O herói do século XX

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Regina Tavares

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em 12/dez/2013 - 1 Comentário

Por Regina Tavares

“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” (Nelson Mandela)

Nelson-Mandela

Parece incompreensível crer que esta frase tenha emanado de um século marcado por campos de concentração, militarismo, duas guerras mundiais e a iminência de outras, aniquilações nucleares e destruições em massa. Mais incompreensível ainda é que o autor desta epígrafe tenha sido uma das maiores vítimas da discriminação brutal, da miséria desoladora, do desamor e das circunstâncias mais torpes e cruéis pelas quais um homem pode enfrentar.

Se para toda regra, há exceção. Para o caos do século XX, houve Nelson Mandela. Analogamente, alguém que emergiu como uma flor exuberante e inesperada nas rachaduras do asfalto insólito das grandes metrópoles. Mesmo tendo vivenciado impensáveis atrocidades humanas por quem se julgava proveniente de uma raça nobre e superior, venceu o apartheid ancorado na compaixão e na misericórdia. Teve 27 anos de sua vida roubados em um encarceramento absurdo e desumano e ainda assim desconsiderou os arroubos de vingança ou revolta cega. Vivenciou a oportunidade de liderar eternamente um país marcado pela segregação racial como o primeiro presidente negro da África do Sul, porém cumpriu seu mandato como previsto e, em seguida, deu as costas para o poder como recusa ao status ou favorecimento pessoal.

Mesmo um dia tendo sido acusado de terrorista, comunista, incitador das massas revoltosas e outros sinônimos pejorativos para o status quo, hoje é figura unânime em homenagens do cenário artístico e político. De Bono Vox a Simple Minds, perpassando por Racionais Mcs e Olodum, aqui no Brasil. De Ban Ki-moon a Lula. De Rainha Elizabeth a Obama. Ele é e será um dos nomes mais expressivos do humanismo.

Até o próximo dia 15, um funeral com honrarias de chefe de estado tem sido arquitetado e tem reunido religiosos de diferentes credos, políticos de ideologias adversas, perfis étnicos contrastantes, celebridades e anônimos. Tudo junto e misturado, como Mandela sempre idealizou. Será o dia de Mandela. Sua despedida para a vida e sua eternização para a história.

O mundo espera por uma celebração marcada pelo convívio harmonioso das diferenças, pelo respeito mútuo às alteridades, pela consagração da essência humana, ou seja, sua intensa variedade cultural e social. Eu, aqui do meu canto, espero sinceramente que o exemplo de Mandela seja inspiração para a dissolução do ódio ainda persistente em tantas partes desse nosso planeta.

Confira a música Mandela Day de Simple Minds no link abaixo:

Simple Minds – Mandela Day

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