SER PROFESSOR É

Postado por

Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

Mais posts
em 05/nov/2013 - 2 Comentários

SER Professor

SER, com toda a magnitude da palavra. Existir, com toda consequência que há nisso. É desvelar o oculto. Mostrar o conteúdo da profundidade e não o relevo da superfície. Mediar, para as milhares de pessoas que cruzam o seu caminho, a verdadeira vida, diferente daquela apreendida pela cultura contemporânea, que valoriza o ter, descarta o ser, aceita o bem de consumo e enaltece o mal consumista, acostumada a dignificar o produto e não a essência. É aquele que, pela própria prática, mostra com atitudes e exemplos o quanto a existência se centraliza no próprio humano, e não em produções culturais ou tecnológicas, resultantes das ações do homem. É aquele que percebe o trajeto solitário de seu caminho, muitas vezes trilhado na contra mão do mundo presente. É o ser insistente, que transcende a idéia espúria de acreditar em mundo melhor, já que percebeu, à revelia da hipocrisia, que o mundo só piora. É aquele que age pautado no próprio valor, na própria vontade, inconformado com o conformismo de seus semelhantes. É aquele que deseja não ser o SER que o mundo oferece como modelo. Não ser, em outras palavras, o desumano que os seres humanos são. Não por ideologia, mas por sentido, porque entendeu que o que conta mesmo é a experiência concreta, derivada da contradição do mundo real e não do mundo imaginário. É aquele que almeja ser o que quase ninguém quer. É acima de tudo, consciente de si, tendo consciência da importância que tem o outro para si próprio. É ser atrevido a ponto de demonstrar o bem que há em amar seu próximo. E amar, hoje, nessa sociedade maluca, é um fenômeno raro, mais do que ouro. Parece até que esse sentimento é de tolo, assim como o ouro. Ouro de tolo. E o professor, “tolo”, que ama o que faz, que prepara suas aulas com tanto carinho, não o faz por necessidade, somente, mas por satisfação. O professor, portanto, ensina, em muitos casos, a quem não quer apreender, a quem ainda não entendeu o que é o amor, a quem não se aceita enquanto ser, e não o aceita como referência. É aquele que parte da premissa de que o quanto amar o próximo e ser amado são as principais jóias que o indivíduo pode adquirir em vida, mesmo sabendo, quase como um segredo, velado, que o amor não é teórico, racional ou descritivo. Para o mestre, o amor é tudo. É o mais importante. É o destaque do ciclo da vida, seu ápice, que se desveste e se mostra puro no contato com seu aprendiz.

Mas o professor, no fundo, não sente o mesmo carinho que tem para com sua platéia. Pelo contrário, experimenta, intuitivamente, a indiferença de seu papel. Se resolver, por exemplo, responsabilizar seus espectadores pelas próprias atitudes, passará a ser vaiado no melhor do espetáculo. E o melhor acontece, sempre, em sala de aula. Mesmo assim, adora transitar nesse cenário, porque ele é um recorte da vida. E ainda que aja como um lunático, “cheio de vida”, enxerga, também, as muitas “vidas” que transitam nesse espaço, e teima em aprender que seus aprendizes não possuem tanta preocupação em apreender o sentido dela. O professor, no fundo, não aprendeu que o mundo não quer aprender mais nada. Continua a ensinar. E com muito prazer. Continua, ainda, a se preocupar com cada um, com cada personagem, com cada ator e atriz que, tragicamente, não sabe qual é a essência de suas atuações, mas que colorem, rotineiramente, suas manhãs, suas tardes e suas noites. O professor existe. Está aí, para o mundo, isto basta. Ou bastaria.

Só que o mundo não se pauta em si mesmo. Parece até uma máquina que perdeu o freio, que se desenrola sem continência, sem organização ou ordem. O mundo, essa tal do século XXI, denuncia o resultado de seu próprio processo histórico: caótico, perverso, injusto. E o professor, nesse território instável, aprendeu a desenvolver o seu próprio valor. Diria, inclusive, que o professor é, na verdade, a melhor representação do sentido da palavra diferente, pois é um dos poucos que luta por um mundo justo, ético, igualitário. É, portanto, um ser que não se vende, com uma qualidade pessoal inestimável: a do conhecimento.

E conhecimento, reflexo do aprendizado, é um fenômeno que ninguém tira de uma pessoa. Já dizia o velho e sábio ditado. Dessa vida não se leva nada, a não ser conteúdo. Aliás, o único elemento que levamos para o além túmulo é aquilo que aprendemos. Isso, como preconizava a nossa sábia vovó, é somente o que nos resta. O carro importado, o perfume de marca, a roupa de grife e as histórias das viagens feitas aos paraísos terrestres, guardadas no cofre das lembranças, ficam, todas, gravadas na memória de vidas estéreis, porque a que realmente gera frutos, mal se rega durante a existência. E o professor, que levanta momentos depois que o sol nasce e se deita horas depois que a lua ilumina o céu, tenta, dia após dia, noite após noite, plantar, no coração de cada um, o gérmen do pensamento crítico, mesmo percebendo o solo infértil que por vezes cultiva.

Mesmo assim, repete seu trabalho, imaginando que, do joio, em algum momento, nascerá o trigo. E do mais belo. Acredita, assim, que sua empreitada irá gerar frutos, mesmo que a safra atual seja de qualidade questionável, mesmo que o mundo diga que o fértil crescimento da humanidade seja impossível. Continua, teimosamente, e com muito gosto, a arear o campo de onde florescerá, um dia, o resultado de seu próprio esforço. O resultado de toda uma vida: a de testemunhar a transformação de uma semente em flor, a de uma larva em borboleta, a de um momento estático em um devir, a de uma ostra em pérola, a de seres alienados em seres humanos.

E, para o docente, essa pequena conseqüência já vale muito. Porque, no fundo, ele sabe que conhecimento não se compra. Sabe que, ser professor, portanto, não tem preço.

 

Por  Fábio Donini Conti, professor do CBS.

Caro professor

Postado por

Universidade Cruzeiro do SulSeja Bem-vindo ao Blog da Extensão da Cruzeiro do Sul.

Mais posts
em 13/out/2011 - 21 Comentários

Numa época em que tantas formas de comunicação coexistem e existem em suas formas muito próprias de ser;

num cenário de segunda década do século XXI, em que tantos recursos tecnológicos são propagados;

numa sociedade em constante transformação, em que o conhecimento é veiculado de forma quase simultânea a sua construção;

num mundo em que a interlocução e o diálogo, cada vez mais, se fazem em redes sociais,

a arte de ensinar continua sendo única.

E por que, única?

Indiscutivelmente, não apenas por permitir, àqueles que escolheram ensinar, estar em dia com todas as inovações de nossa época;

indiscutivelmente, também, não apenas por permitir, àqueles que escolheram pesquisar, dar ampla e irrestrita divulgação de suas descobertas;

indiscutivelmente, da mesma forma, não apenas por permitir, àqueles que escolheram ensinar e pesquisar/ pesquisar e ensinar, avançar sempre e mais no conhecimento.

Com certeza, por algo que só você, professor, sabe fazer: indicar horizontes, inserir o gosto e a motivação para a descoberta, valorizar o outro no debate e na reflexão que ocorrem nos mais diferentes espaços de aprendizado;

com certeza, ainda, professor, por você acreditar que, com suas ações, na interlocução direta com aqueles que têm o privilégio de ser seus alunos, promove a transformação de sonhos em realidade e o desenvolvimento de projetos nunca antes pensados.

Por tudo isto, receba, querido mestre, neste 15 de outubro, o agradecimento e reconhecimento da Universidade Cruzeiro do Sul, traduzidos no abraço muito afetivo que hoje lhe envio.

Profa. Dra. Sueli Cristina Marquesi
Reitora da Universidade Cruzeiro do Sul.

EM TEMPOS DE PLÁGIO… REFLETIR PARA CRIAR…

Postado por

Carlos Augusto Andrade

Mais posts
em 06/jun/2011 - 4 Comentários

Preocupa-me perceber que o plágio está à solta.
Tornou-se um descarado, pois vive do que é do outro e nem dá bola, continua desaforado.
Outrora, quando o professor percebia uma cópia de texto alheio,
Logo dizia para o rapaz ou para a moça – refaça esse texto inteiro.
Envergonhado, o estudante passava a ser mais esperto e fazia seu próprio texto – que é o mais correto!
Hoje, no entanto, depois do advento da internet, a coisa piorou.
Nem cópia se faz mais.
O bom rapaz ou a boa moça agora já prevê,
Muitos trabalhos para fazer?, vamos lá Control+C – Control+V.
O que mais me decepciona não é a desonestidade,
Mas a falta de percepção da autoria de verdade.
Autoria que produz a nossa marca-passagem pelo mundo.
Assinatura do que é nosso. Isso é profundo!!!
Caros estudantes…vamos lá!!!
Um exercício muito bom é deixar que as palavras brotem.
Dizem os mestres, vamos parafrasear, ou que tal parodiar,
Afinal, ninguém escreve algo completamente novo,
Pois nossas palavras são de todo o povo.
No entanto, eu posso arrumá-las de um jeito diferente.
Estarão, sim, marcadas por toda gente,
Mas o jeito que escreverei será meu de direito.
E o professor com certeza ficará mais satisfeito.

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS