TEM ALGUÉM AÍ?

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Renato Padovese

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em 08/mai/2014 - 3 Comentários

Por Prof. Renato Padovese

A recente descoberta de mais um planeta fora do sistema solar, o Kepler – 186f, mereceu a atenção de todo o mundo e trouxe à tona aquelas questões existenciais que tanto nos afligem. Estamos sozinhos no Universo? Há vidas em outros planetas? Ou será a Terra única? O que este exoplaneta, ou planeta extrassolar, tem de especial é o fato de orbitar na chamada zona habitável de seu sistema planetário, além de ter tamanho quase idêntico ao da Terra. Nesta região, nem tão próxima e nem tão distante de sua fonte de calor e luminosidade, as condições são perfeitas para a existência de água líquida, ingrediente crucial para a vida. Se bem que, estar nesta localização privilegiada não garante um ambiente agradável, como nos ensinam nossos vizinhos Vênus e Marte. No primeiro, impera o calor infernal sob nuvens de ácido sulfúrico, no segundo, prevalece a aridez desoladora.

Outras características importantes para um planeta “dar certo” são pouco mencionadas. Uma delas é ter uma lua grande. Graças à Lua, a Terra mantém uma inclinação constante em relação ao eixo vertical. Uma inclinação variável tornaria nosso planeta praticamente inabitável. As estações do ano não seriam regulares e a água líquida não seria uma presença constante. Também ajuda não ser constantemente alvejado por asteroides, e ter um gigante como Júpiter na vizinhança é uma grande vantagem. Com sua imensa força gravitacional, Júpiter funciona como um “para-raios de asteroides”. Fora isso, outro fator importante é a existência de um campo magnético capaz de proteger a crosta planetária da radiação letal que vem do espaço.

ET

Sem se deixar abalar, o astrofísico Stephan Kane, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler -186f, afirma que a quantidade de planetas similares à Terra pode ser incrivelmente alta. Os planetas são considerados subprodutos da formação das estrelas e há cerca de 300 bilhões delas só na nossa galáxia. Outros cientistas fizeram uma conta e estimam que o número de planetas aptos a abrigar vida pode chegar a 40 bilhões. Acreditam que o cosmo é “orientado” para a vida ou, em outras palavras, que a vida tem um “sentido” cósmico. Se os planetas são uma consequência natural da formação de estrelas, a vida pode também ser uma consequência natural da formação de planetas (nas zonas habitáveis). Ou seja, a vida seria comum no Universo, assim como estrelas e planetas.

Ao que tudo indica, apesar das condições extremamente hostis, vida microbiana não deve ser tão rara no cosmo. No nosso próprio planeta temos exemplos de microrganismos dotados de incrível resistência e que se desenvolvem nos ambientes mais severos. Provavelmente, a vida lá fora aparecerá nas suas formas mais simples, já que a multicelular complexa depende de muitos fatores específicos. E o que dizer de vida inteligente, capaz de refletir sobre sua própria existência? Talvez sejamos os únicos.

Por mais instigante que seja a possibilidade da existência de seres extraterrestres inteligentes, é razoável supor que a condição humana é uma singularidade. E a razão é simplesmente a extrema improbabilidade da ocorrência das pré-adaptações necessárias para a viabilização deste fenômeno.

Concordo que apenas teremos chance de encontrar alienígenas inteligentes se procurarmos por eles. Mas, devemos nos acostumar com a ideia de que a resposta para a pergunta feita no título será um eterno silêncio.

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