O TEMPO NÃO PÁRA…

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Carlos Augusto Andrade

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em 06/dez/2013 - 2 Comentários

Carlos Andrade

Olhei o calendário no meu celular quando acordei e vi que marcava dia 02/12/2013. Pensei comigo, mais um ano que praticamente acabou, estou ficando velho…

Nesses momentos em que nosso cérebro dá um estalo de consciência muito aflorada, tendo em vista que olhamos para a vida, a gente logo pensa que o tempo não pára. Ninguém pode segurá-lo.

O tempo não para

Quase que de pronto, a canção de Cazuza surge na mente. Não sei se é do conhecimento de todos, no Museu da Língua Portuguesa, há uma belíssima exposição deste jovem poeta que nos deixou tão cedo. Ele foi consagrado por suas letras ao mesmo tempo cheias de beleza poética e de crítica por apontar questões sociais das mais várias ordens. Amado e criticado polemizou o seu tempo e cumpriu o seu papel.

Neste meu último post do ano, pensei em falar sobre o tempo e como ele nos devora. De certa forma, a canção de Cazuza nos aponta questões importantes para que pensemos na nossa trajetória, nesse tempo em que vivemos. Um contexto conturbado de correrias que nos oferece pouco tempo para refletir e pensar naquilo que de fato importa.

Cazuza

Todos nós disparamos em nossa jornada diária e, por mais que corramos, encontramo-nos, muitas vezes, atirando para todos os lados e não acertando absolutamente anda. Os dados da vida são rolados diariamente e sempre temos um leão novo para matar. Não se pode esquecer que uma força natural brota a cada manhã e continuamos como leoa (é aqui cabe mais o sexo feminino mesmo) que precisa caçar sua presa, pois tem de alimentar sua cria. Vamos de certa forma desviando dos atropelos, assegurando que nenhum projétil nos atinja e de que não estejamos em nenhum edifício que comece a ruir. Luta brava, pois o tempo não pára. Vamos sobrevivendo aos nossos momentos com apenas alguns arranhões.

Nessas andanças temos fé de que dias melhores virão, mas ficamos perplexos, pois continuamos vendo o futuro repetir o passado.  As grandes novidades muitas vezes revelam apenas uma nova roupagem para ideias que não foram consolidadas. É o tempo não pára…

Se pensarmos diferente, ou vivermos de forma mais própria e pessoal, chamam-nos de tantos nomes, que no tempo de vovô e vovó nem se ousava pensar. No entanto, se deixarmos de acreditar, ou se não fizermos mudanças nos momentos em que exercemos nossa função cidadã, o tempo não pára e a frustração se instala.

Temos de limpar as bacias o côncavo e o convexo, tirar de lá os ratos que transformam os sonhos em pesadelos.

É bom lembrar que não estamos derrotados, não devemos ficar calados. É importante compreender os museus de grandes novidades e entender que a alma humana é paciente, sincera, singela, mas não é tola, ignorante, néscia, parva, pateta, nós pensamos, por isso mudamos, mudamos no tempo que não pára. É preciso se mostrar no caminho, para que outros possam ver que não estão sozinhos.

Desejo a todos um feliz natal e um novo próspero. Com este clichê, quero levá-los, queridos leitores, a pensar nos natais de outras pessoas que não serão tão bons e no próximo ano que não será mais fácil que este. Pensemos que será ano de eleição, de limpeza, de mudanças reais que podem favorecer o coletivo.

Reflitamos: mudar é preciso…, pois “o tempo não pára” e “não volta mais…”.

Então, é natal!

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Regina Tavares

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em 04/dez/2013 - Sem Comentários

por Regina Tavares

Sabe-se que é natal, quando se é acometido por uma furtiva sensação de impotência. Eu diria que, mais precisamente, quando alguns ciclos teimam em se encerrar à revelia de sua vontade ou aprovação. Você afirma que ainda não é hora, mas como um hóspede inconveniente, ele teima em chegar. Parece-me um momento propício para atestar nossa finitude ante o frenético cotidiano da humanidade dita “moderna”. Em suma, é a mais cabal evidência da superioridade do tempo em detrimento do ser.

Para sentir isto que procuro descrever, talvez sem sucesso, não se impõe o requerimento da sabedoria ou coisa que o valha. Ao nosso redor, claros sinais denunciam a época que teima em se impor. Casas humildes e sofisticadas se rendem aos adornos natalinos; certos discursos são abrandados e todos parecem querer redenção; circuitos comerciais insistem em anunciar liquidações arrasadoras e as pessoas aceitam se submeter a tal fraude, apesar de saberem da inviabilidade desta prática em um momento de ápice do consumo; “velhas-novas” promessas são proferidas; bons velhinhos passam a circular em público; inegáveis balanços são feitos em diferentes níveis, das empresas competitivas aos divãs terapêuticos e, finalmente, passamos a ouvir elaborações costumeiras como: “Nossa, o tempo voou. Então, é natal”.

Salvador Dali

(Quadro: A persistência da memória – Salvador Dali (1931))

 

E não cabe aqui creditar a sensação de insegurança quanto ao controle do tempo somente à contemporaneidade. A incomensurável fragilidade humana perante o tempo não é de hoje, na verdade, sempre foi inspiração para as artes, as literaturas, as religiões e o senso comum. Este tema coexiste em Salvador Dali, Goethe, Cristo e simpatias seculares. O tempo motiva e é motivo de nossa existência.

 

Outro dia mesmo ouvia o rádio, naqueles momentos de reflexão compelidos pelo trânsito, e algum economista futurólogo já se propunha a fazer tessituras sobre a tragédia anunciada de 2014. Segundo ele, o ano será terrível para o crescimento do PIB e a rentabilidade nacional, dado os 15 dias de feriado potencialmente emendados, o Carnaval, a Copa do Mundo, as Eleições e sei lá mais o quê.

 

Eu, em minha vã filosofia, só conseguia imaginar como 2014 pode me surpreender em sua plenitude, com tudo o que há de bom e de ruim. Afinal, é tão melhor ansiar pelo inusitado do que sofrer antecipadamente com conjecturas tenebrosas…

 

Inté!

A grande virada

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Regina Tavares

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em 19/dez/2011 - 18 Comentários

Nos últimos meses, tenho esperado por alguém que ainda não tem personalidade definida, muito menos um rosto bem delineado. Alguém que não fez as tradicionais promessas para o próximo ano e nem tampouco se recente daquilo que não alcançou no ano que se encerra.

Mesmo sem data exata para sua chegada e sem saber ao certo quais são suas preferências no quesito decoração, vejo minha casa se modificando para a recepção calorosa de alguém que nunca vi.

Faço malabarismo para entendê-lo, cuidá-lo, paparicá-lo. Enquanto o aguardo, tenho ouvido muitas recomendações: – Coma verduras, legumes e frutas. – Não esqueça do ômega 3. – É importante consumir iogurte regulador de intestino. – Não use saltos. – Não coce a barriga. – Durma assim, acorde assado. – Use cremes para evitar estrias. – Pense positivamente. – Evite o estresse. – Tente aquilo, evite aquilo outro.

Tenho andado com a sensibilidade aflorada. Vai entender as mulheres?! Grávidas então, é impossível. Tenho me surpreendido com lágrimas furtivas nas ocasiões mais esdrúxulas, em contrapartida tenho me deparado com um senso de pragmatismo detestável.

Ainda assim, diante de tantas transformações inconvenientes ou não, tão logo foi concebido, meu filho se tornou a prioridade maior, a fonte mais sincera de alegrias e o sentido mais inabalável da minha existência. Nesta virada do ano, gostaria que ele aceitasse meus melhores valores, conselhos e sentimentos como presentes singelos que, inconscientemente, venho preparando até aqui em cada um dos meus dias.

Quero que ele saiba que a esperança é sempre mais compensadora do que a decepção e que respeitasse a verdade absoluta de que não somos imunes ao tempo e que o seu poder renovador é extraordinário diante da alegria mais extremada e da tristeza mais intensa. Nada é para sempre. Nem nós mesmos. Para provar esta consciência, devemos exercer a gratidão pelo ar que respiramos, pela mágica da biologia que se renova em nosso corpo constantemente e por tudo o mais que temos e somos. E que esta certeza de privilégios não o conceda a marca da arrogância, pelo contrário, que ele seja consciente de toda a finitude e fragilidade presente na vida. Só assim é possível valorizá-la. E já que ele não pode fazer a tradicional lista de objetivos para o próximo ano, desejo a ele, a experiência dos sentimentos mais verdadeiros, das situações mais inusitadas, afinal é preciso se ter boas histórias para contar. Desejo boas leituras, ótimos filmes, viagens inesquecíveis, amores impossíveis e conquistas incalculáveis.

Ao leitor do nosso blog, que nos acompanhou em discussões tão variadas e vivenciou intensamente a aventura humana em 2011, desejo um verdadeiro renascimento de esperanças neste novo ano. Assim como uma criança diante do inesperado, desejo que você nunca perca a expectativa pela grande virada!

Feliz 2012!!!

OS SINOS CONTINUAM BADALANDO

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Carlos Augusto Andrade

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em 09/dez/2011 - 2 Comentários

Mais um ano que se finda. Na verdade, sempre fica a pergunta. O ano passou ou cada um de nós passou por ele.

Em breve, muitos sinos estarão tocando. São dos mais variados tipos e tamanhos e como instrumento de percussão, chamados também de idiofones ressoam com a finalidade de chamar a atenção para algo. Segundo alguns historiadores, esses objetos, fundidos em bronze, vêm de longa data. O mais antigo deles se encontra em Caruche, uma vila de Portugal (1293). Já o maior está no Kremelin, Rússia, chamado de Tsar Kolokol.

Instrumentos altamente simbólicos são utilizados para diversas ocasiões: festejos, funerais, anúncios importantes. Acabam sendo arautos, chamado as pessoas para atividades oficiais, religiosas, entre outras.

Não há como não pensar, também, nos sinos que se encontram em nosso interior, na nossa memória. Aqueles que badalam para nos alertar ou prevenir sobre algo. Isso acontece muito comigo. De repente, estou fazendo algo é “blein”, o sino da memória me faz lembrar que preciso realizar algo. Algumas pessoas vêem luz, eu ouço badalos. Cada louco com sua mania…

Este ano foi extremamente atípico para mim. Apesar das conquistas que nos deixam felizes, foi um ano que trouxe alguns dissabores, perdas difíceis de amigos queridos, parceiros de trabalho. Os meus sinos interiores, nesse momento, fazem-me lembrar que eu discordo completamente da máxima de que “pessoas são substituíveis”. Os que pensam dessa maneira, para mim, chegaram a um estágio de frieza e de robotização tão grandes que perderam a maior das qualidades do homem – a sensibilidade.

Pessoas são insubstituíveis. Digo isso de cátedra, pois fico procurando algumas que não mais estão entre nós e percebo o quanto elas fazem falta. Não pelo que faziam, mas pelo que eram.

Vamos ouvir muitos sinos ao final de 2011. Sejam eles nas igrejas, nas praças, nas comemorações, ou mesmo os internos. Que todos eles possam anunciar como luzeiros da nossa memória o quão importante e insubstituíveis as pessoas são.

Manuel Bandeira escreveu uma poesia linda que traduz um pouco o que quero dizer aqui.

Profundamente

Manoel Bandeira

Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?

- Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.

Um convite!!! Quando os sinos badalarem, abracem as pessoas que estão ao seu lado e lembrem-se dos que partiram e sinta-os presente. É esse processo de memória, de lembranças e de esperanças renovadas que prepara o nosso caminho para 2012, enchendo-nos de novas forças, para os novos desafios.

Um abraço imenso e até 2012, aqui no Blog da Extensão, ou em algum lugar do futuro.

Carlos Andrade

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