QUEM VIGIA OS VIGILANTES? (WHO WATCH THE WATCHMEN)

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Marcelo Paes Barros

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em 11/jul/2011 - 5 Comentários

Tenho que confessar que eu nunca fui e ainda não sou um dos aficcionados por gibis (ou Comics, como seus admiradores preferem). Na verdade, tinha até certo preconceito contra alguns fanáticos, já que os considerava alienados, disconexos e desinteressados pela cultura “plena” e erudita. Me perdõem por isso, eu estava errado. Recentemente, tive contato com a série Watchmen. Meus amigos, a série é impactante, revolucionária e de extrema qualidade no que tange história, roteiro, personagens, design gráfico, etc. Até a presente data, Watchmen é o único conto gráfico a ganhar o Prêmio Hugo, concedido pela World Science Fiction Society (uma sociedade literária americana dedicada à Ficção Científica) e também a única série gráfica a aparecer na Lista da Time’s Magazine (em 2005) como um dos 100 melhores contos de Língua Inglesa desde 1923. A série Watchmen foi escrita por Alan Moore na forma de 12 exemplares entre 1986 e 1987 e ilustrada por Dave Gibbons e John Higgins. Calma, há várias reedições em Português!

Vários motivos tornam a série excepcional, de acordo com o meu ponto de vista. A história principal se desenrola nos anos 80, no meio da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética: uma época conturbada, cheia de crises sociais e que me atrai bastante pelo contexto histórico relacionado. Contudo, as ações nesta fase contemporânea se remetem constantemente ao passado nebuloso durante a Segunda Guerra (anos 40) e se estendendo até a Guerra do Vietnã (década de 70). A trama é interessantíssima e cheia de simbolismos. O símbolo (explícito) mais marcante talvéz seja o Smiley – símbolo clássico dos anos 70-80 (Have a Nice Day!) – com a mancha de sangue no canto superior esquerdo, justamente marcando a morte de um dos principais personagens, o Comediante (logo no primeiro episódio).

Outro aspecto único da série Watchmen é o perfil psicológico dos seus personagens. Dois deles, particularmente me chamaram a atenção: Rorschach é um desajustado social (um psicopata, na verdade) que prefere fazer justiça com as próprias mãos. Filho de uma prostituta e de pai desconhecido, se tornou averso às injustiças da sociedade quando tentou solucionar um caso de rapto/desaparecimento de uma menina de 7 anos. A sequência gráfica de seu encontro com o estuprador e assassino da menina é de tirar o fôlego. Outro personagem marcante é o Dr. Manhattan. Um físico cientista que adquiriu poderes sobre-humanos, que o tornaram um semi-deus. Sua onipresença e onipotência o habilita a, praticamente, definir o rumo e o destino da Humanidade. É totalmente cético e desesperançoso quanto a existência humana. Sua frase marcante é: “The existance of life is a highly overrated phenomenon” (A existência da vida é um fenômeno supervalorizado em demasia).

Meus amigos, não quero estragar a surpresa e o impacto que esta série pode causar a vocês. Recomendo, sinceramente. Caso não consiga ter acesso ao material gráfico, acho que o filme lançado em 2009 (idealizado várias outras vezes no passado) pode ser uma boa opção, pois chega perto da densidade agonizante da obra. Vejam trailer abaixo.

Um abraço

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