A Páscoa: mais do que uma data, um elo

Postado por

Carlos Augusto Andrade

Mais posts
em 05/abr/2012 - 33 Comentários

Uma das competências humanas que mais prezo é a sua capacidade de viver em sociedade. A vida em comunhão é marcada pelas nossas relações sociais que se presentificam desde nossa vivência em casa, até as mais complexas relações como as compartilhadas na escola, na igreja, no trabalho, nos passeios etc. As pessoas são intrinsecamente sociais. Algumas, podem até achar que é possível viver só, mas esse número deve ser muito pequeno. Pelo menos, para mim, é impossível. Construir algo significativo nesse mundo é erguê-lo com muitas mãos.

O mundo comemorará a Páscoa. Entre ovos de chocolate, coelhos e distribuição de bom-bons, tudo resulta no desejo de estar com alguém, para poder festejar alguma coisa. Acho muito boa a experiência da troca de chocolates, mesmo não podendo experimentá-los pelas altas taxas de açúcar. No entanto, é preciso ir além. Qual o sentido da Páscoa e a sua origem real? O que poderíamos tirar de lição dessa festa que todo ano comemoramos? Tenho certeza que não é o dia internacional da Diabetes, pois se não o comércio iria à falência. Mas tenho vivido o espírito da Páscoa em todos os dias da vida e, agora que ele tem um dia especial, podemos acentuar seu significado em nossas vidas.

Espero não deixar ninguém triste, mas a Páscoa não tem nada a ver com ovos, chocolate ou coelhos. Ela está relatada na Bíblia, no capítulo 12, do livro do Êxodo. O povo de Israel estava cativo no Egito e, para marcar a sua libertação, deveria fazer uma ceia no dia 14 do mês de Nisã (próximo aos nossos Março e Abril). Não vou entrar em detalhes, pois podemos recuperar a história toda lendo a referência, no entanto gostaria de frisar que um cordeiro foi morto e o seu sangue espargido nos umbrais das portas, para que o anjo da morte não entrasse naquela casa. Aquela marca nas portas tinha um sentido. Ali uma família estava unida debaixo da mesma realidade, da mesma ideologia, da mesma fé. A festa marcaria a liberdade tão sonhada e esperada, ali definida pelo ato social/familiar. Uma mesa posta com ingredientes específicos para que todos, em comunhão, participassem unificando-se por um propósito.

O próprio Cristo fez isso também antes de ser crucificado, na última ceia com pão e vinho, ele serviu aos apóstolos e ensinou-lhes o significado da comunhão, do estar juntos. Para mim, em alguns momentos, posso ouvi-lo dizendo: “não se esqueça de comemorar a liberdade que só pode ser conquistada na unidade”. Para os cristãos, Ele foi o cordeiro, cujo sangue espargido, possibilitou uma nova vida.

Jesus, assim, institui uma significação belíssima, no meu entendimento, sobre a ceia que celebra a Páscoa: a comunhão entre as pessoas por um propósito que não é individual. Esse propósito coletivo pode mudar os rumos da vida individual das pessoas, pois terá a chancela do elo social. Imaginem como é difícil quebrar uma corrente forte e coesa. Muito difícil.

Pensando nisso, como estão as nossas relações em casa, no trabalho, no dia a dia?

Páscoa para mim é isso. Um momento de fortalecer essas correntes.

Ainda que seja com ovos, coelhos e regada a muito chocolate, façam valer o significado real da Páscoa.

Assim, desejo aos colegas professores, funcionários e alunos do Módulo, da UDF, da Cruzeiro do Sul, da UNICID: UMA FELIZ PÁSCOA, na busca de que os elos que nos ligam se fortaleçam a cada dia.

Abraço imenso.

ASSINE O FEED RSS

Acompanhe nosso blog pelo feed

O BLOG

O objetivo central do veículo é estimular o senso crítico e o poder de reflexão de seus leitores sobre temas que transitam entre conhecimentos científico e de caráter geral.

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

TAGS