A CIÊNCIA DO EXERCÍCIO: DA PERFORMANCE À SAÚDE

Por: Grupo Ciência para Saúde

 

A Ciência do Exercício é uma disciplina criada há poucas décadas que tenta entender porque e como a prática de exercício afeta nosso corpo e nos faz bem. Ela estuda a anatomia, a fisiologia e o movimento humano, os ossos, os músculos e outros tecidos para também melhorar a performance de um atleta e saber como prevenir lesões. Essa ciência tem se voltado cada vez mais para os campos da saúde, fitness, medicina e reabilitação e ainda procura entender como a nutrição afeta o corpo e o desempenho.

 

Mais recentemente, a Ciência do Exercício também entrou na era do genoma passando a integrar uma abordagem molecular junto à fisiologia do exercício. Desde o Projeto Genoma Humano, que sequenciou o DNA da nossa espécie, tem havido vários avanços nessa área, revolucionando o modo de entender processos biológicos e fisiológicos. Descobrimos regiões de DNA com variações e genes que estão relacionados com a aptidão física. Um exemplo é o gene GDF8 (ou MSTN), que produz a proteína chamada miostatina. A miostatina controla o tamanho dos músculos. Quanto mais miostatina, menos massa muscular e, quanto menos miostatina, mais massa muscular. Se a pessoa não possuir o gene GDF8 ou se o gene for defeituoso e produzir pouca miostatina funcional, o músculo continua crescendo. Esse fenômeno foi observado pela primeira vez no gado belga-azul, também conhecido como super gado. Ele desenvolve de duas a três vezes mais massa muscular que o gado normal. Há relatos de casos semelhantes em cachorros, camundongos e até bebês. Em humanos, esses indivíduos podem possuir até duas vezes mais massa muscular que o normal. Vários fisioculturistas produzem pouca quantidade de miostatina ou nem têm o gene.

 

Outro exemplo de como a genômica e a biologia molecular podem contribuir para entendermos sobre aptidões para certos exercícios é o gene ATCN3. Esse gene produz uma proteína que é expressa em fibras musculares rápidas. O músculo é composto por fibras musculares e há, basicamente, dois tipos dessas fibras: lentas e rápidas. As fibras lentas são resistentes ao cansaço e especializadas para uma atividade contínua, como maratonas. As fibras rápidas são pouco resistentes ao cansaço e contraem rapidamente. São úteis para levantadores de peso e corredores de curta distância, que precisam de uma “explosão de energia”. Cada pessoa expressa os tipos de fibras musculares de forma um pouco diferente: algumas têm mais fibras rápidas, outras têm mais fibras lentas. Quem tem uma variação do gene ATCN3 que é capaz de produzir uma proteína mais ativa, é mais apto para provas de curta distância ou duração.

 

Mas não se enganem, os genes sozinhos não determinam o sucesso de um atleta, até porque o meio ambiente pode alterar a expressão dos genes. Além do treinamento e disciplina, outras influências são importantes, como família, sociedade, atitudes culturais e históricas. O conhecimento molecular sobre o corpo e o exercício pode ser aplicado para desenvolver marcadores medidos com uma única gota de sangue que ajudarão a orientar melhor o treinamento, potencializando a capacidade de cada um. Além da utilização no exercício, é possível que tais conhecimentos sejam aplicados para a população de modo geral, inclusive para tratamento de doenças. O gene GDF8, que regula a massa muscular, por exemplo, representa um ponto de partida importante para desenvolver remédios que bloqueiam a miostatina e que poderão ser usados para tratar distrofia muscular e outras condições que levam à perda de músculo, dificultando a locomoção.

 

A utilização da Ciência do Exercício junto a modernas técnicas de análise molecular se tornou uma abordagem imprescindível para melhor compreendermos como o exercício físico pode atuar na prevenção e no tratamento de inúmeras doenças crônicodegenerativas de grande prevalência e incidência mundial, como a obesidade, o diabetes tipo II e as doenças cardiometabólicas. Pesquisas nessa área são norteadas pelos fortes indícios do papel do exercício físico na manutenção e na preservação da saúde, sendo também considerado um agente não farmacológico no tratamento de inúmeras doenças. Por fim, cabe ressaltar que a utilização do exercício físico como agente terapêutico tem outro ponto extremamente relevante: sua prática rotineira não requer necessariamente algum gasto financeiro, uma situação completamente oposta aos elevados gastos com saúde pública em decorrência do tratamento da obesidade, do diabetes tipo II e da hipertensão.

 

Nesse sentido, a popularização da Ciência do Exercício com pesquisas no campo da Genética e da Biologia Molecular se consolidam cada vez mais, como aconteceu naturalmente com a Fisiologia do Exercício clássica. Atualmente, um dos grandes desafios da área é a popularização destas técnicas modernas, antes apenas restritas às Ciências Biológicas. Assim, se torna mais importante que os profissionais da área da saúde tenham uma boa base fisiológica e estejam atualizados e familiarizados com estas novas ferramentas, levando a um conhecimento mais profundo e prático do papel do exercício para a saúde.

 

Os Autores

 

Grupo Ciência para Saúde é formado pelos pesquisadores e acadêmicos; Clarissa Gomes, Bernardo Petriz e Jeeser Almeida. O grupo tem como objetivo disseminar de forma clara e objetiva a Ciência da Saúde e seus princípios voltados para a prevenção e o tratamento de doenças crônico-degenerativas.

 

Currículo dos autores

 

Clarissa Pedrosa da Costa Gomes: Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia da Universidade Católica de Brasília. Realizou o estágio doutoral Institute for Systems Biology (Seattle, EUA). Tem experiência na área de Biologia Molecular e Bioquímica, com ênfase em Biotecnologia, atuando principalmente nos seguintes temas: biologia molecular, epigenética e exercício. http://lattes.cnpq.br/9081772163696021

 

Bernardo Petriz: Doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Ciências Genômicas e Biotecnologia da Universidade Católica de Brasília, com estágio doutoral no Structural Genomics Consortium na University of Oxford UK (2012-2013). Atuando na área de proteômica, transcriptômica e bioquímica do músculo cardíaco e esquelético, e microbiota intestinal, com ênfase nos efeitos do exercício físico agudo e crônico sobre a obesidade e hipertensão. http://lattes.cnpq.br/3343118797634636

 

Jeeser Alvez de Almeida: Doutor em Educação Física (2014) pela Universidade Católica de Brasília, atualmente realiza estágio pós-doutoral na Universidade de Brasília – UnB. Estuda o campo da fisiologia do exercício clínico nas respostas morfofuncionais frente ao exercício físico. Possui experiência em modelo animal e estudos com populações especiais (Obesidade, Diabetes e Hipertensão).  http://lattes.cnpq.br/2013004154780922

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ALUNO DO UDF LANÇA LIVRO DURANTE EVENTO “CARA E CULTURA NEGRA”

Evento que ocorre anualmente em Brasília reúne representantes da cultura afro-brasileira e empreendedores de todo o país

O 9º festival “Cara e Cultura Negra” deste ano tem um atrativo especial. A novidade fica por conta do acadêmico José Nildo de Souza, do curso de Psicologia do UDF que lançou, durante o evento, o livro “A Teatralidade Precária” que trata sobre uma experiência ressocializadora diante das práticas institucionais de violência simbólica e metaforização da cidadania no Complexo Penitenciário do DF. Para quem ainda não sabe, o evento teve início dia 15 e se estende até 30 deste mês no Centro Cultural Três Poderes localizado na Praça dos Três Poderes. A obra de José Nildo tem como principal público jovens e adultos sentenciados no regime penal, e adolescentes em atendimento socioeducativo e psicossocial nos Centros de Atenção Psicossocial CAPS.

 

Aluno José Nildo, autor do livro “A Teatralidade Precária


 

O evento “Cara e Cultura Negra” é realizado anualmente e visa promover e preservar a identidade cultural da raça negra na sociedade brasileira. Além disso, vem se transformando numa referência obrigatória no cenário das celebrações do Dia Nacional da Consciência Negra em Brasília reunindo representantes da cultura afro-brasileira e empreendedores de todo o país.

 

Para mais informações sobre o evento, acesse o site www.caraeculturanegra.com.br

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2š SEMINÁRIO DE INOVAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR EM MASSACHUSETTS

Evento nos EUA contou com a presença da Pró-Reitoria do UDF.

Aconteceu de 11 a 15 de novembro o SECOND SEMINAR OF ACADEMIC INNOVATION IN HIGHER EDUCATION BOSTON, CAMBRIDGE – MASSACHUSETTS (2º SEMINÁRIO DE INOVAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR – MASSACHUSETTS). O evento foi realizado pela conceituada Universidade de Harvard para reitores e mantenedores de todo o Brasil, além de diversos outros países. O Seminário de Inovação no Ensino Superior a partir de experiências de Harvard teve em sua programação visitas técnicas e palestras ministradas em 3 outras universidades renomadas: MIT (Massachussetts Institute of Technology), Babson College e Olin College.

 

O importante evento teve a representação do UDF através da presença da Pró-Reitora acadêmica, Dra. Beatriz Maria Eckert-Hoff e foi de fundamental importância para alavancar os cursos do UDF no cenário nacional e internacional.

 

“Além de experenciar a exímia e forte tradição da Harvard University, com seus renomados professores e conhecendo seus modernos laboratórios e formas de ensino e pesquisa, tive a oportunidade de estudar e conhecer, por meio de palestras e visitas técnicas, as experiências de mais três grandes Universidades de Massachusetts: o MIT, com sua tecnologia de ponta no ensino, nas pesquisas, nos laboratórios e bibliotecas; a Universidade Babson College, que tem a questão do empreendedorismo na veia da composição curricular de todos os seus cursos; e a Universidade Olin College, estritamente da área de Engenharias, que tem como cerne curricular a questão da inovação e da metodologia de projetos”, principalmente, explica a Pró-Reitora.

 

Estimulada em trabalhar toda a experiência adquirida no Seminário com os colaboradores do UDF, conclui: “O passo agora é repassar as questões aos nossos coordenadores e professores e, mediante uma análise dos estudos e das demandas do UDF, relacionadas às questões culturais e às necessidades de Brasília, implementarmos algumas dessas inovações e tecnologias em nossos currículos”.

 

Confira algumas fotos do Seminário:

 

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TESE DE DOUTORADO DE DOCENTE É TEMA DE ARTIGO CIENTÍFICO NA REVISTA JOURNAL OF BIOTECHNOLOGY

Professor Dr. Rafael Perseghini desenvolveu forma de reduzir danos causados por inseto na cultura do algodoeiro no Brasil

Em julho deste ano, a revista científica Journal of Biotechnology publicou artigo gerado a partir da tese de doutorado do professor Dr. Rafael Perseghini, docente dos cursos de Enfermagem, Farmácia e Ciências Biológicas do UDF.

 

 

O Journal of Biotechology é um periódico internacional, destinado à divulgação de artigos acadêmicos completos sobre aspectos inovadores no contexto da Biotecnologia.

 

De acordo com Rafael, o objetivo do trabalho foi desenvolver novas proteínas inibidoras de alfa-amilases, capazes de reduzir a atividade desta enzima no trato digestivo do inseto-praga bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis). O inseto é causador de sérios prejuízos à cultura do algodoeiro no Brasil. “A cotonicultura brasileira é responsável por parcela significativa da geração de divisas no agronegócio brasileiro. Dessa forma, a redução dos danos causados pelo inseto pode contribuir com o aumento da produtividade e aumentar a competitividade do país neste segmento econômico”, explica.

 

Segundo o professor, os novos inibidores foram gerados a partir de proteínas que já existiam no feijão comum selvagem e carioca. “A partir do embaralhamento dos genes dessas duas proteínas, foi possível gerar uma biblioteca gênica contendo milhões de novas moléculas que podem ser utilizadas em processos e seleção para novos inibidores de alfa-amilases de qualquer organismo”, aponta.

 

A pesquisa foi apoiada pela Embrapa, UnB, Fialgo e Facual (Fundos de Investimento para a desenvolvimento de Pesquisas sobre o Algodoeiro), CNPq e CAPES. Os créditos de orientação do trabalho desenvolvido são depositados à Pesquisadora da Embrapa Maria Fátima Grossi de Sá, Membro da Academia de Ciências e renomada pesquisadora na área de biotecnologia no país.

 

SOBRE O PROFESSOR

Rafael Perseghini é Doutor, Mestre e graduado em Ciências Biológicas-Biologia Molecular pela Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Bioquímica, com ênfase em Biologia Molecular, Biotecnologia Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: expressão heteróloga de proteínas em planta, bactéria e levedura. Purificação de proteínas. Clonagem e prospecção de genes relacionados a resistência contra pragas. Inibidores de a-amilases e proteinases, defensinas vegetais. Atualmente, desenvolve pesquisa na área de ciências forenses.

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O BRASIL E SUA RELAÇÃO COM O CARIBE

O estudante do 4º semestre do curso de Gestão Pública do UDF, José Loreto Julián, escreveu para o Blog, um artigo onde expressa sua opinião sobre relação do Brasil com o Caribe. Confira:

 

Se você tiver interesse em participar e ter o material publicado em nosso Blog, escreva um e-mail para o udf@udf.edu.br com seus dados e artigo em anexo.

 

Introdução

 

Desde o final da Guerra Fria e o consequente fim da bipolarização, o mundo tem passado por novos modelos políticos e econômicos com a hegemonia dos Estados Unidos e a criação de novos mercados a nível mundial, presença de novos atores e a confirmação de uma nova configuração política e econômica. O Brasil, especificamente, tem experimentado mudanças sensíveis nos cenários interno e regional e está se transformando num importante ator global.

 

Analisaremos precisamente, as relações entre o Brasil, ator principal na conjuntura global, e os países do Grão Caribe, região com uma importância estratégica vital. Abordaremos, também, o intercâmbio comercial entre a região caribenha e a nação sul-americana, as diferentes inversões do Brasil nos mais importantes países caribenhos e finalizaremos fazendo uma perspectiva desta relação multilateral.

 

O Caribe: sua relação com o Brasil

 

Primeiramente, é preciso lembrar em que consiste a região do Grão Caribe. Núcleo geopolítico conformado por um conjunto de países compreende todas as ilhas da região, os países da América Central, as nações e os territórios que se encontram na costa norte de América do Sul (Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e a Guiana Francesa). Nesta ocasião, nos ocuparemos das relações do Brasil com as principais ilhas da região: a República Dominicana, Cuba, o Haiti e a Jamaica.

 

O ex-diretor do Departamento da América Central e o Caribe do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, Embaixador Gonçalo Mourão, disse, em entrevista realizada em abril do ano 2008, que para o brasileiro, a região do Caribe é desconhecida. Pouco a pouco, essa percepção vem-se alterando, apesar de ainda evidente o fato de a maioria dos brasileiros não conhecerem a região.

 

As causas principais disto radicam no histórico hábito de olhar para seu próprio território, porque em realidade é um país muito extenso, um continente dentro de um continente, com diversidades notáveis em cada região. Também é importante ressaltar que, por sua vez, os países caribenhos têm prioritariamente em consideração a relação com o norte, em detrimento do alcance do desejado equilíbrio com as nações do sul.

 

Há poucos anos se realizam esforços para melhorar a integração entre a região do Caribe e o Brasil, através da formação de blocos como o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul), o SICA (Sistema de Integração da América Central), o CARICOM (Comunidade do Caribe), a Associação dos Estados do Caribe (AEC) e ultimamente a UE-ALC (Cimeira da América Latina, o Caribe e a União Européia). Apesar do distanciamento entre o Brasil e o resto da América Latina, e, em especialmente entre a América Central e o Caribe, com exceção de Cuba e do Haiti, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continuou o processo, iniciado nos governos de Fernando Henrique Cardoso, de aproximação com a região caribenha. Exemplo disso é a implementação do programa de biocombustíveis, a ajuda humanitária a Cuba e Haiti e os esforços de consolidação de importantes parcerias comerciais.

 

Nada obstante, as ações para a região do Caribe foram tímidas, se analisarmos a cronologia da conformação da política exterior do Brasil descrita na publicação intitulada “Repertório de Política Externa: Posições do Brasil”, a qual aborda desde a fundação da diplomacia brasileira protagonizada pelo Barão do Rio Branco até a atualidade.

 

Inversões brasileiras na região do Caribe: Casos concretos

 

As inversões brasileiras no Caribe são recentes, mas o interesse é cada vez maior, devido à importância estratégica da região e à oportunidade de tirar vantagem dos acordos de livre comércio que estabeleceu com o mercado norte-americano e europeu.

 

Há uma crescente participação das construtoras brasileiras nos países caribenhos. A maioria dos projetos de infra-estrutura, dessas empresas em países caribenhos é financiada pelo governo brasileiro, por intermédio do BNDES; nesse sentido, o governo brasileiro criou, no ano 2005, o Programa de Incentivo no Investimento Brasileiro na América Central e o Caribe (Pibac). É essencial para o interesse caribenho manter este programa ativo para favorecer o investimento brasileiro na região e reduzir paulatinamente o déficit comercial.

 

Existem numerosos exemplos de empresas investidoras na região do Caribe. No ano 2005, se instala na Jamaica a empresa brasileira de importação e exportação COIMEX mediante uma parceria com a empresa estatal Petroleum Corporation of Jamaica, importando uma desidratadora de etanol vendida pela empresa brasileira DEDINI (Dedini Indústria de Base S/A), fabricante de plantas produtoras de etanol. A COIMEX está sendo beneficiada pela “Iniciativa da Bacia do Caribe” (Caribbean Basin Initiative), programa criado na década de 80 para estimular o desenvolvimento das indústrias da região do Caribe. Consequentemente, os jamaicanos podem exportar, com isenção de impostos, até 7% da demanda interna dos Estados Unidos por álcool.

 

A empresa produtora de cervejas AMBEV (Companhia de Bebidas das Américas) instalou fábricas na República Dominicana. As empresas construtoras ODEBRECHT, ANDRADE GUTIERREZ, CAMARGO Y CORREA, QUEIROZ Y GALVAO, estão presentes na maioria dos países da região construindo hidroelétricas, plantas termoelétricas a gás natural, aquedutos, rodovias.

 

O caso haitiano é especial, não só pela ajuda humanitária fornecida pelo Brasil e pela importante presença de efetivo militar brasileiro dentro da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti), mas também pela participação consistente na reconstrução daquele país após o terremoto sofrido em janeiro do ano 2010, causando centenas de milhares de mortes e graves danos na infra-estrutura do país.

 

No mês de outubro do ano de 2008, o Brasil instalou uma oficina de Apex (Agência de Promoção das Exportações) em Cuba, a primeira sucursal deste órgão na América Latina. Cuba e o MERCOSUL, bloco que tem o Brasil como um de seus membros plenos, assinaram no ano de 2007 um Acordo de Complementação Econômica que tem permitido mais fluidez nas relações comerciais entre o país caribenho e os membros desse importante bloco. No ano de 2008, foi assinado um contrato de Associação Econômica Internacional, entre as empresas PETROBRAS, de origem brasileira e CUPET S.A de Cuba, para a exploração e explotação de petróleo na ilha e este contrato terá duração de 32 anos.

 

Brasil e o Caribe: Perspectivas

 

A agenda nos próximos anos será altamente econômico-comercial, aumentando o nível de intercambio, e assegurando um melhor equilíbrio para as nações do Caribe.

 

O Brasil aprofundará suas relações com os países da região, especialmente Haiti através da MINUSTAH, e Cuba pela solidariedade e o rechaço ao embargo norte-americano nessa ilha, além das afinidades histórico-políticas com a liderança atual brasileira.

 

A cooperação técnica continuará nos países da região, em distintas áreas e aspetos, sobre todo na promoção dos biocombustíveis, agronegócio, meio ambiente, e projetos sociais.

 

A inversão brasileira nesta região aumentará pelos benefícios que apresentam os países caribenhos com os acordos de livre comércio com os maiores mercados, Estados Unidos e União Européia, e as empresas brasileiras conseguirão ingressar seus produtos nesses mercados sem pagar impostos. Na parte comercial, insistirão as negociações de tratados de livre comércio entre MERCOSUR e CARICOM.

 

Conclusão

 

Apesar do ritmo lento da incursão brasileira na região caribenha, as perspectivas provocam certo otimismo e certa esperança de que as estratégias dos países caribenhos permitam reduzir o desequilíbrio comercial entre essa região e o Brasil. Os países caribenhos estão paulatinamente dando os passos corretos para equilibrar o balanço comercial, promovendo as exportações, as construções através de obras de infra-estrutura, as inversões brasileiras e o turismo. É indispensável manter esta mesma linha, com decisões firmes, mas flexíveis, e sempre observando o principio de reciprocidade e promovendo o benefício mútuo para ambas as partes.

 

Referências Bibliográficas

 

PEREZ, Dionis. Estratégia de República Dominicana para el Brasil. 1ro de maio de 2009. Embaixada da República Dominicana no Brasil. p.16-17

Ministério de Relações Exteriores do Brasil. Repertório de Política Externa: Posições do Brasil. Edição 2007. FUNAG (Fundação Alexandre de Gusmão).

Portal Apex Brasil (Agência de Promoção das Exportações)

Disponível em:

http://www.apexbrasil.com.br/portal/publicacao/engine.wsp?tmp.area=416&tmp.texto=7696&tmp.area_anterior=416&tmp.argumento_pesquisa=caribe&tmp.urlpassada=416_-_-_caribe . Acesso em: 22/05/2011

 

Declaração Conjunta Mercosul-Caricom/ Política Externa Brasileira

Disponível em:

http://www.politicaexterna.com/98/declaracao-conjunta-mercosul-%E2%80%93-caricom . Acesso em: 22/05/2011

 

Agência Brasil-Empresa Brasil de Comunicação

Disponível em:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2005-09-09/brasil-aproveita-saldo-positivo-com-america-central-e-caribe-para-fazer-investimentos . Acesso em: 22/05/2011

 

Edição Digital do Jornal Cubano “Venceremos”

Disponível em:

http://www.venceremos.co.cu/pags/varias/portada/centro_negocios_3024288.html. Acesso em: 20/05/2011

 

Ministerio de Economía, Planificación y Desarrollo de la República Dominicana

Disponível em:

http://www.economia.gob.do/eWeb/ShowContent.aspx?idc=469.

Acesso em 20/05/2011

 

Site Oficial da Associação de Estados do Caribe

Disponível em:

http://www.acs.aec.org . Acesso em 20/05/2011

 

Ministério de Desenvolvimento, Indústrias e Comércio Exterior do Brasil

Disponível em:

http://www.mdic.gov.br//sitio/interna/interna.php?area=5&menu=1817&refr=576.

Acesso em 20/05/2011

 

Dominguez Ávila, Carlos. O Brasil e o Grão Caribe: Fundamentos para uma nova Agenda de Trabalho. Set/dez 2008, Contexto Internacional vol.30, n˚3.

Disponível em:

http://www.scielo.br/pdf/cint/v30n3/04.pdf .

Acesso em: 20/05/2011

 

Entrevista com o Embaixador Gonçalo Mello Mourão, ex-diretor do Departamento da América Central e Caribe do Ministério de Relações Exteriores do Brasil.

Disponível em:

www.unieuro.edu.br/sitenovo/revistas/downloads/hegemonia-03-02.pdf .

Acesso em: 20/05/2011

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O HISTÓRICO JULGAMENTO DO CASO MENSALÃO

O estudante de Ciência Política do (UDF), Jorge Mizael, escreveu para o Blog, um artigo onde expressa sua opinião sobre o julgamento do caso Mensalão que acontece amanhã (02).

 

Quem tiver interesse em participar e ter o material publicado em nosso Blog escreva um e-mail para o udf@udf.edu.br com seus dados e artigo em anexo.

 

O Supremo Tribunal Federal – STF deverá iniciar, nesta quinta-feira (2/08), a análise da Ação Penal (AP) 470 começada pela acusação da Procuradoria-Geral da República – PGR, após as denúncias que deram princípio ao escândalo do “Mensalão”. A AP 470 tem como relator o ministro Joaquim Barbosa e como revisor o ministro, Ricardo Lewandowski,  que avaliarão o processo contra os 38 réus acusados de práticas corruptivas durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dentre as acusações constam: corrupção ativa e passiva, evasão de divisas, formação de quadrilha, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e peculato.

 

No relatório, o ministro Joaquim Barbosa apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, então ministro da Casa Civil, e deputado federal José Genoino, ex-presidente do PT, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido e Silvio Pereira, ex-secretário-geral. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa. O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

 

O julgamento é visto por parte da mídia como o maior e mais importante da recente história brasileira, por ir de encontro com a cultura da impunidade na política. Porém é preciso observar, que do ponto de vista político, a divulgação da existência do “Mensalão” já produziu resultados, entre os quais a cassação dos deputados Roberto Jefferson (PTB) e José Dirceu (PT), em 2005, a realização do segundo turno entre Lula e Alckmin assim como a redução da bancada do PT na eleição de 2006.

 

Cabe ressaltar, a dificuldade de se prever o término do julgamento, devido à aposentadoria dos ministros Ayres Britto e Cezar Peluso a as várias ações protelatórias do cipoal processual. Outro elemento importante está no fato do STF, nos últimos 45 anos, ter condenado apenas um político e, ainda assim, não se tratava de uma sentença transitada em julgado.

 

Todavia, o que se pode esperar como desdobramento do julgamento, especialmente em função da pressão da opinião pública, são aperfeiçoamentos na legislação e nos mecanismos de controle que impeçam a repetição de situações como essas no futuro.

 

O resultado do julgamento também poderá impulsionar a votação dos vários projetos que aceleram a prestação jurisdicional, com mudanças nos códigos de processos, para, entre outras medidas, reduzir drasticamente os recursos, que levam à prescrição dos crimes praticados.

 

Entretanto, outro debate evidente, não é como o julgamento afeta o PT, a cultura política, e a condenação por crimes de corrupção, mas sim como e se poderá afetar o nome de Lula.

 

Assim, se o julgamento produzir algo de efetivo – mudanças legais, de comportamentos, para o aperfeiçoamento dos sistemas políticos e das instituições políticas – já terá marcado o seu espaço na história social e política do país. De certo modo, a sentença irá inaugurar um momento de conciliação e aumento do interesse social pela política ou descrédito e, consequentemente, o afastamento da política.

 

Jorge Mizael é aluno do 7º semestre de Ciência Política. Tem experiência na área de Pensamento Político Brasileiro, sendo aluno pesquisador da Linha de Pesquisa de Violência, Direitos Sociais e Humanos, do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF).

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CPI DAS PIZZAS?

O aluno do sexto semestre de Ciência Política, Enrico Monteiro Ribeiro, apresenta o artigo “CPI das pizzas”. O estudante esclarece pontos do famoso bordão utilizado na política das CPIs: “Acabar em pizza”.

 

Para todos os outros que tiverem interesse em participar, e ter seu material publicado em nosso Blog, enviem-nos um email com seus dados e artigo em anexo. Participe!

 

CPI das Pizzas?

 

Nos últimos dias a mídia deu grande destaque à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários de vários ramos. Mas, na verdade, o que mais se tem ouvido é que essa CPI, assim como outras, acabará em pizza. Será que é verdade? O que é acabar em pizza?

 

Na política há diversos fatores que influenciam a conduta do parlamentar, como a ética moral. A quebra desses preceitos deveria, em alguns casos, dar em cadeia. Contudo, será que somente existe essa penalidade? A visão normativa que o único instrumento de penalidade de um parlamentar, assim como de qualquer cidadão, seria as sanções previstas no nosso ordenamento jurídico é, de certa maneira, incompleta e perigosa. Por mais que o primeiro instinto seja apenas olhar para as nossas leis e suas aplicações, a política se molda em diversos outros fatores que o Direito não é capaz de explicar.

 

Se analisarmos a última grande CPI, a do Mensalão, onde se fala que acabou em uma grande pizza veremos que isso não é totalmente verídico. Por mais que ainda não se tenha condenado nenhum suspeito, não se pode falar em pizza. Vale ressaltar que a CPI tem como única finalidade investigar (afinal é uma Comissão Parlamentar de Inquérito), e não julgar e condenar quem quer que seja. Esse é o papel do nosso judiciário.

 

Vamos à CPI do Mensalão. Na ocasião, diversos parlamentares foram denunciados por fazerem parte de um esquema de propina e caixa 2 para as suas campanhas. O caso foi tão grandioso que até mesmo o Presidente da República chegou a ter seu nome envolvido e sua reputação abalada. Mesmo não tendo ninguém condenado, José Dirceu, um dos principais políticos com projeção nacional, que era o candidato natural a suceder o então presidente Lula, nome forte dentro do seu partido, hoje está “politicamente morto”. O que na política significaria dizer, que dificilmente ele conseguiria se eleger para algum cargo eletivo. Isso para qualquer político é maior que qualquer sanção judicial, já que o maior princípio da política é como diria Maquiavel, a conquista e a manutenção do poder.

 

Na mesma ocasião, diversos outros políticos de renome, presidentes de partidos importantes e grandes, figuras imponentes e de grande prestígio tiveram o mesmo destino, a cova política.

 

Hoje, nos deparamos com a nova CPI e já se espera a nova pizza. Mas será?

 

Um dos senadores mais importantes do Senado Federal, um dos parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, o chamado “paladino da moralidade” e cogitado para concorrer a Presidência da República, esse mesmo homem, hoje se vê deparado com sua imagem abalada, sua influência baixa e com altíssimas chances de perder seu mandato. Ele está fadado à cova da política, e se ver jogado ao ostracismo político, sem chances de reaver qualquer cargo eletivo e manter o seu poder e influência. Por mais que haja, e deva haver caso culpado, sanções judiciais contra ele, sua maior sanção é não ter mais perspectivas de se manter na política.

 

Vale lembrar que esta CPI não investiga somente o senador, provavelmente apenas mais um no esquema, mas também diversos empresários, políticos e empresas de grande porte. Com o avançar das investigações, diversos outros atores políticos, como os governadores dos estados, poderão perder seu prestígio, influência e até poder, tendo mesmo fim do senador.

 

Isso valeria pensar: será que pizza só significa sanção judicial? Será que pizza só significaria julgar e condenar alguém porque a mídia o coloca como culpado, mesmo antes de um julgamento justo?

 

Não é dessa forma que a política se faz e se molda, e nem deveria. A política se faz em um jogo onde qualquer movimento errado te tira, definitivamente, da partida. Essa, sem sobra de dúvidas, é a principal sanção que um jogador poderia sofrer.

 

Enrico Monteiro Ribeiro

6º semestre – Ciência Política

UDF Centro Universitário

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A POLÍTICA EM BRASÍLIA

Artigo feito pelo aluno Jorge Mizael

Pela primeira vez no Blog UDF, publicamos um post escrito por um aluno.

 

O estudante do 6º semestre de Ciência Política do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), Jorge Mizael, escreveu para o Blog UDF um artigo onde expressa sua opinião sobre o assunto: “A política em Brasília”, que diz que devemos nos conscientizar na hora de votar.

 

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BRASÍLIA CAPITAL DA CORRUPÇÃO

 

É impressionante ver a quantidade de informações vinculando Brasília à corrupção e os brasilienses aos corruptos. Sabemos que muito disso se deve ao fato de Brasília ser o centro político do Brasil e, por esse motivo, ter que abrigar parte da classe política nacional, que vem sendo bombardeada por escândalos recentes. Mas se considerarmos que todos os políticos são corruptos, o que é um completo absurdo, ainda assim a contribuição e a ligação de Brasília com a corrupção é consideravelmente pequena.

 

No Congresso Nacional contamos com 594 parlamentares, entre deputados federais e senadores da República, desse número os brasilienses elegeram, direta ou indiretamente, oito deputados e três senadores, o que significa dizer que apenas 1,85% dos parlamentares da esfera federal são de responsabilidade dos brasilienses.

 

Ademais, existem dois questionamentos cabíveis: de quem é o real interesse em ligar a Capital Federal aos escândalos de corrupção e qual é o reflexo desse tipo de informação nas camadas mais baixas da sociedade? Com relação ao primeiro questionamento, ainda não temos os subsídios necessários para uma conclusão. Mas em relação ao segundo, o que identificamos é um afastamento evidente desse eleitorado com o seu representante e com todas as outras coisas ligadas à política.

 

Diferente do que sugere o título do texto, Brasília é o local de trabalho – ou deveria ser – dos políticos eleitos em todos os estados da Federação, inclusive todos os corruptos eleitos sem participação dos brasilienses. Ou seja, Brasília carrega o peso dos brasileiros escolherem mal os seus representantes, não saberem votar, não fiscalizar o mandato dos seus escolhidos e o pior, não entenderem a amplitude da palavra democracia.

 

Em tela, podemos concluir que Brasília apenas cumpre a sua ingrata missão, de Capital Federal, de compilar parte dos corruptos eleitos Brasil a fora, sendo mera expectadora dos atos ilícitos aqui realizados e/ou costurados. A Capital, assim como o Parlamento, é um simples reflexo do Brasil mal informado, que elege sempre os mesmos corruptos e passa quatro anos reclamando da sujeira que é a política. Mas lembrem-se eles foram eleitos por vocês.

 

Atenção Brasil, esse ano temos eleições não jogue em mim a culpa pelo mau uso do seu voto.

 

Jorge Mizael

Categoria: Retrato
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