COMISSÃO DE BIOSSEGURANÇA AUTORIZA TERCEIRA FASE DE TESTES DA VACINA CONTRA DENGUE

Eficácia do produto 100% brasileiro será testada em cerca de 17 mil pessoas

RIO – A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou, nesta quinta-feira, a terceira fase de testes para a vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. O objetivo desta etapa é estudar a eficácia do produto em cerca de 17 mil pessoas entre 2 e 59 anos.

 

A CTNBio, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, é responsável pela aprovação de estudos de medicamentos que contêm organismos geneticamente modificados.

 

A vacina do Butantan é 100% brasileira e usa diferentes tipos do vírus da dengue alterados geneticamente. As doses são tetravalentes, ou seja, têm potencial para proteger contra os quatro tipos da doença com uma única dose. Na segunda fase de testes da vacina, aplicada em cerca de 200 voluntários humanos, os resultados foram considerados satisfatórios pelo instituto e pela CTNBio.

 

A previsão do Butantan é que a última rodada de testes comece em setembro deste ano, mas isso ainda depende de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A terceira fase deve durar cerca de um ano. Em abril, o instituto protocolou na Anvisa uma solicitação, ainda não respondida, para antecipar a fase final de testes.

 

Os resultados da terceira fase serão apresentados novamente à CTNBio. Se a eficácia for comprovada, a vacina seguirá para a Anvisa para registro comercial.

 

Fonte: O Globo

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CÉREBRO MAIS OU MENOS ENRUGADO?

Brasileiros descobrem fórmula que explica a relação

RIO – Nos livros de biologia, a aparência “enrugada” do cérebro humano é explicada pela necessidade de encaixar seu grande córtex – as partes mais externas do órgão, responsáveis por nossas mais avançadas funções cognitivas – no limitado espaço disponível na caixa craniana. Isso permitiria que o córtex cerebral tivesse um maior número de neurônios, o que se traduziria em uma maior inteligência. O problema é que esta intuitiva hipótese carecia de testes e comprovação, principalmente tendo em vista o fato de que alguns mamíferos, em especial cetáceos, como baleias e golfinhos, e elefantes terem cérebros não só maiores como mais “enrugados” do que os humanos, mas menos neurônios corticais, enquanto outros com córtex também grandes e desenvolvidos não apresentam estas dobras, como os peixes-boi.

 

Diante disso, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, chefe do Laboratório de Neuroanatomia Comparada do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e o físico Bruno Mota, professor também na UFRJ, tiveram uma ideia: e se a proporção das chamadas circunvoluções cerebrais, isto é, o “índice de girificação” do cérebro, não tivesse nada a ver com o número de neurônios no córtex em si, mas fosse sim uma simples função entre sua área e espessura, tal qual uma folha de papel pode ser amassada em um volume menor e com mais dobras do que duas, quatro, seis, oito ou mais folhas empilhadas, mantendo a mesma área total de superfície, e só então amassadas?

 

 

CÓRTEX CEREBRAL SE DEFORMA ATÉ UM FORMATO CONFORTÁVEL

 

Após analisarem dados sobre a morfologia e número de neurônios do córtex de dezenas de espécies de mamíferos – desde as que têm cérebros pequenos sem dobras (lisencefálicos), como camundongos, às com cérebros grandes e com muitas dobras (girencefálicos), como humanos, cetáceos e elefantes -, os cientistas brasileiros descobriram uma fórmula, inspirada no processo de amassar folhas de papel, que consegue não só explicar porquê alguns animais não têm ou têm mais ou menos giros cerebrais como prever o seu desenvolvimento em exemplares adultos das mais diversas espécies de mamíferos, além de finalmente encaixar num mesmo padrão os chamados “pontos fora da curva” das hipóteses anteriores sobre isso, ou seja, os próprios humanos, cetáceos, elefantes e peixes-boi.

 

- É física pura – conta Suzana, principal autora de artigo sobre a descoberta, publicado na edição desta quinta-feira da respeitada revista “Science”. – Durante seu crescimento, o córtex é submetido a diversas forças que atuam de fora para dentro e de dentro para fora, como a pressão do líquido cefalorraquidiano e a resistência das fibras nervosas, similares às que uma folha de papel sofre ao ser amassada. Isso faz com que o córtex acabe por assumir uma configuração de menor energia livre, isto é, ele vai se deformando e ajustando a estas forças até ficar com o formato mais “confortável” e estável possível.

 

O grande diferencial, segundo Suzana, é que este estudo mostramos que isso resulta de uma combinação entre a área de superfície do córtex e sua espessura, numa fórmula que pôde ser testada de fato, fazer previsões e fornecer uma explicação mecânica para o que observamos na natureza.

 

- Assim, revelamos que espécies que antes eram consideradas exceções, pontos fora da curva, na verdade não são nada disso. O cérebro do peixe-boi não tem dobras porque seu córtex é muito grosso para a superfície disponível, enquanto que nos cetáceos o córtex é muito fino em relação à superfície, e por isso fica bem “amassado” – diz.

 

Fonte: O Globo

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PESQUISADORES DESCOBREM VASOS QUE LIGAM CÉREBRO HUMANO A SISTEMA IMUNOLÓGICO DO CORPO

Novidade pode revolucionar os estudos e tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo e a doença de Alzheimer

RIO — Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Virginia (UVA, na sigla em inglês) anunciaram uma descoberta que, segundo eles, pode levar a uma alteração na literatura médica, e mudar a abordagem sobre tratamentos de doenças neurológicas, como o autismo, o Alzheimer e a esclerose múltipla. De acordo com um estudo publicado esta semana na revista científica “Nature”, especialistas determinaram que o cérebro humano está diretamente ligado ao sistema imunológico do corpo por meio de vasos até então desconhecidos.

 

 

A descoberta foi possível pelo trabalho de Antonine Louveau, um pós-doutorado integrante do laboratório do Centro da Imunologia do Cérebro e Glia (BIG, na sigla em inglês) da UVA. Os vasos recém-encontrados foram detectados depois que Louveau desenvolveu um método para montar as meninges — o sistema das membranas que revestem o sistema nervoso central — de camundongos em um único slide para que pudessem ser examinadas de uma vez.

 

Após notar padrões de vasos na distribuição das células imunológicas em seu slide, ele realizou um teste para vasos linfáticos e os encontrou. De acordo com ele, os vasos passaram desapercebidos antes por pesquisadores porque estão “muito bem escondidos”, e por seguirem um grande vaso sanguíneo até um sistema de cavidades no crânio — uma região difícil de ser visualizada.

 

Para Kevin Lee, diretor do Departamento de Neurociência da UVA, a descoberta é revolucionária:

 

— A primeira vez que me mostraram esse resultado básico, eu só consegui falar uma frase: vão ter que mudar os livros. Nunca houve um sistema linfático para o sistema nervoso central, e ficou claro a partir desta primeira observação, e eles já realizaram diversos novos estudos para fortalecerem-na, que ela mudará fundamentalmente o modo como as pessoas olham para a relação entre o sistema nervoso central e a sua relação com o sistema imunológico.

 

De acordo com Jonathan Kipnis, professor do Departamento de Neurociência e diretor do BIG, a novidade “muda inteiramente o jeito como percebemos a interação neura-imunológico”.

 

— Sempre a percebemos como algo esotérico, que não poderia ser estudado. Agora podemos fazer perguntas mecanicistas. Nós acreditamos que para cada doença neurológica que possui um componente imunológico, esses vasos desempenham um importante papel. É difícil imaginar que esses vasos não estariam envolvidos em doenças (neurológicas) com um componente imunológico — afirmou Kipnis.

 

A descoberta inesperada dá início a uma série de perguntas que precisam ser respondidas, tanto sobre o modo como o cérebro trabalha, como sobre as doenças que o afligem. Um exemplo é a doença de Alzheimer.

 

— No Alzheimer, há acumulações de grandes pedaços de proteína no cérebro. Nós achamos que elas se acumulam porque não estão sendo removidas de forma eficiente por esses vasos — exemplifica Kipnis.

 

Fonte: O Globo

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BRASILEIROS REVELAM COMO FUNCIONAM MÉTODOS PARA DESDOBRAR PROTEÍNAS

‘Origami da vida’ pode ajudar nas pesquisas para tratamentos de diversas doenças

RIO – Na tradicional arte japonesa do Origami, uma folha de papel é dobrada em locais e de maneiras específicas para criar formas variadas, como um tsuru (espécie de cegonha, o “pássaro da felicidade” no Japão). Com as proteínas, acontece algo similar. Compostas por dezenas a até milhares de átomos unidos em longas cadeias de aminoácidos, elas precisam se dobrar para assumir os formatos necessários a fim de cumprir suas diversas funções vitais em nossos organismos. E, também como no Origami, erros neste processo de dobradura prejudicam o trabalho e impedem que se chegue ao resultado final esperado. Mas, enquanto na arte japonesa basta jogar o papel no lixo e começar tudo de novo, em nossos corpos estas proteínas defeituosas podem se acumular, levando ao aparecimento de doenças como Alzheimer, Parkinson, Huntington e câncer.

 

 

E, como no papel do Origami, uma maneira de descobrir onde ocorreram essas falhas é desdobrar meticulosamente as proteínas. Atualmente, os cientistas usam dois métodos principais para isso, um físico e outro químico. No primeiro, as proteínas se abrem quando submetidas a altas pressões e/ou temperaturas, enquanto no segundo são desdobradas ao serem mergulhadas em ureia ou outros compostos. Não se sabia, porém, como exatamente estes métodos funcionam em nível molecular, nem os estágios intermediários de dobradura possíveis de alcançar com eles quando usados em separado e juntos. Mas, graças ao trabalho de dois pesquisadores brasileiros, este quadro agora está mais nítido.

 

Em artigo publicado na edição desta semana do periódico científico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), Jerson Lima Silva e Guilherme Augusto de Oliveira, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, mostram que o método físico de alta pressão “empurra” a água que envolve as proteínas para dentro da molécula, forçando-as a se abrir “de dentro para fora”, enquanto no químico a ureia substitui esta água e “puxa” as partes da proteína, também a abrindo, mas “de fora para dentro”. Além disso, eles demonstraram que, embora o resultado final de ambos os processos seja igual, com a proteína totalmente aberta, os estágios intermediários apresentados por cada um deles podem ser diferentes. Segundo Silva, as descobertas podem ajudar a melhorar os dois métodos quando usados isolados ou em conjunto, e assim revelar falhas em vários estágios intermediários de dobradura das proteínas que podem se tornar alvos mais fáceis para o tratamento e prevenção de pelo menos 50 doenças ligadas a problemas neste processo.

 

— Atacar a forma final de uma proteína já dobrada errado tem menos chances de dar certo, e nossas descobertas dão a oportunidade de descobrir estados intermediários que seriam alvos mais fáceis — diz Silva. — Nossas células, por exemplo, têm mecanismos naturais de controle de qualidade que podem ser cooptados para isso.

Fonte: O Globo

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TERREMOTOS EM SÉRIE INTRIGAM PÚBLICO E CIENTISTAS

Sequência de grandes tremores desde 2004 levanta suspeitas de que eventos podem estar ligados

RIO – O forte terremoto que atingiu o Nepal no último fim de semana pode ser apenas o mais recente de uma série de grandes tremores que aflige o mundo desde dezembro de 2004 e intriga os cientistas e o público em geral. Naquele ano, um abalo de magnitude 9,1 na região das Ilhas Andaman, na costa Oeste de Sumatra, Indonésia, provocou um tsunami que deixou mais de 220 mil mortos em países em torno do Oceano Índico. Este sismo marcaria o início de uma sequência de eventos devastadores que sacudiram do Chile ao Japão, passando por China, Haiti e Itália, com um total de vítimas fatais que chegaria a mais de 600 mil, numa sucessão de tragédias que levanta suspeitas de que estes terremotos poderiam estar interligados.

 

Até 2004, o último terremoto com magnitude acima de 9 tinha sido registrado no Alasca cerca de 40 anos antes, ele mesmo parte de uma estranha sequência de tremores poderosos iniciada em 1950, quando um sismo de magnitude 8,6 sacudiu o Tibete. Como agora, esta série de fortes abalos no início da segunda metade do século XX pareceu estar concentrada em um período relativamente curto de tempo, de não mais de 15 anos. Segundo os cientistas, esta aparente aglomeração (clustering, no termo em inglês) de grandes terremotos globais pode não passar de uma simples coincidência — mas também pode ser indício da existência de mecanismos que fazem com que um deles precipite a ocorrência de outro mesmo a enormes distância. Mecanismos que desafiam os atuais conhecimentos sobre o funcionamento e o comportamento das placas tectônicas que formam a crosta terrestre.

 

— O histórico destes aparentes ciclos é suspeito, mas até agora não temos evidências de que tais mecanismos de fato existam além desta observação — diz Tom Larsen, líder de arquitetura de produtos de modelagem e previsão de catástrofes da CoreLogic EQECAT, empresa de análise de dados que presta consultoria a companhias seguradoras e de resseguros, entre outras. — Sabemos e entendemos muito bem como grandes terremotos podem ser precedidos por abalos menores e sucedidos por uma miríade de abalos secundários, os chamados aftershocks, em nível local e regional, mas em nível global ainda não temos conhecimento suficiente nem para provar nem para derrubar esta hipótese.

 

MOVIMENTO MACIÇO DA CROSTA

 

Segundo Larsen, a ideia geral desta hipótese é que, num tremor em grande escala, o movimento maciço da crosta terrestre pode transmitir energia a grandes distâncias, o suficiente para que uma falha em uma região afastada do planeta atinja seu limite e se rompa, deflagrando outro forte terremoto.

 

— O conceito básico por trás disso é que a liberação da energia em uma área aumenta a pressão em outra, mesmo que muito distante, mas isso teria que se dar de uma maneira que não sabemos ou vai de encontro ao que conhecemos sobre o comportamento da Terra — conta. — Assim, a observação destes aparentes ciclos de grandes terremotos não é ilógica ou irracional, mas o fato é que precisamos de mais informação e estudos para fazer qualquer ligação direta entre eles.

 

Já Robert Yeats, professor da Universidade do Estado de Oregon, nos EUA, e especialista em geologia de terremotos e placas tectônicas, é mais cético. Segundo ele, os atuais modelos sobre o comportamento da Terra e previsão da probabilidade da ocorrência de terremotos em nível regional não contemplam qualquer tipo de influência de grandes abalos a grandes distâncias.

 

— Temos evidências da ocorrência de aglomerações de terremotos em nível regional, mas nada global — afirma.

 

Ainda assim, Yeats reconhece que os atuais modelos para previsão de terremotos estão longe de serem precisos e admite a possibilidade, mesmo que remota, de grandes sismos deflagrarem outros em regiões distantes do planeta.

 

— Obviamente, ao olhar para trás e vermos que há 40 anos não tínhamos uma sucessão de terremotos fortes como essa, isso se destaca — considera o cientista. — A Terra é um sistema extremamente complexo e nosso conhecimento sobre o que acontece com ela é muito incompleto. Não sabemos se a sequência de grandes terremotos que estamos vendo é uma coincidência ou se há algum real mecanismo por trás disso. A verdade é que tudo é uma grande especulação e não podemos dizer ou prever, com base nisso, a possibilidade de termos outro grande terremoto num prazo relativamente curto, nem quando nem onde.

 

Apesar disso, Yeats conta que a mais recente série chamou a atenção das autoridades do Oregon, que o convocaram (e outros especialistas) para discutir a necessidade de medidas de prevenção de uma possível catástrofe provocada por eventual forte abalo na região tectonicamente ativa de Cascadia, no Noroeste dos EUA.

 

Fonte: O Globo

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USO DE ELETRÔNICOS ANTES DE DORMIR IMPEDE O SONO E PODE CAUSAR DOENÇAS, DIZEM MÉDICOS

Cansaço, problemas de memória e propensão a problemas cardíacos estão entre os possíveis transtornos

RIO — Durante a semana, o ritual da professora Julia Barros, de 36 anos, é sempre o mesmo antes de ir dormir. Por volta das 22h, ela beija o marido, lhe deseja boa noite, deita na cama e, ao invés de fechar os olhos para descansar, liga o smartphone. Ali, Julia se informa sobre o dia, conversa com amigas pelo WhatsApp, liga para a mãe por Skype, e verifica o Facebook até adormecer, por volta de 00h30m. Às 6h da manhã ela já está de pé, certa de que poderia ter tido uma noite melhor de sono não fosse a agitação causada pelo celular — o que não a impede de repetir o hábito.

 

CONFIRA DICAS PARA REPOUSAR BEM

 

O caso da professora é emblemático em mostrar como a crescente importância da tecnologia pessoal, com smartphones, tablets e computadores de telas luminosas e hiperconectadas, vem impactando o sono das pessoas. As consequências disso, afirmam especialistas, são claras: a curto prazo, menos horas e pior qualidade de sono, cansaço, problemas de memória; já a longo prazo, propensão a problemas cardíacos e diversas outras doenças.

 

— Passamos o dia todo trabalhando, envolvidos em mil coisas. Ao pararmos para descansar, normalmente na hora de dormir, é quando temos tempo para verificar o que está acontecendo no mundo — afirma Julia.

 

A professora conta que já se acostumou com as broncas do marido por causa do hábito — e ele mesmo desistiu de fazê-la mudar.

 

— Ele até passou a deixar a luz acesa por minha causa. Sei que isso me deixa agitada, o que faz com que eu demore a pegar no sono, mas estaria mentindo se dissesse que já tentei mudar. No máximo, tenho tentado diminuir o tempo que fico com o smartphone na cama.

 

PROBLEMA GLOBAL

 

Julia não está sozinha nessa tendência. Uma pesquisa realizada em 2013 pela Fundação Nacional do Sono dos EUA com 1.500 adultos selecionados no país, no Canadá, no México, no Reino Unido, na Alemanha e no Japão indica que mais da metade dos americanos, canadenses e ingleses, e pelo menos dois terços dos japoneses, usam algum tipo de dispositivo eletrônico ao menos uma hora antes de ir para a cama.

 

Não à toa, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) classifica a insuficiência de sono como uma epidemia de saúde pública desde 2011.

 

E o problema não é apenas comportamental. Conforme explica Rosa Hasan, neurologista da Associação Brasileira do Sono (ABS), smartphones, tablets e computadores têm um impacto fisiológico real em nosso organismo:

 

— Ao manterem esses dispositivos perto da cama, as pessoas simplesmente não conseguem relaxar, por causa das notificações. Mas há um fator fisiológico também: a luz desses aparelhos inibe a produção de melatonina pelo nosso corpo, um hormônio que nos ajuda a regular o sono.

 

Em paralelo a essa constatação, pesquisadores investigam há muito se a exposição prolongada à radiação emitida por celulares poderia aumentar as chances de câncer em usuários — algo que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda não foi cientificamente comprovado.

 

A designer Priscilla Moulin, de 23 anos, é outra que admite trocar diariamente horas de sono por visitas a sites e redes sociais, além de partidas em jogos eletrônicos. Como consequência, ela normalmente vai dormir 1h da manhã, tendo que estar de pé às 6h30m.

 

— Sou uma pessoa muito agitada, e não gosto de chegar tarde em casa do trabalho e já ter que terminar o meu dia. Então, fico com essa sensação de que preciso aproveitar o tempo que me resta ao máximo, fazendo outras coisas que não dormindo — afirma a designer, que diz já ter desistido de mudar o hábito. — Cheguei a procurar médicos, mas não adiantou.

 

CONSEQUÊNCIAS FUTURAS

 

Neurologista do Instituto do Sono, em São Paulo, Luciano Ribeiro reconhece a dificuldade de conscientizar as pessoas, principalmente os mais jovens, sobre os problemas de uma rotina de sono de menos de seis horas por noite, já que muitos não sentem os problemas a curto prazo desse hábito. No entanto, ele alerta que as pessoas devem ter em mente as possíveis consequências futuras desse hábito:

 

— Diversos estudos mostram que as pessoas que sofrem uma privação crônica de sono acabam sofrendo maior incidência de problemas cardiovasculares, envelhecimento precoce e doenças mentais. Em alguns casos, esses problemas começam a aparecer apenas dez anos depois do início dessa rotina de sono reduzido.

 

Por isso, Ribeiro recomenda autocontrole na hora de ir para cama: aparelhos eletrônicos devem ficar desligados ou longe do quarto para evitar interrupções, as pessoas devem ter hora para dormir, e a temperatura do ambiente deve ser confortável. Ele ainda alerta que que de nada adianta dormir pouco todos os dias e tentar tirar o atraso nos finais de semana.

 

— A cama deve ser um espaço de descanso, sem que as pessoas levem trabalho ou aparelhos para ele, pois, se o fizerem, estarão sinalizando para o corpo que, ao deitar, ele não deve relaxar — afirma o neurologista. — Além disso, é importante ter um horário regular para deitar e levantar, aliado à prática de exercícios. Dormir mais no final de semana para compensar o tempo perdido nos outros dias não é jeito de combater a privação crônica do sono.

 

APPS E PULSEIRAS: CETICISMO MÉDICO

 

Apesar do papel de vilão da tecnologia pessoal na manutenção de uma boa rotina de sono, o mercado de eletrônicos vem tentando mudar essa má fama nos últimos anos. Num fenômeno recente, diversos aplicativos e acessórios têm sido lançados com a promessa de permitir que seus usuários monitorem melhor os seus hábitos para que se sintam estimulados a levar um estilo de vida mais saudável.

 

O jornalista Rômulo Almeida, de 27 anos, é um dos adeptos da tendência. Há cerca de um ano ele adquiriu uma pulseira inteligente e, desde então, conta que vem percebendo uma melhora significativa na qualidade do seu descanso.

 

— Ela tem uma série de sensores que monitoram o meu sono e outras atividades físicas. Esses dados são mostrados por meio de um app, e, a partir dele, consigo saber o quanto tenho dormido, quanto tenho caminhado, e a que horas preciso ir para a cama para cumprir minha meta de descanso — explica ele. — Por isso, desde que comecei a usar a pulseira, tenho me sentido mais motivado a ter hábitos mais regrados.

 

No entanto, a neurologista da ABS Andrea Bacelar diz ver com ceticismo o surgimento desses apps e dispositivos.

 

— Esses aplicativos que prometem informar se você está tendo um sono profundo ou leve não são precisos. As pulseiras até podem ser melhores, mas ainda sou cética quanto aos seus resultados — afirma ela. — Essas tecnologias podem funcionar como um estímulo, mas as pessoas precisam querer melhorar para ter resultados efetivos. E, para isso, ainda vale consultar um médico.

 

Fonte: O Globo

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CRIANÇAS QUE DÃO GOLES NO ÁLCOOL DOS PAIS PODEM COMEÇAR A BEBER MAIS CEDO, DIZ ESTUDO

Pesquisa americana realizada com 561 jovens apontou que permissão dos responsáveis pode não ser inofensiva

RIO – Deixar que seu filho ou sua filha dê uma bicada no seu vinho quando eles ainda são crianças pode não ser tão inofensivo assim, como mostra uma recente pesquisa americana publicada no “Jornal de Estudos sobre Álcool e Drogas”. Segundo o estudo, jovens que provam, por exemplo, vinho de seus pais quando mais novos, podem ser mais propensos a começar a beber até o ensino médio.

 

 

Os pesquisadores descobriram que, de 561 alunos em um estudo de longo prazo, aqueles que deram um gole de álcool até o quinto ano eram cinco vezes mais propensos do que seus colegas a beberem um drink todo até chegarem ao ensino médio. Além disso, tinham quatro vezes mais probabilidade de já terem ficado bêbados. Os resultados não provam que os primeiros goles de álcool são necessariamente os culpados, disse a pesquisadora Kristina Jackson, do Centro de Estudos de Álcool e Dependência na Universidade Brown, em Providence, em Rhode Island, nos Estados Unidos.

 

“Nós não estamos tentando dizer se é OK ou não que os pais permitam isso”, afirmou Jackson.

 

Ainda assim, ela notou, alguns pais acreditam no “modelo europeu” – a ideia de que a introdução de crianças ao álcool já cedo, em casa, vai ensiná-las sobre o consumo responsável e, assim, diminuirá o apelo do álcool de ser um “tabu”.

 

“Nosso estudo fornece evidências do contrário”, disse Jackson.

 

Os resultados são baseados em alunos do ensino médio que foram examinados periodicamente ao longo de três anos. No início do sexto ano (quando tinham em torno de 11 anos), quase 30% dos alunos disseram que já tinham tomado um gole de álcool. Na maioria dos casos, os pais que tinham fornecido – muitas vezes em uma festa ou outra ocasião especial.

 

No nono ano, 26% daqueles que tinham bebido um gole quando mais novos disseram que já tinham bebido um drink todo, contra menos de 6% de seus colegas. Além do mais, 9% ou tinha chegado bêbado ou tinha bebido compulsivamente – em comparação com pouco menos de 2% daqueles que não tinham dado goles.

 

É claro que há muitos fatores que influenciam no ato de beber enquanto se é menor de idade, Jackson observou. Sua equipe tentou explicar o maior número de fatores possíveis – incluindo os hábitos de consumo e qualquer história de alcoolismo dos pais, bem como a disposição das crianças de impulsão e tomadas de risco em geral.

 

‘MENSAGEM MISTA’

De acordo com Jackson, é possível que esses pequenos gostos de álcool passem aos filhos jovens uma “mensagem mista”.

 

“Nessa idade, algumas crianças podem ter dificuldade em compreender a diferença entre um gole de vinho com uma cerveja cheia”, explicou ela.

 

Dito isso, ela ressaltou que os pais não devem se assustar se eles já deixaram seus pequenos dar um gole no vinho.

 

“Não estamos dizendo que o seu filho está condenado”, disse Jackson.

 

Por fim, ressaltou que as conclusões apontaram para a necessidade de dar às crianças “mensagens claras e consistentes” sobre beber, e ter certeza que eles não podem ter acesso a nenhuma bebida na casa.

 

Fonte: O Globo

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ESTUDO APONTA IMPACTO DO TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO NAS IMUNODEFICIÊNCIAS

Transplantes de células-tronco hematopoiéticas têm sido decisivos no tratamento de imunodeficiências congênitas no Brasil. É o que comprovou um estudo do Grupo de Trabalho de Transplante Pediátrico, da Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO), apresentado no início do mês, em San Diego, nos Estados Unidos, durante encontro internacional.

 

O estudo avaliou 166 pacientes com imunodeficiência primária, submetidos ao transplante entre 1992 e abril de 2014, em dez diferentes centros transplantadores do país, entre instituições públicas e privadas. A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com menos de 3 anos de idade, visto que a doença se manifesta quase sempre de maneira precoce e apresenta alto índice de mortalidade, se não diagnosticadas na fase inicial.

 

De acordo com a coordenadora do levantamento na Universidade Federal do Paraná, Carmem Bonfim, o transplante de células-tronco hematopoiéticas é curativo na maioria dos casos de imunodeficiências primárias. “Esses resultados nos possibilitam obter referenciais de condutas terapêuticas e, com isso, aperfeiçoar e ampliar a capacidade de realização desses procedimentos em países como o Brasil”, ressaltou.

 

No caso da imunodeficiência combinada grave e da síndrome de Wiskott-Aldrich, a sobrevivência global em três anos chegou a 60% e 79%, respectivamente. “Sem o transplante, a grande maioria dos bebês com imunodeficiência combinada grave morre antes de completar 1 ano de vida”, esclareceu Carmem.

 

Ela lamentou que no Brasil o maior problema ainda seja o diagnóstico precoce para o tratamento adequado, a tempo, dessas crianças. “Faltam leitos e estrutura adequados para o transplante, mas estima-se que dezenas de crianças morram anualmente por não terem sido diagnosticadas a tempo de começarem o tratamento, ou mesmo o transplante.”

 

As imunodeficiências primárias somam ao todo mais de 200 tipos de doenças hereditárias e são quase todas raras. Elas alteram os mecanismos normais de defesa do organismo e aumentam as chances de infecções e outras doenças.

 

Apenas alguns centros são capacitados a realizar o procedimento no país. O primeiro transplante desse tipo, no Brasil, foi feito em 1992, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

 

Fonte: Agência Brasil

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