PEIXE: UM RICO ALIMENTO

Não é novidade que uma dieta equilibrada deve incluir porções semanais de pescados. Segundo a American Heart Association, o ideal é consumir esse alimento ao menos duas vezes por semana, especialmente os peixes de água fria, como salmão, truta, bacalhau e arenque, porque estão associados à redução da incidência de doenças cardiovasculares.

 

Um estudo divulgado em agosto de 2008 pela Universidade de Pittsburgh (Estados Unidos) mostra que o alto consumo de peixes no Japão pode diminuir o número de ocorrência de doenças cardíacas, pois substitui os alimentos ricos em gordura saturada ou trans, como carnes gordurosas e laticínios integrais.

 

Além da escolha da espécie mais nutritiva, é necessário acertar no preparo para que não se percam vitaminas e para que o alimento não ganhe gordura. “O método de preparo deve evitar a utilização de gorduras saturadas e trans.

 

O melhor é optar pelo cozimento no forno ou na grelha. Quem prefere o peixe frito pode prepará-lo de vez em quando, com pouco óleo vegetal numa frigideira, mas as melhores opções são as preparações assadas, cozidas ou grelhadas”, explica Eneida Ramos, nutricionista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

 

Além do modo de preparo, existem outros cuidados a serem tomados no que se refere ao consumo de peixes. Um dos problemas é o nível de mercúrio que pode existir na carne dos pescados. Segundo Eneida, esse metal pode prejudicar o sistema nervoso e o fígado.

 

O método de preparo deve evitar a utilização de gorduras saturadas e trans. O melhor é optar pelo cozimento no forno ou na grelha.

 

“Alguns peixes, como peixe-espada, cavala, tubarão e cação, são mais suscetíveis à contaminação por metais pesados e toxinas.” A nutricionista aconselha consumir peixes que tenham escamas e barbatanas, como arenque, salmão, pintado, bacalhau e atum, entre outros, pois as escamas funcionam como barreira à absorção de toxinas, além de serem os recomendados na lei judaica.

 

Na hora da compra, é necessário observar alguns aspectos: a aparência do pescado deve ser boa, os olhos devem brilhar e ocupar todo o espaço da órbita e as escamas devem ser firmes e brilhantes. Vale ainda verificar se a carne está firme e se o mesmo está bem gelado.

 

Na hora de comprar

 

A indústria de alimento oferece cada vez mais opções de alimentos congelados e semiprontos. Apesar do avanço tecnológico, no que diz respeito à conservação dos alimentos, na hora de comprar peixe, a atenção com a qualidade deve ser redobrada. “Esse é um produto de origem animal que se deteriora com muita facilidade”, lembra a nutricionista.

 

Por isso, é importante ficar de olhos abertos e atentos a algumas características que ajudam a perceber se o peixe está fresco ou não.

 

Odor

Quando fresco, o peixe cheira a maresia.

 

Corpo

Deve ser firme e brilhante. Quando está passando do ponto, a carne fica flácida. Faça o teste: pressione o peixe com os dedos. Se não ficarem marcas, significa que o peixe é fresco.

 

Olhos

Devem ser salientes, a córnea transparente e a pupila negra e brilhante.

 

Pele

Observe se está brilhante e com as escamas bem aderidas ao corpo. A cor da pele deve ser viva, homogênea e com alguns reflexos.

 

Membrana

É a pele interior que cobre a barriga do peixe e que deve aderir completamente à carne. Quando o peixe não está próprio para consumo, esta membrana é separada da carne.

 

O ideal é comprar o peixe inteiro. Não é aconselhável comprar peixes já cortados.

 

Do fundo do mar ou do rio?

Engana-se quem pensa que peixe é tudo igual. Os pescados provenientes do mar, por exemplo, têm maior quantidade de sódio e de iodo – este último, importante para o bom funcionamento da glândula tireoide. Portanto, pessoas com problema de hipertensão arterial devem escolher, preferencialmente, peixes de água doce ou consumir o peixe salgado com moderação.

 

Confira as propriedades de alguns peixes de águas doce e salgada.

 

Espécies de rio

  • Truta: excelente fonte de ômega 3, que auxilia no controle do colesterol. É um peixe saboroso e muito apreciado.
  • Pacu: a carne, quase sempre sem espinhas, é saborosa, porém gorda e um pouco indigesta.
  • Pintado: carne saborosa, leve e com baixo teor de gordura. Não é muito rico em proteínas, mas é benéfico quanto à digestão.

 

Espécies do mar

  • Salmão: de carne rosada, rico em ácido graxo e ômega 3. Favorece o controle do colesterol.
  • Pescada: muito consumido no Brasil, por seu sabor delicado, pelas poucas espinhas e pelo baixo custo. Se a preparação for frita, o valor calórico aumenta.
  • Badejo: com pouca gordura e com baixo teor de colesterol.
  • Robalo: tem a carne branca e magra. Com isso, é leve e de fácil digestão.
  • Bacalhau: boa fonte de ômega 3. Geralmente é importado da Noruega e de Portugal; tem a carne branca e saborosa. O cuidado no preparo é a retirada do excesso de sal das postas, deixando-as de molho por pelo menos 10 horas, trocando a água a cada 1 hora. O consumo não é recomendado para pessoas com hipertensão arterial.
  • Atum: rico em proteínas, vitaminas e minerais, contribui para a formação muscular e previne doenças do coração, já que também é uma boa fonte de ômega 3.
  • Sardinha: rica em vitaminas A e D, é de fácil digestão. Sua carne, de cor azulada, contém mais nutrientes que a dos peixes de carne branca.

 

Fonte: Albert Einstein

 

 

 

 

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NA AGENDA, A CANTORA BRASILIENSE ELLEN OLÉRIA CONVIDA LENY ANDRADE E KRIS MACIEL PARA O SHOW MULHERES DE ABRIL

DALÍ ESCULTOR

Chega à Galeria Vitrine da Caixa Cultural Brasília (SBS, Q. 4), na quarta-feira, a exposição Salvador Dalí — Esculturas — Surrealismo Tridimensional, que reúne 26 esculturas do pintor espanhol, morto em 1982. Com a curadoria de Francisco Lara Moura, a mostra, com obras da Coleção Clot, é inédita no Brasil e já foi visitada por mais de um milhão e meio de pessoas na Europa. Visitação até 15 de junho, de terça a domingo, das 9h às 21h. Informações: 3206-9449. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 

EMBAIXADOR DAS RUAS

Na quinta, véspera de feriado, o Espaço Cultural (ao lado do Minas Brasília Tênis Clube, Setor de Clubes Norte) recebe o rapper paulista Emicida. No repertório, sucessos como A rua é nóis e Triunfo, e músicas do disco mais recente, O glorioso retorno de quem nunca esteve aqui. A noite ainda conta com o som de Don L. e dos DJs A. e Chicco Aquino. Ingressos: R$ 100 (camarote open bar) e R$ 40 (pista); Valores de meia-entrada, 1º lote e sujeitos a alteração. Informações: 8599-1591 e 8431-7475. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

CAPITAL VISTA DO ALTO

Sobrevoando Brasília em um helicóptero, o fotógrafo Bento Viana registrou, pela manhã e à noite, imagens de parques, tesourinhas e outros cenários marcantes da cidade nas diferentes épocas e estações do ano. As fotografias estão na exposição Do céu, Brasília, que começa quarta-feira e vai até 30 abril, no Espaço Gourmet do ParkShopping (Guará). Visitação de segunda a sábado das 10h às 22h; e domingo e feriados, das 12h às 22h. Na abertura, às 19h, haverá o lançamento do livro homônimo à mostra, na livraria Fnac. Entrada franca. Classificação indicativa livre.

 

EM BOA COMPANHIA

A cantora brasiliense Ellen Oléria  convida Leny Andrade e Kris Maciel para o show Mulheres de abril, sábado, às 21h, no Teatro Oi Brasília (Complexo Golden Tulip Brasília Alvorada, SHTN, Tc. 1, Cj. 1B, Bl. C). No palco, elas interpretam composições autorais e sucessos do jazz, funk, soul e samba. Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia). Informações: 3424-7121 e no site www.teatrooibrasilia.com.br. Classificação indicativa livre.

 

SHAKESPEARE REVISITADO

A companhia de teatro Grupo Clowns de Shakespeare (RN) volta a encenar o espetáculo Muito barulho por quase nada uma década após a estreia, em comemoração aos 20 anos do grupo. Dirigida por Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira, a peça é uma adaptação da obra de Shakespeare e narra os inusitados caminhos do amor. Sessões sexta e sábado, às 20h; e domingo, às 19h, na Caixa Cultural (SBS, Q. 4). Até 4 de maio. Os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia também para doadores de 1kg de alimento não perecível). Informações: 3206-9448. Não recomendado para menores de 12 anos.

 

MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

O músico brasiliense Fabio Cavanha faz show, terça-feira, no Clube do Choro (Eixo Monumental). O repertório terá músicas autorais e composições de João Donato, o homenageado deste ano. De quarta a sexta, o clube recebe Ademir Junior, que lança o álbum Camaleão. No sábado, o público curte o som do violonista Daniel Jr. Sempre às 21h. Ingressos (cada apresentação): R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: 3224-0599 e pelo site www.clubedochoro.com.br. Não recomendado para menores de 14 anos.

 

ANITTA NO VILLA

A cantora pop anima a noite brasiliense nesta quinta-feira, às 22h, no Villa Mix (SHTN, Tc. 2, Vila Planalto). Meiga e abusada, Show das poderosas e Zen são algumas das músicas do set list que promete contagiar fãs. O show de abertura é com a banda Clima de Montanha. Entrada: R$ 100 (homem) e R$ 70 (mulher), área VIP; e R$ 60 (homem) e R$ 40 (mulher), pista. Valores de meia-entrada, 1º lote e sujeitos a alteração. Informações: 3326-9796. Não recomendado para menores de 18 anos.

 

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ACADÊMICOS DO CURSO DE DIREITO FAZEM VISITA TÉCNICA À PENITENCIÁRIA

Duas visitas técnicas foram realizadas pelos acadêmicos do curso de Direito do Centro Universitário UDF, ambas à Penitenciária do Distrito Federal (PDF1). Segundo o Coordenador do Núcleo de Prática Jurídica – NPJ, professor Marcus Ulhoa, durante as visitas, o Vice-Diretor do Presídio, Dr. Marcos Sloniak, ministrou palestras sobre o sistema penitenciário no estado. Dentre os assuntos, foram abordadas as características de cada Estabelecimento Prisional situado dentro do Complexo da Papuda, bem como da Penitenciária Feminina do Gama e do Centro de Progressão Penitenciário situado no SIA.

 

 

“Após a palestra, fomos conduzidos a um dos blocos de segurança média. Lá, tivemos a oportunidade de conhecer o local do banho de sol dos presos e as selas vazias” explicou Samira Aline, aluna do 1º Semestre do curso de Direito. Os alunos também passaram pelo controle de entrada e saída de presos, além das salas de aula, consultórios médicos e pela sala dos advogados. “Todas as visitas foram bastante disputadas entre os alunos e o transporte foi providenciado pela IES.”, afirma o Professor Marcos Ulhoa.

 

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PALESTRA DE ADMINISTRAÇÃO DISCUTE ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE E ESTRUTURAS EMPRESARIAIS

No próximo dia 24, o curso de Administração vai realizar a palestra “Organização de sociedades, estruturas empresariais e suas vantagens”. Segundo a professora Maria Elisabete, organizadora do evento, o objetivo é informar sobre o enquadramento
tributário para os mais diversos tipos de empresas.

 
Confira abaixo a programação:

 

 

19h30 – 19h40 Abertura do Evento
19h40 – 20h00 Palestra:

Organização de Sociedades Empresariais: desde a sua constituição mediante qualquer das cinco formas societárias previstas no Código Civil( Sociedade Anônima e Sociedade Limitada)

Ainda, a constituição do negócio através de empresário individual ou empresa individual de responsabilidade limitada _ EIRELI, com breves esclarecimentos quanto à figura do microempreendedor individual – MEI.

20h00 – 20:15: h Palestra:

Estruturas Empresariais

por intermédio de sociedades “holding” ou controladora e operating, como também sociedades coligadas.

20h15 – 20h30 Vantagens: variante bem aberta onde poder-se-ia trabalhar com temáticas tais como carga tributária exacerbada dos empresários, dentre outros.
20h30 – 20h45 Tempo para responder aos questionamentos

 

O evento será realizado no Auditório do Ed. 4R e tem início previsto para 19h30. Para se inscrever, é preciso acessar a Área do Aluno. Não perca!

 

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COORDENAÇÃO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO ORGANIZOU PALESTRA SOBRE MERCADO DE TRABALHO

No último dia 08, a Coordenação do curso de Administração do Centro Universitário UDF organizou a palestra “O mercado de Trabalho”, ministrada pelo Presidente do Conselho Regional de Administração – CRA, Carlos Alberto Ferreira Júnior. O evento contou com a participação dos alunos dos cursos de Administração, Contabilidade, Recursos Humanos, Psicologia, Engenharia e Enfermagem que participam da disciplina de Gestão de Pessoas.

 

 

De acordo com a Professora Carmem Dulce, coordenadora adjunta do curso de Administração, o objetivo foi discutir as competências necessárias para o sucesso no mercado de trabalho, dentre elas: atitude, gerenciamento do tempo e autoconhecimento.

 

 

O evento apresentou a diferença entre sindicato, conselho e associação, evidenciando a importância dos conselhos de cada profissão. Além disso, foi tratado sobre o mercado de trabalho de Brasília, cuja maior demanda é na área de serviços como entretenimento, cultura e tecnologia.

 

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NOVO CURSO DE ODONTOLOGIA DO UDF

Já pensou em trabalhar em uma área que contribui para a saúde, educação e qualidade de vida das pessoas? Segundo o coordenador do curso de Odontologia, Prof. Dr. Emílio Barbosa e Silva, esses são pontos importantes que se deve pensar para ser um bom Cirurgião-Dentista.

 

 

Segundo ele, a matriz curricular do curso possibilitará ao aluno uma formação moderna e alicerçada nos princípios da ciência. “Teremos uma extensa carga horária com práticas clínicas para o aprendizado e treinamento, além de uma formação que irá preparar o futuro cirurgião-dentista para trabalhar tanto no serviço público como no privado, com pleno êxito e confiança”.

 

 

Confira uma seção de perguntas e respostas com o Coordenador, para entender melhor sobre o curso e o mercado de trabalho:

 

 

Quais são as habilidades necessárias para se tornar um bom Cirurgião-Dentista?

O profissional precisa aliar o profundo conhecimento teórico baseado em evidências científicas abordado durante a graduação, com extensa prática clínica baseada no treinamento de suas habilidades, estas que são desenvolvidas ao longo do tempo.

 

 

O que esperar do curso?

O curso de Odontologia do UDF traz uma proposta inovadora, com disciplinas práticas sendo desenvolvidas desde o início e ao longo de todo o curso. Esse diferencial fornecerá ao aluno um treinamento intenso e consistente, levando o aluno a contribuir com a saúde, educação e qualidade de vida da população. O objetivo é formar um profissional capacitado para atuar em diferentes contextos e situações (individuais e sociais), visando à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Irá ainda preparar e capacitar o egresso nas melhores práticas de atendimento à população e também ao indivíduo. O curso está de acordo com as diretrizes do MEC e abordará em seu currículo todas as disciplinas necessárias e importantes para a formação de um profissional de qualidade.

 

 

Como está o mercado de trabalho para os profissionais da área?

Novos campos de trabalho abrem-se para inserir profissionais, como a atuação de dentistas nas UTI’s de hospitais, o atendimento a pacientes com necessidades especiais, a Odontologia do Trabalho e a Odontologia Legal, na qual profissionais atuam na área de perícia em Fóruns e Institutos Médicos Legais, além de averiguação in loco de crimes e acidentes. Isto faz com que o cirurgião-dentista frequente ambientes totalmente diferenciados do tradicional consultório. O último levantamento feito pelo Ministério da Saúde mostra a necessidade de se investir mais em políticas públicas efetivas, que incluam os profissionais cirurgiões-dentistas no seu rol de ações como nos programas de Saúde da Família, Brasil Sorridente e nos Centros de Especialidades Odontológicas. No setor privado, a Odontologia possui diversas especialidades que podem ser exercidas, e que a cada dia avançam com novas tecnologias e práticas modernas.

 

 

Conheça o Coordenador

 


Mestre em Odontologia e Doutor em Periodontia, o Prof. Emílio Barbosa, tem experiência em Odontologia com ênfase em Periodontia, Implantodontia, Microbiologia e Saúde Coletiva. Seus principais trabalhos foram voltados às doenças periodontais, microbiologia, cicatrização de feridas, periodontite crônica, diagnóstico.

 

 

Dr. Emílio explica que sempre se encantou pelas áreas de biologia e saúde. Com isto, buscou um curso em que pudesse dar assistência às pessoas e devolver na população um estado de saúde plena e prevenção de doenças. “No momento da escolha de minha profissão, a Odontologia preenchia todos os requisitos e critérios que vislumbrava para o meu futuro. Cirurgião Dentista seria a profissão que exerceria com amor e dedicação”, revela.

 

 

Clique aqui e confira mais detalhes do curso.

 

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ÁFRICA E AMÉRICA APRESENTAM TALENTOS DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA NA BIENAL

Evento recebe nesta segunda os escritores Valéria Luiselli, Conceição Lima e Antônio Prata

Antônio Prata acredita que o interesse pela literatura brasileira no exterior é reflexo do crescimento econômico do país

Os países latino-americanos e africanos têm rompido fronteiras e cruzado o oceano por meio de uma nova safra de autores. entre eles, Valéria Luiselli, do México, Conceição Lima, de São Tomé e Príncipe, e o brasileiro Antônio Prata. Os três escritores delineiam o cenário da literatura contemporânea Nas Américas e na África e dividirão hoje mesa em seminário na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Tanto o México, quanto São Tomé e Príncipe e o Brasil foram palco de conflitos, seja pela independência, pela luta contra a repressão ou pela sobrevivência diante dos horrores do narcotráfico. O terreno se mostrou fértil em meio ao caos, no entanto, e a arte floresceu.

 

Antônio Prata acredita que o interesse pela literatura brasileira no exterior é, sobretudo, reflexo do crescimento econômico do país. “Como o Brasil está em voga, as pessoas estão olhando para o país.” O escritor, filho dos também escritores Mário Prata e Marta Goés, colabora em roteiros de novelas brasileiras e, ano passado, lançou o livro de crônicas semi-memorialistas, Nu de botas. “Os meus leitores crescem devagar, conforme vou sendo mais conhecido, também pelo o que escrevo nos jornais. Ainda é uma coisa pequena. Na lista de mais vendidos, os gêneros se misturam. Mas o público para literatura é pequeno. É muito difícil um escritor brasileiro viver de literatura.”

 

Considerada um dos nomes mais importantes da poesia africana contemporânea, Conceição Lima insere memórias e a história de São Tomé e Príncipe à literatura. Dona de um estilo intimista, ela busca imprimir a voz coletiva nos versos que constrói nos livros O Útero da casa, A dolorosa raiz do micondó e O país de Akendenguê. “Confesso que não me sinto muito confortável em falar da minha própria poesia. Atrevo-me a descrevê-la, de forma muito sintética, como uma poesia intimista, lírica, amiúde de contaminação épica, marcada por fluxos da história e na qual a voz do eu-lírico, não raras vezes, se confunde com a voz coletiva”, diz. Para ela, o amálgama entre as identidades do país e das poesias que escreve é movimentado pela germinação de sentidos entre os níveis individual e coletivo: “Há, na minha poesia ou em parte significativa dela, o entrelaçamento entre a narrativa pessoal, íntima, individual e aquilo a que se poderá chamar de narrativa da nação.”

 

Biógrafo de Fernando Pessoa conta como foi contato com familiares do poeta

 

Durante a pesquisa, o biógrafo chegou a 127 heterônimos, mas confessa que os mais importantes eram quatro: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Alvaro de Campos e Bernardo Soares — além de um destaque especial para para Alexander Search, António Mora, Barão de Teive. “Todos eram Pessoa e o que estava a sua volta. Álvaro de Campos, por exemplo, era de ‘Campos’ por conta de um sósia de Pessoa, Ernesto Campos. Nasceu em Tavira, terra do avô paterno de Pessoa. No dia de nascimento de Virgilio e Kant, duas de suas admirações literárias. Vivia na casa de duas tias velhas, com quem Pessoa vivia. Era engenheiro naval, como o marido da filha de sua tia Anica, que morava num quarto pegado ao dele. Visitou Stratford on Avon, onde era cônsul Eça de Queiroz. Viajou pelo Mediterrâneo ( em ” Opiário ” ) , como Pessoa havia viajado. Mas, diferentemente dele, que vai até Lisboa, desembarca em Marselha. Como Rimbaud. Nada nele era por acaso.”

 

Autorização para biografias

 

Calavcanti não precisou de autorização prévia para publicar a biografia de Fernando Pessoa e conta que o contato com a família do poeta foi amistosa. Ele é contra a exigência de autorização para a publicação de obras biográficas. “O debate, no Brasil, está simplificado. No primeiro mundo, pode. Aqui não deve ser diferente. Ocorre que, por lá, a indenização pode ir longe. 5 milhões de dólares, no case Leonard Ross x New York Times. 34 milhões de dólares, no case Richard Sprague x Philadelphia Inquirer. 232,4 milhões de dólares, Houston Money Managment x Wall Street Journal. Só que, por aqui, indenizações assim são consideradas censuras. Devemos fazer um debate mais informado e amplo.”

 

Três perguntas para José Paulo Cavalcanti

 

O que mudou em sua percepção sobre Fernando Pessoa após a pesquisa?

A dimensão do escritor. No início, de alguma forma, pensei que era um bom escritor, como tantos. No fim, vi que era algo muito especial. Na minha opinião, o maior vulto da literatura portuguesa.

 

Como foi seu contato com os familiares?

Muito bom. Cordialíssimo. Com certas concessões, claro. Por exemplo disse que o avô dos sobrinhos de Pessoa era sapateiro. Era mesmo, apesar de ter irmão rico. Por conta da Lei do Morgadio, que garante a totalidade da herança apenas ao filho mais velho. A família disse que ficou incomodada. Falei sobre as diferenças, com o Brasil. Aqui seria honra, um pai sapateiro ter filhos formados em universidades. Lá, não. Perguntei se poderia trocar sapateiro por ” profissão modesta ” . Eles aceitaram, com enorme satisfação. E colaboraram muito, depois disso.

 

Acha que o mercado editorial do Brasil está se consolidando no que diz respeito à literatura?

Sim. Sem dúvida. Mas continuo entendendo que não há nada mais moderno, revolucionário, democrático e transformador, para o país, que educação popular. Só um povo educado por exercer, em todos os seus limites, a cidadania.

 

II Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Debate: As múltiplas faces de Fernando Pessoa. Hoje, às 11h.
2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura — Esplanada dos Ministérios.
Debate: Biografias: literatura, história e identidade cultural.
Segunda-feira, às 19h. 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura — Esplanada dos Ministérios. Serão distribuídas senhas na entrada dos auditórios para as palestras, debates e seminários. Classificação Indicativa Livre

 

Fonte: Correio Braziliense

 

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PANE MENTAL, EFEITO DE UMA NOITE INSONE

A privação do sono amplia transtornos de humor, como a ansiedade, e prejudica o aprendizado e a tomada de decisões

Se você anda adotando estratégias erradas no dia a dia, convivendo com desempenhos baixos e discutindo sem motivo aparente, preste atenção no seu sono. Novas pesquisas confirmam que uma noite maldormida destrambelha o processamento das emoções, compromete o raciocínio e até debilita a memória.

 

Segundo um estudo do Laboratório de Sono e Neuroimagem da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, indivíduos que passam pouco tempo na cama por apenas uma noite já ficam mais aflitos do que o normal ao serem obrigados a cumprir uma tarefa desafiadora. Exames de imagem retratam que a privação do sono catapulta o impacto do estresse em áreas do cérebro responsáveis pela atividade emocional, especialmente na amígdala, estrutura relacionada a respostas negativas e a experiências desagradáveis. Para as pessoas naturalmente ansiosas, o quadro pode ser ainda pior.

 

“O equilíbrio dos sentimentos depende da qualidade do sono, e vice-versa. Sem dormir direito, ocorrem alterações de comportamento, já que a produção de neurotransmissores e hormônios fica desregulada”, afirma a neurologista Anna Karla Smith, do Instituto do Sono, em São Paulo.

 

Uma das substâncias que vão às alturas quando não dormimos bem atende pelo nome de cortisol. E esse hormônio é conhecido por patrocinar o nervosismo ou até deflagrar uma crise de ansiedade exacerbada. “Aliás, essa molécula aparece em altos níveis nos pacientes com depressão. Talvez seja uma ligação química entre essa doença e a insônia”, sugere a bióloga Yara Fleury Van Der Molen, do Ambulatório de Neuro-Sono da Universidade Federal de São Paulo.

 

Já entre os neurotransmissores mais afetados pelo pouco tempo sob os cobertores se destaca a serotonina, ligada ao bem-estar. Sem um número adequado de horas dormidas, sua concentração no cérebro cai drasticamente. Aí, surgem mais irritação e até sensações dolorosas.
Não pregar os olhos abala inclusive nossas escolhas durante as refeições. Em um segundo levantamento da Universidade de Berkeley, os pesquisadores pediram a adultos que indicassem alguns alimentos de uma lista de 80 opções. Resultado: os voluntários privados de sono tendiam a preferir as guloseimas menos saudáveis. E tem mais: com o auxílio de exames de imagens, os cientistas verificaram que esses participantes apresentavam falhas no lobo frontal, parte do cérebro responsável pela tomada racional de decisões. Em outras palavras, muito provavelmente as poucas horas sonhando atrapalham o desempenho cognitivo de uma forma geral, que vai muito além da mesa de jantar.

 

De acordo com a neurologista Rosa Hasan, do Departamento de Sono da Academia Brasileira de Neurologia, em quem dorme pouco é possível notar uma maior dificuldade para tomar decisões, manter o raciocínio e até mesmo para manter uma conversação. “Determinadas ações, como dirigir, também ficam bastante comprometidas. Se for necessário fazer alguma escolha rápida, a pessoa terá sérios problemas”, complementa.

 

O curioso é que essas panes ainda implicam uma mente cada vez mais intranquila. “O sujeito tem a concentração diminuída e uma probabilidade acentuada de cometer erros. Quando percebe o equívoco, fica inseguro, e isso aumenta a ansiedade”, arremata Yara.

 

Dormir para aprender

Varar a madrugada com o intuito de estudar, diga-se, é uma espécie de autossabotagem, segundo uma pesquisa divulgada pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), nos Estados Unidos. O estudo, conduzido pelo psiquiatra Andrew J. Fuligni e sua equipe, analisou as horas de estudo, as de sono e os resultados acadêmicos de 535 estudantes americanos, e descobriu que os alunos que dormiam menos possuíam dificuldade extra na compreensão de conteúdo passado pelo professor, além de receber notas mais baixas em provas.

 

“A fase do sono que fixa o aprendizado no cérebro é a REM, a dos sonhos e dos movimentos oculares”, ressalta o neurologista Shigeo Yonekura, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “É nela que transformamos as memórias de curto em longo prazo”, completa. Acontece que chegar a esse estágio profundo – e permanecer nele – demanda um bom tempo de cabeça apoiada no travesseiro. “Por isso, privar-se de dormir facilita o esquecimento”, analisa Yonekura.

 

O artigo da Ucla ainda conclui que o sucesso acadêmico depende de uma estratégia de estudos que não culmine em bocejos e mais bocejos no dia seguinte. “Se for realmente necessário, sacrifique horas de outras atividades menos importantes, mas nunca deixe de dormir”, sugerem os autores americanos no texto do trabalho.

 

Claro que não conseguir apagar um ou outro dia é normal. A isso se dá o nome de insônia eventual, aquela que surge quando você está muito preocupado ou até animado. “Mas quem, por falta de sono, dorme duas horas a menos por mais de cinco dias na semana, durante mais de três meses, pode ser classificado como um insone crônico”, adverte o pneumologista e presidente da Associação Brasileira do Sono, Francisco Hora. Se esse for seu caso, vale ir atrás de um especialista.

 

Agora, há também aqueles que simplesmente se recusam a fechar as pálpebras já pesadas porque querem ver uns minutinhos de televisão, ler o final de um capítulo do livro ou decorar fórmulas para o exame final. Esse grupo, que fique claro, não está livre dos efeitos da carência de horas dormidas. Por isso é preciso se livrar dessas armadilhas. “O grande remédio para uma vida longa, com bom humor e excelente cognição é uma ótima noite de sono”, aposta Hora. Você não será o único satisfeito ao recarregar as energias de forma adequada. As pessoas que vivem ao seu lado também agradecerão.

 
A triste face da insônia

Ficar sem vontade de dormir pode ser sinal de depressão. Se essa situação não é contornada, a tristeza profunda dificilmente desaparece. E, mesmo quando ela some, a probabilidade de retornar é grande. Os antidepressivos lidam com a melancolia e provocam sonolência, mas precisam ser acompanhados de terapia para que questões emocionais, possíveis causas de ambos os sintomas, sejam resolvidas.

 

A insônia e o Alzheimer

Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, revelaram que os problemas para dormir podem ser um dos primeiros sinais da doença de Alzheimer. Os estudos constataram uma redução no tempo de sono de ratos que começaram a desenvolver, no cérebro, placas da chamada proteína beta-amiloide, precursoras do mal.

 

Para turbinar o sono e a mente

A meditação relaxa ao mesmo tempo que garante atenção nos momentos necessários. Por isso, potencializa tanto o desempenho do cérebro no dia como traz a vontade de dormir à noite. Já os exercícios, além de causarem cansaço, o que ajuda a adormecer, estimulam os neurônios. Mas, se praticados perto da hora de dormir, geram insônia.

 

 

Fonte: Abril

 

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