Novela nossa de cada dia

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Regina Tavares

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em 30/set/2011 - 10 Comentários

Que a telenovela no Brasil está lado a lado com a paixão sentida pelo futebol, ninguém duvida. “Tô certo ou tô errado?” Não é segredo para ninguém que as telenovelas ditam padrões de comportamento, caem na boca do povo, criam bordões e até discussões sobre temas de relevância social, tais como: drogas, leucemia, preconceito e muitos outros.

O formato de sucesso da telenovela trabalha com suspense, capítulos diários e ganchos ao final de cada edição, o que garante a atenção do público-telespectador no dia seguinte. Mas nem sempre foi assim. A telenovela tal qual conhecemos hoje, teve sua inspiração maior no romance-folhetim, publicado periodicamente em jornais. “Copiou?” Com a Grande Depressão, na década de 1930, grandes organizações que financiavam a rádio comercial passaram a produzir a soap-opera ou “ópera de sabão”. Veiculada pela manhã e com enfoque nas donas de casa, a soap-opera era marcada pela venda de produtos de higiene pessoal e limpeza. “Chique de doer”.

No Brasil, a rádio-novela chega somente em 1941. Seguindo a tendência norte-americana, as histórias eram financiadas por grandes empresas como a Colgate-Palmolive e o público-alvo era, em sua maioria, composto por donas de casa. “Não é brinquedo não!” O merchandising presente em muitas telenovelas por aí não é tão pioneiro como alguns pensavam.

A primeira telenovela nacional Sua vida me pertence data de 1951 e foi veiculada pela TV Tupi. Mas foi em 1964 que “a prédio veio a chom” com o surgimento da futura líder de audiência, a Rede Globo, e sua telenovela de maior sucesso até então: O direito de nascer. Dizem que no dia do seu encerramento, houve festa no Rio de Janeiro e em São Paulo para comemorar o sucesso espetacular da trama. Na ocasião, o povo gritava pelo nome dos personagens e chorava pela protagonista. Uma verdadeira histeria. “Felomenal, não?!”

A partir daí você já conhece o final da história; com o passar do tempo, a Rede Globo se tornou líder de audiência, adotou faixas de programação para diferentes produções e ganhou o título de uma das maiores produtoras de telenovelas na América Latina. “Cada mergulho virou literalmente um flash”.

Na atualidade, apesar de tentativas isoladas em trazer um novo fôlego à produção ficcional nas telinhas, muitos telespectadores têm se queixado de tramas que trazem personagens sem profundidade psicológica e dualismos antiquados entre o bem e o mal ou o pobre e o rico. Isso sem falar em fórmulas empregadas exaustivamente como: “Quem matou quem?”. “Deixando de lado os entretantos e indo direto para os finalmentes”, como diria o saudoso Odorico Paraguaçu, algo tem que mudar no reino encantado das telenovelas. Afinal, inúmeros brasileiros se identificam e se projetam nesse gênero capaz de narrar a contemporaneidade dia após dia.

Inté!

* Entre aspas, você confere alguns dos bordões mais famosos das telenovelas brasileiras.

ORGULHO DE SER BRASILEIRO

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Regina Tavares

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em 12/ago/2011 - 6 Comentários

Se o leitor me permite gostaria de compartilhar algumas experiências de minha viagem à Europa nessas férias. Devo confessar, essa foi a minha primeira expedição ao velho continente. E entre as inúmeras surpresas vividas, a que mais me chamou a atenção diz respeito a presença massiva dos brasileiros em solo europeu. Eles estão por toda a parte, do mochileiro à madame. No início, topar com um conterrâneo despertava estranhamento de ambas as partes e até trazia uma sensação de acolhimento e conforto em terras estrangeiras. Com o passar do tempo e a banalização dos encontros, encontrar um brasileiro passou a ser tão natural quanto caminhar pela Avenida Paulista.

A cena era tão frequente que até foi possível flagrar alguns brasileiros famosos transitando por lá: Fernando Henrique Cardoso e sua namorada curtindo em um show do James Taylor em plena Piazza di San Marco em Veneza; Ana Maria Braga disputando atenção com a Monalisa de Da Vinci no Museu do Louvre e Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, ao lado de sua namorada, procurando um lugar para almoçar depois da exaustiva visita ao Palácio de Versailles em Paris.

O reconhecimento do brasileiro como legítimo turista é notório, haja vista a porcentagem crescente de museus e demais pontos turísticos com oferta de guias em português. Além disso, funcionários do ramo hoteleiro já reconhecem um brasileiro nato e até arriscam um cumprimento em português, apesar da péssima pronúncia. O Brasil está na moda. Basta andar pela Champs-Elysées e constatar camisas da seleção brasileira ou Havainas sendo vendidas por um preço astronômico.

Em pleno verão europeu, longe dos problemas que ainda assolam o nosso país e perto de um futuro promissor para este recém Estado-Nação é possível sentir orgulho de ser brasileiro. Apesar de esse não ser o consenso entre os turistas. Cheguei a esta conclusão ao desembarcar em Zurich na Suíça. Ainda no aeroporto, em um desses metrôs futuristas ao som de Mozart, cercada por brasileiros, escutei um comentário que mereceria o Oscar do mau gosto:

- Aqui se parece com o metrô de São Paulo. A única diferença é que lá não se toca Mozart e sim aquela canção: Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão… Lá, lá ia, lá, lá… Como era mesmo o resto da música?

A senhora de maquiagem exagerada e empáfia incontestável parecia apelar sem sucesso aos brasileiros presentes, enquanto Mozart se exauria no piano. Três dias depois, como que por ironia do destino, andando no metrô de Paris, reparei que a mochila do meu marido estava completamente escancarada. Haviam levado sua carteira como que num passe de mágica. Tratava-se de um punguista francês de primeira. Fiquei pensando na senhora de outrora e em sua canção. Como é mesmo esse velho samba, hein?!

Inté!

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