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DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS

* Texto elaborado pelo departamento científico da VP Consultoria Nutricional

 

A doença inflamatória intestinal (DII) é uma denominação generalizada para uma série de doenças, como enterocolite actínica, colite isquêmica, infecções intestinais, entre outras, todas com causa conhecida. Mas o que mais chama a atenção são as DII de causa desconhecida, sendo que a retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) e a doença de Crohn (DC) são responsáveis por 80% a 90% dos casos; portanto, quando nos referimos às DII, estamos nos referindo a estas duas doenças.


O diagnóstico da DII se baseia num contexto clínico, laboratorial, radiológico, endoscópico e anatomopatológico. Muitas vezes, os sintomas são diversos e é preciso uma investigação com um médico capacitado na área.

 

Os sintomas mais comuns são:

- Retocolite ulcerativa inespecífica: sangramento retal, dor abdominal, com pouco ou nenhum comprometimento do peso e em casos mais graves diarreia, entre outros.

- Doença de Crohn: diarreia, perda de peso, febre baixa, dor abdominal e perda de sangue pelas fezes, entre outros.

 

Esta inflamação crônica intestinal é aparentemente causada devido a uma resposta imune anormal a fatores ambientais, em pessoas geneticamente susceptíveis. Evidências recentes sugerem que a composição da microbiota intestinal é um fator ambiental crítico na DII. A microbiota intestinal, por sua vez, é diretamente influenciada pela dieta do indivíduo.

 

Para cuidar da microbiota intestinal é atualmente proposta uma intervenção completa pela nutrição funcional, o Programa 4R’s, que se baseia em:

 

  1. Remover ou reduzir fatores estressantes da mucosa – que neste caso são os alimentos potencialmente alergênicos (existem os mais alergênicos, porém, estes alimentos devem ser escolhidos individualmente para cada caso), mas também o excesso de alimentos com açúcar, sódio, gordura saturada, gordura trans, aditivos químicos, etc.;
  2.  

  3. Repor fatores digestivos: muitas vezes a digestão dos indivíduos com DII está prejudicada. Desta forma, deve-se favorecer a capacidade digestiva destes através de uma alimentação sem os fatores estressantes, utilizando-se de chás digestivos ou até mesmo suplementações nutricionais e/ou de enzimas digestivas, que podem potencializar o processo digestivo;
  4.  

  5. Reinocular o trato digestório: aqui entra a parte de reintroduzir probióticos (“bactérias benéficas”) com o objetivo de melhorar a qualidade da microbiota intestinal que, associada a uma alimentação saudável, irá alcançar um equilíbrio entre as bactérias comumente encontradas no intestino dos seres humanos;
  6.  

  7. Reparo da mucosa intestinal: a DII causa danos à parede do intestino; portanto, o reparo desta parede intestinal é fundamental para o bom sucesso do tratamento. Isto pode ser realizado com a alimentação, fornecendo os nutrientes básicos para esta reconstrução, mas suplementações também podem ser utilizadas, o que irá fornecer a matéria-prima necessária para esta recuperação.
  8.  

 

Com esta intervenção é possível que o paciente consiga melhorar os sintomas e as complicações desencadeadas pelas Doenças Inflamatórias Intestinais – porém, mais uma vez fica a recomendação de uma intervenção individualizada com profissional experiente. Essa abordagem mais ampla pode proporcionar resultados melhores e mais satisfatórios.

 

Referências bibliográficas:

1. DAMIÃO, A. O. M. C.; HABR-GAMA, A. Retocolite Ulcerativa Idiopática. In: Gastroenterologia Clínica. Dani, R.; Paula-Castro, L. (eds). São Paulo, Ed. Guanabara Koogan S.A, p. 1037-76, 1993.
2. SARTOR, R. B. Current Concepts of the etiology and pathogenesis of ulcerative colitis and Crohn’s disease. Gastroenterol. Clin. North Am; 24: 475-507, 1995.
3. ALBENBERG, L.G.; LEWIS, J.D.; WU, G.D. Food and the gut microbiota in inflammatory bowel diseases: a critical connection. Curr Opin Gastroenterol; 2012 May 9. [Epub ahead of print]
4. TAMBOLI, C.P.; NEUT, C.; DESREUMAUX, P.; et al. Dysbiosis in inflammatory bowel disease. Gut; 53:1-4, 2004.
5. PASCHOAL, V.; NAVES, A.; FONSECA, A.B.B.L. Nutrição Clínica Funcional: dos Princípios à prática Clínica. VP Editora, São Paulo, 2007.

Categoria: Retrato
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3 Comentários

3 Comentários

  1. Erivaldo says:

    Gostei muio do artigo. Eu venho sofrendo com inflamação crônica intestinal e
    pode me esclarecer uma dúvida minha.

    Obrigado

  2. Silvia says:

    Importante o artigo, parabéns!

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