ESTUDO REVELA PROTEÍNA QUE PODE INIBIR SÍNDROME QUE AFETA 25% DAS UTIS

Cientistas da USP provam que a molécula IcaA impede inflamações severas como a sepse

RIO — O combate à sepse, síndrome da resposta inflamatória considerada uma das grandes vilãs do sistema de saúde, ganhou munição. Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma proteína capaz de impedir o início do processo inflamatório, “enganando” o organismo ao “desligar a chave” que ativa o sistema imunológico quando é detectada a presença de bactérias nocivas.

 

A inflamação é um mecanismo importante para nos livrar de certos inimigos. Em geral, ocorre no tecido afetado por uma lesão ou infecção. Mas, quando se espalha por diversos órgãos ao mesmo tempo, pode levar o paciente à morte. Esta resposta descontrolada do sistema imunológico acontece devido à sepse, antigamente conhecida como infecção generalizada. Estima-se que cerca de 25% dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Brasil sejam ocupados por pacientes com esse quadro, e mais da metade dessas pessoas (56%) morrem, segundo o Instituto Latino-americano de Sepse.

 

Liderada pelo professor Dario Zamboni, da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto, a pesquisa se debruçou sobre a bactéria Coxiella burnetii. Os cientistas identificaram nesse micro-organismo um gene que foi denominado icaA, que, por sua vez, expressa a proteína IcaA (do inglês inhibition of caspase activation, ou “inibição da ativação da caspase”, numa tradução livre ). Esta molécula, conforme revelou o estudo, é capaz de impedir a ativação da caspase-11, enzima que permite o início do processo inflamatório. Segundo Zamboni, a pesquisa, detalhada na publicação científica “Nature Communications”, abre a perspectiva de tratar doenças como a sepse usando drogas que contenham o princípio da IcaA. Ele acha também que, possivelmente, proteínas “irmãs” desta tenham a mesma capacidade.

 

— Nosso estudo vai continuar, e espero que, nos próximos dois anos, identifiquemos outras proteínas como a IcaA. A Coxiella burnetii secreta mais de 80 proteínas, a grande maioria desconhecida. Então, acredito que muitas delas tenham as mesmas características e também inibam inflamações — comenta Zamboni, que é professor do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos.

 

EXPECTATIVA DE NOVOS REMÉDIOS

 

O caminho até a produção de um medicamento que tire proveito da IcaA e chegue aos hospitais e ao mercado, no entanto, ainda vai ser longo.

 

— O processo é demorado porque é preciso cumprir muitas fases de testes, ter aprovação da vigilância sanitária, conseguir investimento de alguma empresa — diz Zamboni.

 

A C. burnetii é conhecida de longa data da comunidade científica. Ela, porém, só começou a ser estudada a fundo na última década, após a decodificação de seu genoma, em 2003. A partir daí, ficou mais fácil manipulá-la e cultivá-la em laboratório para testes. A bactéria é encontrada em secreções de animais de criação, como porcos e vacas. O ser humano que tem contato com urina, leite ou fezes desses bichos pode se infectar por via inalatória, já que a Coxiella burnetii se espalha no ar.

 

— Ela é conhecida por ser muito virulenta. Estima-se que menos de quatro bactérias dessa espécie são suficientes para deixar uma pessoa doente, ao contrário da maioria das outras infecções, que só se formam a partir de uma grande quantidade de bactérias — esclarece o pesquisador, referindo-se à febre Q, causada pela C. burnetii e considerada uma das doença mais infecciosas do mundo.

 

Para Zamboni, o estudo ajuda a entender por que a C. burnetii é tão patogênica.

 

— Essa bactéria deve usar várias proteínas para enganar o sistema de defesa do corpo, e agora mostramos que a IcaA é uma delas — explica o pesquisador. — O ideal seria conseguir usar essa característica a favor de quem sofre de doenças infecciosas graves, como a sepse, que não mata apenas durante sua fase aguda, mas até mesmo anos depois, quando a pessoa pode vir a ter uma imunossupressão severa.

 

CRIANÇAS E IDOSOS TÊM MAIS RISCO

 

Atualmente, o único modo de se tratar a sepse é com antibióticos, que precisam ser administrados o mais cedo possível. Por isso, é importante que o diagnóstico seja feito rapidamente.

 

— Se demorar algumas horas para o paciente começar a receber antibióticos, pode ser tarde demais — ressalta Zamboni.

 

A sepse é popularmente conhecida como infecção generalizada, mas o vice-presidente do Instituto Latino-americano de Sepse, Luciano Azevedo, explica que isto é um equívoco. A síndrome é uma resposta inadequada do organismo a uma infecção grave. Pode acontecer, por exemplo, quando uma pessoa tem uma pneumonia. Na sepse, ao combater a infecção, o organismo gera uma série de inflamações nos órgãos do paciente.

 

— É importante salientar que qualquer pessoa pode ter sepse, que pode ocorrer por causa de infecções adquiridas no dia a dia ou durante internações, as chamadas infecções hospitalares. Mas, em geral, crianças e idosos têm maior risco, assim como pacientes com doenças crônicas que afetam a imunidade, como diabetes, câncer, Aids, insuficiência renal crônica etc — destaca ele.

 

CERCA DE 650 MIL CASOS AO ANO

 

Azevedo afirma, ainda, que é difícil ter estatísticas precisas sobre essa doença. Mesmo países desenvolvidos, conta ele, não têm números de casos ou de mortalidade completamente confiáveis.

 

— Com base em dados mundiais extrapolados para o Brasil, acreditamos que, em nosso país, temos por volta de 650 mil casos de sepse ao ano, sendo que esses números estão provavelmente subestimados — avalia.

 

De acordo com Azevedo, a dificuldade de se reverter um quadro de sepse se deve à falta de entendimento sobre os mecanismos da doença, o que pode ser mudado com a ajuda de pesquisas como a desenvolvida pela USP.

 

— Não sabemos ainda por que a presença de uma bactéria causa a resposta inadequada do organismo e por que essa resposta pode levar à morte, independentemente de a bactéria ter sido controlada ou não. Assim, estudos como este são importantes para encontrarmos alvos de tratamento — destaca o especialista, que também é diretor científico da Sociedade Paulista de Terapia Intensiva.

 

Fonte: O Globo

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TRANSMISSÃO DO HIV DE MÃE PARA FILHO FOI ELIMINADA EM 17 PAÍSES, DIZ OMS

Apesar de progresso, Brasil ainda não erradicou transmissão de mãe para filho

BOGOTÁ — Dados de 17 países e territórios nas Américas, incluindo os Estados Unidos, Canadá e Chile, mostram que essas nações podem ter eliminado a transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Esses países foram capazes de cortar a transmissão de mãe para filho do HIV ao melhorar o acesso das mulheres grávidas ao pré-natal, testes de HIV e tratamento antirretroviral, segundo a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da agência da ONU nas Américas.

 

O Brasil não faz parte dos países com dados que indicam a erradicação da transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, segundo as organizações de saúde. O país aparece nos grupos de nações que fizeram progresso e estão próximas de eliminar, mas ainda não eliminaram a transmissão.

 

Os 17 países e territórios que possivelmente atingiram a eliminação, incluindo várias ilhas do Caribe, informaram “dados consistentes com a dupla eliminação” de HIV e sífilis. De acordo com os dados da Opas e da OMS, os nascimentos nesses países representam cerca de um terço de todos os nascimentos na região.

 

“Os países das Américas têm feito enormes esforços para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, o que reduziu o número de novas infecções pela metade desde 2010”, disse Carissa Etienne, chefe da Opas/OMS, em um comunicado.

 

As organizações de saúde consideram que um país eliminou a transmissão das duas doenças de mãe para filho após um processo de validação que verifica se essas metas foram efetivamente alcançadas. Em junho, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS de eliminação da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho.

 

Ainda nas Américas, 2.500 crianças nasceram no ano passado com o HIV, o vírus que causa a Aids, de acordo com a Opas/OMS. Garantir que as mulheres grávidas obtenham testes de HIV e tratamento antirretroviral, caso sejam soropositivas, é fundamental para prevenir a transmissão de mãe para filho. Se não forem tratadas, as mulheres HIV positivas têm um risco de 15% a 45% de transmitir o vírus para seus bebês durante a gravidez, parto ou amamentação, observam as entidades.

 

Estima-se que 2 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe estejam vivendo com o HIV, e que houve cerca de 100 mil novas infecções por HIV na região no ano passado. Segundo a Opas/OMS, a maioria dessas infecções se deu em adultos, principalmente homens homossexuais, homens transgêneros e prostitutas e seus clientes. Cerca de 30% das pessoas que vivem com HIV na América Latina e no Caribe não sabem que são HIV positivas.

 

“Se queremos acabar com o HIV em 2030, precisamos acelerar as ações de prevenção e acesso ao tratamento, com foco em populações-chave, e aumentar o investimento e recursos”, disse Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças transmissíveis da Opas/OMS.

 

Fonte: O Globo

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CIENTISTAS DECIFRAM O GENOMA DO BARBEIRO

Análises sobre o inseto podem ajudar no combate à Doença de Chagas

RIO – Uma equipe internacional de cientistas, com a participação de pesquisadores de diversas instituições brasileiras, sequenciou e analisou pela primeira vez o genoma do inseto Rhodnius prolixus, uma das espécies dos popularmente conhecidos como barbeiros e apontados como principais vetores da Doença de Chagas. Segundo os cientistas, os dados apontam características únicas deste grupo da subfamília dos Triatomíneos e podem ajudar no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção da transmissão do mal provocado pelo parasita Trypanosoma cruzi, que afeta cerca de sete milhões de pessoas no mundo, a maioria na América Latina.

 

De acordo com o estudo, publicado na edição de ontem do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Science” (PNAS), o genoma do barbeiro apresenta diversas regiões “estendidas” na comparação com os de outros insetos transmissores de doenças que explicam sua evolução para se tornar hematófago, isto é, que se alimenta de sangue. Nestas regiões estão genes responsáveis pela produção de proteínas para identificação de odores que os ajudariam a encontrar suas presas, além de proteínas na saliva com propriedades anticoagulantes e anestésicas que permitem ao barbeiro se alimentar sem ser notado, e proteínas no sistema digestivo para que ele possa digerir o sangue de suas vítimas.

 

Mas o dado que chamou mais a atenção dos pesquisadores, e que tem o potencial de auxiliar no combate ao Chagas, é a relação “silenciosa” que se estabelece entre o sistema imunológico do barbeiro e o protozoário causador da doença. Experimentos iniciais que bloquearam duas das mais comuns vias de reação imunológica existentes nos insetos, e também nos barbeiros, não tiveram influência na contagem dos parasitas no seu abrigo, o sistema digestivo dos barbeiros. Os cientistas, porém, esperam que futuros estudos com base nos dados do genoma encontrem maneiras de afetar esta relação para evitar ou dificultar que os barbeiros transmitam Chagas.

 

— Já estamos com um trabalho em curso para saber quais genes do barbeiro são mais ou menos expressos (ativos) com a presença do parasita — conta Rafael Dias Mesquita, professor do Instituto de Química da UFRJ e primeiro autor do estudo na PNAS. — Como as vias de imunidade comuns do inseto não controlam a presença do parasita, isso pode nos dar dicas de como os dois organismos interagem e abrir caminho para algum tipo de prevenção do Chagas ao interferirmos de alguma forma nesta relação.

 

Fonte: O Globo

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SUBSTÂNCIAS PRESENTES NO PLÁSTICO PODEM GERAR “CURTO-CIRCUITO” HORMONAL

Segundo pesquisadores, desreguladores endócrinos seriam causa de diabetes, obesidade e outros problemas

RIO — Elas nos acompanham dos primeiros aos últimos dias de vida. De aparência inofensiva, estão presentes na natureza e em produtos químicos, como os usados em plásticos. Compõem da mamadeira a garrafas PET. Mas são capazes de provocar danos sérios ao organismo com o passar dos anos, alertam cientistas e médicos. Na lista de seus possíveis efeitos estão obesidade, diabetes, infertilidade masculina, câncer e menstruação precoce. Receberam o nome pouco amistoso de desreguladores hormonais, e é exatamente isso o que fazem, causam um curto-circuito nos hormônios. Os efeitos perigosos dessas substâncias na saúde figuram entre os destaques da XXX Reunião da Federação das Sociedades de Biologia Experimental, que acontece esta semana na Universidade de São Paulo (USP) e reúne mais de mil cientistas do país.

 

À frente de estudos pioneiros sobre desreguladores hormonais está a medica Denise Pires de Carvalho, do Laboratório de Fisiologia Endócrina do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, ela e sua equipe investigam como o bisfenol e os ftalatos, dois dos tipos mais comuns de desreguladores endócrinos, afetam a tireoide e o metabolismo. Os resultados das pesquisas indicam uma forte ligação com a obesidade e a diabetes.

 

BANIDAS NOS EUA E NA EUROPA

 

A suspeita sobre o bisfenol e os ftalatos não é nova. Tanto que foram banidos nos Estados Unidos e na Europa, com base em estudos populacionais. Porém, no Brasil seu uso é liberado. Inclusive em vasta gama de produtos infantis, como mordedores. Trabalhos como o de Denise, que revelam como é a ação dessas substâncias sobre o organismo, comprovam os efeitos nocivos e abrem caminho para encontrar formas de combater suas consequências.

 

— O Brasil precisa de uma regulação mais forte sobre essas substâncias. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tem sido atuante, mas não basta só isso — afirma a médica e cientista.

 

Em investigação com culturas de células e, depois, com animais, Denise e seu grupo viram que tanto o bisfenol quanto os ftalatos bloqueiam a ação de enzimas chamadas desiodases. Elas são essenciais para que o corpo produza o hormônio tireoidiano T3. Este hormônio está ligado ao crescimento, à memória e à cognição e também é fundamental para o controle do gasto energético. Está presente na gordura marrom, conhecida como gordura do bem, associada à queima de calorias em excesso.

 

— Nossa hipótese é que muitos casos de obesidade e diabetes do tipo 2 podem estar relacionados ao uso de produtos com ftalatos e bisfenol. Na verdade, essas substâncias já foram encontradas no organismo de pessoas obesas e também em diabéticas — explica Denise.

 

IMPACTO CARDÍACO PODE OCORRER

 

Uma hipótese que os pesquisadores também buscam comprovar é que os desreguladores hormonais podem ser transmitidos através das gerações. Desde os anos 70, tem sido observada maior incidência de casos de infertilidade masculina, menstruação precoce, cânceres de testículo e tireoide, além de obesidade e diabetes do tipo 2. A presença cada vez maior dessas substâncias no cotidiano é vista como uma das possíveis causas.

 

— Ainda há muito o que estudar. Temos investigado substâncias presentes em plásticos, mas inseticidas domésticos e pesticidas também as contém. São muito comuns e afetam o corpo de numerosas formas — salienta Denise.

 

O grupo dela estuda o impacto dos desreguladores na tireoide. Mas há muitas outras implicações.

 

— Um dos trabalhos que será apresentado aqui mostra os efeitos dessas substâncias no risco cardíaco. Conhecer esses compostos melhor é uma questão fundamental de saúde pública — diz a pesquisadora.

 

Fonte: O Globo

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CIENTISTAS CRIAM DROGA QUE ‘ALTERA’ DNA E INIBE EVOLUÇÃO DO CÂNCER

Grupo da UnB espera liberação de R$ 170 mil para seguir com estudo.

Cientistas da Universidade de Brasília desenvolveram uma droga capaz de alterar a estrutura do DNA e assim evitar a multiplicação de células com câncer. A pesquisa começou há quatro anos, e o grupo aguarda atualmente a liberação de R$ 170 mil para prosseguir com o estudo. A expectativa é de que o remédio já esteja no mercado daqui a 12 anos.

 

De acordo com os pesquisadores, a descoberta partiu da ideia de enxergar o nucleossomo – unidade da cromatina, que compacta o DNA dentro da célula – como alvo terapêutico. O medicamento atua conectado a ele, modulando a abertura e fechamento das fitas de informação genética. Assim, ele interfere na interação entre o DNA e proteínas, podendo “barrar” o que não é desejado, como o câncer.

 

A tecnologia não impede o surgimento da doença, mas evita que células com informações genéticas não desejadas se reproduzam. “No câncer, por exemplo, temos uma alta proliferação celular, e isso acontece porque a expressão de vários genes está desregulada na célula. Se regulamos essa disfunção, tratamos o câncer”, explica a biomédica e doutoranda em patologia molecular Isabel Torres.

 

“Não esperamos que esta nova classe de drogas cure a doença, mas, sem dúvida, ela representa uma esperança aos pacientes que não respondem a terapias tradicionais. A ideia é associar estas novas moléculas a outras drogas disponíveis no mercado para obtenção de uma melhor resposta clínica”, completa.

 

Orientador da pesquisa, o professor e médico Guilherme Santos afirma acreditar que o procedimento possa ser utilizado contra vários tipos de câncer, como o gliobastoma (no cérebro) o melanoma (na pele), além de doenças hormonais e obesidade. Os primeiros resultados do trabalho foram publicados na revista “Trends in Pharmacological Sciences – Cell” no final de março.

 

A próxima etapa envolve testes em camundongos e ainda não tem data para acontecer por falta de recursos. Para recrutar investidores enquanto esperam dinheiro de fundos de pesquisa, os cientistas criaram a startup Nucleosantos Therapeutics. A ideia é que ela descubra e desenvolva mais moléculas que possam se ligar a nucleossomos.

 

Isabel afirma que a nova tecnologia surge como alternativa para pacientes que perderam as esperanças nos tratamentos convencionais. “Como cientista, acreditamos que esta estratégia inovadora terá um grande impacto na forma de observar o funcionamento celular e com isto poder intervir precisamente em distúrbios celulares. É incrível observar que poderemos modular diretamente a expressão gênica e, consequentemente, o conteúdo proteico das células.”

 

Etapas

 

A pesquisa foi dividida basicamente em quatro etapas: desenho e simulações das potenciais drogas; experimentos que demonstrem a interferência nas interações feitas pelo DNA; experimentos em animais; e testes em seres humanos. Os cientistas já gastaram R$ 70 mil, de financiamento do governo federal, além de aproveitar parte do material usado na pesquisa de Santos no pós-dourado na Inglaterra – avaliado em R$ 60 mil.

 

Ainda não há definição sobre o formato do novo medicamento, mas a equipe estuda testá-la tanto via oral quanto injetável. “Precisamos de financiamento para podermos avançar nesta pesquisa. Seria ótimo podermos contar com dinheiro de doações de empresas e pessoas ricas – milionários com ações filantrópicas –, a exemplo do que ocorre em outras grandes universidades, como Harvard e Cambridge”, diz a biomédica.

 

Fonte: G1

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COMISSÃO DE BIOSSEGURANÇA AUTORIZA TERCEIRA FASE DE TESTES DA VACINA CONTRA DENGUE

Eficácia do produto 100% brasileiro será testada em cerca de 17 mil pessoas

RIO – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira, a terceira fase de testes para a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O objetivo desta etapa é estudar a eficácia do produto em cerca de 17 mil pessoas entre 2 e 59 anos.

 

A CTNBio, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é responsável pela aprovação de estudos de medicamentos que contêm organismos geneticamente modificados.

 

A vacina do Butantan é 100% brasileira e usa diferentes tipos do vírus da dengue alterados geneticamente. As doses são tetravalentes, ou seja, têm potencial para proteger contra os quatro tipos da doença com uma única dose. Na segunda fase de testes da vacina, aplicada em cerca de 200 voluntários humanos, os resultados foram considerados satisfatórios pelo instituto e pela CTNBio.

 

A previsão do Butantan é que a última rodada de testes comece em setembro deste ano, mas isso ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A terceira fase deve durar cerca de um ano. Em abril, o instituto protocolou na Anvisa uma solicitação, ainda não respondida, para antecipar a fase final de testes.

 

Os resultados da terceira fase serão apresentados novamente à CTNBio. Se a eficácia for comprovada, a vacina seguirá para a Anvisa para registro comercial.

 

Fonte: O Globo

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CÉREBRO MAIS OU MENOS ENRUGADO?

Brasileiros descobrem fórmula que explica a relação

RIO – Nos livros de biologia, a aparência “enrugada” do cérebro humano é explicada pela necessidade de encaixar seu grande córtex – as partes mais externas do órgão, responsáveis por nossas mais avançadas funções cognitivas – no limitado espaço disponível na caixa craniana. Isso permitiria que o córtex cerebral tivesse um maior número de neurônios, o que se traduziria em uma maior inteligência. O problema é que esta intuitiva hipótese carecia de testes e comprovação, principalmente tendo em vista o fato de que alguns mamíferos, em especial cetáceos, como baleias e golfinhos, e elefantes terem cérebros não só maiores como mais “enrugados” do que os humanos, mas menos neurônios corticais, enquanto outros com córtex também grandes e desenvolvidos não apresentam estas dobras, como os peixes-boi.

 

Diante disso, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, chefe do Laboratório de Neuroanatomia Comparada do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e o físico Bruno Mota, professor também na UFRJ, tiveram uma ideia: e se a proporção das chamadas circunvoluções cerebrais, isto é, o “índice de girificação” do cérebro, não tivesse nada a ver com o número de neurônios no córtex em si, mas fosse sim uma simples função entre sua área e espessura, tal qual uma folha de papel pode ser amassada em um volume menor e com mais dobras do que duas, quatro, seis, oito ou mais folhas empilhadas, mantendo a mesma área total de superfície, e só então amassadas?

 

 

CÓRTEX CEREBRAL SE DEFORMA ATÉ UM FORMATO CONFORTÁVEL

 

Após analisarem dados sobre a morfologia e número de neurônios do córtex de dezenas de espécies de mamíferos – desde as que têm cérebros pequenos sem dobras (lisencefálicos), como camundongos, às com cérebros grandes e com muitas dobras (girencefálicos), como humanos, cetáceos e elefantes -, os cientistas brasileiros descobriram uma fórmula, inspirada no processo de amassar folhas de papel, que consegue não só explicar porquê alguns animais não têm ou têm mais ou menos giros cerebrais como prever o seu desenvolvimento em exemplares adultos das mais diversas espécies de mamíferos, além de finalmente encaixar num mesmo padrão os chamados “pontos fora da curva” das hipóteses anteriores sobre isso, ou seja, os próprios humanos, cetáceos, elefantes e peixes-boi.

 

- É física pura – conta Suzana, principal autora de artigo sobre a descoberta, publicado na edição desta quinta-feira da respeitada revista “Science”. – Durante seu crescimento, o córtex é submetido a diversas forças que atuam de fora para dentro e de dentro para fora, como a pressão do líquido cefalorraquidiano e a resistência das fibras nervosas, similares às que uma folha de papel sofre ao ser amassada. Isso faz com que o córtex acabe por assumir uma configuração de menor energia livre, isto é, ele vai se deformando e ajustando a estas forças até ficar com o formato mais “confortável” e estável possível.

 

O grande diferencial, segundo Suzana, é que este estudo mostramos que isso resulta de uma combinação entre a área de superfície do córtex e sua espessura, numa fórmula que pôde ser testada de fato, fazer previsões e fornecer uma explicação mecânica para o que observamos na natureza.

 

- Assim, revelamos que espécies que antes eram consideradas exceções, pontos fora da curva, na verdade não são nada disso. O cérebro do peixe-boi não tem dobras porque seu córtex é muito grosso para a superfície disponível, enquanto que nos cetáceos o córtex é muito fino em relação à superfície, e por isso fica bem “amassado” – diz.

 

Fonte: O Globo

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PESQUISADORES DESCOBREM VASOS QUE LIGAM CÉREBRO HUMANO A SISTEMA IMUNOLÓGICO DO CORPO

Novidade pode revolucionar os estudos e tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo e a doença de Alzheimer

RIO — Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Virginia (UVA, na sigla em inglês) anunciaram uma descoberta que, segundo eles, pode levar a uma alteração na literatura médica, e mudar a abordagem sobre tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo, o Alzheimer e a esclerose múltipla. De acordo com um estudo publicado esta semana na revista científica “Nature”, especialistas determinaram que o cérebro humano está diretamente ligado ao sistema imunológico do corpo por meio de vasos até então desconhecidos.

 

 

A descoberta foi possível pelo trabalho de Antonine Louveau, um pós-doutorado integrante do laboratório do Centro da Imunologia do Cérebro e Glia (BIG, na sigla em inglês) da UVA. Os vasos recém-encontrados foram detectados depois que Louveau desenvolveu um método para montar as meninges — o sistema das membranas que revestem o sistema nervoso central — de camundongos em um único slide para que pudessem ser examinadas de uma vez.

 

Após notar padrões de vasos na distribuição das células imunológicas em seu slide, ele realizou um teste para vasos linfáticos e os encontrou. De acordo com ele, os vasos passaram desapercebidos antes por pesquisadores porque estão “muito bem escondidos”, e por seguirem um grande vaso sanguíneo até um sistema de cavidades no crânio — uma região difícil de ser visualizada.

 

Para Kevin Lee, diretor do Departamento de Neurociência da UVA, a descoberta é revolucionária:

 

— A primeira vez que me mostraram esse resultado básico, eu só consegui falar uma frase: vão ter que mudar os livros. Nunca houve um sistema linfático para o sistema nervoso central, e ficou claro a partir desta primeira observação, e eles já realizaram diversos novos estudos para fortalecerem-na, que ela mudará fundamentalmente o modo como as pessoas olham para a relação entre o sistema nervoso central e a sua relação com o sistema imunológico.

 

De acordo com Jonathan Kipnis, professor do Departamento de Neurociência e diretor do BIG, a novidade “muda inteiramente o jeito como percebemos a interação neura-imunológico”.

 

— Sempre a percebemos como algo esotérico, que não poderia ser estudado. Agora podemos fazer perguntas mecanicistas. Nós acreditamos que para cada doença neurológica que possui um componente imunológico, esses vasos desempenham um importante papel. É difícil imaginar que esses vasos não estariam envolvidos em doenças (neurológicas) com um componente imunológico — afirmou Kipnis.

 

A descoberta inesperada dá início a uma série de perguntas que precisam ser respondidas, tanto sobre o modo como o cérebro trabalha, como sobre as doenças que o afligem. Um exemplo é a doença de Alzheimer.

 

— No Alzheimer, há acumulações de grandes pedaços de proteína no cérebro. Nós achamos que elas se acumulam porque não estão sendo removidas de forma eficiente por esses vasos — exemplifica Kipnis.

 

Fonte: O Globo

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