Não sejamos controlados… perigos da flashação!

Postado por

Carlos Augusto Andrade

Mais posts
em 17/abr/2015 - 20 Comentários

Por Carlos Augusto B. Andrade

Uma vez ouvi falar que surgiria alguém que consumiria nosso tempo e nossa humanidade. Todo mundo achava que seria uma pessoa. A pergunta é: será que alguém conseguiria controlar todas as pessoas eficientemente?

O mundo mudou e com ele as pessoas. O planeta manteve o mesmo movimento de rotação e translação, mas parece que o mundo real em que vivemos começou a girar com maior velocidade, exigindo das pessoas o mesmo. Poderíamos dar uma nova nomenclatura a esse fenômeno do movimento na modernidade, usando um neologismo por empréstimo e formando uma palavra composta – flashação, uma ação em estado de velocidade além da natural.

Nesse mundo, tudo se tornou mais rápido graças às invenções deste a Revolução Industrial. Hoje, a analogia do humano com as máquinas passou da virtualidade para a realidade no movimento da flashação.

Há algum tempo, víamos cenas como essas:

foto 1

Assim, de forma natural, havia tempo para pensar, refletir e tomar decisões. A rapidez da flashação foi tirando parte do fôlego das pessoas e hoje sinto que elas perderam o controle para algumas coisas, principalmente para seu tempo e vida. Pensando em apenas um instrumento tecnológico que envolveu a vida no período da flashação, percebemos isso com muita clareza.

As cenas a seguir diferem das anteriores para saber como a humanidade está caminhando com esse novo brinquedo da era da conexão desenfreada – sua majestade o celular:

2dA

O celular que deveria estar ajudando nos processos de comunicação humana, de certa forma, está robotizando as pessoas e levando-as à dependência física e química, pois se perde tanto tempo com ele que todos estão sujeitos a uma depressão generalizada, encaminhando-os a uma sociopatia, ou seja, uma psicopatologia que provoca um comportamento impulsivohostil e antissocial.

É preciso evoluir e sair dessa neurose que está levando muita gente à dependência.

tecnologia

O tempo perdido tem levado à insônia e à insatisfação, pois tem tirado a concentração das atividades que precisam ser realizadas efetivamente, inclusive um lazer mais eficaz e eficiente. O sono vai embora e muitos problemas surgem com esse perigo.

tablet

Hoje mesmo dei um basta nessa situação, fiz com que meu celular voltasse a sua condição de instrumento, removi treze “Apps”. Não quero que pensem que é um texto utópico e sem propósito. Nenhum de nós conseguiria viver sem o celular – é fato. Ele está em contexto importante. Cabe-nos, no entanto, saber fazer uso dele. Resolvi dar mais tempo para conversar, estudar, escrever, olhar nos olhos, ser e sentir mais.

Não sejamos controlados… Estejamos no controle é o alerta.

Abraços mil…

SÍNDROME DO PEQUENO PODER

Postado por

Marcelo Paes Barros

Mais posts
em 22/ago/2014 - 6 Comentários

Por Marcelo Paes de Barros

Não sei se essa é apenas uma prática residual do servilismo herdado de nossos colonizadores portugueses, ou se simplesmente é mais uma faceta do deplorável “jeitinho brasileiro”, mas alguns brasileiros realmente acham que as leis e obrigações só servem para os outros. Por algum motivo obscuro, ou prepotência mesmo, alguns membros mais abastados da sociedade se sentem com mais direitos e menos deveres que a maioria dos cidadãos. Além de sórdida, essa prática é um desrespeito à vida harmoniosa em sociedade, principalmente quando a Justiça não se faz valer e dá espaço à impunidade. Os telejornais de nosso país nos bombardeiam diariamente com notícias assim, o que nos consome paciência, ânimo e esperanças.

O mais curioso é que o filhote dessa nefasta prática se estende também aos níveis inferiores da sociedade. Não são apenas os criminosos de colarinho branco que dão suas “carteiradas”, mas também os cidadãos mais comezinhos. Escândalos em lanchonetes por causa de uma disputa de uma mesa são regados com ofensas burguesas sugerindo que aquela madame teria mais direitos pois mora em um apartamento tríplex na Vila Cabuçu (perdoem-me, nem sei se este lugar existe). Esse fenômeno é chamado a síndrome do pequeno poder, justamente por que reflete um comportamento prepotente de uma pessoa que acha que conquistou o universo (segundo suas perspectivas limitadas), mas que são, na maioria das vezes, insignificantes em um contexto social mais amplo. Um imperador em seu jardim, mas uma formiga da cerca para fora… o pior é que sequer tem ciência disso.

Colocar um terno para ir trabalhar em um escritório na Avenida Faria Lima – mesmo que na condição de estagiário – gera uma postura instantaneamente soberba no mesmo indivíduo que há poucos minutos calçava chinelos havaianas e uma camiseta regata (mais confortáveis, por sinal). No momento em que incorpora o personagem do profissional bem sucedido, esse indivíduo não se vê mais na necessidade de cumprimentar vizinhos, fazer gentileza à senhora que atravessa a rua e muito menos dizer as três expressões clássicas do bom convívio em sociedade: por favor, com licença e obrigado.

imagem

Essa é uma postura que eu repudio muito e, talvez, a que eu mais vejo no dia a dia. Independente da sua condição social ou do seu gosto mais sofisticado ou simplório, cada pessoa tem seu lugar na sociedade. Cada cidadão e/ou empregado merece o respeito de clientes, colegas e patrões. Estamos a um passo da soberba, da ostentação e do desrespeito civil. Comprar um carro importado (não sei se em 72 parcelas ou à vista) não te faz melhor ou pior que alguém que usa transporte público.

- “Me dá um café!”, grita o engravatado aos seus (hipotéticos) serviçais por detrás do balcão.

Este soberbo realmente acredita que ele é especial demais para se nivelar àqueles empregados inferiores ao requisitar um serviço mediante um “por favor”. Alguns dirão: “Nossa, não é nada disso. Eu nem me dei conta que não pedi por favor…”. Isso é pior ainda, pois mostra que esse comportamento já está incrustado e devidamente ignorado nas condutas diárias daquele indivíduo. Quando você vê uma pessoa deixando a bandeja com restos de alimentos na mesa da praça de alimentação de um shopping, é a síndrome do pequeno poder que se infla no ego daquele indivíduo. Funcionários públicos, seguranças de shopping (curiosamente também trajando ternos, rs) e até professores iniciantes ao lidarem com seus alunos também podem apresentar esse comportamento.

Como dizia o brilhante Isaac Newton, em sua 3ª. Lei da Física: para cada ação, há uma reação. Curiosamente, a constante aplicação da síndrome do pequeno poder gerou um comportamento recíproco na população. Um fenômeno aclamado como a vingança dos desfavorecidos. Garanto que vocês, leitores, já foram vítimas dessa vingança. Você está na fila do caixa do supermercado e, depois de esperar algum tempo para ser atendido, chegou o seu momento. Ávido e educado como sua mãe lhe ensinou, você inicia o processo com o tratamento: “Boa tarde!”. Resposta? Nada! Cri-cri-cri… Ou, na melhor das hipóteses, um enfadonho: “Quer botar o CPF?”, com cara amarrada. Sim, meus queridos leitores e leitoras, eu sei que você não tem culpa pelo fato da atendente de caixa estar infeliz com o emprego dela, mas ela não quer saber! Talvez seja aquela a única oportunidade que ela tem para se vingar do fato de ter que trabalhar em um sábado à tarde! Azar o seu que quis comprar pão de queijo congelado bem na hora do plantão dela!

Outra interessante manifestação da vingança dos desfavorecidos no cenário urbano pode ocorrer quando você, educadamente, der passagem para um pedestre na faixa de segurança. Aposto cem reais (R$100,00) que a sua gentileza – ou seu simples papel como cidadão – já foi retribuída com um caminhar mais lento, debochado e, talvez, até com um sorriso de canto de boca daquele transeunte. Por quê? É a fatídica vingança dele contra você, dono de um automóvel! Ele te fez perder infindáveis 27 segundos de sua vida para contemplá-lo desfilando sobre a faixa zebrada (sic!). Detalhe: se o indivíduo estiver de óculos escuros, a probabilidade de você ser vítima da vingança dos desfavorecidos é maior!

Esse comportamento é infelizmente muito comum na vida em sociedade, principalmente nos grandes centros urbanos. Na minha concepção, totalmente deplorável pois nos torna cada vez mais frios, egoístas e sozinhos. Repito: cada um tem seu papel fundamental na sociedade e (teoricamente) deve colaborar para o desenvolvimento dela e bem estar coletivo! Respeite para ser respeitado. Simples.

Corações partidos

Postado por

Marcelo Paes Barros

Mais posts
em 09/nov/2012 - 15 Comentários

É a pior das dores pois, da maneira mais cruel possível, não se sabe ao certo onde realmente dói. Alguns anatomistas acham que é mesmo no hipotálamo. Os espíritas dizem que é na alma. Os românticos confirmam que é no coração. Realmente, parece não haver dor pior que a perda de um grande amor. Ficamos sem chão, sem rumo, sem perspectivas, sem nada.

Litros de álcool – fermentados e/ou destilados – são consumidos como estratégia para esquecer a “pessoa amada” em uma fútil tentativa de diluir em etanol puro a imagem daquela pessoa que insiste em permanecer impressa na retina do(a) abandonado(a). Cigarros, antidepressivos, lenços de papel e o ombro da(o) melhor amiga(o) também fazem parte do pacote “auto-flagelação”. Até hoje, só se conhece um único remédio para a chamada dor-de-cotovelo: o tempo.

A situação é potencializada à escala dez (mil, na verdade) se o fim do relacionamento foi provocado pela presença de outra pessoa! Aí é uma questão de amor-próprio e de competição. Meus amigos, aqui está uma fonte inesgotável de temas para os mais diversificados estilos musicais: do axé, passando pelo sertanejo (aqui, sim, há um cancioneiro de odes às decepções amorosas), alimentando o rock e inspirando concertistas de grandes óperas. Simplesmente por que a desilusão amorosa sempre existiu e sempre fará parte da nossa natureza.

Todos sabem disso: em nossas vidas, cruzamos com dezenas (centenas até, depende de seu apetite, risos) de pessoas com quem poderíamos ter relacionamentos mais ou menos duradouros. Não posso precisar se seriam envolvimentos de um ano, cinco, vinte ou bodas de prata ou ouro. O fato é que, muitas vezes, cruzamos com essas pessoas em fases diferentes de nossas vidas. Quando estamos priorizando nossas carreiras, o(a) parceiro(a) pleiteia estabelecer uma família. Quando almejamos mudar para uma grande metrópole, o(a) outro(a) decide assumir uma vida mais serena em um templo budista. Dinheiro versus paz de espírito. Filhos versus aventura. Dilemas.

Já ouvi casos assustadores de desvios de comportamento de alguns amigos e conhecidos (ambos os sexos) frente as suas desilusões amorosas. Já ouvi falar em lamentáveis fins trágicos. Quadros profundos de depressão são os mais comuns. Muitos dizem que a dor do fim do relacionamento é proporcional à intensidade do amor vivido. Concordo que um amor deve ser bem vivido, no seu esplendor máximo. O amor deve ser visceral, do choro às gargalhadas em segundos (já que estes dois pólos são separados por uma tênue linha), de sexo entorpecedor, hormônios em ebulição e sangue pulsando nas veias. Mas um quê de razão não faz mal a ninguém. Flutuar nas nuvens, sim, mas todo balão deve ter seu lastro para trazê-lo de volta a terra firme.

Acredito que o fim de um relacionamento é o momento ideal para uma auto-avaliação. Esse é um valioso exercício de percepção pessoal: o que causou o fim? Como aquela pessoa me via? Qual foi a real causa de nossa separação? Sempre temos que aprender algo de cada experiência vivida. Mesmo por que, considerando as futuras relações afetivas, sempre seremos um produto das experiências pregressas. Se hoje sou assim, é por que antes Fulana, Cicrana e Beltrana me moldaram – sobre a base da argamassa da minha personalidade – para este produto atual.

Prezado leitor(a), entenda: seu caso não é o primeiro e nem será o último de um relacionamento frustrado que terminou bruscamente na história da Humanidade. Na verdade, os casos de amor mais famosos da História foram seguidos de gigantescas decepções amorosas. Não importa quem desistiu ou quem despachou quem. O importante é seguir em frente. Lembre-se: há, no mundo, 7 bilhões de pessoas em uma distribuição de quase ½ a ½ entre homens ou mulheres (sim, eu sei que há um pouco mais de mulheres que de homens, suas dramáticas, risos). Você jura que acredita que somente AQUELA pessoa é que te pode fazer feliz? Por favor… até a estatística está favorecendo seu próximo relacionamento!

Mesmo sendo uma tragi-comédia hollywoodiana (até clichê, eu diria) recomendo o filme “500 dias com ela”, com Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly (Direção de Marc Webb). São bons 120 minutos curtindo as idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Trailler:

Um abraço

Não dê risada!

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 11/out/2011 - 6 Comentários

Em conversa com amigos na semana passada, uma constatação consensual: ser politicamente correto nos dias de hoje é muito complicado. A afirmação em tom de crítica partiu de dois publicitários após a intervenção do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, o Conar, em recentes campanhas publicitárias. Para listar algumas polêmicas está: a dos Pôneis Malditos da Nissan e sua atitude considerada ofensiva aos animais; a da comemoração dos 150 anos da Caixa Econômica Federal que optou por um ator branco na interpretação do célebre imortal e negro Machado de Assis; e, por fim, a da Hope Ensina, acusada de tratamento machista.

Esta última campanha traz Gisele Bündchen como garota propaganda e tem como mote ensinar as mulheres a lidar com situações de crise no casamento. Em uma dessas situações, Gisele aparece plenamente vestida, o que é considerado errado para a campanha quando se pretende dar notícias do tipo: “Amor, bati o seu carro”, “Mamãe vai morar com a gente”, ou ainda, “Amor, estourei o limite do cartão de crédito. Ah… O seu e o meu”. Para a Hope, o correto é dar notícias como essas usando apenas lingerie, afinal a mulher deve abusar do seu poder de sedução.

Alguns julgam a campanha como sexista e truculenta e ainda a acusam de reiterar a figura de uma mulher financeiramente dependente do marido e desprovida de argumentos plausíveis, alternativos ao jogo de sedução. Outros defendem a campanha em repúdio à hipocrisia de parte dos brasileiros ao se queixar de mulheres seminuas na publicidade, enquanto o carnaval as exibe nuas em pêlo. Definitivamente, o tema divide opiniões e aquece o debate sobre liberdade de expressão e o controverso termo Politicamente Correto.

Talvez devêssemos buscar a origem da expressão Politicamente Correto para buscar pistas sobre o impasse acima. O termo apareceu pela primeira vez na China dos anos 30 em razão dos preceitos políticos adotados por Mao Tsé-Tung, mas obteve o significado que conhecemos hoje na década de 60 nos Estados Unidos. Nesse período, espaços como o da Universidade, passaram a exibir a diversidade de seu tempo: inúmeras etnias, pluralidade de gêneros e classes sociais opostas. Para peritos no assunto, era preciso ensinar as pessoas a conviver com as diferenças.

Nos anos 90, diante do declínio do socialismo, a preocupação dos movimentos sociais foi ampliada e diferenças pessoais entraram em pauta. Daí, obesidade se tornou sobrepeso; deficiência física, necessidade especial e velhice, melhor idade.

Gente que vive de humor como Rafinha Bastos do programa CQC (Band) passa ao largo da palavra limite e acaba amargando o insucesso de suas piadas consideradas de mau gosto. Sua agressividade parece ter se transformado em arma contra a onda politicamente correta das últimas décadas, o que definitivamente não resolve o problema e, muito menos, faz rir. A gota d’água foi ter feito piada com a cantora Wanessa Camargo que está grávida. “Eu comeria ela e o bebê”, afirmou Rafinha. Coincidência ou não. Medida corretiva ou não. Rafinha Bastos não faz mais parte do programa, desde o dia 3/10 (segunda-feira).

Esta parece uma daquelas discussões bizantinas sobre o que vem primeiro: o ovo ou a galinha? É fundamental pensarmos sobre a linha tênue que divide o politicamente correto da hipocrisia, do cerceamento da liberdade de expressão e, inclusive, do humor. Qual a sua opinião sobre o assunto?

Inté!

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS