Crime e castigo

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Regina Tavares

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em 16/ago/2012 - 8 Comentários

Na semana passada uma quadrilha de jovens universitários de classe média foi detida após uma sucessão de sequestros-relâmpago praticados na cidade de São Paulo. O motivo dos crimes surpreende: obter dinheiro para curtir baladas.

A notícia é perturbadora e convida a Universidade para refletir sobre o acontecido. Diferente dos casos de criminalidade que ouvimos por aí, este possui algumas peculiaridades preocupantes. Pesquisas empenhadas pela Unicef e a Unesco são categóricas em afirmar que a maioria dos jovens se tornam vulneráveis ao crime em função de sua classe social. A miserabilidade, a não perspectiva de um futuro promissor e a ausência de objetos de consumo próprios do universo juvenil faz com que muitos se aventurem na marginalidade, seja em busca de um tênis ou de um prato de comida.

Contrariando as pesquisas acima, os réus em questão moravam com os pais, dispunham de emprego fixo, boas condições econômicas e eram universitários. Como agravante, possuíam um motivo pífio para a prática da violência: curtir baladas. De acordo com os investigadores do caso, a quadrilha atuava de forma estratégica ao selecionar as vítimas e planejar suas ações. É lamentável constatar que a capacidade inventiva da juventude também está a serviço do mal. Diante de tudo o que foi dito, algumas indagações nos vem à mente, como por exemplo: o que deu errado? Sem dúvidas, os primeiros a fazer esta pergunta são os membros das famílias destes rapazes. Afinal, o núcleo familiar é espaço cativo da transmissão de valores e, apesar das transformações do mundo moderno, não teve seu papel diminuído na formação do caráter dos filhos. Então, o que fez tais jovens violentarem pessoas em nome do prazer efêmero de uma noite de curtição? Poderíamos caracterizar este episódio como o ápice da adoração ao consumo?

E a Universidade onde fica nessa discussão? Seria ela espaço propício à formação da cidadania e do caráter de um indivíduo? Algumas instituições de ensino superior bancam Pôncio Pilatos e parecem estar blindadas numa redoma de omissão e descaso para com a preparação de cidadãos éticos e idôneos. É como se este fosse um problema do vizinho. Ledo engano! A Universidade é ancorada no tripé (ensino, pesquisa e extensão) que trocando em miúdos seria a oferta do ensino de graduação, a produção de pesquisa científica em nível de pós-graduação e a prática de ações e projetos de melhoria das condições de vida de quem está além dos muros da Universidade. É integrando o trabalho feito em sala de aula às atividades de extensão comunitária que se promove a formação de uma geração de cidadãos conscientes e socialmente responsáveis.

Espalhe boas ideias e valores positivos pela Universidade. Isso é o que liga!

Para saber mais sobre as atividades propostas pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários, acesse aqui

Monstros existem!!!

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Carlos Augusto Andrade

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em 25/ago/2011 - 1 Comentário

Pensei que eles fizessem apenas parte do imaginário, ou dos sonhos e de histórias que se contavam para assustar crianças.

A relação hoje em dia com esses personagens fictícios é até bem estranha, pois os antigos monstros que aterrorizavam as crianças, agora fazem parte de filmes e de videogames e, parece-me que nem provaocam mais tanto medo como no passado. Independente de fazer medo ou não, sempre foram e serão fictícios.

No entanto, fiquei surpreso ao assistir programa na TV que mostrava uma verdadeira personificação desses monstros, agora em carne e osso. Cenas grotescas de pai surrando filhos, crianças acuadas, babás violetas e ataques gerais às pessoas pelos mais variados motivos quer por etnia, por sexualidade, por idade, os monstros covardes atacavam sem dó.

Entre pedidos de socorro e o para, por favor, infelizmente, apesar dos brados, nenhum super herói surgiu com seus poderes extraterrestres e ajudou essas pessoas que ali estavam sempre acuadas.

Isso mostra que a violência está bem presente no século XXI e, muitas vezes, sem nenhuma punição para os monstros impiedosos.

Fica uma pergunta: será que o ser humano não está capacitado para tomar medidas contundentes e eficazes com a finalidade de lançar esse mal para bem longe, erradicando-o da vida social?

Uma das formas para lutar contra esses abusos é demonstrar nosso repúdio e pressionar as autoridades, para que as leis sejam feitas e cumpridas.

É importante construir de forma coletiva uma harmonia nesse nosso universo real, essa força será maior do que qualquer super poder de uma pessoa individual, precisamos fazer nossa parte e tornarmo-nos super heróis do coletivo, a união é nossa arma e nem precisa ser secreta.

O CRIME DO MARTELO

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Renato Padovese

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em 31/mai/2011 - 13 Comentários

Numa fria tarde paulistana, um garoto brincava tranquilamente na cozinha de sua casa, no bairro da Casa Verde, quando começou a ouvir uma discussão que vinha de algum outro cômodo. As vozes foram ficando mais e mais altas até que sua mãe rompeu a porta, atravessou apressada a cozinha em direção a uma edícula que havia nos fundos da casa. Ao retornar, empunhava um martelo. Encontrou seu marido, também na cozinha, levantou a ferramenta com as duas mãos e desferiu-lhe um golpe no meio do crânio, com tamanha força que fez saltar-lhe os miolos. O corpo tombou para frente, sobre o chão, e o sangue brotou como de um copo entornado, formando um charco quente e viscoso.

Mãe e filho saíram e pousaram aquela noite na casa de uma vizinha, dando uma desculpa qualquer. Retornaram no dia seguinte. O corpo jazia inerte no chão e o ar estava impregnado por um odor forte. Decidida a eliminar as provas, ela foi novamente à edícula, retornando com outro instrumento, desta vez um serrote. Passou, então, a retalhar o cadáver do marido, dispondo as partes em duas malas. A criança assistia a tudo. Em seguida, limpou ferramentas com água e sabão, fazendo o mesmo com o piso ensanguentado. Aparentemente sem mais nenhum vestígio do crime, ligou para seu amante e pediu para ajudá-la a sumir com o corpo, atirando-o no rio Tietê.

O rumo da história mudou quando a polícia encontrou o cadáver e os investigadores conseguiram reunir provas suficientes para levá-la a julgamento. Porém, o competente advogado da ré sustentou que o crime fora praticado em legítima defesa. Em seu depoimento, ela afirmou ter sido ameaçada com uma lâmina de barbear e que foi compelida a “matar para não ser morta”. O júri, sensibilizado, absolveu a ré pelo homicídio, condenando-a apenas pelos crimes de ocultação e destruição de cadáver.

O promotor de justiça, inconformado com a sentença, sobretudo pela brutalidade do assassinato, seguido de esquartejamento, tudo isso testemunhado por uma criança de 9 anos, filho do casal, apelou ao Egrégio Tribunal de Justiça, que atendeu à solicitação. O novo julgamento ocorrerá nesta semana, dia 3 de junho de 2011, no Tribunal do Júri do Palácio da Justiça do Estado de São Paulo, localizado em frente à Praça da Sé.

Na verdade, este julgamento já ocorreu, em dezembro de 1960. A promotoria conseguiu a condenação de Florinda Marques Alves pela morte de seu marido, José Alves. Já seu amante, Krikor Zeitonian, foi condenado pelo crime de ocultação de cadáver. O que vai acontecer na próxima sexta-feira é um Júri Simulado do caso, atividade do Curso de Direito coordenada pelos Professores José Carlos Viana e Fernando Tadeu Marques. Qual tese sairá vencedora desta vez? A da dona de casa indefesa que reagiu aos maus-tratos do marido ou a da adúltera fria e cruel que matou e esquartejou sem se importar com a presença do filho?

DOIS CRIMES, DOIS EQUÍVOCOS

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Renato Padovese

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em 18/abr/2011 - 100 Comentários

A mente doentia de um psicopata suicida, deficiência nos aparatos de segurança, extrema facilidade para a aquisição de armas, acesso fácil a informações sobre crimes semelhantes, fragilidade das vítimas. Parece que há consenso que estes fatores contribuíram, em maior ou menor grau, para a chocante tragédia que ocorreu numa escola no Rio de Janeiro, com o assassinato cruel e premeditado de 12 crianças. Um fato como este é inexplicável, não adianta perguntar por quê. Buscam-se explicações na tentativa de evitar que o massacre se repita.

Só que no caso brasileiro, o debate tem trilhado um caminho equivocado. Autoridades dos poderes Executivo e Legislativo defendem a realização de um novo plebiscito sobre o desarmamento, no qual os brasileiros responderiam à pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. O problema é que, por diversos motivos, tal proibição, se efetivada, não tem o poder de evitar episódios semelhantes no futuro. Primeiro, porque a arma é um mero instrumento e, sozinha, é inofensiva. Quem decide causar tantas mortes, está determinado a fazê-lo e, na falta de um revólver ou pistola, pode utilizar um avião, um carro, uma faca ou, no limite, as próprias mãos. Segundo, porque as armas e munições utilizadas neste e na maioria dos crimes cometidos no Brasil são ilegais. Chega a ser desonesto, por parte do Governo, proibir um cidadão de adquirir uma arma para defesa pessoal e familiar, enquanto o comércio ilegal segue de vento em popa. Basta lembrar que as fronteiras brasileiras são verdadeiros queijos suíços, com amplas avenidas por onde trafegam tranquilos traficantes de armas.

Outro crime bárbaro, igualmente hediondo, foi o assassinato das duas irmãs na cidade de Cunha. Neste caso, diferentemente do anterior, chamou a atenção a ausência de qualquer debate visando prevenção de crimes semelhantes. Na minha opinião, deveria estar se discutindo a modificação da lei de execuções penais. Isto porque o assassino das meninas, que cumpria pena, foi beneficiado em 2009 com o indulto de Páscoa e estava foragido desde então. O sistema penal brasileiro é muito complacente com os bandidos, na esperança de “reintegrá-los” à sociedade, mas acaba por deixar a população vulnerável.

Se a venda de armas fosse proibida no Brasil, o massacre do Realengo teria ocorrido da mesma forma. Por outro lado, se a lei de execuções não previsse indultos em datas comemorativas, as adolescentes estariam vivas. É preciso começar este debate.

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