CÉREBRO MAIS OU MENOS ENRUGADO?

Brasileiros descobrem fórmula que explica a relação

RIO – Nos livros de biologia, a aparência “enrugada” do cérebro humano é explicada pela necessidade de encaixar seu grande córtex – as partes mais externas do órgão, responsáveis por nossas mais avançadas funções cognitivas – no limitado espaço disponível na caixa craniana. Isso permitiria que o córtex cerebral tivesse um maior número de neurônios, o que se traduziria em uma maior inteligência. O problema é que esta intuitiva hipótese carecia de testes e comprovação, principalmente tendo em vista o fato de que alguns mamíferos, em especial cetáceos, como baleias e golfinhos, e elefantes terem cérebros não só maiores como mais “enrugados” do que os humanos, mas menos neurônios corticais, enquanto outros com córtex também grandes e desenvolvidos não apresentam estas dobras, como os peixes-boi.

 

Diante disso, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, chefe do Laboratório de Neuroanatomia Comparada do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e o físico Bruno Mota, professor também na UFRJ, tiveram uma ideia: e se a proporção das chamadas circunvoluções cerebrais, isto é, o “índice de girificação” do cérebro, não tivesse nada a ver com o número de neurônios no córtex em si, mas fosse sim uma simples função entre sua área e espessura, tal qual uma folha de papel pode ser amassada em um volume menor e com mais dobras do que duas, quatro, seis, oito ou mais folhas empilhadas, mantendo a mesma área total de superfície, e só então amassadas?

 

 

CÓRTEX CEREBRAL SE DEFORMA ATÉ UM FORMATO CONFORTÁVEL

 

Após analisarem dados sobre a morfologia e número de neurônios do córtex de dezenas de espécies de mamíferos – desde as que têm cérebros pequenos sem dobras (lisencefálicos), como camundongos, às com cérebros grandes e com muitas dobras (girencefálicos), como humanos, cetáceos e elefantes -, os cientistas brasileiros descobriram uma fórmula, inspirada no processo de amassar folhas de papel, que consegue não só explicar porquê alguns animais não têm ou têm mais ou menos giros cerebrais como prever o seu desenvolvimento em exemplares adultos das mais diversas espécies de mamíferos, além de finalmente encaixar num mesmo padrão os chamados “pontos fora da curva” das hipóteses anteriores sobre isso, ou seja, os próprios humanos, cetáceos, elefantes e peixes-boi.

 

- É física pura – conta Suzana, principal autora de artigo sobre a descoberta, publicado na edição desta quinta-feira da respeitada revista “Science”. – Durante seu crescimento, o córtex é submetido a diversas forças que atuam de fora para dentro e de dentro para fora, como a pressão do líquido cefalorraquidiano e a resistência das fibras nervosas, similares às que uma folha de papel sofre ao ser amassada. Isso faz com que o córtex acabe por assumir uma configuração de menor energia livre, isto é, ele vai se deformando e ajustando a estas forças até ficar com o formato mais “confortável” e estável possível.

 

O grande diferencial, segundo Suzana, é que este estudo mostramos que isso resulta de uma combinação entre a área de superfície do córtex e sua espessura, numa fórmula que pôde ser testada de fato, fazer previsões e fornecer uma explicação mecânica para o que observamos na natureza.

 

- Assim, revelamos que espécies que antes eram consideradas exceções, pontos fora da curva, na verdade não são nada disso. O cérebro do peixe-boi não tem dobras porque seu córtex é muito grosso para a superfície disponível, enquanto que nos cetáceos o córtex é muito fino em relação à superfície, e por isso fica bem “amassado” – diz.

 

Fonte: O Globo

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PESQUISADORES DESCOBREM VASOS QUE LIGAM CÉREBRO HUMANO A SISTEMA IMUNOLÓGICO DO CORPO

Novidade pode revolucionar os estudos e tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo e a doença de Alzheimer

RIO — Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Virginia (UVA, na sigla em inglês) anunciaram uma descoberta que, segundo eles, pode levar a uma alteração na literatura médica, e mudar a abordagem sobre tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo, o Alzheimer e a esclerose múltipla. De acordo com um estudo publicado esta semana na revista científica “Nature”, especialistas determinaram que o cérebro humano está diretamente ligado ao sistema imunológico do corpo por meio de vasos até então desconhecidos.

 

 

A descoberta foi possível pelo trabalho de Antonine Louveau, um pós-doutorado integrante do laboratório do Centro da Imunologia do Cérebro e Glia (BIG, na sigla em inglês) da UVA. Os vasos recém-encontrados foram detectados depois que Louveau desenvolveu um método para montar as meninges — o sistema das membranas que revestem o sistema nervoso central — de camundongos em um único slide para que pudessem ser examinadas de uma vez.

 

Após notar padrões de vasos na distribuição das células imunológicas em seu slide, ele realizou um teste para vasos linfáticos e os encontrou. De acordo com ele, os vasos passaram desapercebidos antes por pesquisadores porque estão “muito bem escondidos”, e por seguirem um grande vaso sanguíneo até um sistema de cavidades no crânio — uma região difícil de ser visualizada.

 

Para Kevin Lee, diretor do Departamento de Neurociência da UVA, a descoberta é revolucionária:

 

— A primeira vez que me mostraram esse resultado básico, eu só consegui falar uma frase: vão ter que mudar os livros. Nunca houve um sistema linfático para o sistema nervoso central, e ficou claro a partir desta primeira observação, e eles já realizaram diversos novos estudos para fortalecerem-na, que ela mudará fundamentalmente o modo como as pessoas olham para a relação entre o sistema nervoso central e a sua relação com o sistema imunológico.

 

De acordo com Jonathan Kipnis, professor do Departamento de Neurociência e diretor do BIG, a novidade “muda inteiramente o jeito como percebemos a interação neura-imunológico”.

 

— Sempre a percebemos como algo esotérico, que não poderia ser estudado. Agora podemos fazer perguntas mecanicistas. Nós acreditamos que para cada doença neurológica que possui um componente imunológico, esses vasos desempenham um importante papel. É difícil imaginar que esses vasos não estariam envolvidos em doenças (neurológicas) com um componente imunológico — afirmou Kipnis.

 

A descoberta inesperada dá início a uma série de perguntas que precisam ser respondidas, tanto sobre o modo como o cérebro trabalha, como sobre as doenças que o afligem. Um exemplo é a doença de Alzheimer.

 

— No Alzheimer, há acumulações de grandes pedaços de proteína no cérebro. Nós achamos que elas se acumulam porque não estão sendo removidas de forma eficiente por esses vasos — exemplifica Kipnis.

 

Fonte: O Globo

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ESTUDO APONTA CINCO REGRAS DE OURO PARA EVITAR A DEMÊNCIA

Pesquisa sugeriu que estilo de vida é responsável por mais de três quartos das mudanças no cérebro

RIO – Seguir quatro de cinco regras de ouro para uma vida saudável reduz o risco de desenvolvimento de demência em mais de um terço, concluiu uma análise feita pela organização Age UK, que sugere ainda que o estilo de vida é responsável por 76% das mudanças no cérebro.

 

Manter a prática de um exercício físico regular, uma dieta mediterrânea, não fumar e beber álcool com moderação foram apontados como responsáveis por diminuir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer e outras formas de demência.

 

Além disso, a prevenção e o tratamento de diabetes, hipertensão e obesidade também se mostraram eficazes para reduzir o risco. Mas, enquanto beber muito foi relacionado à demência, beber níveis moderados de álcool foi considerado benéfico.

 

Uma revisão de estudos acadêmicos feita por pesquisadores da Universidade de Edimburgo revelou que mais de três quartos de declínio cognitivo – mudanças relacionadas à idade em habilidadescerebrais, incluindo memória e velocidade de pensamento – foram contabilizados pelo estilo de vida e outros fatores ambientais, incluindo o nível de educação.

 

Um grande estudo do Reino Unido realizado ao longo de 30 anos apontou que homens com idade entre 45 e 59 anos, que seguiram de quatro a cinco dos fatores de estilo de vida identificados demonstraram ter um risco 36% menor de desenvolver declínio cognitivo e um risco 36% menor de desenvolver demência do que aqueles que não o fizeram.

 

Revisão de evidências da Age UK também revelou que o exercício físico, seja aeróbico, de resistência ou de equilíbrio, era a maneira mais eficaz para afastar o declínio cognitivo em idosos saudáveis e reduzir o risco de desenvolver a doença de Alzheimer.

 

Manter uma dieta saudável, fazer uso moderado de álcool e não fumar também exercem um papel no envelhecimento saudável do cérebro em geral, bem como a redução do risco de desenvolver demência, sugere a revisão de evidências.

 

Constatou-se que há significativamente mais novos casos da doença de Alzheimer entre os fumantes atuais em comparação com aqueles que nunca fumaram. A revisão alega que beber muito pesado aumenta o risco de desenvolver demência, uma vez que resulta na perda de tecido cerebral, particularmente nas partes do cérebro responsáveis pela memória e pelo processamento e interpretação de informação visual.

 

Níveis moderados de álcool, no entanto, segundo estudos, protegem o tecido do cérebro, aumentando o bom colesterol e diminuindo o mau colesterol. De acordo com as últimas estimativas, existem 850 mil pessoas no Reino Unido que vivem com demência e a doença vai afetar uma em cada três pessoas com mais de 65 anos de idade.

 

Age UK, que financia o projeto Mente Disconectada da universidade que está investigando como habilidades de pensamento altera com a idade e o que influencia essas mudanças, disse que esperava que a nova evidência estimularia as pessoas a fazer escolhas de estilo de vida que reduziriam seu risco de demência.

 

— Enquanto ainda não há cura ou forma de reverter a demência, essa evidência mostra que existem maneiras simples e eficazes de reduzir o nosso risco de desenvolvê-lo, para começar — disse Caroline Abrahams, diretora da organização. — Além do mais, as mudanças que precisamos fazer para manter nosso cérebro saudável já se mostraram boas para o coração e a saúde em geral, por isso é de bom tom para todos nós tentar construí-los em nossas vidas. Quanto mais cedo começar, melhor a nossa chance de ter uma vida saudável mais tarde.

 

No entanto, uma pesquisa YouGov de mais de duas mil pessoas feita pela Sociedade de Alzheimer no início deste ano encontrou que 22% das pessoas não acharam que era possível reduzir o risco de demência. Instituições de caridade esperam mudar isso aumentando a consciência pública sobre os fatores de estilo de vida por trás da doença.

 

— É hoje reconhecido em todo autoridades de saúde pública que as mudanças de estilo de vida podem contribuir para reduzir o risco de demência. É agora tempo dessas mensagens começarem a atingir o público para ajudar a capacitar as pessoas a proteger a sua saúde cognitiva à medida que envelhecem — afirmou Matthew Norton, diretor de política do Centro de Pesquisa em Alzheimer do Reino Unido.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
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SER BILÍNGUE FAZ BEM AO CÉREBRO E PREVINE DEMÊNCIAS, DIZ PESQUISADORA

A psicóloga Ellen Bialystok, professora da Universidade de York, no Canadá, descobriu, em uma série de pesquisas, que as pessoas bilíngues têm vantagens cognitivas em comparação aos monolíngues. De acordo com a pesquisadora, quem fala duas línguas em seu cotidiano tem mais facilidade de focar sua atenção naquilo que é relevante, ignorando as distrações.

 

Além disso, o bilinguismo pode retardar o aparecimento de demências, segundo estudos conduzidos por ela. A cientista esteve no Brasil na semana passada para participar do evento “Bilingual Institute for Advancements”, organizado pela Escola Cidade Jardim/Play Pen, de São Paulo.
A razão pela qual os cérebros bilíngues são diferentes é que, para um bilíngue, as duas línguas estão sempre ativas. Não há revezamento entre as línguas. Então se você está falando em inglês comigo agora, o português continua totalmente ativo e disponível.

 

Potencialmente, esse é um problema. Se você tem duas possibilidades ativas sobre como dizer as coisas e como entender as coisas, esperaríamos muita confusão e muitas intrusões em que você escolheria a palavra da língua errada. Mas isso não acontece na prática. Por que?

 

O que a maioria dos pesquisadores acredita ser a explicação é que há um sistema no cérebro cujo trabalho é controlar e gerenciar a atenção quando há competição, quando duas coisas estão ativas e você tem que escolher uma e ignorar a outra. Este é o chamado sistema de controle executivo, e ele fica na parte da frente do cérebro.

Cérebro (Foto: Reprodução/Globo Repórter)

 

É um sistema muito importante: é o último sistema a se desenvolver na infância e o primeiro a declinar com o envelhecimento. É a base da atenção e da realização de tarefas simultâneas.

 

A ideia é que bilíngues, que sempre têm as duas línguas ativas, conseguem gerenciar essa competição e evitar potenciais intrusões e confusões ao usar o sistema de controle executivo.

 

O que você tem é uma situação em que os bilíngues estão usando esse sistema o tempo inteiro, muito mais do que os monolíngues. Então esse sistema muda, torna-se mais eficiente e torna-se mais forte.

 

Quem pode ser considerado bilíngue?

 

O bilinguismo não é uma distinção categórica. A questão nas pesquisas não é encontrar diferenças entre bilíngues absolutamente e totalmente proficientes e aqueles completamente monolíngues.

 

Em vez disso, ver que tipo de experiência bilíngue é associada com a emergência de diferentes tipos de mudanças. Em alguns casos, um pouco de experiência bilíngue é suficiente. Em outros, muito mais é necessário. Mas em geral, a regra é fácil: quanto mais, melhor.

 

A origem das diferenças dos bilíngues é a experiência de recrutar o sistema de controle executivo para o processamento de língua comum. Quanto mais tempo de experiência você tiver, mais eficiente vai ser.

 

Então as conclusões se aplicam a pessoas que simplesmente aprendem uma segunda língua?

 

Não muito. Para muitas coisas, você precisa de uma experiência bilíngue muito maior para que essa diferença possa ficar clara.

 

Temos um estudo em que dividimos adultos entre aqueles realmente bilíngues, aqueles intermediários, até os monolíngues. Demos a eles algumas tarefas sutis. Quando comparamos os realmente bilíngues com os realmente monolíngues, vemos esse efeitos. Bilíngues fazem as tarefas melhor e seus cérebros são mais eficientes. Mas se você olhar nos intermediários, eles não são muito melhores do que os monolíngues.

 

Nos estudos com crianças, como as crianças estão desenvolvendo essas habilidades, é mais fácil distinguir padrões mais sutis. Então, para crianças, mesmo pequenos aumentos da experiência bilíngue estão associados com uma melhor performance.

 

Por que decidiu estudar os efeitos do bilinguismo na demência?

 

Em 2004, publicamos nosso primeiro estudo com adultos mostrando os efeitos do bilinguismo. Até então, esses resultados eram relatados em crianças. Chamou muito a atenção da mídia e acho que falei com cerca de 300 jornalistas. Cada um deles, sem exceção, perguntou: “O que isso significaria para demência?”. Eu dizia: “Não sei, não estudamos a demência”. Expliquei que só selecionamos adultos saudáveis.

 

Mas eu pensei: se 300 jornalistas pensam que essa é uma pergunta interessante, deve ser uma pergunta interessante. Não tínhamos nenhuma evidência de que o bilinguismo teria algum efeito na memória ou na função do lobo temporal médio, afetado pela demência. Mas fizemos o estudo de qualquer maneira.

Crianças começam a aprender outro idioma cada
vez mais cedo (Foto: Reprodução/TV Integração)

 

Para nosso ligeiro espanto, descobrimos que, entre os bilíngues, a demência era diagnosticada em média 4,5 anos depois do que nos monolíngues. A razão não é clara, mas a resposta deve ter algo a ver com o fato de os bilíngues usarem a função frontal aprimorada do cérebro como compensação, quando declina a função medial.

 

Há desvantagens em ser bilíngue?

 

Há várias coisas que os bilíngues fazem pior do que os monolíngues. Ironicamente, todas são coisas de linguagem. Bilíngues têm um vocabulário menor em cada língua, têm um processo de recuperação de palavras mais lento e que envolve mais esforço. É mais difícil lembrar das palavras para eles. O processamento da língua parece envolver mais esforço.

 

Essas vantagens cognitivas dos bilíngues seriam suficientes para justificar matricular uma criança em uma escola bilíngue?

 

Há muitas razões para promover o bilinguismo em crianças. Uma delas é porque nossa pesquisa mostra que é muito bom para a cognição e o desenvolvimento. Essa é uma razão, mas há ainda mais razões para criar crianças com oportunidades bilíngues que são baseadas em resultados sociais, educacionais e ocupacionais.

 

Aprender outras línguas, além do que faz com o céu cérebro e com a função executiva, é bom porque alarga o horizonte das crianças. No caso de famílias que tem história de imigrantes, conecta as crianças com seu passado, permite que eles conversem com os avós. É bom para as crianças de muitas formas, e eu diria que, de todas as razões para apresentar as crianças oportunidades bilíngues em educação, os argumentos de cognição que estou dando são os menos importantes.

 

Fonte: Globo

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EXERCÍCIOS MENTAIS CONSEGUEM ESTIMULAR ÁREAS LIGADAS À TAREFA TREINADA

Segundo diferentes pesquisas, as atividades que prometem deixar o cérebro afiado não são capazes de deixar ninguém mais inteligente

A ideia é tentadora: bastam alguns minutos de passatempos e enigmas diários para se tornar mais inteligente, esperto, sociável, habilidoso e autoconfiante. Em um mundo com 3,6 milhões de pessoas com a doença de Alzheimer, a preocupação em deixar o cérebro afiado é grande, e existem empresas que prometem exatamente isso. Com joguinhos agradáveis de fazer, muitos deles on-line, desenvolvedores garantem um incremento das funções cognitivas para os usuários. O chamado “treinamento cerebral”, contudo, está longe de ser um consenso.

 

(Exemplo de exercício mental)

 

Dois estudos recentes indicam que o método não serve para o que se propõe. Mas não chega a ser uma farsa. Cientistas que investigaram a eficácia desse tipo de ginástica para a mente concluíram, em pesquisas independentes, que ninguém fica mais inteligente por resolver os passatempos. Por outro lado, eles podem melhorar o desempenho nas tarefas específicas que estão sendo treinadas. Além disso, um dos estudos encontrou evidências de que a memória de trabalho (também chamada de curto prazo) é beneficiada pela “malhação” cerebral.

 

“É difícil passar um tempo na internet sem ver o anúncio de algum site que promete treinar seu cérebro, melhorar sua atenção e aumentar o seu QI. Essas alegações são particularmente atraentes para pais de crianças que estão passando por dificuldades na escola”, diz o psicólogo Randall Engle, pesquisador do Instituto de Tecnologia da Geórgia e autor de um estudo sobre o tema, publicado no jornal Psychological Science. “Esses sites, aplicativos e livros de passatempos tornaram-se bastante populares, mas as pesquisas estão mostrando que, embora possam ajudar a manter uma informação na mente, eles não vão te beneficiar no sentido de ajudá-lo a raciocinar e a resolver problemas”, garante.

 

Íntegra: Correioweb

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TÉCNICA EVITA RETIRADA DE ESTRUTURAS SADIAS EM CASOS DE CÂNCER NO CÉREBRO

Pela emissão de luzes, equipamento produz imagens que ajudam cirurgiões a delimitar com precisão as células comprometidas pelo tumor

Embora a medicina tenha avançado nas técnicas cirúrgicas para o tratamento do câncer, preservar ao máximo as células sadias e retirar todas as que têm tumor continua sendo um desafio. Quando a doença se dá no cérebro, esse cuidado é envolto com a possibilidade de afetar as capacidades cognitivas do paciente. Pesquisadores das universidades de Michigan e de Harvard, nos Estados Unidos, aprimoram uma técnica que pode amenizar o problema. O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine, mostra que, com um laser, é possível operar pacientes com glioblastoma multiforme, o tipo mais agressivo em seres humanos, sem deixar para trás células que poderiam gerar um novo tumor.

 

Segundo Daniel Orringer, a técnica identifica tumores escondidos entre as células sadias

 

O procedimento é uma adaptação da microscopia Raman, técnica que mapeia espécimes biológicas para identificar o câncer. Ela funciona com a emissão de luzes que identificam as células cancerígenas, mas sem muita precisão. Ao codificar um sinal da ferramenta que emite duas cores de luz, os pesquisadores conseguiram ampliar a resolução das imagens obtidas, o que facilita a identificação dos tecidos doentes (veja infográfico). Segundo eles, a nova ferramenta, chamada de stimulated raman scattering (SRS), permitirá uma abordagem mais segura durante as cirurgias.

 

 

Fonte: Correio Web (Íntegra)

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SERÁ QUE UTILIZAMOS APENAS 10% DE NOSSO CÉREBRO?

Colunista da BBC investiga origem de mito sobre potencial não usado da mente humana.

Da BBC

 

Um dos mitos mais conhecidos sobre o cérebro é o de que utilizamos apenas 10% de sua capacidade. É uma ideia atraente, pois sugere que poderíamos ser muito mais inteligentes, bem-sucedidos e criativos se conseguíssemos aproveitar os outros 90% que podemos estar desperdiçando.

 

Um dos mitos mais conhecidos sobre o cérebro é de que usamos só 10% de sua capacidade (Foto: BBC)

 

Infelizmente, isso não é verdade. Não é bem claro a que se referem esses tais 10% de uso. Se a afirmação se refere a 10% de regiões cerebrais, é fácil de ser refutada.

 

Usando uma técnica chamada imagem de ressonância magnética funcional, neurocientistas podem identificar as partes to cérebro que são ativadas quando uma pessoa faz ou pensa em algo.

 

Uma simples ação, como abrir e fechar a mão ou dizer algumas poucas palavras, requer uma atividade de muito mais de uma décima parte do cérebro. Mesmo quando se supõe que a pessoa não está fazendo nada, o cérebro está trabalhando bastante, controlando funções como respiração, atividade cardíaca e memória.

 

Até durante o sono, nosso cérebro se mantém ativo,
como evidencia a imagem acima (Foto: BBC)

 

Nada ocioso
Se os 10% mencionados se referirem ao número de células do cérebro, ainda assim a afirmação não procede.

 

Quando qualquer célula nervosa deixa de ser utilizada, ela se degenera e morre ou é colonizada por outras áreas vizinhas. Não permitimos que as células do nosso cérebro fiquem ociosas, elas são valiosas demais.

 

Segundo o neurocientista Sergio Della Sala, o cérebro precisa de muitos recursos. Manter o tecido cerebral consome 20% de todo o oxigênio que respiramos.

 

Como pode, então, uma ideia sem fundamento biológico ou fisiológico ter conseguido se espalhar desse jeito? É difícil rastrear a fonte original do mito.

 

O psicólogo e filósofo norte-americano William James escreveu no livro “As energias do homem” que “utilizamos somente uma pequena parte de nossos possíveis recursos mentais e físicos”. Ele pensava que as pessoas podiam progredir mais, mas não se referia ao volume do cérebro nem à quantidade de células, tampouco a uma porcentagem específica.

 

A referência aos 10% é feita em um prólogo da edição de 1936 do popular livro de Dale Carnegie “Como ganhar amigos e influenciar pessoas”. Algumas pessoas dizem que Albert Einstein foi a fonte da afirmação.

 

Della Sala tem tentado encontrar essa citação, mas ninguém que trabalha no arquivo de Albert Einstein pôde sequer confirmar que tenha existido. Parece mais outro mito.

 

Zona duvidosa
Existem dois fenômenos que talvez possam explicar o mal-entendido. Nove de cada dez células do cérebro são do tipo neuróglias ou células gliais, que são células de apoio, que provêm assistência física e nutricional. Os outros 10% das células são os neurônios, que se encarregam de “pensar”.

 

Assim, talvez as pessoas tenham interpretado que os 10% das células que se ocupam do trabalho duro de pensar poderiam aproveitar também as neuróglias para aumentar a capacidade cerebral pensante. Só que essas células são totalmente distintas e não podem simplesmente se transformar em neurônios para nos dar mais potência mental. Existem os 10% que pensam, e os 90% que ajudam a pensar.

 

Há, no entanto, um grupo de pacientes cujas imagens do cérebro revelaram algo extraordinário. Em 1980, um pediatra britânico chamado John Lorber mencionou na revista “Science” que algumas pessoas com hidrocefalia, que tinham muito pouco tecido cerebral, ainda assim apresentavam um cérebro capaz de funcionar.

 

O caso, sem dúvida, demonstra que todos nós podemos usar nossos cérebros para fazer mais coisas do que conhecemos, já que é sabido que as pessoas se adaptam a circunstâncias extraordinárias.

 

É claro que, se nos propusermos, podemos aprender coisas novas. E cada vez há mais evidências que mostram que nosso cérebro muda. Mas isso não significa que estejamos explorando uma nova área. Acredita-se que, quando novas conexões entre as células nervosas são feitas, perdemos velhas conexões quando já não as necessitamos.

 

O que mais intriga nesse mito é que ele pode ter nascido e se cristalizado com base em uma informação que não é correta. Talvez falar em 10% seja uma forma atrativa porque oferece um potencial enorme para melhorar. Todos queremos ser melhores. E podemos, se nos cuidarmos. Porém, nunca vai acontecer de encontramos uma porção do nosso cérebro em desuso.

 

Fonte: G1 (Íntegra)

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POR QUE TEMOS A SENSAÇÃO DE “DÉJÀ VU”?

Sabe aquela sensação de estar vivendo uma coisa que já aconteceu? E aí nós ficamos na dúvida se sonhamos aquilo ou se voltamos no tempo (vai que, né?) ou se é a nossa vida que repete muito, mesmo. Qualquer que seja a nossa teoria, esse fenômeno, chamado de “déjà vu”, desperta a curiosidade de muitos cientistas por aí – e nenhum deles conseguiu, ainda, entender realmente do que se trata.

 

 

Quer dizer, até agora. Um estudo do Central European Institute of Technology (CEITEC MU) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Masaryk, na República Tcheca, trouxe alguma luz sobre o mistério.

 

Os pesquisadores descobriram que certas estruturas cerebrais específicas têm um impacto direto sobre isso. Exames feitos com ressonância magnética com 113 voluntários mostraram que o hipocampo, estrutura localizada nos lobos temporais do cérebro onde as memórias se originam, eram consideravelmente menores em pessoas que vivem tendo essa sensação, em comparação com quem nunca teve uma experiência assim. E tem mais: quanto mais frequentes os déjà vus, menores eram essas áreas.

 

“Quando estimulamos o hipocampo de pacientes neurológicos, conseguimos induzir neles a sensação de déjà vu. Ao encontrar as diferenças estruturais no hipocampo em pessoas saudáveis ​​que têm ou não tal experiência, mostramos que ela está diretamente ligada à função destas estruturas cerebrais”, afirmou o autor principal do estudo, Milan Brázdil, do CEITEC.

 

Para ele, o déjà vu é provavelmente causado por uma superexcitação de células nervosas em hipocampos mais sensíveis. Isso causaria um pequeno “erro no sistema”: as lembranças falsas. “Tal sensibilidade maior pode ser consequência de alterações nessas regiões do cérebro que podem ter ocorrido durante o desenvolvimento do sistema neural”, explica Brázdil.  O hipocampo é excepcionalmente vulnerável a várias influências do ambiente externo, como as patológicas (como inflamações) ou fisiológicas (como o stress ou privação do sono), principalmente na primeira infância.

 

Apesar de parecer misterioso, o déjà vu é uma experiência comum: segundo os pesquisadores, entre 60% e 80% dos indivíduos normais já passou por isso.

 

Fonte: Íntegra Super Interessante

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