Acima do bem e do mal

Postado por

Regina Tavares

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em 25/set/2012 - 6 Comentários

Malditos cientistas! Assassinam Deus, criam verdades inabaláveis e em seguida, as negam e as ignoram. Deparam-se com o conhecimento técnico, julgam-se antropocêntricos e ovacionam o dualismo de Descartes. Instituem o Iluminismo, se enchem de razão e tentam dominar o mundo.

Entre mortos e feridos, em grandes guerras mundiais, conhecem a face da barbárie e se desencantam com o marxismo e a humanidade. Confiam a crítica ao Positivismo no Movimento Estudantil de 1968. Aparecem-me com a 1ª Lei da Termodinâmica e, depois com a 2ª. Instituem o Caos, a Desordem e por fim, a Teoria da Complexidade. Daí em diante, passam a condenar Descartes. Encantam-se com a Física Quântica, comprimem o tempo e o espaço, perseguem a cura para as mazelas do homem, anunciam a revolução da Cibernética e da Robótica. Adotam carinhosamente o prefixo “bio” e assim, nos chamam a atenção com suas novidades em Biotecnologia, Biopolítica, Biomedicina e bio sei lá mais o quê.

No cinema, oscilam entre os papéis de vilões e mocinhos. Já receberam o apelido de nerds ou geeks, e hoje, desfrutam do status de descolados e geniais. Alguns publicam um livro por ano, numa fruição duvidosa. Outros levam uma vida inteira para apresentar uma única publicação, lentidão igualmente duvidosa aos olhos das editoras e dos órgãos de pesquisa.

Há os que escrevem de forma prolixa e redundante, além de parafrasearem outros insistentemente, por não ter nada de si próprios a dizer. E ainda há aqueles, que como Einstein, escrevem um texto de dez páginas e mudam o curso de sua época. Ser um cientista nunca foi fácil, mas sua audácia é tão profícua quanto o pólen a germinar novas flores em plena primavera.

Se você não entendeu parte ou nada do que eu escrevi, não se preocupe, recorra aos cientistas. Benditos cientistas!

Ósculos e amplexos para todos.

Inté!

WALBURG, O IMPIEDOSO

Postado por

Marcelo Paes Barros

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em 25/abr/2011 - 7 Comentários

Com a chegada de Abril, novamente nos aproximamos de um período de grande agitação na Universidade: as inscrições para concorrer às bolsas de Iniciação Científica. Essa agitação toma conta não só dos estudantes, os quais podem aqui iniciar uma brilhante carreira na Ciência, mas também dos orientadores (que serão responsáveis pelo encaminhamento das atividades experimentais e da formação destes graduandos), do Pró-Reitor de Pós-graduação e Pesquisa (Prof. Danilo Duarte), do Comitê Organizador das Atividades (este ano liderado pela Profa. Dirce Koga), dos membros do Comitê Científico Interno e Externo (que julgarão o mérito dos projetos submetidos), dos funcionários da Pós-graduação (responsáveis pela organização dos eventos associados) e de todos os outros colaboradores do processo.

Ao acompanhar a energia incandescente da platéia presente à Oficina de Iniciação Científica em 2010 – quando fui o Coordenador das Atividades de Iniciação Científica – me lembrei de quando eu era ainda um graduando em Química na Universidade de São Paulo e realizei meu primeiro projeto de pesquisa. Era um estudo sobre complexos miméticos de enzimas antioxidantes (meu Deus!) na área de Química Inorgânica, sob a orientação da Profa. Ana Maria Ferreira. Lembro-me bem do primeiro dia. A professora pacientemente me explicou o projeto durante toda a manhã e fiquei bastante entusiasmado. Imediatamente após o almoço, a Profa. Ana Maria me levou ao laboratório para encaminhar as primeiras atividades experimentais. Ela sempre apostou no potencial de seus alunos e na independência para desenvolver o trabalho, filosofia que igualmente aplico a meus alunos até hoje. Pronto para iniciar os primeiros ensaios, perguntei à professora:

– Professora, de todos os instrumentos que trabalharei hoje e daqui por diante, qual(is) eu devo tomar mais cuidado?

A Profª. Ana respondeu:

– Tudo é plenamente susbtituível. Somente estes frascos Walburg são relativamente caros e mais difíceis de repôr, já que são importados da Alemanha.

Complementou:

– Mas fique tranquilo: se quebrar qualquer coisa TRABALHANDO, está mais que justificado!

Com extrema cautela – e na total ausência da professora – fiz todos os experimentos solicitados. Êxito total! Estava esfusiante. Não via a hora da professora voltar para contar-lhe sobre o sucesso daquela investida.

Enquanto já lavava o material, a Profa. Ana Maria adentrou o laboratório:

– E aí Marcelo, como foi?

– Os experimentos foram excelentes e os resultados coincidiram exatamente com o que esperáv…

Neste exato momento, o MALDITO frasco Walburg que lavava escorregou por entre meus dedos e numa cena digna de um blockbuster de Hollywood – daquelas filmadas em preto-e-branco e em câmera lenta – eu e a profa. Ana Maria presenciamos o frasco se espatifar no chão.

Sob o pesado pano de veludo roxo e o silêncio sepulcro-torturante que tomou aquele ambiente, indaguei com voz trêmula:

– Lavar o material ainda vale como “trabalho”?

As risadas quebraram o gelo do momento e, aparentemente, fui perdoado já que a profa. Ana Maria Ferreira é minha grande amiga até hoje! Percebi, então, que esta deveria ser mais uma das habilidades para um bom cientista: ser sempre um bom argumentador, principalmente nas situações difíceis.

Bons estudos, futuros cientistas!

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