30 e poucas malditas primaveras

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Marcelo Paes Barros

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em 17/ago/2015 - 13 Comentários

Por Marcelo Paes de Barros

Quero aqui, queridos leitores, praticamente prestar um serviço de utilidade pública. Você, que é ainda um jovem adulto, está prestes a enfrentar um dos piores períodos da sua vida ao adentrar às, como chamo, 30 e poucas malditas primaveras. Preparem-se.

Passei dessa fase há algum tempo e hoje, fazendo uma análise pregressa e bem reflexiva, percebo que foram os anos de minha vida em que mais cometi erros. Tomei decisões precipitadas, enrijeci relações pessoais, fui radical, preconceituoso e intolerante. Amarguei um rótulo de arrogância que ainda me assombra às vezes. Nunca fui assim, mas se travesti assim naqueles anos. Percebo-me hoje mais leve, maduro e quase convicto de ter todas as variáveis sob controle. Será necessária a tormenta para a subsequente prometida bonança? O que será que aconteceu?

Meus amigos, a década dos 30 anos traz, no preceito da vida moderna, infindáveis cobranças. Primeiro: é o momento de nossas vidas no qual devemos nos estabelecer profissionalmente para tentar garantir um emprego estável. Provavelmente formado, é a hora de ganharmos independência, montarmos nosso pé-de-meia, constituir patrimônio e alavancar os planos idealizados. Naturalmente, você acreditará que tudo isso virá, única e exclusivamente, da sua força de trabalho. Serão horas à fio. Você se esfalfará de trabalhar na tentativa de se fixar em sua empresa, deixando sua vida pessoal e sua saúde relativamente de lado.

Nesse âmago, surgirão inúmeros conflitos pessoais e profissionais, já que, obviamente, muitos outros ambiciosos de 30 e poucos anos também disputarão essa posição contigo! Seus pés tremerão sobre tapetes que serão constantemente puxados. Serão contendas pessoais deflagradas, desafetos e intrigas, como naquelas séries de TV à cabo. Provavelmente, suas defesas naturais serão a soberba, a arrogância e a prepotência, as quais insuflarão sua alma. Tudo e todos conspiram contra você, é o que você imagina.

Coincidentemente (ou seria, tragicamente?), nessa mesma fase da sua vida você decidirá dar um passo à frente com sua cara-metade! A própria projeção profissional parece impor essa condição! Vocês se casam e independentemente se moram na casinha dos fundos do terreno dos seus pais ou em um flat moderno nos Jardins, a dura realidade do convívio mútuo sob 4 paredes começa a se mostrar, dia após dia, cada vez mais complicado. No início, tudo é tolerado: uma toalha molhada na cama será um descuido. Uma compra fora de hora no cartão de crédito será apenas um mimo. A visita da sogra na sexta-feira à noite fará parte da nova realidade da vida do casal. Infelizmente, meus amigos, uma gota caindo na testa não é nada, até que ela comece a cair de 10 em 10 segundos. Em um curto intervalo de tempo, esses “descuidos” tornar-se-ão tempestades violentas que abalarão as estruturas daquele domicílio e de sua própria sanidade.

Além disso, nem homens, e muito menos as mulheres, atingiram o ápice sexual aos 30 e poucos anos. Inúmeros tabus e bloqueios nas cabeças dos cônjuges normalmente conduzem a comportamentos nocivos de ambos os lados. Serão comuns situações envolvendo ciúme doentio, desconfiança, carência e, na minha opinião, o pior dos sentimentos: a expressão “o que ela(e) vai pensar de mim?”. Essa sensação auto incriminatória te assombrará e impedirá (ou atrasará) sua realização sexual. De frustração em frustração, os alicerces do tesão, do amor e da parceria são infelizmente corroídos.

frustração

Em um desfecho quase trágico, se não fosse mágico, é também a hora de dar mais sentido a sua existência: passar seus genes adiante! E, embora seja realmente uma experiência fascinante, mais energia, tempo e dedicação serão igualmente demandados para a maternidade/paternidade. Dignos, vocês desejarão ser pais presentes, atuantes e envolvidos com o crescimento e desenvolvimento de seus filhos. E é exatamente o que eu lhes pergunto: de onde virá tanta energia, tempo e dedicação para TANTAS atividades simultâneas?

Não virão, lamento. E você só se dará conta disso quando a tormenta passar. Vejo muitos amigos na casa de seus 40, quase 50 anos, corroborando essa minha teoria. Contudo, a plenitude dessa faixa etária superior só foi proporcionada justamente pelo estresse vivenciado aos 30 e poucos anos. Aprendemos com os erros. Nos adaptamos conforme as necessidades. Eu lamento muito os erros cometidos no passado, mas foram eles – ou a retratação deles – que me tornaram mais autoconfiante e convicto hoje. Agradeço cada situação difícil vivida pelo próprio desafio imposto. Aos 40-50 anos você se torna mais nostálgico e mais reflexivo. É engraçado. Sinto-me bem!

A vocês, queridos leitores e leitoras ainda longe da faixa dos “enta”, torço por uma travessia astuta. Fiquem alerta aos sinais e tentem entender seu amigo editor aqui.

Um abraço

Corações partidos

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Marcelo Paes Barros

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em 09/nov/2012 - 15 Comentários

É a pior das dores pois, da maneira mais cruel possível, não se sabe ao certo onde realmente dói. Alguns anatomistas acham que é mesmo no hipotálamo. Os espíritas dizem que é na alma. Os românticos confirmam que é no coração. Realmente, parece não haver dor pior que a perda de um grande amor. Ficamos sem chão, sem rumo, sem perspectivas, sem nada.

Litros de álcool – fermentados e/ou destilados – são consumidos como estratégia para esquecer a “pessoa amada” em uma fútil tentativa de diluir em etanol puro a imagem daquela pessoa que insiste em permanecer impressa na retina do(a) abandonado(a). Cigarros, antidepressivos, lenços de papel e o ombro da(o) melhor amiga(o) também fazem parte do pacote “auto-flagelação”. Até hoje, só se conhece um único remédio para a chamada dor-de-cotovelo: o tempo.

A situação é potencializada à escala dez (mil, na verdade) se o fim do relacionamento foi provocado pela presença de outra pessoa! Aí é uma questão de amor-próprio e de competição. Meus amigos, aqui está uma fonte inesgotável de temas para os mais diversificados estilos musicais: do axé, passando pelo sertanejo (aqui, sim, há um cancioneiro de odes às decepções amorosas), alimentando o rock e inspirando concertistas de grandes óperas. Simplesmente por que a desilusão amorosa sempre existiu e sempre fará parte da nossa natureza.

Todos sabem disso: em nossas vidas, cruzamos com dezenas (centenas até, depende de seu apetite, risos) de pessoas com quem poderíamos ter relacionamentos mais ou menos duradouros. Não posso precisar se seriam envolvimentos de um ano, cinco, vinte ou bodas de prata ou ouro. O fato é que, muitas vezes, cruzamos com essas pessoas em fases diferentes de nossas vidas. Quando estamos priorizando nossas carreiras, o(a) parceiro(a) pleiteia estabelecer uma família. Quando almejamos mudar para uma grande metrópole, o(a) outro(a) decide assumir uma vida mais serena em um templo budista. Dinheiro versus paz de espírito. Filhos versus aventura. Dilemas.

Já ouvi casos assustadores de desvios de comportamento de alguns amigos e conhecidos (ambos os sexos) frente as suas desilusões amorosas. Já ouvi falar em lamentáveis fins trágicos. Quadros profundos de depressão são os mais comuns. Muitos dizem que a dor do fim do relacionamento é proporcional à intensidade do amor vivido. Concordo que um amor deve ser bem vivido, no seu esplendor máximo. O amor deve ser visceral, do choro às gargalhadas em segundos (já que estes dois pólos são separados por uma tênue linha), de sexo entorpecedor, hormônios em ebulição e sangue pulsando nas veias. Mas um quê de razão não faz mal a ninguém. Flutuar nas nuvens, sim, mas todo balão deve ter seu lastro para trazê-lo de volta a terra firme.

Acredito que o fim de um relacionamento é o momento ideal para uma auto-avaliação. Esse é um valioso exercício de percepção pessoal: o que causou o fim? Como aquela pessoa me via? Qual foi a real causa de nossa separação? Sempre temos que aprender algo de cada experiência vivida. Mesmo por que, considerando as futuras relações afetivas, sempre seremos um produto das experiências pregressas. Se hoje sou assim, é por que antes Fulana, Cicrana e Beltrana me moldaram – sobre a base da argamassa da minha personalidade – para este produto atual.

Prezado leitor(a), entenda: seu caso não é o primeiro e nem será o último de um relacionamento frustrado que terminou bruscamente na história da Humanidade. Na verdade, os casos de amor mais famosos da História foram seguidos de gigantescas decepções amorosas. Não importa quem desistiu ou quem despachou quem. O importante é seguir em frente. Lembre-se: há, no mundo, 7 bilhões de pessoas em uma distribuição de quase ½ a ½ entre homens ou mulheres (sim, eu sei que há um pouco mais de mulheres que de homens, suas dramáticas, risos). Você jura que acredita que somente AQUELA pessoa é que te pode fazer feliz? Por favor… até a estatística está favorecendo seu próximo relacionamento!

Mesmo sendo uma tragi-comédia hollywoodiana (até clichê, eu diria) recomendo o filme “500 dias com ela”, com Zooey Deschanel, Joseph Gordon-Levitt e Minka Kelly (Direção de Marc Webb). São bons 120 minutos curtindo as idas e vindas de um relacionamento amoroso.

Trailler:

Um abraço

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