O FIM DA CAMISA CANARINHO

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Renato Padovese

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em 04/ago/2014 - 7 Comentários

Por Renato Padovese

Como escreveu a colunista do Estadão Dora Kramer, a Copa do Mundo de 2014 comprovou o óbvio: o prazo de validade das previsões, das catastróficas às mais otimistas, é ditado pelos fatos. Parecia claro como água que os atrasos nas obras, os gastos exorbitantes, os superfaturamentos, os improvisos da organização, além do histórico de maus serviços públicos e o clima tenso no país, não apontavam para um desfecho diferente de um desastre total. Nada disso. Os mais de 600.000 estrangeiros que para cá vieram ficaram encantados com nosso país e com o acolhimento e a alegria do nosso povo. Uma pesquisa do Datafolha revelou que 92% dos visitantes elogiaram tanto o conforto quanto a segurança dos estádios e que 95% avaliaram a hospitalidade dos anfitriões como ótima ou boa. Colaborou também a sucessão de jogos espetaculares e a exibição de gala de craques como há muito tempo não se via. Sem dúvida alguma, um retumbante sucesso.

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Da mesma forma, as expectativas otimistas em relação à conquista do hexacampeonato também não se confirmaram. A realidade tratou de demolir o prognóstico e a seleção brasileira protagonizou o momento mais vexatório de sua história ao ser aniquilada por 7 a 1 pela seleção alemã. Um placar jamais visto numa semifinal, impensável considerando equipes de ponta. A tristeza e a frustração geraram um festival de piadas que inundou a internet. A suprema humilhação brasileira rendeu 35 milhões de posts no Twitter, superando o recorde anterior de 24,9 milhões da final do Super Bowl no começo do ano. O grau de desespero e desorientação da torcida brasileira foi tamanho que já há quem acredite no fim da mística da camisa canarinho.
A icônica camisa da seleção brasileira simboliza a força do nosso futebol. E é curioso que ela tenha surgido após a nossa, até então, maior tragédia em campo, a perda da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai por 2 a 1 no Maracanã. O goleiro Barbosa acabou personificando o fracasso do time, mas sobrou até para o uniforme da seleção, uma camiseta branca com colarinho azul. Para o jornal carioca Correio da Manhã, o traje sofria de “falta de simbolismo moral e psicológico” e, com o apoio da Confederação Brasileira de Desportos, lançou um concurso para desenvolver um novo uniforme que deveria conter, necessariamente, todas as cores da bandeira brasileira. O vencedor foi Aldyr Garcia Schlee, um jovem de 19 anos, que trabalhava como ilustrador num jornal de Pelotas. A criação de Aldyr, a fantástica geração de Pelé e Garrincha e o advento da TV em cores ajudaram a construir o mito. Porém, aqueles quatro gols sofridos em apenas seis minutos parecem ter destruído nossa fortaleza.

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Ainda traumatizadas, as pessoas têm procurado um caminho para a recuperação do futebol brasileiro. Talvez o melhor e mais óbvio seja seguir aquele trilhado por nosso algoz, que reestruturou seu futebol após o fiasco da Eurocopa de 2000. Ideias mais criativas também têm aparecido, como a intervenção estatal proposta pelo Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e a possível criação de uma “Futebolbrás” para “modernizar” nosso futebol. Na minha singela opinião, devemos repetir o que já se fez com sucesso no passado, ou seja, substituir o uniforme da seleção brasileira e acabar de uma vez por todas com essa infame camisa amarela. Para não perdermos tempo, sugiro adotarmos o segundo colocado do concurso do Correio da Manhã, concebido por Nei Damasceno: camiseta verde, shorts branco e meias amarelas.

ABC do futebol

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Regina Tavares

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em 10/jun/2013 - 4 Comentários

Não vou marcar toca; iniciarei meu discurso entrando de sola. O post de hoje é sobre futebol. Espero não pisar na bola em um assunto tão querido entre os pares ‘deste solo és mãe gentil’. Pretendo vestir a camisa e vencer com maestria esta partida, assim como o professor me ensinou. Mas como o futebol é uma caixinha de surpresas, caso tudo dê em zebra, prometo pendurar minhas chuteiras e não macular mais este sagrado território para o clube dos bolinhas.

Não é segredo para ninguém que a Copa das Confederações servirá de amistoso para a Copa do Mundo em diversos setores. Todos estão de olho no desempenho do Brasil diante da aplicação dos rigores do padrão ‘Fifa de ser’. Daí um bola fora ou uma bola dentro envolve a credibilidade do país no mata-mata mundial de 2014. Incontáveis produtoras e emissoras de TV de toda parte do mundo já estão em solo brasileiro pesquisando e documentando em vídeo a tríade perfeita: Brasil, futebol e cultura. Querem saber como temos os melhores jogadores do mundo, os torcedores mais aficionados e a paixão futebolística arraigada em nossas entranhas sem o mínimo de padrão Fifa. Eis a questão, diria Hamlet. Trata-se de uma incógnita existencialista sem respostas plausíveis; é o jeito brasileiro de ser. O que dizer de um país que fala o tempo todo ‘em’ e ‘com’ futebol. Para atestar o que digo veja quantas expressões desta paixão nacional estão no vocabulário do brasileiro e consequentemente neste texto.

Aparentemente demos uma chapuletada no placar; a primeira partida no novo ‘Maraca’ contra a Inglaterra superou as expectativas. Depois de receber uma liminar nos 45 minutos finais do segundo tempo questionando irregularidades na reforma recente, o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, o governo do estado do Rio de Janeiro e a CBF deram conta do recado. “Nada de abrirmos o bico!”, diriam os cartolas.

É, para o bem ou para o mal, parece que chegou a hora de parar de imaginar…

Inté!

Vai de meia ou inteira?

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Regina Tavares

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em 30/jan/2012 - 5 Comentários

A Lei Geral da Copa, ainda em discussão no Congresso, tem gerado polêmicas próprias de final de mundial. Literalmente, tem embolado o meio de campo, como dizem os admiradores desta paixão nacional. Entre os impasses que têm levado cartão vermelho está a questão da meia-entrada. Para o ex-ministro do esporte, deposto recentemente, a concessão deveria ser válida apenas para os idosos. O bola da vez, ou melhor, o atual ministro, defende a meia-entrada para estudantes e ainda justifica sua opinião ao relembrar os tempos áureos de sua militância estudantil junto à UNE. Enquanto torcidas favoráveis e contrárias disputam a vitória, nos resta aguardar o apito final do verdadeiro juiz desta partida: a Câmara dos Deputados; cabe a ela rever a Lei Geral de um evento que bate a nossa porta em 2014.

Enquanto isso não acontece, vale dar um drible no cerne da questão e discutir, brevemente, os argumentos que estão por trás da defesa e da oposição à meia-entrada concedida aos estudantes.

Sabemos que a meia-entrada é uma das grandes conquistas do movimento estudantil brasileiro e que pode facilitar o acesso a eventos culturais determinantes para a formação dos jovens. Também sabemos que o preço de alguns espetáculos no Brasil é descabido, caso compararmos seu valor ao praticado em outros países. Quem costuma a ir a shows sabe bem do que estou falando. Sem a meia-entrada, o acesso ao cinema, ao teatro e demais espetáculos seria negado a milhões de estudantes brasileiros.

Sob outro ponto de vista, em alguns casos, a meia-entrada é uma ilusão. Afinal, alguns produtores culturais dobram o preço de seus espetáculos para evitar prejuízos. Assim, todos pagam mais, inclusive o estudante. Outro ponto preocupante é o aumento da falsificação de carteiras de estudantes no Brasil. Tem gente exibindo carteirinhas por aí sem nunca ter passado na frente de uma instituição educacional nos últimos dez anos. Motivo de vergonha alheia, tal fraude será inevitável num país em pleno êxtase futebolístico. Então, o que fazer? Confesso que não temos a resposta definitiva. Aliás, assumir um posicionamento aqui, seria tão complicado quanto afirmar que uma partida de futebol ou um show do Black eyed peas não são eventos culturas dignos de meia-entrada.

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