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PROJETO DE MEMORIAL SUSTENTÁVEL PARA VÍTIMAS DA KISS É REMODELADO

Artista plástico apresentou maquete durante congresso em Santa Maria. Novo projeto propõe espaços maiores, com salas e uma 'arena'.

Concebida há cerca de sete meses, a ideia de construir um memorial autossustentável para ocupar o espaço do prédio onde funcionava a boate Kiss, em Santa Maria, ganhou nova forma. Durante o congresso que lembra um ano do incêndio que matou 242 pessoas, uma nova maquete foi apresentada a familiares e autoridades, desta vez com um espaço mais amplo. O projeto contemplará uma espécie de arena para receber eventos culturais e espirituais.

 

“Antes era só a cobertura. A ideia original era construir algo mais baixo. Seria uma espécie de cúpula. Mas a associação queria algo mais amplo”, detalhou o autor do projeto, o artista plástico santa-mariense Mauro Possobon, que atualmente reside na Flórida (EUA). A instalação de duas salas, uma para a Cruz Vermelha e outra para a Associação de Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), também está prevista no novo projeto.

 

Projeto foi apresentado em congresso que marca um ano da tragédia (Foto: Mauro Possobon/Divulgação)

 

Outra novidade é a possiblidade de instalação de 242 tubos, que receberiam luz natural, a partir da posição do sol, cada vez que um deles fizesse aniversário. Um sistema de laser artificial garantiria a homenagem em dias de tempo fechado. De acordo com Possoboni, o memorial será revestido com cimento armado em pré-moldado. Cristais e granito também seriam usados na obra.

 

A construção mantém a proposta divulgada no ano passado, de criar estruturas com fontes de água, iluminação e plantas vivasna estrutura de dois andares, que incluiria um jardim. Para homenagear as vítimas, o objetivo de Possobon é construir garrafas de vidro que ficariam acopladas umas às outras, onde os familiares escreveriam mensagens. Além disso, a associação projeta a representação de 242 degraus.

 

Durante o congresso, o presidente da AVTSM, Adherbal Ferreira, admitiu que o memorial fosse instalado em outro local, mas a possibilidade desagrada Possobon. “Lá é um local santo. Será lá que as pessoas irão lembrar a perda de quem morreu. Acho que precisa ser lá”, destaca.

 

Não há ainda, no entanto, uma data para o projeto sair do papel, já que o prédio onde funcionava a boate segue interditado por decisão da Justiça. Ainda há a possibilidade de uma reconstituição ser realizada no local.

 

Entenda
O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul, ocorreu na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013. A tragédia matou 242 pessoas, sendo a maioria por asfixia, e deixou mais de 630 feridos.

 

O fogo teve início durante uma apresentação da banda Gurizada Fandangueira e se espalhou rapidamente pela casa noturna, localizada na Rua dos Andradas, 1.925.

 

O local tinha capacidade para 691 pessoas, mas a suspeita é que mais de 800 estivessem no interior do estabelecimento. Os principais fatores que contribuíram para a tragédia, segundo a polícia, são: o material empregado para isolamento acústico (espuma irregular), uso de sinalizador em ambiente fechado, saída única, indício de superlotação, falhas no extintor e exaustão de ar inadequada.

 

Ainda estão em andamento dois processos criminais contra oito réus, sendo quatro por homicídio doloso (quando há intenção de matar) e tentativa de homicídio, e os outros quatro por falso testemunho e fraude processual. Os trabalhos estão sendo conduzidos pelo juiz Ulysses Fonseca Louzada. Sete bombeiros também estão respondendo pelo incêndio na Justiça Militar. O número inicial era oito, mas um deles fez acordo e deixou de ser réu.

 

Entre as pessoas que respondem por homicídio doloso (com intenção), na modalidade de “dolo eventual”, estão os sócios da boate Kiss, Elissandro Spohr (Kiko) e Mauro Hoffmann, além de dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o funcionário Luciano Bonilha Leão. Os quatro chegaram a ser presos nos dias seguintes ao incêndio, mas a Justiça concedeu liberdade provisória aos quatro em maio do ano passado. Entre os bombeiros investigados, está Moisés da Silva Fuchs, que exerceu a função de comandante do 4° Comando Regional de Bombeiros (CRB) de Santa Maria.

 

Atualmente, a Justiça está em fase de recolher depoimentos dos sobreviventes da tragédia. O próximo passo será ouvir testemunhas. Os réus serão os últimos a falar sobre o incêndio ao juiz. Quando essa fase for finalizada, Louzada deverá fazer a pronúncia, que é considerada uma etapa intermediária do processo.

 

Se o magistrado “pronunciar” o réu, ele vai a júri (a pronúncia é a ordem para ir a júri). Outra possibilidade é a chamada desclassificação, quando o juiz não manda o réu para júri, mas reconhece que houve algum tipo de crime. Nesse caso, a causa será julgada sem júri. Também existe a chance de absolvição sumária dos réus. Em todas as hipóteses, cabe recurso.

 

No âmbito das investigações, três delas estão sendo conduzidas pela Polícia Civil. Além dos documentos sobre as licenças concedidas à boate Kiss, um inquérito apura as atividades da empresa Hidramix, responsável pela instalação de barras antipânico na boate, e outro analisa uma suposta fraude no documento de estudo de impacto na vizinhança do prédio onde ficava a casa noturna. O Ministério Público, por sua vez, investiga as responsabilidades de servidores municipais na tragédia.

 

Íntegra: G1

Categoria: Em pauta
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