EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO – PARTE II

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Renato Padovese

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em 22/abr/2014 - 4 Comentários

Por Renato Padovese

A convite da professora Úrsula Lanfer Marques, minha orientadora do mestrado, ingressei no PAE (Programa de Aperfeiçoamento do Ensino) como monitor da disciplina que ela era responsável na graduação, Química e Bioquímica de Alimentos. Meu papel era preparar as aulas práticas e ajudar os alunos durante as atividades no laboratório. Foi assim até quase o final do semestre, quando ela me pediu para desenvolver uma prática inteiramente nova, em substituição àquela que já vinha ministrando até então, sobre “escurecimento não-enzimático”. Dentro desta temática, escolhi abordar uma reação entre carboidratos e aminas (ou aminoácidos) importante na ciência dos alimentos, a reação de Maillard. Os produtos desta reação, as melanoidinas, conferem a cor, sabor e odor típicos dos alimentos cozidos ou assados. Aquela crosta dourada e deliciosa do pãozinho, por exemplo, é fruto da reação de Maillard.

Lembrei-me deste fato após tomar conhecimento de uma nova hipótese científica que procura explicar a formação da imagem de Jesus Cristo no Santo Sudário. Este tecido de linho de grandes dimensões, na qual ficou gravada a imagem de um homem açoitado e morto na cruz, talvez seja o objeto mais fascinante e polêmico do mundo ocidental. Os mistérios que envolvem o pano atiçam a imaginação tanto dos religiosos quanto dos ateus e céticos. Desde sua aparição no século 14, os céticos trataram de classificar a relíquia como fraude, uma pintura ou desenho feito por algum artista medieval. O troco dos religiosos veio em 1898, quando a primeira fotografia feita do Sudário mostrou o que poderia ser um miraculoso retrato de Cristo. Na verdade, é seu negativo fotográfico que revela uma imagem tridimensional bastante convincente do rosto de um homem de olhos fechados.

 Jesus

Estas fotografias desencadearam o debate moderno sobre o Sudário, aumentando a pressão da comunidade científica para que a Igreja Católica liberasse a peça para maiores estudos. Finalmente, em 1978, um grupo de cientistas americanos, numa iniciativa chamada STURP (Shroud of Turin Research Project – Projeto de Pesquisa do Santo Sudário), teve permissão para realizar uma série de exames de alta tecnologia, a fim de determinar como a imagem foi produzida. Os achados do grupo apontaram para a autenticidade da relíquia, corroborando a ideia de que o lençol um dia envolveu o corpo morto de um homem coroado com espinhos, crucificado e sepultado de acordo com os costumes judaicos na região de Jerusalém do século 1. Em outras palavras, o Santo Sudário é a evidência material da existência de Jesus Cristo.

Porém, alguns cientistas ainda eram tentados a imaginar que a formação da imagem era o vestígio de algum milagre e não um fenômeno puramente natural, como é mais sensato supor. Até que um dos mais respeitados cientistas do STURP, Ray Rogers, percebeu que a imagem era o produto de uma reação química ordinária, justamente aquela que um dia eu demonstrei aos alunos do curso de Farmácia da USP. O linho apresenta carboidratos em sua composição, resultado dos processos de fabricação e lavagem. Um corpo em decomposição libera amônia e aminas biogênicas, como putrescina e cadaverina, que começam a ser produzidas bem rapidamente depois da morte. As aminas reagiram com os carboidratos do pano e as melanoidinas resultantes coloriram as fibras, produzindo uma impressionante representação do corpo humano, a qual nenhum artista jamais ousou conceber.

LEIA TAMBÉM: http://blog.cruzeirodosul.edu.br/?p=2080

EU CREIO NO JESUS CRISTO RESSUSCITADO

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Renato Padovese

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em 25/mar/2013 - 9 Comentários

Se estivesse calçando chinelos, a cadelinha Doli saía correndo atrás de sua dona, porque já sabia que ela ia à casa da vizinha ou à quitanda. Mas, se o calçado escolhido fosse sapatos, o destino mais provável seria a Igreja, então Doli permanecia, resignada, em sua casinha. Um dia, numa de suas perseguições, Doli foi atropelada e morreu, causando imensa dor à família que, traumatizada, nunca mais quis ter nenhum bicho de estimação. Esta singela, ainda que trágica, história contada por meu pai me faz entender o porquê da minha formação católica, já que pelo menos um membro conhecido de minha família, no caso a minha avó paterna, ia à Igreja com frequência suficiente a ponto de ter seu cão adestrado. E, apesar de ter passado pelos sacramentos do batismo, primeira comunhão, crisma e casamento, eu poderia ser enquadrado atualmente na categoria dos católicos não praticantes ou, pior das hipóteses, na dos céticos.

Porém, talvez o mesmo sentimento que me afasta da missa aos domingos me aproxima da fascinante história do cristianismo, pois aguça minha curiosidade em entender como essa crença de quase 2 mil anos ajudou a moldar a civilização ocidental e afetou o modo de viver das pessoas. Algo particularmente intrigante é a origem do cristianismo, ou seja, como uma seita judaica obscura poderia ter se transformado no maior movimento religioso do mundo? Os cristãos sempre explicaram a origem de sua religião por meio de um mistério divino, o fato de Deus ter devolvido a vida a Jesus após um breve período que esteve morto. Trata-se do milagre da Ressurreição, celebrada anualmente no feriado da Páscoa. A Igreja foi fundada, depois da morte de Jesus, com base na crença no Cristo Ressuscitado. Se nada de especial houvesse ocorrido na Páscoa, os seguidores de Jesus jamais teriam erguido um movimento religioso em seu nome.

(imagem: fotodejesuscristo.com.br)

Ora, mas como um, na pior das hipóteses, cético pode acreditar num dogma tão inverossímil? Como aceitar a ideia de que alguém pudesse se levantar dos mortos? Talvez seja este o milagre mais absurdo de todos atribuídos a Jesus. Deve existir um meio de compreender a ressurreição de um modo racional. Algumas testemunhas afirmaram ter visto o túmulo vazio e o próprio Jesus em carne e osso. Ele pode ter perdido a consciência na cruz, depois recobrado os sentidos e abandonado a câmara mortuária em segredo. Ou seus discípulos podem ter sido acometidos por alucinações, induzidas em suas mentes pela imensa dor ante a morte do messias.

Uma boa explicação racional para a ressurreição é a baseada no Santo Sudário, peça de linho em que ficou gravada a misteriosa imagem de um homem (Jesus) torturado e morto na cruz. Segundo esta teoria, ao encontrar aquela imagem peculiar na mortalha que envolvia o corpo de Jesus, seus seguidores se convenceram de que ele havia se levantado dentre os mortos e subira aos céus. Esta descoberta teve forte impacto psicológico no grupo, até então traumatizado e humilhado pelo assassinato cruel de seu líder. Deu-se, assim, a faísca que inflamou o cristianismo.

Aceitar a teoria do Sudário para a origem do cristianismo pressupõe acreditar na autenticidade da relíquia, considerada por muitos (os céticos) como uma mera fraude medieval. Se eu acredito na autenticidade do Santo Sudário? A resposta é sim, mas este é um assunto para depois do feriado. Feliz Páscoa!

A Páscoa: mais do que uma data, um elo

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Carlos Augusto Andrade

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em 05/abr/2012 - 33 Comentários

Uma das competências humanas que mais prezo é a sua capacidade de viver em sociedade. A vida em comunhão é marcada pelas nossas relações sociais que se presentificam desde nossa vivência em casa, até as mais complexas relações como as compartilhadas na escola, na igreja, no trabalho, nos passeios etc. As pessoas são intrinsecamente sociais. Algumas, podem até achar que é possível viver só, mas esse número deve ser muito pequeno. Pelo menos, para mim, é impossível. Construir algo significativo nesse mundo é erguê-lo com muitas mãos.

O mundo comemorará a Páscoa. Entre ovos de chocolate, coelhos e distribuição de bom-bons, tudo resulta no desejo de estar com alguém, para poder festejar alguma coisa. Acho muito boa a experiência da troca de chocolates, mesmo não podendo experimentá-los pelas altas taxas de açúcar. No entanto, é preciso ir além. Qual o sentido da Páscoa e a sua origem real? O que poderíamos tirar de lição dessa festa que todo ano comemoramos? Tenho certeza que não é o dia internacional da Diabetes, pois se não o comércio iria à falência. Mas tenho vivido o espírito da Páscoa em todos os dias da vida e, agora que ele tem um dia especial, podemos acentuar seu significado em nossas vidas.

Espero não deixar ninguém triste, mas a Páscoa não tem nada a ver com ovos, chocolate ou coelhos. Ela está relatada na Bíblia, no capítulo 12, do livro do Êxodo. O povo de Israel estava cativo no Egito e, para marcar a sua libertação, deveria fazer uma ceia no dia 14 do mês de Nisã (próximo aos nossos Março e Abril). Não vou entrar em detalhes, pois podemos recuperar a história toda lendo a referência, no entanto gostaria de frisar que um cordeiro foi morto e o seu sangue espargido nos umbrais das portas, para que o anjo da morte não entrasse naquela casa. Aquela marca nas portas tinha um sentido. Ali uma família estava unida debaixo da mesma realidade, da mesma ideologia, da mesma fé. A festa marcaria a liberdade tão sonhada e esperada, ali definida pelo ato social/familiar. Uma mesa posta com ingredientes específicos para que todos, em comunhão, participassem unificando-se por um propósito.

O próprio Cristo fez isso também antes de ser crucificado, na última ceia com pão e vinho, ele serviu aos apóstolos e ensinou-lhes o significado da comunhão, do estar juntos. Para mim, em alguns momentos, posso ouvi-lo dizendo: “não se esqueça de comemorar a liberdade que só pode ser conquistada na unidade”. Para os cristãos, Ele foi o cordeiro, cujo sangue espargido, possibilitou uma nova vida.

Jesus, assim, institui uma significação belíssima, no meu entendimento, sobre a ceia que celebra a Páscoa: a comunhão entre as pessoas por um propósito que não é individual. Esse propósito coletivo pode mudar os rumos da vida individual das pessoas, pois terá a chancela do elo social. Imaginem como é difícil quebrar uma corrente forte e coesa. Muito difícil.

Pensando nisso, como estão as nossas relações em casa, no trabalho, no dia a dia?

Páscoa para mim é isso. Um momento de fortalecer essas correntes.

Ainda que seja com ovos, coelhos e regada a muito chocolate, façam valer o significado real da Páscoa.

Assim, desejo aos colegas professores, funcionários e alunos do Módulo, da UDF, da Cruzeiro do Sul, da UNICID: UMA FELIZ PÁSCOA, na busca de que os elos que nos ligam se fortaleçam a cada dia.

Abraço imenso.

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