REVOLUÇÃO DOS IPÊS-AMARELOS

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Marcelo Paes Barros

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em 04/mai/2011 - 10 Comentários

Visitei recentemente grupos de pesquisa em nossa pátria-irmã Portugal e as coisas vão mal pelas bandas de lá. Em Abril de 2011, Portugal entrou com pedido de ajuda financeira de 80 bilhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e à Comunidade Européia para tentar, gradativamente, saldar uma dívida externa de 400 bilhões de euros. Esse valor é tão absurdo que se houvesse a distribuição da dívida por cada família portuguesa, cada uma dessas deveria desembolsar 100 mil euros para saldar imediatamente a dívida! Considerando a taxa de 5,5% que o FMI/CE cobra, imaginem a preocupação dos patrícios. A taxa de desemprego portuguesa atingiu os 11,2% em Janeiro de 2011 com previsões de incremento de 1-2% para 2012. Um gole seco desce pela garganta de cada jovem português recém-formado (16% desempregados em Dezembro de 2010), de cada trabalhador acima dos 45 anos (principalmente mulheres) e obviamente dos aposentados, assombrados pela névoa densa e escura da inflação. Assim, Portugal se junta à Grécia e à Irlanda como os três únicos paises do bloco da Comunidade Européia na zona do vermelho. Muitos estudiosos e economistas ponderam que esta situação lastimável é o produto de décadas sob má gestão política e substancial delapidação de recursos e reservas. Curiosamente, há 37 anos Portugal realizava uma gigantesca reforma político-econômica decorrente da Revolução dos Cravos que trouxera sobrevida a um país tão próspero e de relevância histórica indiscutível. Contudo, de lá para cá, ladeira abaixo…

Pelas bandas de cá, a economia brasileira experimentou um crescimento de 7,5% em 2010 com um Produto Interno Bruto (PIB) totalizando R$ 3,675 trilhões e representando a 8ª. economia mundial, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Com tanta prosperidade exposta em preto-e-branco nos jornais e à cores na TV, eu apenas gostaria de saber: onde está esse dinheiro? Temos um dos piores índices de educação da Escola Fundamental e Média do Mundo e ano após ano estes resultados não melhoram! Os serviços públicos de saúde são lastimáveis (ou você acha normal passar um dia interio em uma fila do SUS para simplesmente adquirir uma senha de uma consulta, a qual será agendada Deus sabe quando…). Que tal o transporte público?

Sem sombra de dúvidas, vivemos um período próspero e de grandes oportunidades. Mudanças de ordem sócio-econômica devem ser alavancadas AGORA! Enxugar a ‘máquina’ administrativa – que ainda desvia rios de dinheiro em troca de favores políticos, funcionários-fantasmas, falcatruas em licitações e outras corrupções explícitas – é uma necessidade imediata! Não se preparar/resguardar para os possíveis e até previstos períodos difíceis é no mínimo insensatez ou irresponsabilidade sócio-política, mesmo. Revolução dos Ipês-amarelos, já!

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