Punk’s not dead (and probably never will)

Postado por

Marcelo Paes Barros

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em 24/out/2011 - 10 Comentários

O movimento punk nacional perdeu um de seus maiores ícones (desde a década de 80) no último mês de Setembro. O vocalista da banda Cólera, Redson, faleceu aos 49 anos por uma hemorragia interna causada pela progressão de uma úlcera estomacal. O Cólera é considerado um grupo seminal do punk no Brasil, com os álbuns “Tente Mudar o Amanhã” (1984) e “Pela Paz Em Todo Mundo” (1986) sendo dois dos principais discos do gênero no país.

Apesar de suas multifacetadas vertentes e de seu vasto espectro político-social, a tendência punk, na maioria de seus desmembramentos, prega conceitos esquerdistas/progressistas que principalmente se concentram na liberdade individual e no desapego. Estas premissas naturalmente se derivatizam para outros dogmas punks, como o anti-autoritarismo, a não-conformidade e não submissão à vontade alheia. Do mesmo modo, são marcantes no movimento punk: niilismo, anarquismo, anti-militarismo, anti-capitalismo, anti-nacionalismo, anti-racismo, anti-homofobia, anti-drogas, anti-sexismo, etc. Alguns cuidados devem ser tomados ao analisarmos as vertentes punks: aparentemente, um desvirtuamento radical da filosofia punk – munida pelo inconformismo – deu origem aos conceitos segregacionistas, fascistas e racistas de extrema direita dos skinheads, neo-nazistas! Esse grupo possui hoje um contexto ABSOLUTAMENTE distinto da premissa punk, tanto que representam hoje, no cenário urbano, talvéz os grupos que apresentem maior rivalidade. Por favor, caro leitor, não misture água com óleo… são imiscíveis!

Os valores do movimento punk têm forte apelo urbano (mais voltados à vida na cidade), mas, curiosamente, sempre foram mal interpretados pela sociedade geral pelo seu modus operandi. Os punks reinvidicam seus objetivos baseando-se em um sistema social anárquico , seguindo o lema central do movimento do “Do it yourself” (DIY). A tendência punk preconiza um inconformismo quase agressivo na busca destes objetivos, como uma recusa em aceitar passivamente a manipulação e controle do “sistema” usurpador e corrupto. O punk não aceita calado as “ofensas” que sofre do sistema (governantes e seus sub-serviçais). Embora alguns sejam incrédulos da relevância da vida humana – lembre do refrão “No future for you” na música “God save the Queen”, dos Sex Pistols – os punks reconhecem suas necessidades e suas vontades. Obviamente, a polícia é o principal alvo de conflito do movimento punk contra o “sistema”, já que esta entidade representa a extensão natural do controle governamental sobre a a sociedade.

Dentre as várias formas de expressão da filosofia punk, a música talvez seja a mais característica. Compasso acelerado, marcado por baixos pesados, guitarras estridentes e percursão vigorosa (bateria, principalmente), a música punk mostra claramente a proposta agressiva do movimento: eu não aceito que você, sistema, controle o que, quanto e quando eu posso realizar minhas vontades. Eu decido isso!

Viver em grande centros urbanos traz benefícios mas também, uma série de mazelas. Acho que, de vez em quando, ouvir o que os punks têm a dizer serve com uma forma de exorcizar esse mal que nos consome diariamente.

Ouça no link abaixo (e acompanhe a letra) da música “Pela paz”, da banda Cólera.

Link: Pela Paz (1986) – Cólera

Tem violência em Bruxelas,
Tem violência em Moscou,
Tem violência em Nova Iorque
E também no Brasil.
Têm vinganças religiosas,
Têm vinganças de raças,
Têm vinganças de governos
Tenho medo da guerra.

Mas quem se importa?
Mas quem se importa?
- Eu me importo, eu me importo!

PELA PAZ, PELA PAZ
PELA PAZ EM TODO MUNDO!

Mais o ódio se espalha.
Mais aumenta a fome.
Mais as vidas são tiradas
De dentro dos homens.
São mais armas para o mundo.
São mais filmes violentos.
São crianças aprendendo
Matar ou morrer.

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