deve estar atenta a indícios, sintomas e sinais que possam evidenciar um comportamento problemático do aluno (VASCONCELLOS, 2000).

 

4º- O professor pode lançar mão de algumas estratégias em sala.

 

Segundo Souza (2002), autora do livro “A práxis na formação de educadores infantis”, algumas alternativas indicadas aos professores para combater a indisciplina são:

  • Construir regras para melhorar a convivência junto com os próprios alunos;
  • Fazer trabalhos em equipe e criar recursos para despertar a vontade de querer aprender;
  • Adotar exercícios que estimulam e aulas interativas;
  • Ser atencioso e procurar conhecer o aluno, seus conflitos e problemas;
  • Incentivar os alunos e elogiar suas boas condutas;
  • Buscar a participação da família na vida escolar;

 

5º – Procurar ajuda de outros profissionais.

 

Além da participação dos pais e professores no acompanhamento ao aluno, o psicólogo escolar poderá atuar auxiliando a família e/ou professores no descobrimento e no discernimento acerca do contexto educacional para que possam alcançar maior confiança e autonomia diante de seus alunos. Poderá desenvolver junto à escola, ações esclarecedoras sobre temas diversos, como por exemplo: ética, agressividade, bullying, entre outros. Pode ainda, fazer reuniões com os pais sobre o desenvolvimento acadêmico dos alunos e trabalhos em equipe para a melhoria das relações interpessoais (VASCONCELLOS, 2000).

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