Microtédio (mT)

Postado por

Marcelo Paes Barros

Mais posts
em 22/set/2014 - 8 Comentários

Por Marcelo Paes Barros

Faça o teste: quantos minutos (ou seriam segundos?) você consegue ficar sem executar qualquer função no seu celular, enviar uma mensagem via whatsApp, ou ouvir uma música no seu aparelho MP3? Quanto tempo você consegue permanecer contemplativo, pensando na sua vida e em suas próximas atividades? Caso sua resposta tenha sido algo menor que 5 minutos, você provavelmente sofre de um fenômeno atual chamado de microtédio.

foto1

Esse processo parece ser mais frequente nas atuais gerações, denominadas Gerações Y, Z e outras letras do alfabeto. Os educadores de todo o mundo têm hoje que enfrentar novos desafios pedagógicos para atrair a atenção dos atuais jovens que estudam (educadores mais céticos põem este verbo entre aspas), ouvem músicas, interagem em tempo real com uma ou mais mídias sociais e exigem entretenimento no mesmo intervalo de tempo. Clássicas teorias da Educação duvidam que a capacidade de abstração – tão necessária para as Ciências Exatas, Química, Física e Matemática – possa ser plenamente desenvolvida nesse redemoinho de informações confluentes. Por outro lado, há quase unanimidade nas novas vertentes pedagógicas que jovens pluri estimulados desenvolvem muito a capacidade criativa, tão importante para a criação artística, avanço da tecnologia, expressão corporal e inovação (até mesmo, científica). Uma clara dicotomia entre o Ensino clássico, consolidado pela sólida estrutura do raciocínio lógico-matemático, e o mundo moderno, com extrema necessidade de mudança e criação.

Assim sendo, prezados leitores(as), tentem exercer ambas as atividades em seu cotidiano! Tentem, com certa frequência, estudar sem outros equipamentos eletrônicos conectados, usando somente folhas sulfite brancas, lápis, borracha e um bom livro-texto. Contenham sua ansiedade, tão típica dos vinte e poucos anos, mas que também tem afetado mulheres e homens de meia idade. Também pratiquem, quando possível, o chamado “ócio produtivo”: escolham um belo gramado, ou uma cadeira confortável, à sombra, sem distúrbios sonoros acima de 40 decibéis (o canto dos pássaros atinge essa intensidade) e pensem na vida! Onde e o que você quer fazer daqui a um, dois ou cinco anos? Qual estratégia você deverá adotar para alcançar estes objetivos? Trace o rumo de sua vida. Deixe seu pensamento fluir, mas tente contê-lo quando ele acelerar demais. Vá sozinho a um bom restaurante. Um que seja mais recatado e até com música ambiente serena e deixe suas ideias fluírem. Sem pressa.

Curiosamente, as minhas recomendações de desaceleração do pensamento em contraponto ao ritmo frenético que vivemos têm sido confrontadas por várias pessoas que afirmam que suas melhores ideias sempre vieram durante o banho! O que fazer, então, em época de restrição no gasto de água em São Paulo? Hum, difícil pergunta. Nesse caso, se o evento necessário para as ideais fluírem é a sensação de pequenos volumes de água entrando em contato com partes de seu corpo, eu sugiro um conta gotas ou caminhar na chuva, sei lá. Desculpem-me, foi o que saiu…

Boas ideias!

dorothy parker

“Meu, tu não sabe o que me aconteceu, os ‘cara’ do Charlie Brown invadiram a cidade”

Postado por

Regina Tavares

Mais posts
em 08/mar/2013 - 12 Comentários

O recente luto decretado pelo mundo da música me fez recordar uma passagem curiosa da minha vida. Há exatos dez anos, a Universidade Cruzeiro do Sul completava 30 anos e uma de suas ações comemorativas consistia na promoção de um show destinado aos alunos.  Por votação do público interno da Universidade, a banda Charlie Brown Jr foi selecionada para o tão esperado evento, em meio a outras duas sugestões de bandas. O show foi um sucesso. Chorão e sua trupe empolgaram centenas de jovens com hits como: “O coro vai come”, “Proibida pra mim”, entre outros.

A banda curtia a boa colocação no hit parade da época. Uma de suas músicas embalava Malhação, um sucesso televisivo entre os jovens. O lançamento do CD acústico MTV havia consagrado de vez os artistas que, dois anos mais tarde, viriam a ganhar o Grammy Latino. Já na juventude, eles estavam no topo do mundo e ‘tirando a maior onda’.

Na condição de jornalista, durante a cobertura do evento, ainda me recordo como a postura marrenta e debochada de Chorão me intrigava. Eu estava diante de alguém que, literalmente, se identificava e se projetava no seu público. A abertura do show trazia o vocalista em manobras radicais de skate e arrancava gritos ensurdecedores. O coloquialismo de suas letras ilustrava temas que transitavam entre amor e vício, e serviam como ‘hino-desabafo’ para muitos ali presentes. O sucesso da Charlie Brown Jr era a consolidação do sonho de qualquer jovem: montar uma banda, tocar na cidade grande e fazer sucesso. Àquela altura do campeonato, Chorão era referência certa para a ousadia e a determinação juvenil.

Lembro-me de termos trocado duas ou três palavras sobre a possibilidade de entrevistá-lo e de ter recebido um sim imediato, com a única condição de que o bate-papo fosse após o show. Aceitei prontamente a imposição e me pus a estudar a pauta com afinco. Já havia bolado questões em torno da ex-banda What´s up?, das letras de contestação como “Não é sério” e da possível desavença existente entre ele e seu baixista, o Champignon.

Mas algo saiu do controle e sem saber muito bem como tudo aconteceu, pude notar Chorão sobre uma imensa caixa de som, ameaçando se jogar no público; eis mais um de seus atos inesperados. Houve rumores sobre ser esta uma possível tática de marketing ou apenas uma demonstração de egocentrismo no palco. O fato é que os demais colegas da banda, a organização do evento e boa parte do público desencorajaram a audaciosa proposta.

As vozes dissonantes não foram suficientes. Chorão se atirou no público como quem se atira sobre inúmeros colchões macios empilhados. É óbvio que a brincadeira lhe custou caro, ele saiu de lá numa ambulância às pressas e eu sem a minha entrevista. Custei para entender que não era necessário falar com Chorão para atestar sua representatividade para a então fase do Rock e da juventude brasileira. Seu sorriso despojado, após o acidente já dizia tudo; provava que nada era capaz de lhe amedrontar ou diminuir sua sede por aventura. Ele era assim, intenso como muitos o caracterizavam. Não cabe aqui, discutir sem objetividade as causas de sua morte, nem julgar o motivo que o levou ao fim de sua jornada, mas lamentar o último salto deste destemido aventureiro tão representativo para muitos.

Depois de quarta-feira, por Chorão, muitos choraram.

Inté!

VOLUNTARIADO

Postado por

Renato Padovese

Mais posts
em 30/jun/2011 - 9 Comentários

Adriana busca uma criança no abrigo perto de sua casa, todo final de semana, para brincar com seus filhos. Fernando dá palestras em escolas para mostrar que a química é bela. Isidoro disponibilizou seu próprio telefone para receber reclamações da comunidade e as encaminha ao órgão competente no formato adequado. Maria José lidera um grupo de costureiras que confeccionam roupinhas de nenê, além de lençóis e fronhas, para diversas creches. Elizabeth ajuda alunos de escolas públicas a superarem suas dificuldades de escrita e leitura. Samuel reserva um tempo para capacitar futuros trabalhadores da construção civil. Estes são alguns exemplos de um verdadeiro exército da boa vontade, que se mobiliza em direção ao trabalho voluntário, sem remuneração alguma.

Mas o que leva as pessoas a realizar o trabalho voluntário? As motivações são muitas, mas a essência é uma característica universal da sociedade humana: o altruísmo. Nenhuma outra espécie que habita ou (até onde se sabe) habitou nosso planeta apresenta essa inclinação a fazer o bem ao próximo. Na verdade, a tendência para colocar os interesses alheios acima dos interesses do indivíduo é conflitante com a própria teoria darwiniana da evolução das espécies, a seleção natural, que se baseia na sobrevivência dos mais aptos, dos mais fortes.

É comum vermos pessoas que perderam entes queridos por doenças graves ou raras dedicarem-se ao auxílio dos familiares e pacientes acometidos pelos mesmos males. Multimilionários doam grande parte de suas fortunas para evitar a propagação da AIDS na África, por exemplo, e astros da música e do esporte montam suas fundações devotadas a causas nobres, desde a promoção da inclusão pela educação ao combate da prostituição infantil. Cada vez mais executivos mergulham no trabalho comunitário após a aposentadoria, ou mesmo quando estão na ativa.

Os jovens também têm procurado realizar boas ações. Pesquisas apontam que 62% dos jovens americanos buscam o trabalho voluntário para a satisfação de um ideal. No Brasil, apenas 7% optam por esta forma de ajuda, mas 54% têm interesse. O trabalho voluntário pode, inclusive, ajudar os jovens a conseguir uma colocação profissional melhor, na medida em que desenvolve habilidades que não seriam necessariamente aperfeiçoadas no estágio ou na aula e é valorizado pelas empresas na hora da contratação.

Para quem deseja se engajar em alguma causa social, a Universidade Cruzeiro do Sul criou o Programa Voluntariado. Por meio dele, os interessados podem participar como voluntário dos programas de extensão da própria universidade ou em entidades beneficentes que carecem de mão de obra. Para maiores informações, acesse o Programa de Extensão

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS