BRASIL ESTÁ ENTRE OS QUATRO MAIORES EMISSORES DE NITROGÊNIO

Emissões são impulsionadas pela produção de ‘commodities’

RIO — Quando se pensa em efeito estufa, o grande vilão é quase sempre o carbono. Por trás dele, porém, há uma amplo leque de elementos químicos altamente danosos à atmosfera. Um dos principais é o nitrogênio reativo, cuja liberação na atmosfera foi dissecada pela primeira vez em um estudo capitaneado por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, com dados de 188 países. O mapa dessa pegada de nitrogênio traz uma disparidade marcante entre nações. Quatro países — EUA, China, Índia e Brasil — são responsáveis por 46% das emissões desse gás no mundo.

 

O nitrogênio simples (N2) compõe 78% do ar na atmosfera e é extremamente estável, sendo absorvido apenas pelas plantas por meio de bactérias. A quantidade não aproveitada pelo ecossistema volta, em um ciclo natural, para a atmosfera. No entanto, desde a Revolução Industrial, o homem vem liberando nitrogênio reativo a partir da queima de combustíveis fósseis. Nos últimos 150 anos, para desenvolver a agricultura, o elemento tem sido usado na forma de fertilizantes. Grandes quantidades deixam o campo e vão para o ar, onde o gás reage com vapor d’água e dá origem a chuva ácida ou ao óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa 300 vezes mais poluente do que o próprio carbono e que contribui, por exemplo, para a acidificação do solo.

De acordo com os autores do levantamento, a poluição do nitrogênio a partir da atividade humana cresceu em seis vezes desde a década de 1930 — e em dez vezes nos últimos 150 anos. Hoje, o consumo de commodities da agricultura é o grande responsável pelo aumento das emissões desse gás.

 

POLUIÇÃO FORA DAS FRONTEIRAS

 

Os países desenvolvidos geralmente importam muitos produtos que levam à emissão de nitrogênio em nações mais apoiadas no setor agrário, diz a pesquisa. Assim, economias como Japão, Alemanha, Reino Unido e os EUA têm emissões per capita do gás duas vezes maiores do que a quantidade produzida localmente. Em média, por exemplo, cada pessoa na Libéria seria responsável por menos de sete quilos da liberação de nitrogênio reativo por ano. No mesmo período, um habitante de Hong Kong responderia por mais de 100 quilos de poluição, já que a região é grande importadora de produtos agrícolas.

 

— Queríamos saber quem estava fabricando os produtos que são postos nas prateleiras de outros países, e quem é afetado durante este processo — explica Arunima Malik, autor chefe do estudo, publicado na revista “Nature Geoscience”, que afirmou que os problemas ambientais causados pelo excesso de nitrogênio ainda vão custar muito caro.

 

Principalmente devido à importação de produtos agrícolas, as nações de alta renda são responsáveis por emissões de nitrogênio dez vezes maiores que a observada em países em desenvolvimento. Esta diferença refletiria, também, o aumento do consumo de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, entre outros itens que demandam uso intensivo de energia.

 

— As emissões estão fortemente relacionadas ao consumo e à produção — acrescenta Andrea Santos, gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. — O Japão e demais nações desenvolvidas importam roupas e outros produtos cuja fabricação levou a emissões de nitrogênio. Hong Kong não tem terra para culturas agrícolas. Então, precisa comprar suprimentos de diferentes países. O cultivo desses itens levou à liberação de nitrogênio.

 

De acordo com Andrea, a avaliação da emissão de nitrogênio exemplifica um impasse das negociações climáticas:

 

— Os países desenvolvidos são historicamente os maiores poluidores da atmosfera, já que financiam o cultivo agrícola e importam commodities de outros locais. No entanto, as nações pobres às vezes são consideradas “corresponsáveis” pela poluição, já que conduzem em seus territórios as atividades econômicas que vão liberar nitrogênio.

 

A pesquisadora do Fundo Verde avalia que o Brasil, durante seu desenvolvimento econômico, não investiu em sustentabilidade. Por isso, acredita que “não é surpresa” ver o país entre os principais produtores de nitrogênio.

 

— Precisamos adotar no campo práticas como o manejo do solo e a mudança de cultivos agrícolas — destaca ela, antes de acrescentar: — Não cuidamos dos problemas no campo, tampouco investimos apropriadamente em fontes de energia renováveis nas cidades. O setor energético e o de transporte estão entre os mais poluentes de nossa economia, e isso ocorre porque ainda abusamos dos combustíveis fósseis.

 

A equipe de Malik alerta que, com a expansão da população mundial, a emissão de nitrogênio aumentará significativamente. Por isto, é necessário fazer projeções sobre como aumentarão e serão distribuídos a riqueza e o consumo nas próximas décadas, assim como indicar os setores nos quais o combate à contaminação da atmosfera por gases-estufa devem ser prioritários.

 

O cientista que liderou a elaboração do mapa das emissões de nitrogênio propõe a criação de uma legislação internacional para o controle da liberação desse gás. Para o pesquisador, esta medida inibiria as emissões. Outra proposta é a impressão, nos rótulos dos produtos, da quantidade de nitrogênio necessária para a sua fabricação, o que contribuiria para a conscientização dos consumidores. Ele também sugere a taxação dos itens mais poluentes e de fácil acesso no mercado, como os fertilizantes nitrogenados.

 

As recomendações são incentivadas por André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil:

 

— A demanda por nitrogênio pode ser reduzida se tomarmos decisões mais conscientes dos produtos associados com a liberação do gás em diversos setores, como alimentação, transporte e indústria têxtil — ressalta. — É importante que cada país considere alternativas para reduzir o uso deste elemento químico. (Colaborou Clarissa Pains)

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
Tags: , , ,
Comentar

GENETICISTA DEFENDE USO DA ENGENHARIA GENÉTICA EM ORGÂNICOS

‘É apenas mais uma ferramenta’, diz Pamela Ronald

RIO – A geneticista Pamela Ronald é professora da Universidade da Califórnia, Davis e um dos principais nomes na defesa dos organismos geneticamente modificados. Entre seus estudos, destaca-se a descoberta de um gene do arroz que torna a planta capaz de se desenvolver em campos inundados. Agora, ela defende a liberação do uso da engenharia genética entre os agricultores orgânicos.

 

Como a senhora avalia o debate em torno dos organismos geneticamente modificados (GMO, na sigla em inglês)?

É bom ter em mente que tudo que comemos é melhorado geneticamente de alguma forma. Existem métodos diferentes de melhoramento genético. E a engenharia genética, que é a técnica de transferir genes entre duas espécies, vem sendo utilizada ao menos nos últimos 40 anos, sobretudo na medicina. Como cientista, eu venho acompanhando essa técnica pelos últimos 30 anos. Todas as grandes organizações científicas do mundo concluíram que os produtos da engenharia genética atualmente no mercado são seguros para alimentação. Todas as espécies devem ser analisadas caso a caso, mas o consenso é que o processo de engenharia genética é seguro.

 

Na sua opinião os GMOs são seguros para o consumo humano?

Minha opinião não importa. O que eu realmente espero é que as pessoas analisem o consenso. São as organizações científicas que dizem, as mesmas que concluíram que o clima está aquecendo por causa da atividade humana. Então, é bom colocar em perspectiva não a opinião pessoal, mas o consenso científico. É importante que a gente não trate fatos científicos como opinião.

 

Quais as vantagens dos GMOs?

A engenharia genética é apenas uma ferramenta. Cada espécie é diferente e não é possível generalizar sob o selo de GMOs — precisamos ser muito específicos. Um exemplo da importância da engenharia genética é o mamão papaia havaiano. Nos anos 1950, uma doença muito grave devastou as plantações de papaia no Havaí, e não havia como controlar a praga. Então, os produtores tinham que abandonar a produção em uma ilha e ir para outra. Infelizmente, a infestação se alastrou por todas as ilhas. Um pesquisador local usou a engenharia genética para criar uma planta resistente à doença. Hoje, 80% dos mamões papaia são geneticamente modificados. Foi um projeto criado em domínio público e, até hoje, não existe outra forma de controlar a doença.

 

E o seu projeto de engenharia genética do arroz, pode falar sobre ele?

Eu sou pesquisadora, não desenvolvo arroz geneticamente modificado, mas estive envolvida em um importante projeto. Minha colaboração foi isolar o gene que permitia à planta do arroz resistir a inundações. O projeto foi muito importante porque, mesmo que os pés de arroz cresçam bem em ambientes alagados, morrem se estiverem completamente submersos. Nós conseguimos identificar o gene que tornava uma variedade específica de arroz capaz de sobreviver nesses ambientes. Um time de pesquisadores internacionais introduziu esse gene em espécies de arroz que são plantadas na Índia. E os resultados foram muito bons. Este não é um exemplo de engenharia genética, mas mostra o poder da genética das plantas. Por isso eu tento evitar o uso do termo GMO, porque ele não fornece qualquer informação, apenas confunde. Nesse exemplo, certamente envolveu técnicas genéticas, mas usou genes de arroz em plantas de arroz, o que é diferente do mamão papaia, que usou genes de um vírus.

 

O termo GMO deveria ser abandonado então?

Eu acredito que haja muita confusão porque o termo é muito ruim. Às vezes, as pessoas não entendem que tudo que está vivo tem genes, e todas as plantações têm genes resistentes. O termo GMO não é específico e não ajuda à discussão, porque as plantas devem ser tratadas caso a caso. Podemos falar sobre o papaia, que recebeu genes de vírus; podemos falar sobre o milho, que foi melhorado para resistir a pragas; sobre o arroz, que tem maior poder nutritivo. Mas tudo é colocado sob o mesmo selo de GMO.

 

A senhora defende o uso da engenharia genética nos cultivos orgânicos, certo?

Meu marido é produtor orgânico. Ele segue todas as práticas ecológicas para manter a plantação saudável, como misturar diferentes plantas para reduzir as infestações, e também usa espécies geneticamente melhoradas, como todo produtor orgânico. Mas existe uma técnica que ele não pode usar, que é a engenharia genética. Então, eu e meu marido pensamos que o foco não deve ser na técnica usada na planta, mas no objetivo da agricultura sustentável. Nós temos o mesmo objetivo. Nós queremos que os produtores sejam capazes de produzir para uma população crescente sem destruir o ambiente. Isso significa reduzir a aplicação de compostos químicos. Temos que garantir que os produtores possam subsistir e obter algum lucro, com o uso eficiente da terra e da água. Esses são os reais objetivos da agricultura sustentável.

 

No Brasil, existe a discussão sobre o selo de alimentos transgênicos. O que a senhora pensa disso?

Eu gosto dos selos, mas com todas as informações da produção, não apenas para destacar que se trata de alimentos GMO. O papaia, por exemplo: o mamão geneticamente modificado tem apenas um traço da proteína viral, mas o mamão que não é geneticamente modificado, que tem a doença, carrega dez vezes mais a mesma proteína. Então, isso é muito confuso para os consumidores, porque quando eles veem o selo GMO, eles não sabem exatamente do que se trata. Eu acho que todos nós, como consumidores, queremos saber é se o fazendeiro produziu os alimentos de maneira sustentável, dentro do possível, claro, porque toda agricultura é destrutiva. Todas as vezes que se planta qualquer coisa, o ecossistema nativo é alterado. Nós, consumidores, queremos saber se o produtor fez esforço para reduzir a destruição do ambiente.

 

E os GMOs podem contribuir para uma agricultura mais sustentável?

O que está acontecendo é que os consumidores estão pedindo por produtos não GMO. Os produtores dizem, tudo bem, mas vou cobrar 15% a mais. E por que eles estão cobrando a mais? É porque a produção requer mais pesticidas. E isso não é sustentável, nós temos que reduzir os compostos tóxicos. Então, no selo, também deveria vir informado quais compostos tóxicos foram usados na produção. Eu acredito que os selos devem existir, mas com total transparência. O que exatamente foi usado na produção daquele alimento.

 

Um dos pontos envolvidos nesse debate é o de grandes corporações, que dominam o mercado de sementes e insumos. O que a senhora pensa sobre isso?

Certamente existem algumas grandes companhias que dominam o mercado global de sementes. Mas essas empresas usam diferentes técnicas e vendem sementes para todos os tipos de produtores, inclusive os orgânicos. Então, eu acho que é importante não confundir o uso dessa técnica com preocupações sobre corporações. Este certamente, é um ponto importante de discussão, mas não podemos esquecer que existem muitas organizações fazendo uso da engenharia genética. Aqui no Brasil, uma variedade de feijão foi desenvolvida por uma agência do governo (Embrapa). A academia também presta papel importante. Então, nós temos que separar as duas discussões.

 

Mas essa dependência em relação às corporações não é prejudicial para o agricultor?

É verdade que, nos EUA, muito do milho que plantamos foi desenvolvido por grandes corporações, e os fazendeiros estão comprando essas sementes dessas companhias. O que nós precisamos fazer é conversar com esses fazendeiros para entender por que eles compram essas sementes. Eu sei que, em um caso, os fazendeiros reduziram a aplicação de inseticidas em dez vezes. Isso é um grande benefício ambiental. Então, eu acho que devemos nos concentrar nos aspectos ambientais da agricultura. Existem diferentes métodos, e diferentes ferramentas, e a engenharia genética é apenas mais uma delas, mas uma ferramenta importante. Os fazendeiros devem ser livres para escolher a melhor ferramenta para eles.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
Tags: , , , ,
Comentar

CO2 NA ATMOSFERA ATINGE NÍVEL RECORDE EM 30 ANOS, DIZ ONU

Outros gases do efeito estufa produzidos pelo homem também aumentaram

GENEBRA – Os níveis dos gases do efeito estufa na atmosfera tiveram uma alta recorde em 2014, num momento em que o implacável agravamento das mudanças climáticas faz com que o planeta fique mais perigoso para as gerações futuras, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU, nesta segunda-feira.

 

“Todo ano, dizemos que o prazo está se esgotando. Temos que agir agora para reduzir as emissões de gases do efeito estufa se quisermos ter uma chance de manter o aumento da temperatura em níveis administráveis”, disse o secretário-geral da entidade, Michel Jarraud, em comunicado.

ADVERTISEMENT
Gráficos de emissões elaborados por essa agência da Organização das Nações Unidas mostram a elevação constante dos níveis de dióxido de carbono, o principal gás do efeito de estufa, que alcançou 400 partes por milhão (ppm), estabelecendo um novo recorde a cada ano desde que foram iniciados monitoramentos confiáveis, em 1984.

 

Os níveis de dióxido de carbono alcançaram a média de 397,7 ppm em 2014, mas rapidamente romperam a barreira de 400 ppm no hemisfério norte no início de 2014, e novamente no início de 2015. Logo, 400 ppm será uma realidade permanente, disse Jarraud.

 

“Isso significa temperaturas mais quentes no mundo, eventos climáticos mais extremos, como ondas de calor e inundações, derretimento de gelo, elevação do nível do mar e aumento da acidez dos oceanos. Isto está acontecendo agora e estamos nos movendo em território desconhecido em uma velocidade assustadora”, afirmou.

 

O aumento nos níveis de dióxido de carbono vem sendo amplificado por níveis mais elevados de vapor de água, que por sua vez foram subindo por causa das emissões de dióxido de carbono, afirmou a WMO.

 

Níveis dos outros dois principais gases do efeito de estufa produzidos pelo homem, o metano e o óxido nitroso, também continuaram sua inexorável ascensão anual em 2014, chegando a 1.833 partes por bilhão (ppb) e 327,1 ppb, respectivamente. Ambos tiveram seu mais rápido ritmo de aumento em uma década.

 

O painel de cientistas do clima da ONU estima que as concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso são as mais elevadas em pelo menos 800.000 anos.

 

Mais de 150 países, liderados pela China e Estados Unidos, os maiores emissores de gases de efeito estufa, divulgaram planos para limitar as emissões de gases do efeito de estufa a partir de 2020. Mas os planos revelados até agora não irão reduzir as emissões o suficiente para atender a uma meta acordada em 2010 de limitar o aquecimento mundial a menos de 2° Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
Tags: , , , , , , ,
Comentar

LONGEVIDADE DO BRASILEIRO ‘É QUASE UM MILAGRE’

No Dia do Idoso (celebrado na última quinta), representante da OMS diz que envelhecimento exige qualidade de vida

RIO – O Dia Internacional do Idoso, celebrado na última quinta-feira (1º), é uma data para promover a qualidade de vida na terceira idade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse grupo, que hoje representa 12% da população brasileira, passará a 30% em 2050, saltando de 24,4 milhões a 70 milhões de pessoas. Mas, para Alexandre Kalache, o presidente do Centro Internacional para Longevidade no Brasil, braço da OMS, é “quase um milagre” o Brasil ter conseguido aumentar a expectativa de vida da sua população, já que a maioria dos brasileiros não tem acesso a condições viver mais com qualidade.

 

O envelhecimento saudável também é responsabilidade de cada um individualmente? O brasileiro cuida da saúde como deveria?

 

Como comprar comida saudável e colorida se a população brasileira só tem dinheiro para o cardápio branco, com arroz, farinha e óleo? Como estas pessoas farão exercícios físicos se trabalham onze horas por dia e ainda encaram o transporte público para chegar em casa? Vai correr na praça? Que praça? Onde esse cara mora não tem lugar para lazer. A responsabilidade de envelhecer bem é algo complexo, que envolve educação até para que as pessoas consigam projetar o futuro. O brasileiro é imediatista porque tem de pensar em como pagar a conta do final mês. Tem mais dificuldade para pensar nos anos à frente. Além disso, um terço da população tem dificuldade de ler e escrever e não saberá fazer escolhas saudáveis. É preciso mais sensibilidade social.

 

Como o Brasil está em comparação com os países vizinhos em relação à saúde dos idosos?

 

Segundo dados da OMS, no Brasil, a expectativa de vida de um bebê nascido hoje é de 75 anos, com cerca de dez anos com saúde debilitada. Em países vizinhos, como Argentina, Chile, Costa Rica e outros, a expectativa de vida é de 78 a 80 anos, com sete ou oito anos com doenças. Estamos pior. E se compararmos com países desenvolvidos, como Japão e Alemanha, pior ainda. Nesses lugares, as pessoas vivem até mais do que 80 anos e têm menos anos “extras” com saúde debilitada. Estes países enriqueceram primeiro e depois envelheceram. É quase um milagre o Brasil ter ganhado este gap de longevidade. Quando eu nasci, há 70 anos, a expectativa de vida era de cerca de 43 anos.

 

Qual a novidade do Relatório Mundial sobre Envelhecimento e Saúde, da OMS, que afirma que a quantidade de pessoas com mais de 60 anos deverá duplicar no mundo até 2050?

 

Não é uma novidade em relação ao conteúdo. É em relação ao foco. Este é o primeiro relatório da OMS sobre a longevidade, é a primeira vez que o órgão olha com esta atenção para o idoso. Os idosos são uma realidade no século atual. E a OMS está dizendo aos seus 193 países membros: acordem! É preciso pensar no idoso, temos de dar ênfase a eles. Porque o envelhecimento está chegando rápido.

 

Na sua opinião, o que é preciso fazer no caso do Brasil?

 

É preciso tornar os lugares em que vivemos ambientes amigáveis para as pessoas mais velhas, realinhar sistemas de saúde às necessidades dos idosos e que o governo desenvolva sistemas de cuidados de longo prazo que possam reduzir o uso inadequado dos serviços de saúde. O Brasil precisa dar atenção à educação. Incluo aqui mudanças nas faculdades de medicina, na formação educacional dos médicos. Hoje em dia eles estudam como se estivessem no século passado. Por que tantos especialistas em reprodução, se cada vez mais nascem menos bebês? Porque se estuda tanto sobre criança, se a população está cada vez mais velha e tem mais cachorros do que bebês nos lares atuais? Precisamos de melhores cardiologistas, ortopedistas, geriatras e, de uma forma geral, que os médicos foquem nas doenças crônicas e que sejam antenados com o envelhecimento.

 

Fonte: O Globo (com adaptações).

Categoria: Acontece
Tags: , , ,
3 Comentários

DIREITOS AUTORAIS DE ‘O DIÁRIO DE ANNE FRANK’ GERAM POLÊMICA

No ano em que a morte da adolescente judia completa 70 anos, best-seller vira impasse mundial

RIO — Todos os anos, o mercado editorial saliva à espera da lista de obras literárias que caem em domínio público, o que acontece sempre no dia 1º de janeiro seguinte ao aniversário de 70 anos da morte do autor, segundo a legislação da maioria dos países. É quando as editoras podem valer-se dos textos originais para fazer novas traduções, adaptações, remixes — sem pedir a autorização e sem pagar por isso. Este ano, por exemplo, entrou em domínio público “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry — e não por acaso o mundo todo viu pipocar novas versões e produtos do principezinho, suas roseiras e asteroides.

 

No dia 1° de janeiro de 2016, cai em domínio público outra obra suculenta comercialmente: a versão original do “Diário de Anne Frank”. Com mais de 35 milhões de exemplares vendidos no planeta, a primeira edição do livro foi publicada em 1947 pelo pai da adolescente judia, Otto Frank, morto em 1980, logo depois de encontrar e reunir os diários escritos por Anne num esconderijo em Amsterdã, enquanto fugia da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Como Anne morreu em 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen, e se o “Diário de Anne Frank” foi escrito por ela, a informação parece inconteste, certo? Não necessariamente.

 

Quem contesta é a Anne Frank Fonds — fundação suíça criada por Otto Frank em 1963 para administrar os direitos autorais da obra. A instituição causou polêmica ao divulgar nota, este ano, no jornal holandês “NRC Handelsblad”, afirmando que o “Diário de Anne Frank” não entrará em domínio público em 2016 porque o pai da autora seria coautor da obra; como Otto Frank morreu em 1980, ela só estaria “livre” comercialmente em 2051.

 

Para entender a intrincada relação de autoria, que se tornou um case mundial para discussões sobre domínio público, primeiro é preciso saber que existem quatro versões do diário: a chamada versão A, que são os escritos originais de Anne, enquanto esteve escondida no esconderijo da família, em Amsterdã, na Holanda; a versão B, reescrita pela própria Anne depois de um chamado ouvido no rádio enquanto estava no esconderijo, em março de 1944, quando o então ministro holandês Gerrit Bolkestein conclamou a população a guardar documentos sobre a guerra. Foi quando a jovem entendeu que o que escrevia poderia de fato virar uma publicação futura, e passou a reescrever, modificando nomes e referências, incluindo trechos novos e abreviando outros.

 

Existe ainda a versão C, que é a primeira reescrita por Otto para a publicação do “Diário…”, em 1947, quando ele excluiu trechos considerados privados. E há ainda a versão D, de 1991, feita pela pesquisadora Mirjam Pressler, sob autorização da Anne Frank Fonds, somando trechos das versões A e B à versão C.

 

Representante do escritório Silveiro Advogados, contratado pela Anne Frank Fonds este ano para garantir que nenhuma versão do livro apareça sem pagar os devidos direitos no Brasil, Rodrigo Azevedo detalhou em mensagem ao GLOBO o posicionamento da instituição: “Indiscutivelmente, Anne Frank detém a autoria exclusiva das versões A e B do ‘Diário…’ Porém, mais complexa é a circunstância que envolve a criação das versões C e D, sendo esta última justamente a obra que atualmente se encontra em circulação. Tanto na versão C quanto na D, o processo criativo foi diretamente influenciado por novas pessoas, gerando um resultado final inquestionavelmente diverso. Assim, cabe verificar se seriam essas modificações e rearranjos suficientes para qualificar as versões C e D como novas obras protegidas, o que, naturalmente, conduziria a diferentes prazos de duração dos direitos patrimoniais de autor, notadamente sabendo-se que Otto Frank faleceu apenas em 1980 e que Mirjam Pressler ainda vive. Desse modo, a versão atualmente em circulação (D), bem como o texto organizado por Otto Frank (C), na condição de obras derivadas, possuem prazos de proteção autoral independentes em relação aos textos originais, os quais seguirão vigentes ainda por décadas”.

 

O imbróglio é tema de discussão entre especialistas do direito autoral por todo o mundo, em escritórios e universidades. O GLOBO consultou dois especialistas: o advogado brasileiro Sérgio Branco e a advogada holandesa Emilie Kannekens, que faz mestrado sobre a questão.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Literatura e Filmes
Tags: , , , , ,
Comentar

SUBSTÂNCIAS PRESENTES NO PLÁSTICO PODEM GERAR “CURTO-CIRCUITO” HORMONAL

Segundo pesquisadores, desreguladores endócrinos seriam causa de diabetes, obesidade e outros problemas

RIO — Elas nos acompanham dos primeiros aos últimos dias de vida. De aparência inofensiva, estão presentes na natureza e em produtos químicos, como os usados em plásticos. Compõem da mamadeira a garrafas PET. Mas são capazes de provocar danos sérios ao organismo com o passar dos anos, alertam cientistas e médicos. Na lista de seus possíveis efeitos estão obesidade, diabetes, infertilidade masculina, câncer e menstruação precoce. Receberam o nome pouco amistoso de desreguladores hormonais, e é exatamente isso o que fazem, causam um curto-circuito nos hormônios. Os efeitos perigosos dessas substâncias na saúde figuram entre os destaques da XXX Reunião da Federação das Sociedades de Biologia Experimental, que acontece esta semana na Universidade de São Paulo (USP) e reúne mais de mil cientistas do país.

 

À frente de estudos pioneiros sobre desreguladores hormonais está a medica Denise Pires de Carvalho, do Laboratório de Fisiologia Endócrina do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, ela e sua equipe investigam como o bisfenol e os ftalatos, dois dos tipos mais comuns de desreguladores endócrinos, afetam a tireoide e o metabolismo. Os resultados das pesquisas indicam uma forte ligação com a obesidade e a diabetes.

 

BANIDAS NOS EUA E NA EUROPA

 

A suspeita sobre o bisfenol e os ftalatos não é nova. Tanto que foram banidos nos Estados Unidos e na Europa, com base em estudos populacionais. Porém, no Brasil seu uso é liberado. Inclusive em vasta gama de produtos infantis, como mordedores. Trabalhos como o de Denise, que revelam como é a ação dessas substâncias sobre o organismo, comprovam os efeitos nocivos e abrem caminho para encontrar formas de combater suas consequências.

 

— O Brasil precisa de uma regulação mais forte sobre essas substâncias. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia tem sido atuante, mas não basta só isso — afirma a médica e cientista.

 

Em investigação com culturas de células e, depois, com animais, Denise e seu grupo viram que tanto o bisfenol quanto os ftalatos bloqueiam a ação de enzimas chamadas desiodases. Elas são essenciais para que o corpo produza o hormônio tireoidiano T3. Este hormônio está ligado ao crescimento, à memória e à cognição e também é fundamental para o controle do gasto energético. Está presente na gordura marrom, conhecida como gordura do bem, associada à queima de calorias em excesso.

 

— Nossa hipótese é que muitos casos de obesidade e diabetes do tipo 2 podem estar relacionados ao uso de produtos com ftalatos e bisfenol. Na verdade, essas substâncias já foram encontradas no organismo de pessoas obesas e também em diabéticas — explica Denise.

 

IMPACTO CARDÍACO PODE OCORRER

 

Uma hipótese que os pesquisadores também buscam comprovar é que os desreguladores hormonais podem ser transmitidos através das gerações. Desde os anos 70, tem sido observada maior incidência de casos de infertilidade masculina, menstruação precoce, cânceres de testículo e tireoide, além de obesidade e diabetes do tipo 2. A presença cada vez maior dessas substâncias no cotidiano é vista como uma das possíveis causas.

 

— Ainda há muito o que estudar. Temos investigado substâncias presentes em plásticos, mas inseticidas domésticos e pesticidas também as contém. São muito comuns e afetam o corpo de numerosas formas — salienta Denise.

 

O grupo dela estuda o impacto dos desreguladores na tireoide. Mas há muitas outras implicações.

 

— Um dos trabalhos que será apresentado aqui mostra os efeitos dessas substâncias no risco cardíaco. Conhecer esses compostos melhor é uma questão fundamental de saúde pública — diz a pesquisadora.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
Tags: , , ,
Comentar

ENTIDADES DE SAÚDE PEDEM A PROIBIÇÃO DO USO DA GORDURA TRANS NO BRASIL

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e outras organizações divulgam carta ao Ministério da Saúde e à Anvisa sobre a questão

RIO — Em carta-aberta divulgada nesta segunda-feira, entidades de saúde brasileiras exigem que o Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabeleça a imediata proibição de gorduras trans nos alimentos em território nacional — à semelhança do que já acontece na Europa e nos EUA.

 

O documento é assinado pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), entre outras entidades.

 

As gorduras insaturadas trans, conhecidas como gorduras trans são associadas a um risco elevado de morte por doença cardiovascular, obesidade e hipertensão com colesterol elevado. Elas são encontradas especificamente em produtos processados, nos óleos hidrogenados que os mantêm conservados.

 

No documento, as entidades questionam o fato do Guia Alimentar para População Brasileira (GAPB), lançado em 2006, restringir o consumo de gordura trans a 1% do valor energético diário, o que corresponde a aproximadamente 2 g/dia em uma dieta de 2 mil calorias, baseando-se em uma sugestão publicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1995.

 

Em 2004, a própria OMS reviu a sua sugestão e lançou a Estratégia Global para Promoção da Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde com a meta de eliminação do consumo de gordura trans industrial.

 

“A participação de alimentos industrializados contendo gordura trans na dieta contemporânea é traço marcante do padrão alimentar atual da população. Seu consumo causa impacto na saúde, tanto no desenvolvimento de doenças crônicas quanto no estado nutricional”, afirma o documento.

 

“Neste sentido, a SBD junto com a SBEM e Abeso, vem a público neste momento de mudança em relação aos hábitos de vida, solicitar a RETIRADA COMPLETA em tempo hábil, de todo alimento que contenha GORDURA TRANS”.

 

Dia 14 de Novembro é o Dia Mundial do Diabetes, doença epidêmica que atinge mais de 350 Milhões no mundo todo. No Brasil, estima-se 14 milhões de pessoas e a maioria obesos, hipertensos com colesterol elevado e com risco de morte por doença cardiovascular muito elevado.

 

ANVISA: REGRAS PARA GORDURAS TRANS PODEM SER REVISTAS

 

Em resposta ao documento, a Anvisa informou que apenas monitora a rotulagem nutricional de alimentos, e que a política de redução de consumo é do Ministério da Saúde. A agência afirma ainda que os valores adotados pela legislação nacional para gordura trans estão entre o mais restritivos em nível internacional, mas que os valores devem ser revistos:

 

“Após quase dez anos de regulamentação da rotulagem nutricional no país, a Anvisa entende que existem condições para atualizar as regras existentes para declaração de gorduras trans, o que deve ser discutido no âmbito do Grupo de Trabalho (GT) sobre Rotulagem Nutricional”, afirma a agência.

 

A Anvisa instituiu, por meio da Portaria nº 949/2014, o GT com o objetivo de auxiliar na elaboração de propostas regulatórias relacionadas à rotulagem nutricional de alimentos. Entre os objetivos do Grupo estão: subsidiar a Anvisa em assuntos técnicos e ou científicos relacionados à rotulagem nutricional, auxiliar na identificação dos principais problemas e limitações do modelo regulatório atual sobre rotulagem nutricional e propor alternativas para solucionar os problemas e limitações identificadas.

 

“O GT certamente vai rever a questão da rotulagem de gorduras trans”, afirmou a Anvisa em sua resposta.

 

Fonte: O Globo

Categoria: Acontece
Tags: , , , , , ,
Comentar

MARATONISTA HÁ 20 ANOS, DRAUZIO VARELLA LANÇA LIVRO SOBRE CORRIDA

‘Correr’ foi lançado no último sábado (25), no evento Rio Run Market

RIO — Corredor de maratonas há 20 anos, o médico paulista Drauzio Varella é crítico feroz do sedentarismo e do sobrepeso. Segundo ele, quem não faz ao menos 30 minutos de exercício por dia está vivendo de forma errada. Drauzio lança seu livro mais recente, ‘Correr’, no último sábado (25), durante a Rio Run Market, a feira que antecede a Maratona do Rio, prova que já completou algumas vezes.

 

 
O senhor está com 72 anos e corre maratonas. Quando é a hora de parar?
 
Enquanto as pernas aguentarem. Digo isso no meu livro. Sei que tem uma hora em que não vai dar mais. Mas não estou perto dela. Na verdade, não há conhecimento científico sobre os limites do corpo porque o ser humano não vivia tanto. Ainda são poucas as pessoas com mais de 70 anos que correm maratonas. O grande teste será ver como as pessoas que estão na meia-idade agora e correm, ou são ativas de outra forma, estarão quando chegarem aos 70 anos ou mais. Hoje, me considero o mais saudável dos meus amigos.
 
O senhor começou a correr maratonas aos 50 anos. Há uma época ideal?
 
Mais cedo teria sido melhor. Mas nunca é tarde para começar.
 
Muita gente vê a maratona como um desafio quase impossível. O que há de verdade nisso?
 
Na verdade, a maratona exige disciplina, treinamento. Mas é factível para a maioria das pessoas que treinam para isso. O lado psicológico é muito importante. É ele que nos faz levar uma vida mais regrada. Não exagerar na bebida. Não comer demais. No meu caso, fico mesmo mais antissocial, porque não dá para fazer um jantar, tomar um vinho e ficar acordado até tarde e fazer um treino longo no dia seguinte. É preciso vontade e disciplina. Mas correr uma maratona não é tão difícil assim.
 
Há quem considere que a maratona causa muito desgaste. É fato?
 
Você pode sofrer durante a prova, pode ser muito dura. Já passei por momentos em que achei que ia parar. Mas sempre encontramos forças e prosseguimos. Fico ótimo depois da prova. Não fico destruído. Tomo um banho e estou novo. A sensação de concluir uma maratona é maravilhosa. Felicidade e satisfação indescritíveis. Dá um barato que não tem quem pague.
 
A crença de que a corrida destrói os joelhos tem fundamento?
 
É uma bobagem. Um mito. No meu livro cito um estudo muito interessante. Ele mostra que, na verdade, não-corredores têm mais lesões nos joelhos do que corredores. Corro maratonas há mais de 20 anos e nunca tive problemas nos joelhos.
 
A maratona é para todo mundo?
 
É para quem gosta. Você pode adorar correr e nunca ter vontade de fazer uma maratona. Além da disciplina, há ainda o componente genético. Homens muito grandes e pesados sofrerão mais, claro. Vejo rapazes hipertrofiados correndo com um esforço enorme. Isso acontece porque, de fato, aquele corpo bombado de academia é tão pouco saudável quanto o de um sedentário.
 
O senhor faz alguma dieta especial para correr maratonas?
 
Não. Nunca fiz. Esse é outro mito. Não acredito em suplementos. Não trazem resultado. O importante é ter uma alimentação equilibrada com frutas, verduras, legumes. E não abusar de nenhum alimento. Nas semanas que antecedem uma maratona é preciso ingerir mais carboidratos, mas com moderação.
 
O senhor destaca sempre a importância do exercício. Qual o papel dele em nossas vidas?
 
Não é que exercício faça bem. A vida sedentária é que faz mal.
 
Por que é tão difícil deixar o sedentarismo?
 
Porque desperdiçar energia é contra a natureza humana. Na verdade, é contra a natureza de qualquer animal. Essa tendência natural é uma necessidade ancestral de economizar energia, surgida numa época em que não havia comida fácil. Agora vivemos num ambiente de comida abundante, gostosa e relativamente barata. O resultado é acumular gordura. Para você vencer a tendência ao sedentarismo, precisa de disciplina.
 
Temos tendência natural a acumular gordura…
 
Sim. E o resultado é impressionante. E as pessoas não engordam apenas por fora. O fígado acumula uma quantidade impressionante de gordura. Inclusive o das crianças. Isso é extremamente nocivo. A obesidade causa dependência, perda de mobilidade, suscetibilidade a doenças. Tenho um paciente que precisou fazer uma cirurgia bariátrica para emagrecer e me disse “sabe o que é felicidade, doutor? É poder amarrar o sapato”. Isso é muito triste.
 
Há aqueles que fazem exercício apenas no fim de semana e acham que se exercitam. Por exemplo, jogar futebol uma vez por semana é praticar exercício?
 
Claro que não. Primeiro que futebol assim não é esporte. É um jogo. E um jogo que destrói os joelhos.
 
Que conselho dá a um sedentário?
 
Se você não tem 30 ou 40 minutos por dia para fazer exercícios, está vivendo errado. Quando você conversa com um sedentário, ouve sempre uma ladainha de obrigações. Uma interminável história triste. Todo o tempo é absorvido pelo trabalho, pelos filhos, pela mãe doente, por uma lista infinita de problemas que, em tese, tomam todo o tempo. Mas precisamos ter tempo para nós.
 
As pessoas são muito autocondescendentes?
 
Sim. Há uma tendência a não se considerar responsável pela própria saúde. Mas cuidar da saúde cabe a nós mesmos. As pessoas têm ideias mirabolantes, procuram explicação divina, “Deus quis”. Ora, Deus lá tem tempo para provocar infartos? A frase “saúde é um bem de todos e um dever do Estado” é equivocada, um absurdo. É obrigação de cada um cuidar de si. Não comer demais, não se entregar ao sedentarismo. Quem não faz isso se expõe a um risco maior de doenças, custa mais caro para a saúde pública.
 
Mas o problema só aumenta…
 
Sim. Veremos uma discussão séria em saúde pública em pouco tempo. Está cada vez mais difícil arcar com os custos crescentes das doenças associadas à obesidade e ao sedentarismo. Por que alguém que se mantém no peso certo e se exercita terá que pagar as mesmas taxas de outro que conscientemente não faz isso e, logo, corre mais riscos? É justo? É uma discussão importante. Será que daqui a algum tempo não veremos as seguradoras de saúde adotarem a mesma estratégia que usam hoje com carros? Em vez de, por exemplo, cobrarem mais de quem está acima do peso, podem dar um “desconto” para os demais, assim como fazem hoje com quem usa menos o seguro de um automóvel.
 
Fonte: O Globo (com adaptações)

Categoria: Literatura e Filmes
Tags: , , , , ,
1 Comentário
Termo de Uso de Conteúdo –

Nós permitimos e incentivamos a reprodução do conteúdo deste blog, desde que as condições determinadas abaixo sejam respeitadas.
Qualquer utilização que não respeite este Termo será considerada violação de propriedade intelectual e estará sujeita à todas as sanções legais.
Você pode copiar, distribuir e exibir o conteúdo, sob as seguintes condições:


Atribuição

Você deve dar crédito ao autor original sempre que o conteúdo possuir autoria. Veja o exemplo abaixo.
Por: (inserir o nome do autor)


Origem


A fonte deve ser citada da seguinte forma: Fonte: UDF.Blog (com o  link http://blog.udf.edu.br/)


Utilização do conteúdo


É vedada a criação de obras derivadas do conteúdo do UDF.Blog.
Você não pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você não pode utilizar o conteúdo para finalidades comerciais ou publicitárias.


Política de Privacidade


Todas as informações fornecidas por você serão utilizadas para sua identificação.
Seus dados não serão vendidos ou compartilhados com terceiros sem sua prévia autorização.
Caso tenha solicitado, usaremos seus dados para mantê-lo informado sobre serviços, novidades e benefícios. Você sempre terá a opção de cancelar o recebimento de tais mensagens.


Condições gerais para os comentários


Buscando manter um relacionamento mais próximo e oferecer a possibilidade de participação dos usuários em nossos conteúdos, comentários são permitidos e bem-vindos em nosso blog.
Eles estão sujeitos a aprovação e serão publicados sempre que de acordo com as seguintes condições:

Os conteúdos dos comentários publicados são de responsabilidade dos usuários, não tendo nenhuma interferência ou opinião do UDF Centro Universitário.