A CRIANÇA É UM PROBLEMA NA ESCOLA, O QUE FAZER?

Profa. Adriana Oliveira (UDF), Discentes: Klícia de Lima Ramos e Ruth Braga de Assis dos Anjos

 

Você já recebeu um bilhetinho de reclamação da escola porque seu filho era um aluno “problema”? Ou, você é um professor que está se sentindo impotente em sala de aula? Saiba que “Alunos indisciplinados” é um tema que move pais, professores e técnicos de escolas públicas e privadas de diversos contextos no Brasil (REGO, 1996). E para vencer essa dificuldade, é necessária uma reflexão acerca do assunto e uma melhor compreensão sobre as características desses alunos, a importância das regras, as causas, as alternativas disponíveis e a importância dos pais, educadores e psicólogos no desenvolvimento da criança.

 

PERFIL DO ALUNO PROBLEMA

 

“Aluno problema” é o termo popular empregado aos alunos indisciplinados na escola (AQUINO, 1998). Eles não obedecem às regras, aos pedidos dos professores, se envolvem em brigas com os coleguinhas e até mesmo em “bate-bocas” com os professores. São estressados, muitas vezes apresentam baixo nível de aprendizagem e rendimento acadêmico, e podem acabar recebendo muita reclamação, advertência e até mesmo suspensão. Além disso, em casos mais extremos, tem sido muito comum as escolas, ao se informarem do comportamento do ingressante, rejeitarem a vaga a esses alunos para evitarem futuros problemas.

 

E ENTÃO, O QUE PODE SER FEITO?

 

1º – Compreender o que é disciplina e o comportamento indisciplinar.

 

Segundo Rego (1996), as regras e o seu cumprimento são importantes para estabelecer harmonia entre as relações, cooperação, possibilitar diálogo e preservar o direito do outro. Da mesma forma, faz-se necessária a aplicação das regras dentro do contexto escolar, pois a internalização e a obediência a elas, norteiam e delimitam as relações sociais e podem levar o indivíduo à autonomia e liberdade. Nesta ótica, a indisciplina passa a ser vista como falta de respeito, intolerância e intransigência a regras que regulam a conduta de um indivíduo ou grupo (REGO, 1996).

 

2º – Identificar as possíveis causas.

 

A responsabilidade do comportamento problema não deveria recair a apenas em uma das partes envolvidas, ou seja, só sob a família, a escola, a sociedade em geral, ou ainda, ao ambiente economicamente e culturalmente desfavorecidos (REGO, 1996). O indivíduo é um ser biopsicossocial e segundo Belloch e Olabarria (1993), isso significa que é um ser singular e integral que é afetado por fatores biológicos (vírus, bactérias, genética, defeitos na estrutura anatômica, etc.), psicológicos (forma como percebe, internaliza o mundo, sente e reage) e sociais (interação com seu núcleo familiar, amigos e sociedade em geral). Nesse ínterim, o aluno pode, por exemplo, apresentar entre tantas possibilidades algum distúrbio neurológico, de aprendizagem ou comportamental (AQUINO, 1998). E como o indivíduo é um ser único, o conjunto de fatores que determinam seu comportamento pode variar de pessoa para pessoa, recomenda-se procurar um profissional competente para fazer as devidas análises e encaminhamentos e/ou poder auxiliá-lo nesse processo de descoberta das causas e mudanças.

 

3º – Maior participação dos pais no desempenho escolar do seu filho junto à escola.

 

A escola e a família devem trabalhar em parceria para o bom desempenho do aluno. O papel de educar começa com a família e estende-se à escola. Os conceitos, virtudes e valores que durante a vida darão norte à criança devem ser transmitidos pelos pais, de forma que a escola venha apenas para complementar. Os pais devem estar presentes e ter uma participação ativa no desenvolvimento escolar da criança e do adolescente, devem apoiar e dar suporte nos conteúdos aprendidos em sala de aula e estarem atentos às suas dificuldades. É de suma importância também a comunicação e diálogos abertos entre a escola e família. A família deve estar atenta a indícios, sintomas e sinais que possam evidenciar um comportamento problemático do aluno (VASCONCELLOS, 2000).

 

4º- O professor pode lançar mão de algumas estratégias em sala.

 

Segundo Souza (2002), autora do livro “A práxis na formação de educadores infantis”, algumas alternativas indicadas aos professores para combater a indisciplina são:

  • Construir regras para melhorar a convivência junto com os próprios alunos;
  • Fazer trabalhos em equipe e criar recursos para despertar a vontade de querer aprender;
  • Adotar exercícios que estimulam e aulas interativas;
  • Ser atencioso e procurar conhecer o aluno, seus conflitos e problemas;
  • Incentivar os alunos e elogiar suas boas condutas;
  • Buscar a participação da família na vida escolar;

 

5º – Procurar ajuda de outros profissionais.

 

Além da participação dos pais e professores no acompanhamento ao aluno, o psicólogo escolar poderá atuar auxiliando a família e/ou professores no descobrimento e no discernimento acerca do contexto educacional para que possam alcançar maior confiança e autonomia diante de seus alunos. Poderá desenvolver junto à escola, ações esclarecedoras sobre temas diversos, como por exemplo: ética, agressividade, bullying, entre outros. Pode ainda, fazer reuniões com os pais sobre o desenvolvimento acadêmico dos alunos e trabalhos em equipe para a melhoria das relações interpessoais (VASCONCELLOS, 2000).

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SÃO PAULO COMEÇA A FAZER INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE DEPENDENTES QUÍMICOS

Teve início hoje na capital paulista a parceria do governo estadual e do Poder Judiciário que pretende agilizar os processos de internação involuntária ou compulsória de dependentes químicos. De acordo com o desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador da Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, a parceria, oficializada no último dia 11, está condicionada ao respeito aos direitos humanos, podendo até mesmo ser suspensa, caso sejam verificadas violações.

 

 

“Esperamos que isso não aconteça. Agora é evidente que não só nós, do Poder Judiciário, mas o Ministério Público, a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil], a Defensoria Pública, todos nós estaremos atentos ao resguardo da dignidade da pessoa humana. Todos nós somos antimanicomiais, mas há exceções quando a vida da pessoa está em risco ou ela está colocando em risco a vida de um terceiro”, disse ele, em resposta aos participantes de uma manifestação contra internação em manicômios.

 

O desembargador destacou a preocupação que teve inicialmente de essa ser uma ação apenas para retirar os usuários da Cracolândia, na região central. “Eu não poderia conceber ação do Judiciário com um movimento higienista ou de internação em massa, como ocorreu em outros estados. Eu jamais compactuaria com isso. Mas houve uma resposta no dia da instalação da medida, no Palácio dos Bandeirantes, que não seria, em hipótese nenhuma, uma ação com esse intuito”, declarou.

 

 

Para julgar as medidas cautelares que autorizam a internação compulsória ou involuntária (a pedido da família), um anexo do Tribunal de Justiça foi instalado no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod). O posto atende em regime de plantão, das 9 às 13 horas. Além do juiz e sua equipe técnica, irão atuar defensores públicos, que representam os usuários, e promotores de justiça.

 

A secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, destacou que, antes de obrigar a internação, devem ser esgotadas todas as tentativas de uma ação consentida pelo usuário. “Existem agentes que estão atuando nas ruas, tanto a Missão Belém [organização não governamental] com mais de 50 abordadores sociais, como as equipes municipais de saúde e de assistência social, para tentar as internações voluntárias”, declarou.

 

De acordo com a secretária, a medida tem como foco pessoas em estado de drogadição avançado, especialmente as que possuem doenças reflexas. “Algumas delas têm comorbidades, como tuberculose, aids e hepatite, além da situação das grávidas e crianças. Algumas pessoas estão em situação bastante comprometida de saúde e sem a capacidade de decidir sobre o seu próprio destino”, avaliou. A família do usuário também poderá solicitar os serviços de saúde por meio do Samu – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

 

Desde que a internação compulsória foi anunciada, o número de pessoas que procuram o Cratod aumentou, de acordo com a coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas, Rosangela Elias. “Não chegou a dobrar, mas pela mídia as pessoas ficam sabendo e querem mais informações”.

 

É o caso da diarista Aparecida Miranda, 63 anos, que procurou o serviço hoje para pedir a internação da filha de 33 anos, mãe de quatro filhos e usuária de drogas há 15 anos. “Ela mora mais na rua do que comigo. E quando chega é quebrando tudo. Ela nunca procurou internação. Ela fica muito agressiva dentro de casa. Eu chamo a polícia, eles levam ela amarrada, mas depois que sai do hospital, volta tudo de novo”, relatou.

 

Aparecida vê na iniciativa do governo estadual uma forma de conseguir a internação mesmo sem o consentimento da filha. “Ela nunca quis ser internada. Meus vizinhos mesmo falaram, agora é a sua vez. Por mim, ela fica um ano, dois, o tempo que for. Ela representa um risco, porque diz que vai me matar, matar os filhos dela. Ela dorme com uma faca debaixo da cama”, declarou.

 

Atualmente, existem 700 leitos na rede de saúde para atendimento de dependentes químicos. De acordo com a secretária de Justiça, a expectativa é que esse número seja ampliado para 1,1 mil em 2014. O Cratod atende, anualmente, cerca de 1,4 mil pessoas, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. “A maior parte desses atendimentos é de pessoas que vêm voluntariamente buscar ajuda e nós fazemos o acolhimento”, explicou Rosangela.

 

Vagner Santos, de 35 anos, também procurou o serviço para se livrar do vício que tem há 21 anos.

 

“Não aguento mais. O crack mata aos poucos, se pelo menos fosse de uma vez. Eu quero ser internado. Se eu sair daqui, eu vou fumar”, relatou. Ele, que é morador de rua, espera poder retomar a vida familiar depois do tratamento. “Mas é muito difícil. Já fui internado oito vezes e sempre volto”, lamentou.

 

Íntegra Clica Brasília

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