Revolto-me, logo existo

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Regina Tavares

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em 20/jun/2013 - 7 Comentários

Ontem vi um admirável mundo novo. No Facebook, minha irmã dizia ter vivido um dos melhores momentos da sua vida; uma amiga saudosa dizia ter rememorado os tempos idos das Diretas Já; meu primo elogiava a motivação juvenil; meus alunos divulgavam o modus operandi das manifestações e a agenda de uma organização heterogênea, sem lideranças definidas, mas muito bem organizada. Literalmente, saíram do Facebook para fazer história.

Corriam boatos generalistas por aí de que os manifestantes da vez não passavam de “pequeno-burgueses” travestidos de um misto de indignação alheia, euforia momentânea e partidarismo oportunista. Eu custei a acreditar, quando notei pessoas próximas a mim encarando balas de borracha e gás lacrimogêneo, munidos de coragem e muito vinagre.

Jabor que o diga, depois de condicionar manifestantes legítimos e arruaceiros descontrolados como “farinha do mesmo saco”, pediu redenção formal no jornal O Estado de S. Paulo e em cadeia nacional no telejornal da Globo. “Talvez eu seja mesmo um “cão imperialista” porque, outro dia, eu errei. Sim. Errei na avaliação do primeiro dia das manifestações contra o aumento das passagens em SP”, lamentou o cronista.

O que Jabor e tantos outros não entenderam é que estamos falando de bem mais que 0,20 centavos de insatisfação. O estopim miserável acrescido no valor da passagem do ônibus nem faz cócegas na revolta depositada no âmago do brasileiro. Em um momento de notoriedade internacional, a equação “pão e circo” não está a contento e mostra que o fim da história, traçado pelo economista Fukuyama está longe de ser uma verdade.

Há bem mais que 0,20 centavos em jogo, há também uma polícia despreparada e truculenta, uma PEC 37 a ser votada daqui a uma semana, uma corrupção desmedida, uma tal “cura gay” ganhando status de legitimidade, uma inflação acobertada a todo custo, gastos faraônicos e super-faturados com a Copa do Mundo e sei lá mais o que. Sabe o que eu vejo ao ler os cartazes improvisados no 6º ato que levou 230 mil brasileiros às ruas? Eu vejo pessoas cansadas da vitória da impunidade, da pizza, do deixa disso… Vejo todos na contramão das avenidas do descaso e da apatia. Lá no meio de uma destas avenidas, que de Estados tão diferentes se tornaram iguais neste dia épico, vi um jovem de aproximadamente 18 anos com um cartaz que me chamou a atenção. Ele dizia: Revolto-me, logo existo. Poliana como sou, logo li naquele cartaz de apenas uma frase que uma geração desejosa de ideologia, como cantava Cazuza, hoje assumia seu papel no mundo real.

Inté!!!

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