* Texto elaborado pela empresa VP Consultoria Nutricional, parceira do curso de pós-graduação em Nutrição do UDF.
Quando se pensa em saúde, em prevenções de doenças e em qualidade de vida é frequente que o pensamento vá direto para o cuidado com o coração, com o cérebro e diversos padrões detectados pelo sangue, como diabetes, ácido úrico, etc.
Porém, poucas vezes o intestino é lembrado – só que talvez, seja um dos principais órgãos para a saúde em geral. É comum pensar no intestino apenas quando se apresentam problemas e sintomas bem gritantes, como em casos de diarreia, ou intestino preso ou muita formação de gases; porém, a saúde intestinal reflete na saúde do corpo todo.
O intestino é importante, porque é nele que se completa a digestão dos alimentos ingeridos, absorção de nutrientes e fabricação de substâncias controladoras e células de defesa. Já pensou não ter nada disso ou ter estas funções não funcionando muito bem?
O resultado seria uma catástrofe. Sem digerir os alimentos, sem nutrientes e sem proteção, o corpo estaria fadado a sofrer com desnutrição, inflamação, deficiências nutricionais e baixa imunidade, até que não aguentaria tal desordem orgânica.
A digestão dos alimentos começa na boca, continua pelo estômago e termina no intestino, pois são liberadas enzimas digestivas no intestino. Qualquer motivo que leve a uma má digestão, como por exemplo, má mastigação, muito líquido na refeição, deficiências nutricionais que prejudicam a formação de enzimas digestivas ou qualquer outra deficiência enzimática e até o consumo frequente de alimentos alergênicos e de difícil digestão, levará a um alimento mal digerido.
Um alimento mal digerido que chega ao intestino servirá de alimento para as bactérias “ruins” (patogênicas) que, ao consumirem este alimento mal digerido, acabam formando gases e toxinas que lesionam as células do intestino.
O intestino é formado por camadas de células chamadas enterócitos. Todas são interligadas, como se tivessem um botão entre elas. Quando há esta lesão mencionada acima, além da secreção de enzimas e outras substâncias, como também as células de defesa ficarem prejudicadas, estes botões, que ligam os enterócitos, começam a se soltar, criando “espaços” entre as células, com sérias consequências – afinal, esta camada do intestino é fundamental para evitar a passagem de fragmentos de alimentos mal digeridos, toxinas e fragmentos de bactéria intestinais para a corrente sanguínea.
Quando esta função de barreira está prejudicada, a entrada destes fragmentos e toxinas na corrente sanguínea leva ao aumento da inflamação e aumenta a ativação do sistema imune para tentar combater estes corpos estranhos, prejudicando muito a saúde e a qualidade de vida em geral.
Muitas vezes, esta situação está presente mesmo com o intestino funcionando normalmente. Entretanto, na presença de funcionamento inadequado (tanto intestino preso que acumula muito mais toxinas, quanto diarreias ou excesso de produção de gases) a situação apresentada se mostra num grau maior ainda.
Com isso, é preciso pensar em alternativas para promover a recuperação desta barreira intestinal, além de regular toda alimentação, mastigar bem os alimentos e evitar exposição a substâncias potencialmente agressivas para a parede intestinal, como excesso de aditivos químicos, alimentos alergênicos e o consumo de bebida alcoólica.
A glutamina, um aminoácido, é a principal fonte de energia para as células intestinais utilizarem na sua própria recuperação. Desta forma, as células do intestino conseguem recuperar sua estrutura normal e também aquele botão entre as células volta a funcionar. Indiretamente, com esta recuperação, todos os problemas desencadeados anteriormente são controlados e a saúde intestinal, e de todo o corpo, volta a se restaurar.
Portanto, cuide de seu intestino e, se desconfiar que a integridade intestinal não esteja muito boa, procure um profissional nutricionista que poderá investigar os sintomas e aplicar o melhor tratamento nutricional, que pode incluir a suplementação de glutamina, com dosagem e tempo de tratamento individualizado; além de outras orientações que irão ser fundamentais para sua saúde. Afinal, a saúde começa pelo intestino.
Referências bibliográficas:
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