2.196

SEMPRE AS TERÇAS E AS “PRIMÁRIAS LONGAS”!

Por João Carlos Souto

 

Nova Iorque, 07 de novembro de 2016

 

Por que as terças-feiras?

A eleição para Presidente dos Estados Unidos difere um pouco daquilo que estamos acostumados no Brasil, desde o advento da Constituição de 1988.

 

No Brasil a eleição se dá no primeiro domingo de outubro e escolhemos dentre vários candidatos. Será eleito quem obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. Haverá segundo turno no último domingo de outubro se por acaso a maioria absoluta dos votos não for conseguida no primeiro turno.

 

Nos Estados Unidos, a eleição se dá na segunda terça-feira de novembro e, mais importante, não é e nunca foi feriado. A razão por uma terça-feira tem raízes históricas. No século XIX, quando essa data foi escolhida, o pais era essencialmente agrário, o meio de transporte mais comum era o cavalo, de modo que a terça feira se apresentava como a data mais conveniente para ir à cidade, votar e retornar ao trabalho. O tempo passou, os meios de transportes mudaram mas o costume permaneceu. Assim, amanhã, dia da eleição, será um dia normal para os norte-americanos: escolas, empresas, escritórios, fábricas, lojas, estarão abertas. Se o eleitor quiser votar, terá que fazê-lo antes ou depois do trabalho, ou contar com a boa vontade do empregador para liberá-lo por alguns minutos.

 

(Ellis Island, por onde chegaram, em fins do século XIX até meados do século XX, milhões de imigrantes que ajudaram a construir os Estados Unidos, eles que são um dos temas principais dessa eleição que ocorre amanhã, 08 de novembro. Foto: João Carlos Souto)

 

 

Não por outra razão o apelo tão enfático da candidata Hillary Clinton para que os eleitores compareçam as urnas, porque além do voto ser facultativo o dia de eleição é um “ordinary day”.

 

A pré-campanha começou em junho de 2015

 

Pode-se dizer que são duas campanhas em uma só. A primeira é a disputa interna entre os candidatos do Partido para se saber quem será o escolhido. É o que eles chamam de “primárias”.

(Bill de Blasio, prefeito de Nova Iorque, e a primeira dama Chirlane McCray – foto: João Carlos Souto)

 

Em 2016, dezessete candidatos disputaram a indicação do Partido Republicano; um recorde, um quantitativo nunca antes visto. Alguns ex-governadores como Jeb Bush, filho e irmão de ex-Presidente, mulheres de sucesso como Carly Fiorina, governadores em exercício de mandato como o de New Jersey, Chris Christie, entre outros. Acompanhei todos os debates das primárias do Partido Republicano. Dentre os tantos debates ficaram na minha memória (e ficarão nos anais da História) o debate em que Trump insinuou que Fiorina era feia (“look at that face! Would anyone vote for that!)”) e em outro apelidou Jeb Bush de “pouca energia” (low energy!).

 

Entre os dezessete que disputaram a indicação pelo Partido Republicano para mim o candidato mais bem preparado, mais sensato, menos radical, era o atual governador do Estado cde Ohio, John Kasich, um dos últimos a desistir. Ao fim, como sabido, Donald Trump conseguiu o número necessário de votos e sagrou-se candidato.

(Museu da Imigração em Ellis Island – Foto: João Carlos Souto)

 

Pelo lado “Democrata” as “primárias” tiveram um número menor de candidatos, mas nem por isso foi menos disputada. Já de início quatro dos seis pré-candidatos desistiram, permaneceram apenas Bernie Sanders e Hillary Clinton. O primeiro declaradamente socialista e com pouca ligação com o Partido, antes era independente. Aliás, aqui reside uma característica do sistema norte-americano, a relativa facilidade pela qual um Partido acolhe um “outsider”, como são exemplos Sanders, pelo Partido Democrata e Trump pelo Partido Republicano. Aliás, Trump em 1987 era filiado ao Partido Democrata!

 

Definidos os candidatos, Hillary e Trump, a campanha começou pra valer e se tornou mais específica, mais direta, porque se concentrou nos dois candidatos com mais chances. Dois outros disputam a presidência (Gary Johnson, pelo Partido Libertário e Jill Stein, pelo Partido Verde), contudo, como têm menos de 15% de intenção de votos, não puderam participar dos debates, de acordo com a legislação em vigor aqui nos Estados Unidos.

 

João Carlos Souto, Professor de Direito Constitucional do Centro Universitário UDF, Mestre em Direito Público, Procurador da Fazenda Nacional, autor de “Suprema Corte dos Estados Unidos – Principais Decisões”, Atlas, 2ª ed., 2015, ex-Secretário de Estado de Justiça e Cidadania do Distrito Federal (2015/2016), www.jsouto.com

Categoria: UDF pra você
Tags: , , , , ,
1 Comentário

1 Comentário

  1. Gabriel says:

    Admiro a ala libertária do partido republicano (liderado por Ron Paul) e acho triste ver o partido sendo tomado por populistas e despreparados que afastam o partido de seus princípios. Como profetizou Ronald Regan:” A liberdade está sempre a uma geração de sua extinção”.

Deixe uma resposta para Gabriel Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Termo de Uso de Conteúdo –

Nós permitimos e incentivamos a reprodução do conteúdo deste blog, desde que as condições determinadas abaixo sejam respeitadas.
Qualquer utilização que não respeite este Termo será considerada violação de propriedade intelectual e estará sujeita à todas as sanções legais.
Você pode copiar, distribuir e exibir o conteúdo, sob as seguintes condições:


Atribuição

Você deve dar crédito ao autor original sempre que o conteúdo possuir autoria. Veja o exemplo abaixo.
Por: (inserir o nome do autor)


Origem


A fonte deve ser citada da seguinte forma: Fonte: UDF.Blog (com o  link http://blog.udf.edu.br/)


Utilização do conteúdo


É vedada a criação de obras derivadas do conteúdo do UDF.Blog.
Você não pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você não pode utilizar o conteúdo para finalidades comerciais ou publicitárias.


Política de Privacidade


Todas as informações fornecidas por você serão utilizadas para sua identificação.
Seus dados não serão vendidos ou compartilhados com terceiros sem sua prévia autorização.
Caso tenha solicitado, usaremos seus dados para mantê-lo informado sobre serviços, novidades e benefícios. Você sempre terá a opção de cancelar o recebimento de tais mensagens.


Condições gerais para os comentários


Buscando manter um relacionamento mais próximo e oferecer a possibilidade de participação dos usuários em nossos conteúdos, comentários são permitidos e bem-vindos em nosso blog.
Eles estão sujeitos a aprovação e serão publicados sempre que de acordo com as seguintes condições:

Os conteúdos dos comentários publicados são de responsabilidade dos usuários, não tendo nenhuma interferência ou opinião do UDF Centro Universitário.