A sociedade do entretenimento

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Marcelo Paes Barros

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em 01/dez/2014 - 1 Comentário

Por Marcelo Paes Barros

 Caros amigos,

Estava eu assistindo um noticiário esportivo americano e me assustei com o anúncio do novo contrato do jogador de beisebol do Miami Marlins, Giancarlo Stanton: ele ganhará U$ 325 milhões de dólares pelas próximas 13 temporadas! Um cálculo matemático simples mostra que este atleta ganhará, nada mais, nada menos, que cerca de U$2900 por hora! Sim, dois mil e novecentos dólares por hora, ou, aproximadamente, R$6900 para cada 60 minutos. Faça mais conversões de tempo se quiser ficar mais estupefato ainda. Na entrevista geral, um repórter teve a audácia de perguntar-lhe: “Você não se sente envergonhado com esse salário?”. Enquanto seu empresário quase caía da cadeira de tanto gargalhar, o atleta, mais cauteloso e comedido, respondeu: “Eu? Se eu me envergonho? Definitivamente, não…”

Obviamente, como todos vocês devem estar fazendo agora, também fiz as contas de quanto eu recebo no mesmo intervalo de tempo. Da mesma maneira, acredito eu, vocês devem ter concluído: “Isso não é justo! Estudei muito, ralo para caramba, ônibus, chefe e esse cara, blá, blá, blá…”. Concordo com sua angústia, mas vamos olhar um pouco ao passado para tentar entender essa afronta aos critérios meritocráticos, segundo nossa perspectiva.

Na Antiguidade, os itens essenciais à nossa sobrevivência tinham valor acordado ali, no momento da barganha. Era a época do comércio por trocas. Criou-se a moeda durante a ascensão e domínio do Império Romano e a subjetividade dos valores de consumo começou a ganhar força, movida por especulações e pela lei da oferta e procura. A Revolução Industrial no século XIX – com produção em série de produtos comercializáveis – intensificou tais especulações e subjetividades. Hoje em dia, não entendemos bem por que uma camiseta branca lisa custa normalmente R$ 15,00, mas se a mesma tiver uma logomarca italiana estampada, esse valor quintuplica, no mínimo. Pior do que não entender e não se questionar do porquê, muitos aceitam passivamente essa premissa e sucumbem à pressão consumista. Assim, não se importam em fomentar essa especulação já que a camiseta, definitivamente, não vale o valor estipulado.

Nossa sociedade atual não atribui o real valor aos itens de consumo, mas os envolve em uma nuance especulativa, regida por modismos, tendências e outras futilidades. O mesmo vale para o salário das pessoas.

contratos milionários

Meus amigos, queiram ou não, vivemos em uma sociedade movida a entretenimento! É isso que vale dinheiro hoje em dia! Pagamos valores exorbitantes àqueles que mexem com nossas emoções e nos divertem. Dentre infindáveis exemplos, vejam os salários do Fausto Silva, do Galvão Bueno e das celebridades de boutique! Por mais díspar que pareça, a maioria da população – esmagadora maioria, diga-se de passagem – consome massivamente esses produtos. Seja ao comprar a revista Açougue Glamour (inventei agora um nome para revista de cirurgias plásticas…) ou a camisa 10 do Josialdo Nunes, artilheiro do Sapucaia do Norte (também inventei).

Quando você segue a dieta que fez a Arystelly Alcântara perder 15 kg em duas horas, você alimenta esse mercado. Quando você clica nas fotos da Kate Buenocullo comprando sal de frutas na farmácia, também. Pagamos para sermos entretidos, ou, se preferir, por algo que nos tire da cruel realidade que vivemos. Fantasia, meus amigos. Do mesmo modo, os grandes palestrantes hoje em dia são mais teatrais que informativos. E ninguém parece se importar com isso. Honestamente, custo a acreditar, mas a informação e o conhecimento parecem gradativamente perder seu valor na sociedade moderna.

Nessa tendência, muitos buscam notoriedade imediata, para conquistar prestígio e ascensão social rápida, sem qualquer esforço. Sabem do que eu estou falando, não? Visualizações em vídeos no Youtube, fotos e seguidores no Instagram, testes do sofá para entrarem no Big Brother 235, etc.

Um dos capítulos mais assustadores que presenciei recentemente é que, acreditem vocês, já existe um mercado de “curtidas” nessas mídias sociais! As (pseudo) celebridades, ou aspirantes, pagam cerca de R$ 0,50 para cada curtida de equipes especializadas. Essas equipes têm milhares de endereços falsos e, mediante o pagamento dessa taxa, todos eles curtirão sua(s) foto(s) de um dia para o outro. Reparem como sempre o número de curtidas de fotos dessas “celebriNADAs” gira em torno de 10.000. Já há um mercado para isso, e o valor de cada curtida parece variar agora: “Olha a curtida! Olha a curtida! Apenas R$ 0,35 aqui na minha barraca!” (leia em clima de feira de rua).

instagram

Não diria que o mundo está perdido. Direi: o mundo está diferente! Tenho certa dificuldade e resistência para entender esse novo contexto. Infelizmente, minha cabeça foi solidificada nos moldes do século XX, mas quero evoluir e vou me adaptar ao contexto em que me encontro! Segundo a Teoria da Evolução, prosperam não os mais aptos, ou os mais capacitados, mas sim os que se adaptam melhor.

Pedi a meu filho que abrisse uma conta no Instagram…

Aceito seguidores! Um abraço.

Um sonho, uma utopia, uma possibilidade…

Postado por

Carlos Augusto Andrade

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em 10/fev/2012 - 60 Comentários

Muitos amigos me acham sonhador. Aquelas pessoas que acreditam que o improvável pode acontecer, sabe?

Quando trabalhamos com pessoas e percebemos a potencialidade que está em jogo no processo de ensinar e de aprender, não há como deixar de perceber que algo criativo pode surgir no emaranhado de ideias que emergem por meio das relações humanas, por exemplo em uma sala de aula. Coisas de professor…

O ato criativo está bem presente na nossa realidade. Há os que dizem: devemos dar mais tempo ao tempo para poder criar. O tal do ócio criativo, lembram? Como fazer isso, numa sociedade tão veloz e que deseja fazer tudo pra ontem? Criar e acreditar, faces de uma mesma moeda, fazem parte da nossa existência. Estaríamos na Idade da Pedra sem esse princípio. No entanto, evoluir não significa deixar de ser sensível, crítico e antes de tudo cheios de imaginação e sonhos.

Ouvi muito essa semana a música Imagine de John Lennon e de repente, lá estava um texto que dizia sobre sonhos “You may say, I’m a dreamer, But I’m not the only one, I hope some day, you’ll join us, and the world will be as one (Você pode dizer, que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único, eu tenho a esperança de que um dia você se juntará a nós e o mundo será como um só).

Ao ouvir Imagine minhas convicções de que podemos construir algo legal e que traga felicidade e prazer se consolidam, pois somos levados a pensar nas relações humanas como uma grande teia, na qual as intenções e interações são constantes e transitam num movimento sem fronteiras exatas, por meio dos diversos caminhos e possibilidades. Assim também se evolui.

É legal também saber que somos parte integrante de uma história real, não aquela oficial que é contada nos livros, mas a do dia a dia, que possui uma força e uma razão de ser. Sem nossa história pessoal, o contexto em que vivemos seria completamente diferente. Sem falsa modéstia, até chato, né? Afinal de contas damos um bom tempero ao lugar em que estamos.

Acho que a ideia que gostaria de passar neste post é que devemos aprender a compartilhar; a dar voz ao outro; a respeitar as diferenças e a estender a mão para apoiar quem se sente só.

Alguém pode estar lendo este post e até dizendo que tudo isso não passa de uma grande utopia, mas foi da imaginação, do conhecimento e de sonhos que tudo foi criado, e poderemos construir novas coisas coletivamente, tendo em vista que a união faz a força. A saída é essa, temos de plantar e regar os campos que nos são entregues e ajustar as estradas para que o caminhar, ainda que difícil, seja prazeroso.

Voltando a falar na canção Imagine, há uma versão cantada pelo Glee com um coral de surdos que mostra um pouco das coisas que eu gostaria de falar e às vezes faltam as palavras.

Se você puder ouça:
Imagine se pudéssemos mudar!!!

Abraços a todos e continuem conosco.

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