Arquivo de 6 de agosto de 2012

Mitologia Grega: explicações para os mitos, ou realidades mitificadas?

Postado por

Carlos Augusto Andrade

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em 06/ago/2012 - 72 Comentários

Quando eu era menino, gostava muito de ouvir e ler histórias sobre a Mitologia Grega. Vivia assistindo filmes e inventando brincadeiras com primos e primas para tornar aqueles contos fantásticos parte das nossas vidas. Foram muitos os momentos em que me tornei Zeus (tinha mania de grandeza, rs), ou mesmo Apolo (para agradar as garotas). Os amigos e parentes revezavam-se nos mais variados monstros, gigantes e deuses.

Hoje, pouco se fala de Mitologia Grega, acho que ela está circunscrita apenas às esferas dos estudos históricos. Algumas histórias acabaram perdurando, pois tiveram adaptações para crianças, o que fez com que permanecesse na memória uma pequena parte das histórias mais famosas. Por exemplo, quem não se lembra do Minotauro e seu labirinto, ou de Perseu e suas navegações, ou ainda de Ulisses, ou mesmo do famoso Aquiles (aqui sem ficar pensando no Brad Pitt, por favor ok?)?

Começarei a escrever em nosso Blog sobre essas histórias, retomando algumas lendas gregas, para que observemos como o homem, em todo o tempo da sua existência, desde os primórdios até hoje, procurou e procura atribuir sentidos a coisas que não conseguia explicar, levando as respostas para um lado mais metafísico da vida.

Como estamos iniciando essa apresentação/discussão, vamos lembrar como a mitologia grega explicou a criação do universo, o início de tudo.

Segundo, Pouzadoux (2001), na origem o universo não tinha forma, tudo se misturava numa massa desestruturada. Alguma força misteriosa teria sido responsável por ordenar e moldar o Caos.

Dessa forma, astros e deuses começariam a ocupar lugar no céu, na terra e nos mares.

Na mitologia grega, Cronos era o deus que simbolizava o tempo e protegia a agricultura. Nascido de Urano (o céu) e de Gaia (a terra), que tiveram vários filhos, foi o mais jovem da geração dos chamados Titãs. Cronos rebelou-se contra seu pai Urano, tirando-lhe o poder, desposando-se com sua irmã Reia, e governou a chamada idade dourada da mitologia. Da mesma forma, como aconteceu com seu pai, o poder de Cronos não perdurou. Apesar de eliminar os filhos que nasciam de Reia devorando-os, por receio de que a antiga profecia de que um de seus filhos o deporia, não houve como impedir o fato, pois após confabulação entre Réia e Gaia (veja que as vezes sogra e nora se dão bem), Zeus, que foi por elas salvo, vence Cronos com a ajuda de seus irmãos Poseidon e Hades.

Como se observa, os problemas familiares, às vezes, vivenciados hoje são mais antigos do que imaginamos. No mundo dos deuses gregos, noras, sogras, filhos indesejados já eram alvos de discórdia. Filhos matavam pais, sogras davam palpite na vida das novas famílias, qualquer semelhança com a realidade de hoje é uma mera verdade.

É interessante observar tais questões a partir desse prisma, para percebermos a incessante necessidade humana de responder de onde veio e para onde vai e, também, demonstrar a realidade cíclica da vida. O que é já foi é o que há de ser, também já passou.

Há uma sequência bem interessante da história da criação que trata da divisão do mundo entre os irmãos que deixaremos para o próximo post.

Peguem, suas espadas e se preparem para as batalhas, há grandes momentos na história grega e na sua mitologia que fundam muitas questões que hoje vivemos.

Abraços e fiquem conosco.

Referência:

POUZADOUX, C. Contos e lendas da Mitologia Grega. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

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