ROMANCE ‘CONTAR TUDO’, DO PERUANO JEREMÍAS GAMBOA CHEGA AO BRASIL

Com referências à música e intrigantes cenas de sexo, obra conta a história de um jornalista que decide largar tudo e viver de literatura

RIO — O romance tem mais de 500 páginas e um título auspicioso: “Contar tudo”. Elogiado pelo Nobel Mario Vargas Llosa e recebido por críticos literários latino-americanos como uma revelación, é o primeiro livro publicado no Brasil do jornalista e escritor peruano Jeremías Gamboa, de 40 anos. E o que um autor praticamente estreante tem tanto a contar? A própria vida, mas aqui confundida com a história de Gabriel Lisboa: um jovem estudante de Jornalismo da periferia de Lima que conta moedas para pagar a passagem, ouve Lou Reed e Caetano Veloso e lê livros o dia todo, tem certa dificuldade com os amores, mora de favor na casa de um tio e faz estágio em uma revista política semanal. E que um dia, tornado jornalista experiente, decide largar tudo e viver de literatura — tal qual Gamboa, que abandonou as redações (hoje colabora semanalmente com uma coluna de literatura para o “El Comercio”) para escrever o livro e dar oficinas de escrita no Peru. Ao tentar responder a si mesmo como faria isso — viver de literatura nos dias de hoje — o autor encontrou o título e o cerne do romance, uma bravata existencial em direção às palavras.

 

Muitos primeiros romances falam sobre a própria vida do escritor. É mais fácil escrever sobre o que se conhece?

 

É mais fácil, sim, mas a parte inventada aparece imediatamente. Desde o primeiro parágrafo, que escrevi saindo de um banho nos Estados Unidos, comecei a mentir, porque o meu protagonista faz o mesmo mas em um quarto em Santa Anita, na periferia de Lima. Escrever ficção é viver pelos pés de alguém. Gabriel Lisboa não sou eu, mas é um garoto feito de mim: dos meus medos, meus assuntos, meus desejos, meus sonhos.

 

É um romance caudaloso. Isso foi um problema durante a escrita?

 

É um problema editorial, pelo qual eu temia. Não queria que a extensão complicasse sua publicação e depois sua tradução: as cerca de 200 mil palavras encareceriam o custo de edição, a quantidade de papel, o custo das traduções. Neste sentido foi um problema. Mas no sentido literário, não. Gosto muito das novelas longas, e é de se agradecer que um escritor tenha uma história extensa e o tom preciso para narrá-la: é como sustentar uma relação amorosa duradoura e plena de bem-estar. Eu comecei a “contar tudo” pela metade, a partir do momento da renúncia, mas constantemente fazia flashbacks para contar o início da vida do personagem como jornalista. Então descobri que era uma novela de iniciação, que devia ser mais linear. Às vezes, quando escrevia, eu tinha receios pelo tamanho da história porque não há como se ter muito controle sobre a totalidade. E porque quando uma cena não saía sentia que todo o livro estava em risco. É como navegar um transatlântico.

 

Por que o livro se tornou um best-seller no Peru?

 

Foi impressionante. Hoje acho que foi uma empatia muito grande dos leitores com o protagonista: um garoto que representa uma maneira de ser de muitos peruanos, um adolescente mestiço e sem oportunidades que se lança a um lugar no mundo da mesma forma que muitos filhos de migrantes peruanos em Lima, transformando-se, e à cidade, definitivamente.

 

Em que momento de “Contar tudo” você notou que tinha uma linguagem própria?

 

Desde o início eu intuí. Sem essa certeza seria difícil abandonar o que estava fazendo para escrevê-lo. Custou muito encontrar uma voz própria, sobretudo pelo tratamento que daria à pobreza, que é uma característica dos meus personagens. Quando encontrei uma maneira digna de representá-los, achei algo parecido com a minha voz nos contos do livro “Punto de fuga” (primeiro livro de Gamboa, a coletânea de contos “Pontos de fuga”, em tradução livre, deve ser publicada ainda este ano pela Alfaguara). Foi precisamente este processo lento e doloroso do encontro de uma voz própria que quis representar no romance.

 

Há muita música no romance. Lou Reed é quase um personagem.

 

Escrevo com música. Deve ser por isso. Jamais soube escrever em silêncio. No momento de escrever este livro ouvi muita música, e fui incorporando as canções e discos desde o primeiro parágrafo. De fato a música é um gatilho da escrita. Gosto muito das ficções de Hanif Kureishi, Nick Hornby, e do chileno Alberto Fuguet, que incorporam muita música pop à trama. Eu me formei com música e por isso Gabriel também. Algumas das melhores lições que recebi sobre criação vêm da música, por isso homenageei Lou Reed, que me ensinou um sentido de escritura e liberdade, e Caetano Veloso, que foi meu grande guru na maneira de encarar meu ser mestiço.

 

É um romance sobre a escrita. As cenas de sexo do tímido Gabriel foram as mais difíceis, como costumam afirmar muitos escritores?

 

São difíceis como qualquer outra. Quando me aproximava delas, e sabia que entraria nelas, temia não conseguir escrevê-las e recorrer às elipses. Ao final acredito que tenham dado certo, graças à poesia de Jorge Eduardo Eielson, por exemplo, que li bastante durante a escrita. Quando li elogios a essas cenas de cama me senti seguro, empoderado como escritor. O sexo é um momento esplêndido para conhecer as pessoas e também para apresentar a essência dos personagens.

 

Fonte: O Globo

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ACERVO DE J. CARLOS É ADQUIRIDO EM COMODATO PELO INSTITUTO MOREIRA SALLES

Cartunista é um dos principais cronistas visuais do Brasil na primeira metade do século XX

RIO— Ele é um dos principais cronistas visuais do Brasil do século XX. Agora, quem quiser rever a produção de José Carlos de Brito e Cunha, o cartunista J. Carlos (1884-1950), vai poder encontrá-la toda em um só lugar. O Instituto Moreira Salles (IMS) acaba de receber o acervo do desenhista, preservado durante décadas em Petrópolis por seu filho.

 

 

São revistas como “Careta”, “O tico-tico” e “Fon-fon” — além de muitas outras; o artista trabalhou na maior parte das publicações do Rio de Janeiro, à época capital federal. São volumes encadernados, além de quase mil originais e desenhos esparsos. Filho de J. Carlos, Eduardo Augusto de Brito e Cunha ainda colecionou em álbuns as notícias que saíram sobre o pai depois de sua morte — e agora elas também estão no IMS, em regime de comodato, por pelo menos dez anos.

 

— É uma produção enorme e fascinante. Contei os dias de trabalho dele. J. Carlos começa em 1902 (na revista “Tagarela”) e trabalha até outubro de 1950. São 18 mil dias de trabalho! — afirma o cartunista Cássio Loredano, que já pesquisava o acervo desde 1995 e é consultor de iconografia do IMS.

 

REVISTAS EM BOM ESTADO

Loredano é o articulador da ida do acervo para a instituição. Ele começou a pesquisá-lo em 1995, indo à casa da família e fazendo cópias das publicações. Já publicou alguns livros a partir dessas pesquisas, como “O vidente míope — J. Carlos n’O Malho” (Folha Seca), em parceria com o historiador Luiz Antonio Simas; “J. Carlos contra a guerra” (Casa da Palavra), em colaboração com o colunista do GLOBO Arthur Dapieve; e “Carnaval de J. Carlos” (Lech), com Luciano Trigo, entre outros.

 

— Está tudo muito bem conservado. O filho do J. Carlos manuseava tudo sempre, então as publicações não estão nem amareladas. A “Careta” parece novinha. O acervo está em processo de higienização, ainda não começamos a pensar em exposições e publicações — afirma Julia Kovensky, coordenadora de iconografia do IMS.

 

A ideia de Loredano, colunista visual do GLOBO, é que outros pesquisadores possam ter acesso ao acervo, até por ter um olhar diferente do dele. Mesmo assim, o cartunista já tem pelo menos um outro livro na manga a partir do material que agora está no IMS.

— Quero fazer algo sobre o J. Carlos publicitário. Ele viveu uma época de grandes mudanças no Brasil, que se transformava de rural em urbano — destaca Loredano. — A fotografia ainda não estava popularizada, então usavam os desenhistas. Era a época de aquecimento a gás, eletricidade, automóvel, bondes, avião e o começo da televisão. Ele é o maior cronista visual possível do Brasil.

 

Naturalmente, o acervo não traz toda a produção de J. Carlos. Em primeiro lugar, porque tudo indica que ele se desfez do que publicou na revista “O Malho”, hoje arquivada na Biblioteca Nacional. Foi nela que o artista fez parte significativa da oposição a Getúlio Vargas, que logo depois chegou ao poder, pela revolução de 1930. O palpite de Loredano é que J. Carlos se ressentia desse período. Curiosamente, ele morreu na véspera da eleição de 1950, na qual Getúlio voltou democraticamente ao poder.

 

Estima-se que o artista tenha produzido mais de 100 mil desenhos. Ele disse certa vez que suas obras “davam para cobrir a Avenida Rio Branco”. Ele poderia voltar de táxi para casa, mas preferia o bonde — era o jeito de observar o cotidiano do Rio de Janeiro. J. Carlos trabalhou até o fim — estava debruçado sobre um desenho quando teve o derrame que o levaria à morte.

 

Fonte: O Globo

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COMPANHIA DAS LETRAS PUBLICARÁ SELO EM PORTUGAL

RIO — A partir de fevereiro, o Grupo Companhia das Letras publicará em Portugal um selo com o mesmo nome. Em conjunto com a Portugal Penguin Random House, a editora brasileira lançará autores, clássicos e contemporâneos, brasileiros e de língua portuguesa de outras nacionalidades . O primeiro livro a ser publicado no mercado português é o romance O irmão alemão, o mais recente de Chico Buarque. Lançado no Brasil em novembro de 2014, o livro já teve 100 mil cópias impressas.

 

Para 2015 estão garantidos, além de Chico Buarque, os clássicos Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade, e nomes como Fernanda Torres, Sérgio Rodrigues e Raphael Montes. No Brasil, a Companhia das Letras passa a intensificar a publicação de autores portugueses. Já neste ano, será publicado o romance “A Biografia involuntária dos amantes”, de João Tordo, autor vencedor do Prêmio José Saramago.

 

Em Portugal, Companhia das Letras será o selo dedicado à publicação de autores de língua portuguesa de todas as nacionalidades, com 12 títulos planejados já para o primeiro ano.

 

Fonte: O Globo

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LIVRO SOBRE JORNADAS DE JUNHO TRAZ ENTREVISTAS E ARTIGOS FEITOS NO CALOR DAS MANIFESTAÇÕES

Obra reúne representantes de diversas áreas que pensam o impacto daquele momento nos seus campos e no país

POR LEONARDO CAZES

 

RIO – Os protestos que começaram em junho de 2013 surpreenderam não só pelo tamanho das manifestações — as maiores vistas no Brasil desde a década de 1980 —, mas também pela pauta múltipla e difusa, a ocupação do espaço público por pessoas de diferentes ideologias e a organização horizontal com convocações pelas redes sociais. Surpresos e entusiasmados, os amigos Maria Borba, Natasha Felizi e João Paulo Reyes resolveram fazer um jornal com textos que ajudassem a pensar o que estava acontecendo no Brasil. Ao procurar uma editora para viabilizar a impressão, que seria distribuída durante os atos, receberam o convite para fazer um livro que reunisse artigos e entrevistas sobre o tema. Ali começava a gestação do recém-lançado “Brasil em movimento” (Rocco).

 

A obra traz uma série de reflexões feitas no calor dos acontecimentos por gente de diversas áreas, do arquiteto Paulo Mendes da Rocha ao economista Gustavo Franco, do compositor Gilberto Gil ao teórico da literatura Hans Ulrich Gumbrecht, do líder ianomâmi Davi Kopenawa ao geógrafo Jaílson de Souza e Silva, do historiador Daniel Aarão Reis ao advogado Pedro Abramovay, além de trabalhos dos artistas plásticos Tunga, Cildo Meireles, Antônio Manuel e Carmela Gross. Os escritores André Sant’Anna e Fausto Fawcett contribuíram com dois ensaios cortantes sobre o Brasil contemporâneo.

 

— Escolhemos gente que gostaríamos de ver envolvida no debate, que tivesse emoções e pensamentos sobre o que estava acontecendo para compartilhar — conta Natasha, jornalista e aluna da pós-graduação em Letras na UFRJ. — Buscamos saber para cada um as consequências que aquilo trazia no seu campo, pessoas que tinham nascido e vivido em diferentes momentos da História e visões de mundo diferentes. O objetivo foi pensar a partir das manifestações, não as manifestações em si.

 

Na obra, os textos estão datados e são apresentados em ordem cronológica. Os organizadores justificam a escolha porque as entrevistas ocorreram entre junho e dezembro de 2013, em meio a mudanças de conjuntura. Assim, os primeiros entrevistados nem tiveram a chance de falar sobre fenômenos que foram surgindo, como os black blocs. No entanto, durante a leitura, alguns dos principais temas discutidos nas ruas aparecem na fala dos convidados. Um exemplo é a relação dos protestos com a cidade para além da demanda por um transporte público de qualidade e gratuito. Arquiteta e professora da PUC-Rio, Ana Luiza Nobre faz uma análise sobre o Rio de Janeiro, cidade que passa por uma das maiores transformações da sua história e será sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

 

Para a arquiteta, “o que veio à tona (nas manifestações), no fundo, foi a própria crise da cidade, junto com a recusa a um modelo de cidade limitada a poucos, em detrimento de muitos. Por isso, se as reinvindicações se mostraram variadas, e muitas vezes difusas, a estratégia não deixou de ser fundamentalmente a mesma: ocupar (e tensionar) o espaço público — seja ele uma praça, uma rua, um túnel ou os jardins de um palácio.”

 

Abordando a questão específica da gratuidade, o engenheiro Lúcio Gregori, secretário municipal de Transporte de São Paulo entre 1990 e 1992, defende a viabilidade da bandeira do Movimento Passe Livre, embora ressalte que, para colocá-la em prática, é necessário repensar toda a organização dos sistemas de transporte nas metrópoles brasileiras. Trocaria-se o sistema de concessão, que estabelece a tarifa como garantia do equilíbrio econômico-financeiro do contrato, por outro, de fretamento de frota, onde as empresas seriam remuneradas pelo Estado de acordo com um serviço específico, sem ingerência sobre o itinerário das linhas e o valor da passagem.

 

Já Paulo Mendes da Rocha identifica nos protestos a insatisfação com o que chama de “escravatura mascarada”. “Se o operário não precisasse gastar três ou quatro horas por dia no transporte, ele teria três ou quatro horas para estar aqui, nessa roda, conversando sobre esses temas. Portanto, uma das formas mais eficientes de opressão do homem contra o homem, na minha opinião, é manter o outro constantemente aflito: como fazer com a criança, como arranjar comida para amanhã, como ir para casa e voltar etc. Manter um estado de desequilíbrio e desorganização na vida é uma forma de escravatura mascarada”, critica.

 

Gilberto Gil viu o sentimento de insatisfação generalizada que tomou conta da multidão como sinal de um cansaço civilizacional. Para o compositor, “nossa queixa não é propriamente em relação aos nossos males, é em relação a males generalizados da sociedade humana. É o cansaço desse modelo de civilização, dessa máquina mercante, como já dizia Gregório de Mattos há três séculos: ‘Ó, quão dessemelhante…’.” Maria Borba, uma das organizadoras, conta que o músico questionou a razão de se fazer um livro sobre algo tão recente.

 

— Na conversa com vários deles apareceu essa impossibilidade de se formar, naquele momento, uma análise pronta do que estava acontecendo. Gil imediatamente protestou, com razão, sobre a necessidade de se produzir um livro, algo fechado sobre um movimento que ainda estava acontecendo. Nosso intuito era o de capturar como retratos os pensamentos produzidos no calor da hora ainda sem forma definida, abertos.

 

Uma das entrevistas mais reveladoras do livro é a do coronel da PM Robson Rodrigues da Silva, ex-comandante das UPPs e hoje chefe do Estado-Maior da corporação. O coronel reclama da pressão para criação de novas unidades e da falta de um planejamento para a sua expansão. O militar, que também é antropólogo, faz uma análise crítica da formação dos policiais e de como eles próprios veem o seu papel na sociedade. Na entrevista, feita em agosto de 2013, já aparecem conceitos que norteiam a reestruturação da Polícia Militar anunciada pelo novo comandante-geral coronel Alberto Pinheiro Neto na semana passada. O principal é a adoção, em todos os batalhões, do conceito de policiamento de proximidade já utilizado nas UPPs.

 

João Paulo Reyes, que no texto de abertura do livro faz um resumo dos principais acontecimentos do período, comenta que, no início do projeto, com o passar dos meses, a atenção das pessoas em relação aos protestos foi se dispersando e nem todos viam uma relação de continuidade entre os primeiros protestos de junho e, por exemplo, as greves dos professores e dos garis que ocorreram meses depois.

 

— Há um slogan de 68 que tem muito a ver com isso: as manifestações na época eram “a estreia de uma luta prolongada”.

 

Fonte: O Globo

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HAMLET – WILLIAM SHAKESPEARE

Hamlet é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601.

Sinopse:

 

A peça, passada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça traça um mapa do curso de vida na loucura real e na loucura fingida — do sofrimento opressivo à raiva fervorosa — e explora temas como a traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade.

 

Autor: William Shakespeare
Edição: Vol.01
Categoria:Literatura Estrangeira, Clássicos
Formato: PDF
Linguagem: Português
Lançamento: 1603

 

Download: clique aqui

Categoria: Literatura e Filmes
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ÁFRICA E AMÉRICA APRESENTAM TALENTOS DA LITERATURA CONTEMPORÂNEA NA BIENAL

Evento recebe nesta segunda os escritores Valéria Luiselli, Conceição Lima e Antônio Prata

Antônio Prata acredita que o interesse pela literatura brasileira no exterior é reflexo do crescimento econômico do país

Os países latino-americanos e africanos têm rompido fronteiras e cruzado o oceano por meio de uma nova safra de autores. entre eles, Valéria Luiselli, do México, Conceição Lima, de São Tomé e Príncipe, e o brasileiro Antônio Prata. Os três escritores delineiam o cenário da literatura contemporânea Nas Américas e na África e dividirão hoje mesa em seminário na II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Tanto o México, quanto São Tomé e Príncipe e o Brasil foram palco de conflitos, seja pela independência, pela luta contra a repressão ou pela sobrevivência diante dos horrores do narcotráfico. O terreno se mostrou fértil em meio ao caos, no entanto, e a arte floresceu.

 

Antônio Prata acredita que o interesse pela literatura brasileira no exterior é, sobretudo, reflexo do crescimento econômico do país. “Como o Brasil está em voga, as pessoas estão olhando para o país.” O escritor, filho dos também escritores Mário Prata e Marta Goés, colabora em roteiros de novelas brasileiras e, ano passado, lançou o livro de crônicas semi-memorialistas, Nu de botas. “Os meus leitores crescem devagar, conforme vou sendo mais conhecido, também pelo o que escrevo nos jornais. Ainda é uma coisa pequena. Na lista de mais vendidos, os gêneros se misturam. Mas o público para literatura é pequeno. É muito difícil um escritor brasileiro viver de literatura.”

 

Considerada um dos nomes mais importantes da poesia africana contemporânea, Conceição Lima insere memórias e a história de São Tomé e Príncipe à literatura. Dona de um estilo intimista, ela busca imprimir a voz coletiva nos versos que constrói nos livros O Útero da casa, A dolorosa raiz do micondó e O país de Akendenguê. “Confesso que não me sinto muito confortável em falar da minha própria poesia. Atrevo-me a descrevê-la, de forma muito sintética, como uma poesia intimista, lírica, amiúde de contaminação épica, marcada por fluxos da história e na qual a voz do eu-lírico, não raras vezes, se confunde com a voz coletiva”, diz. Para ela, o amálgama entre as identidades do país e das poesias que escreve é movimentado pela germinação de sentidos entre os níveis individual e coletivo: “Há, na minha poesia ou em parte significativa dela, o entrelaçamento entre a narrativa pessoal, íntima, individual e aquilo a que se poderá chamar de narrativa da nação.”

 

Biógrafo de Fernando Pessoa conta como foi contato com familiares do poeta

 

Durante a pesquisa, o biógrafo chegou a 127 heterônimos, mas confessa que os mais importantes eram quatro: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Alvaro de Campos e Bernardo Soares — além de um destaque especial para para Alexander Search, António Mora, Barão de Teive. “Todos eram Pessoa e o que estava a sua volta. Álvaro de Campos, por exemplo, era de ‘Campos’ por conta de um sósia de Pessoa, Ernesto Campos. Nasceu em Tavira, terra do avô paterno de Pessoa. No dia de nascimento de Virgilio e Kant, duas de suas admirações literárias. Vivia na casa de duas tias velhas, com quem Pessoa vivia. Era engenheiro naval, como o marido da filha de sua tia Anica, que morava num quarto pegado ao dele. Visitou Stratford on Avon, onde era cônsul Eça de Queiroz. Viajou pelo Mediterrâneo ( em ” Opiário ” ) , como Pessoa havia viajado. Mas, diferentemente dele, que vai até Lisboa, desembarca em Marselha. Como Rimbaud. Nada nele era por acaso.”

 

Autorização para biografias

 

Calavcanti não precisou de autorização prévia para publicar a biografia de Fernando Pessoa e conta que o contato com a família do poeta foi amistosa. Ele é contra a exigência de autorização para a publicação de obras biográficas. “O debate, no Brasil, está simplificado. No primeiro mundo, pode. Aqui não deve ser diferente. Ocorre que, por lá, a indenização pode ir longe. 5 milhões de dólares, no case Leonard Ross x New York Times. 34 milhões de dólares, no case Richard Sprague x Philadelphia Inquirer. 232,4 milhões de dólares, Houston Money Managment x Wall Street Journal. Só que, por aqui, indenizações assim são consideradas censuras. Devemos fazer um debate mais informado e amplo.”

 

Três perguntas para José Paulo Cavalcanti

 

O que mudou em sua percepção sobre Fernando Pessoa após a pesquisa?

A dimensão do escritor. No início, de alguma forma, pensei que era um bom escritor, como tantos. No fim, vi que era algo muito especial. Na minha opinião, o maior vulto da literatura portuguesa.

 

Como foi seu contato com os familiares?

Muito bom. Cordialíssimo. Com certas concessões, claro. Por exemplo disse que o avô dos sobrinhos de Pessoa era sapateiro. Era mesmo, apesar de ter irmão rico. Por conta da Lei do Morgadio, que garante a totalidade da herança apenas ao filho mais velho. A família disse que ficou incomodada. Falei sobre as diferenças, com o Brasil. Aqui seria honra, um pai sapateiro ter filhos formados em universidades. Lá, não. Perguntei se poderia trocar sapateiro por ” profissão modesta ” . Eles aceitaram, com enorme satisfação. E colaboraram muito, depois disso.

 

Acha que o mercado editorial do Brasil está se consolidando no que diz respeito à literatura?

Sim. Sem dúvida. Mas continuo entendendo que não há nada mais moderno, revolucionário, democrático e transformador, para o país, que educação popular. Só um povo educado por exercer, em todos os seus limites, a cidadania.

 

II Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Debate: As múltiplas faces de Fernando Pessoa. Hoje, às 11h.
2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura — Esplanada dos Ministérios.
Debate: Biografias: literatura, história e identidade cultural.
Segunda-feira, às 19h. 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura — Esplanada dos Ministérios. Serão distribuídas senhas na entrada dos auditórios para as palestras, debates e seminários. Classificação Indicativa Livre

 

Fonte: Correio Braziliense

 

Categoria: UDF pra você
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TODA POESIA: PAULO LEMINSKI

Sinopse: Ao conciliar a rigidez da construção formal e o mais genuíno coloquialismo, o autor praticou ao longo de sua vida um jogo de gato e rato com leitores e críticos. Se por um lado tinha pleno conhecimento do que se produzira de melhor na poesia – do Ocidente e do Oriente -, por outro parecia comprazer–se em mostrar um ‘à vontade’ que não raro beirava o improviso, dando um nó na cabeça dos mais conservadores. Pura artimanha de um poeta consciente e dotado das melhores ferramentas para escrever versos. Este volume percorre a trajetória poética completa do autor curitibano, mestre do verso lapidar e da astúcia.

 
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2013
Número de páginas: 424

Categoria: Literatura e Filmes
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A CULPA É DAS ESTRELAS

Descrição

Hazel é uma paciente terminal. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.
Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.

 

 

Ficha técnica

Título: A Culpa É das Estrelas
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Edição: 1
Ano: 2012
Idioma: Português

Categoria: Literatura e Filmes
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