OBESAS E DIABÉTICAS TÊM DOBRO DE RISCO DE TER FILHO AUTISTA, DIZ ESTUDO

Separadamente, as condições também aumentam a probabilidade da síndrome

RIO — Um estudo publicado na revista científica “Pediatrics” mostra que mulheres que sofrem de obesidade e diabetes durante a gestação têm quase o dobro de chances de ter um filho com autismo ou alguma outra desordem relacionada ao desenvolvimento.

A pesquisa foi baseada nos registros de 2.734 crianças que tiveram seu pós-natal feito no Centro Médico de Boston, nos EUA, entre 1998 e 2014. Os bebês foram dividos em seis grupos, de acordo com o peso da mãe e o nível de diabetes dela, e os pesquisadores concluíram que tanto a obesidade quanto o diabetes — de todos os tipos, inclusive o diabetes gestacional — estavam associados com um risco aumentado de autismo e síndromes semelhantes. Mas, quando combinadas, as duas condições aumentavam ainda mais o risco de o bebê vir a sofrer de alguma síndrome de desenvolvimento. Nesses casos, o risco chegava a quase dobrar, em comparação com mães que não tinham problemas com peso ou diabetes.

 

Dados oficiais mostram que, pelo menos nos Estados Unidos, uma em cada 68 crianças tem autismo. A informação é do Centro para Controle e Prevenção de doenças (CDC, na sigla em inglês).

 

— Nossa pesquisa mostra que o risco de autismo começa no útero — disse a co-autora Daniele Fallin, chefe do Departamento de Saúde Mental da Escola Bloomberg e diretora do Centro Wendy Klag para Autismo e Deficiências de Desenvolvimento. — É importante para nós agora tentar entender o que há na combinação de diabetes e obesidade que está potencialmente contribuindo para uma saúde fetal aquém do ideal.

 

Fonte: O Globo

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BRASIL ESTÁ ENTRE OS QUATRO MAIORES EMISSORES DE NITROGÊNIO

Emissões são impulsionadas pela produção de ‘commodities’

RIO — Quando se pensa em efeito estufa, o grande vilão é quase sempre o carbono. Por trás dele, porém, há uma amplo leque de elementos químicos altamente danosos à atmosfera. Um dos principais é o nitrogênio reativo, cuja liberação na atmosfera foi dissecada pela primeira vez em um estudo capitaneado por pesquisadores da Universidade de Sydney, na Austrália, com dados de 188 países. O mapa dessa pegada de nitrogênio traz uma disparidade marcante entre nações. Quatro países — EUA, China, Índia e Brasil — são responsáveis por 46% das emissões desse gás no mundo.

 

O nitrogênio simples (N2) compõe 78% do ar na atmosfera e é extremamente estável, sendo absorvido apenas pelas plantas por meio de bactérias. A quantidade não aproveitada pelo ecossistema volta, em um ciclo natural, para a atmosfera. No entanto, desde a Revolução Industrial, o homem vem liberando nitrogênio reativo a partir da queima de combustíveis fósseis. Nos últimos 150 anos, para desenvolver a agricultura, o elemento tem sido usado na forma de fertilizantes. Grandes quantidades deixam o campo e vão para o ar, onde o gás reage com vapor d’água e dá origem a chuva ácida ou ao óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa 300 vezes mais poluente do que o próprio carbono e que contribui, por exemplo, para a acidificação do solo.

De acordo com os autores do levantamento, a poluição do nitrogênio a partir da atividade humana cresceu em seis vezes desde a década de 1930 — e em dez vezes nos últimos 150 anos. Hoje, o consumo de commodities da agricultura é o grande responsável pelo aumento das emissões desse gás.

 

POLUIÇÃO FORA DAS FRONTEIRAS

 

Os países desenvolvidos geralmente importam muitos produtos que levam à emissão de nitrogênio em nações mais apoiadas no setor agrário, diz a pesquisa. Assim, economias como Japão, Alemanha, Reino Unido e os EUA têm emissões per capita do gás duas vezes maiores do que a quantidade produzida localmente. Em média, por exemplo, cada pessoa na Libéria seria responsável por menos de sete quilos da liberação de nitrogênio reativo por ano. No mesmo período, um habitante de Hong Kong responderia por mais de 100 quilos de poluição, já que a região é grande importadora de produtos agrícolas.

 

— Queríamos saber quem estava fabricando os produtos que são postos nas prateleiras de outros países, e quem é afetado durante este processo — explica Arunima Malik, autor chefe do estudo, publicado na revista “Nature Geoscience”, que afirmou que os problemas ambientais causados pelo excesso de nitrogênio ainda vão custar muito caro.

 

Principalmente devido à importação de produtos agrícolas, as nações de alta renda são responsáveis por emissões de nitrogênio dez vezes maiores que a observada em países em desenvolvimento. Esta diferença refletiria, também, o aumento do consumo de produtos de origem animal e de alimentos altamente processados, entre outros itens que demandam uso intensivo de energia.

 

— As emissões estão fortemente relacionadas ao consumo e à produção — acrescenta Andrea Santos, gerente de projetos do Fundo Verde da UFRJ. — O Japão e demais nações desenvolvidas importam roupas e outros produtos cuja fabricação levou a emissões de nitrogênio. Hong Kong não tem terra para culturas agrícolas. Então, precisa comprar suprimentos de diferentes países. O cultivo desses itens levou à liberação de nitrogênio.

 

De acordo com Andrea, a avaliação da emissão de nitrogênio exemplifica um impasse das negociações climáticas:

 

— Os países desenvolvidos são historicamente os maiores poluidores da atmosfera, já que financiam o cultivo agrícola e importam commodities de outros locais. No entanto, as nações pobres às vezes são consideradas “corresponsáveis” pela poluição, já que conduzem em seus territórios as atividades econômicas que vão liberar nitrogênio.

 

A pesquisadora do Fundo Verde avalia que o Brasil, durante seu desenvolvimento econômico, não investiu em sustentabilidade. Por isso, acredita que “não é surpresa” ver o país entre os principais produtores de nitrogênio.

 

— Precisamos adotar no campo práticas como o manejo do solo e a mudança de cultivos agrícolas — destaca ela, antes de acrescentar: — Não cuidamos dos problemas no campo, tampouco investimos apropriadamente em fontes de energia renováveis nas cidades. O setor energético e o de transporte estão entre os mais poluentes de nossa economia, e isso ocorre porque ainda abusamos dos combustíveis fósseis.

 

A equipe de Malik alerta que, com a expansão da população mundial, a emissão de nitrogênio aumentará significativamente. Por isto, é necessário fazer projeções sobre como aumentarão e serão distribuídos a riqueza e o consumo nas próximas décadas, assim como indicar os setores nos quais o combate à contaminação da atmosfera por gases-estufa devem ser prioritários.

 

O cientista que liderou a elaboração do mapa das emissões de nitrogênio propõe a criação de uma legislação internacional para o controle da liberação desse gás. Para o pesquisador, esta medida inibiria as emissões. Outra proposta é a impressão, nos rótulos dos produtos, da quantidade de nitrogênio necessária para a sua fabricação, o que contribuiria para a conscientização dos consumidores. Ele também sugere a taxação dos itens mais poluentes e de fácil acesso no mercado, como os fertilizantes nitrogenados.

 

As recomendações são incentivadas por André Nahur, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil:

 

— A demanda por nitrogênio pode ser reduzida se tomarmos decisões mais conscientes dos produtos associados com a liberação do gás em diversos setores, como alimentação, transporte e indústria têxtil — ressalta. — É importante que cada país considere alternativas para reduzir o uso deste elemento químico. (Colaborou Clarissa Pains)

 

Fonte: O Globo

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CONSUMO DE BATATA ANTES DA GRAVIDEZ PODE ELEVAR RISCO DE DIABETES

Pesquisadores americanos sugerem substituir tubérculo por grãos integrais e legumes

RIO – Mulheres que comem mais batatas antes da gravidez podem ter taxas mais altas de diabetes gestacional — a forma que ocorre durante a gravidez — em comparação a mulheres que consomem menos batatas no mesmo período, diz estudo realizado pelo National Institutes of Health (NIH). Os pesquisadores propõem que substituir batatas por outros vegetais, legumes ou cereais integrais pode ajudar a reduzir o risco de diabetes gestacional. Os resultados aparecem no “The BMJ” (anteriormente conhecido como “British Medical Journal”).

 

O diabetes gestacional é uma complicação comum da gravidez que provoca níveis altos de açúcar no sangue da mãe. O distúrbio pode levar a futuros problemas de saúde para mãe e filho. Estudos anteriores ligaram alimentos com alto índice glicêmico, uma medida da capacidade de elevar os níveis de açúcar no sangue, a um maior risco de diabetes gestacional ou tipo 2. No entanto, até ao presente estudo, o efeito da batata, alimento rico em glicêmico comum, sobre o desenvolvimento de diabetes gestacional era desconhecido.

 

Pesquisadores do NICHD (National Institute of Child Health and Human Development) e da Universidade de Harvard avaliaram mais de 15.000 mulheres no programa “Nurses’ Health Study II”. Eles analisaram registros de 1991 a 2001 de mulheres que não tinham histórico de doença antes da gravidez e que não tinham apresentado quadro de diabetes gestacional antes. A cada quatro anos, as mulheres preencheram um questionário sobre os tipos de alimentos que haviam comido durante o ano anterior. No quesito as batatas, as mulheres foram perguntados sobre se tinham consumido batatas cozidas, em purê, fritas ou chips, com possíveis respostas variando de “nunca” a “seis ou mais vezes por dia”.

 

Os pesquisadores descobriram que as mulheres que comeram mais batatas tiveram um maior risco de diabetes gestacional. Eles estimaram reduções no risco de diabetes gestacional, substituindo os seguintes alimentos por duas porções de batatas por semana: 9% para outros vegetais, 10% para as leguminosas, e 12% para alimentos integrais.

 

Os autores alertaram, no entanto, que, pelo fato de o estudo não ter sido projetado para provar causalidade, seus resultados não provam conclusivamente que o consumo de batata leva diretamente ao diabetes gestacional. Eles acrescentaram que seus resultados devem ser confirmados por outros estudos.

 

Fonte: O Globo

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ESPECIALISTAS TRAÇAM RADIOGRAFIA DA CIRCULAÇÃO DO ‘AEDES’ PELO MUNDO

Mosquito teria começado a se espalhar durante a Segunda Guerra

RIO — Infecção que teve seu primeiro caso confirmado no Brasil apenas em maio deste ano, a zika ocupou o centro das atenções na mais recente edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, quarta-feira passada, sobre surtos virais e vacinas. E não à toa: a doença preocupa muitas gestantes por ser considerada responsável pela epidemia de microcefalia que assola especialmente o Nordeste do país, mas também vem sendo ligada a problemas neurológicos graves, como a síndrome de Guillain-Barré, que pode atingir qualquer pessoa.

 

Quem participou do encontro pôde tirar dúvidas com o vice-diretor de Serviços Clínicos do INI/Fiocruz, José Cerbino, e com o infectologista Celso Ramos Filho, do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Especialistas no assunto, eles traçaram uma radiografia da presença do mosquito Aedes pelo mundo e de como esse vilão de menos de um centímetro de comprimento vem causando surtos virais de grande impacto.

 

Com mediação do jornalista William Helal Filho e coordenação do doutor em cardiologia Cláudio Domênico, o evento teve a presença de pais preocupados e de médicos de várias especialidades na plateia.

 

Conforme explicou Ramos Filho, a Segunda Guerra Mundial trouxe muita movimentação de tropas pelo mundo. Ao final do conflito, várias nações se encontravam em áreas hiperendêmicas para dengue. Nos anos 1940, quase toda a América Latina tinha circulação do Aedes aegypti. A partir daí, muitos programas de eliminação do mosquito foram realizados e, três décadas depois, o vetor chegou a ser considerado erradicado na maior parte do continente. O Aedes era encontrado apenas em parte da região caribenha. O cenário positivo, entretanto, não durou muito: logo na década de 1990, o mosquito voltou a se espalhar, e, segundo dados de 2011, ele passou a tomar conta de um território maior que o registrado na primeira metade do século passado.

 

Nos últimos anos, vimos, ainda, surgirem os vírus chicungunha e zika, transmitidos pelo mesmo mosquito. Enquanto o Brasil se preparava para ser atingido com força pelo primeiro, foi surpreendido com os graves efeitos do zika, agora tema de preocupação nacional. Segundo os especialistas, ainda serão necessários cinco, dez ou mais anos para a produção de uma vacina contra essa doença.

 

Fonte: O Globo

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CASOS SUSPEITOS DE MICROCEFALIA CHEGAM A 1.761 NO BRASIL

Até o último sábado (5), 1.761 casos suspeitos de microcefalia foram notificados em 422 municípios brasileiros. Os números foram divulgados nesta terça (8) pelo Ministério da Saúde. Até o momento, de acordo com o novo balanço, 14 unidades federativas registram casos suspeitos da malformação.

 

Pernambuco permanece como o estado com o maior número de casos (804). Em seguida, estão Paraíba (316), Bahia (180), Rio Grande do Norte (106), Sergipe (96), Alagoas (81), Ceará (40), Maranhão (37), Piauí (36), Tocantins (29), Rio de Janeiro (23), Mato Grosso do Sul (9), Goiás (3) e Distrito Federal (um).

 

Foram notificados ainda 19 mortes de bebês com microcefalia e suspeita de infecção pelo vírus Zika, sendo sete no Rio Grande do Norte, quatro em Sergipe, dois no Rio de Janeiro, um no Maranhão, dois na Bahia, um no Ceará, um na Paraíba e um no Piauí. O ministério informou que os casos estão sendo investigados para confirmar a causa da morte.

 

O que é microcefalia?

 

É uma condição neurológica em que a cabeça do recém-nascido é menor quando comparada ao padrão considerado adequado. Neste caso, os bebês com essa malformação congênita nascem com um perímetro cefálico menor do que o normal. Em geral, a malformação congênita está associada a uma série de fatores de diferentes origens. Pode ser o uso de substâncias químicas durante a gravidez, como drogas, contaminação por radiação e infeccção por agentes biológicos, como bactérias, vírus e radiação.

 

No dia 28 de novembro, o Ministério da Saúde confirmou que existe relação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia na Região Nordeste do país. Segundo nota divulgada pela pasta, exames feitos em um bebê nascido no Ceará com microcefalia e outras malformações congênitas revelaram a presença do vírus em amostras de sangue e tecidos.

 

Fonte: Agência Brasil (com adaptações).

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TRANSMISSÃO DO HIV DE MÃE PARA FILHO FOI ELIMINADA EM 17 PAÍSES, DIZ OMS

Apesar de progresso, Brasil ainda não erradicou transmissão de mãe para filho

BOGOTÁ — Dados de 17 países e territórios nas Américas, incluindo os Estados Unidos, Canadá e Chile, mostram que essas nações podem ter eliminado a transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

 

Esses países foram capazes de cortar a transmissão de mãe para filho do HIV ao melhorar o acesso das mulheres grávidas ao pré-natal, testes de HIV e tratamento antirretroviral, segundo a OMS e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), braço da agência da ONU nas Américas.

 

O Brasil não faz parte dos países com dados que indicam a erradicação da transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis, segundo as organizações de saúde. O país aparece nos grupos de nações que fizeram progresso e estão próximas de eliminar, mas ainda não eliminaram a transmissão.

 

Os 17 países e territórios que possivelmente atingiram a eliminação, incluindo várias ilhas do Caribe, informaram “dados consistentes com a dupla eliminação” de HIV e sífilis. De acordo com os dados da Opas e da OMS, os nascimentos nesses países representam cerca de um terço de todos os nascimentos na região.

 

“Os países das Américas têm feito enormes esforços para reduzir a transmissão do HIV de mãe para filho, o que reduziu o número de novas infecções pela metade desde 2010”, disse Carissa Etienne, chefe da Opas/OMS, em um comunicado.

 

As organizações de saúde consideram que um país eliminou a transmissão das duas doenças de mãe para filho após um processo de validação que verifica se essas metas foram efetivamente alcançadas. Em junho, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a receber a validação da OMS de eliminação da transmissão do HIV e da sífilis de mãe para filho.

 

Ainda nas Américas, 2.500 crianças nasceram no ano passado com o HIV, o vírus que causa a Aids, de acordo com a Opas/OMS. Garantir que as mulheres grávidas obtenham testes de HIV e tratamento antirretroviral, caso sejam soropositivas, é fundamental para prevenir a transmissão de mãe para filho. Se não forem tratadas, as mulheres HIV positivas têm um risco de 15% a 45% de transmitir o vírus para seus bebês durante a gravidez, parto ou amamentação, observam as entidades.

 

Estima-se que 2 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe estejam vivendo com o HIV, e que houve cerca de 100 mil novas infecções por HIV na região no ano passado. Segundo a Opas/OMS, a maioria dessas infecções se deu em adultos, principalmente homens homossexuais, homens transgêneros e prostitutas e seus clientes. Cerca de 30% das pessoas que vivem com HIV na América Latina e no Caribe não sabem que são HIV positivas.

 

“Se queremos acabar com o HIV em 2030, precisamos acelerar as ações de prevenção e acesso ao tratamento, com foco em populações-chave, e aumentar o investimento e recursos”, disse Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças transmissíveis da Opas/OMS.

 

Fonte: O Globo

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MAIORIA DOS BEBÊS QUE NASCE COM MICROCEFALIA TEM SEGUNDA ANOMALIA

Número de casos saltou para 739 no país, um aumento de 85% em uma semana

BRASÍLIA e RIO — O Brasil já contabiliza 739 casos de microcefalia em 160 cidades, espalhados por nove estados. Os dados, divulgados ontem pelo Ministério da Saúde, mostram um aumento vertiginoso em relação à quantidade de casos notificados até terça-feira da semana passada, quando as ocorrências totalizavam 399. E uma nova observação vem assustando os médicos especialmente em Pernambuco — estado que lidera em número de registros da anomalia, com 487 casos: a maioria dos bebês que estão nascendo com a microcefalia apresentam também outra malformação cerebral, chamada de ventriculomegalia. Enquanto a primeira diminui o tamanho do crânio como um todo, a segunda aumenta a espessura dos ventrículos. Isso faz com que haja ainda menos espaço para o cérebro, o que compromete mais o desenvolvimento da criança.

 

— A associação entre essas duas malformações não é comum. Ainda não temos uma hipótese do porquê isso está acontecendo — afirma Alex Sandro Rolland de Souza, obstetra especialista em Medicina Fetal do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), um dos hospitais de referência para tratamento de microcefalia no Recife.

 

O neuropediatra Luiz Celso Vilanova, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que as duas malformações costumam vir juntas, principalmente em casos de infecção por vírus. Segundo ele, é provável que essas crianças precisem de tratamentos mais complexos.

 

— Quando o feto desenvolve ventriculomegalia, a quantidade de tecido nervoso no cérebro dele passa a ser menor, porque os ventrículos tomam mais espaço do que o necessário. Se ele já tem um cérebro reduzido por conta da microcefalia, os problemas neurológicos e motores que ele poderá desenvolver depois de nascer tendem a ser piores — afirma Vilanova.

 

RELAÇÃO DE ANOMALIA COM ZIKA É ‘QUASE CERTA’

 

A suspeita de que o vírus zika, transmitido pelo Aedes aegypti, seja o causador dessa epidemia que assola o Nordeste desde agosto ganhou força com as últimas investigações. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Castro, essa probabilidade é superior a 90%.

 

— O que os cientistas estão dizendo é que podemos afirmar, com segurança, que há mais de 90% de chances de ser o zika o causador desse súbito aumento de microcefalias. Há pesquisadores que chegam a dizer que as chances são de 99,5%. Se tivéssemos literatura científica internacional que nos respaldasse, poderíamos trabalhar com essa correlação de forma concreta. O problema é que é o que está acontecendo hoje no Brasil é inédito, então precisamos ser cautelosos — avaliou Castro, durante a coletiva.

 

Até agora, foi confirmado que o zika circula em 18 estados, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Espírito Santo. De acordo com o ministro, caso o vírus seja o responsável pela epidemia, como apontam as investigações, ela deve chegar aos demais estados. No entanto, ele não estimou em quanto tempo acredita que as ocorrências possam aumentar nessas outras regiões do país.

 

Goiás é o primeiro estado fora da Região Nordeste a ter um registro de suspeita de microcefalia. O caso ocorreu na cidade de Rio Verde, mas ainda não se observa um aumento em relação ao número do ano passado, quando o estado teve três recém-nascidos com a anomalia congênita.

 

SECRETARIA DE PERNAMBUCO ELABORA NOVO PROTOCOLO

 

Em Pernambuco, a Secretaria estadual de Saúde está elaborando um protocolo que, entre outros aspectos, deve facilitar o acesso a exames de sorologia, que detectam infeções. Atualmente, a prioridade para fazer esse exame é das gestantes que já tenham fetos diagnosticados com microcefalia. Mas a ideia é que todas as grávidas que apresentem sintomas de zika, como manchas vermelhas e dores nas articulações, consigam fazer esse teste rapidamente. Para ter resultado válido, é preciso realizá-lo até uma semana depois do início dos sintomas. Segundo a secretária executiva de Vigilância em Saúde de Pernambuco, Luciana Albuquerque, novas unidades de referência no estado também estão sendo preparadas.

 

— Até hoje, tínhamos como referência o Imip e o Hospital Oswaldo Cruz, além da AACD. Mas, com o aumento de casos, vimos necessidade de aumentar as unidades da rede estadual e de criar algumas da rede municipal para tratar essas crianças. Unidades de referência nas cidades de Petrolina, Serra Talhada e Caruaru estão sendo montadas — conta.

 

Além de Pernambuco, que teve sua quantidade de notificações da anomalia quase dobrada em uma semana — de 268 para 487 —, os estados investigados são Paraíba (96 casos), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (9), Bahia (8) e Goiás (1). O diretor do Departamento de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, explicou que esses números se referem apenas a recém-nascidos, não incluindo fetos ainda na barriga da mãe. A única morte suspeita de ter relação com microcefalia, segundo o Ministério da Saúde, ocorreu no Rio Grande do Norte. Ao todo, em 2014, o país inteiro registrou apenas 147 casos.

 

O ministério também divulgou ontem o resultado do Levantamento Rápido de Índice Aedes aegypti (LIRAa), feito em 1.792 cidades. Segundo o documento, 199 municípios estão em situação de risco de surto para as três doenças causadas pelo Aedes: dengue, chicungunha e zika. Isso porque mais de 4% das casas visitadas nesses locais continham larvas do mosquito. Outros 665 municípios estão em alerta, porque tiveram entre 1% e 3,9% dos imóveis com focos do Aedes. E outras 928 cidades estão em situação satisfatória.

 

— Estamos agora com o problema potencializado. Além da dengue, que mata, e além da chicungunha, que aleija pelo menos temporariamente, o zika pode, acreditam os cientistas, causar microcefalia. Então estamos com um problema de dimensões muito grandes para a gente enfrentar — disse o ministro, Marcelo Castro. — (Esse problema) Não será resolvido pelo governo federal, nem só pelos governos estaduais, nem só pelos governos municipais. Terá que ser uma ação conjunta de todos e principalmente da sociedade.

 

O lixo é o principal criadouro do mosquito no Norte e no Sul. No Nordeste, são recipientes para armazenar água, enquanto no Sudeste são depósitos como vasos e garrafas. Já no Centro-Oeste, não há predominância clara de um tipo de criadouro.

 

Fonte: O Globo

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CO2 NA ATMOSFERA ATINGE NÍVEL RECORDE EM 30 ANOS, DIZ ONU

Outros gases do efeito estufa produzidos pelo homem também aumentaram

GENEBRA – Os níveis dos gases do efeito estufa na atmosfera tiveram uma alta recorde em 2014, num momento em que o implacável agravamento das mudanças climáticas faz com que o planeta fique mais perigoso para as gerações futuras, disse a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da ONU, nesta segunda-feira.

 

“Todo ano, dizemos que o prazo está se esgotando. Temos que agir agora para reduzir as emissões de gases do efeito estufa se quisermos ter uma chance de manter o aumento da temperatura em níveis administráveis”, disse o secretário-geral da entidade, Michel Jarraud, em comunicado.

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Gráficos de emissões elaborados por essa agência da Organização das Nações Unidas mostram a elevação constante dos níveis de dióxido de carbono, o principal gás do efeito de estufa, que alcançou 400 partes por milhão (ppm), estabelecendo um novo recorde a cada ano desde que foram iniciados monitoramentos confiáveis, em 1984.

 

Os níveis de dióxido de carbono alcançaram a média de 397,7 ppm em 2014, mas rapidamente romperam a barreira de 400 ppm no hemisfério norte no início de 2014, e novamente no início de 2015. Logo, 400 ppm será uma realidade permanente, disse Jarraud.

 

“Isso significa temperaturas mais quentes no mundo, eventos climáticos mais extremos, como ondas de calor e inundações, derretimento de gelo, elevação do nível do mar e aumento da acidez dos oceanos. Isto está acontecendo agora e estamos nos movendo em território desconhecido em uma velocidade assustadora”, afirmou.

 

O aumento nos níveis de dióxido de carbono vem sendo amplificado por níveis mais elevados de vapor de água, que por sua vez foram subindo por causa das emissões de dióxido de carbono, afirmou a WMO.

 

Níveis dos outros dois principais gases do efeito de estufa produzidos pelo homem, o metano e o óxido nitroso, também continuaram sua inexorável ascensão anual em 2014, chegando a 1.833 partes por bilhão (ppb) e 327,1 ppb, respectivamente. Ambos tiveram seu mais rápido ritmo de aumento em uma década.

 

O painel de cientistas do clima da ONU estima que as concentrações de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso são as mais elevadas em pelo menos 800.000 anos.

 

Mais de 150 países, liderados pela China e Estados Unidos, os maiores emissores de gases de efeito estufa, divulgaram planos para limitar as emissões de gases do efeito de estufa a partir de 2020. Mas os planos revelados até agora não irão reduzir as emissões o suficiente para atender a uma meta acordada em 2010 de limitar o aquecimento mundial a menos de 2° Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Fonte: O Globo

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